Doação
de medula óssea: 7 mitos que podem afastar possíveis doadores
A
doação de medula óssea ainda é cercada por dúvidas que podem gerar medo e até
afastar possíveis doadores. Muitas delas, porém, surgem da confusão entre a
medula óssea e a medula espinhal estruturas diferentes, com funções distintas.
Mas
essa não é a única questão que costuma causar insegurança. Afinal, o
procedimento envolve cirurgia? Há dor? E o organismo consegue repor o material
doado? A seguir, a hematologista Beatriz Nery, médica do Instituto de Oncologia
de Sorocaba (IOS), esclarece os principais mitos. Confira:
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1. A medula é retirada da coluna
Mito.
- A
medula espinhal, localizada na coluna vertebral, não é a mesma coisa que a
medula óssea. A segunda fica no interior dos ossos e é responsável pela
produção das células do sangue. “Quando a doação ocorre por punção direta, ela
não é feita na coluna, mas no osso da bacia”, explica Beatriz Nery.
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2. Toda doação de medula exige cirurgia
Mito.
-
Existem duas formas de coleta. Em uma delas, as células-tronco são retiradas do
sangue periférico por meio de uma máquina de aférese, que separa as células
necessárias e devolve o restante ao doador. Na outra, a medula óssea é coletada
por punção no osso da bacia, em centro cirúrgico e sob anestesia geral. A
escolha do método depende principalmente da doença que será tratada.
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3. Doar medula é extremamente doloroso
Mito.
- A
experiência varia de acordo com o método utilizado. Na coleta por aférese, pode
haver algum desconforto antes da doação, já que são aplicadas injeções para
estimular a migração das células-tronco da medula para o sangue. Já na punção
direta, o procedimento é realizado sob anestesia geral. Portanto, o doador não
sente dor durante a coleta. Nos dias seguintes, pode haver desconforto no local
da punção, que pode ser controlado com analgésicos.
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4. Depois da doação, o organismo fica sem medula
Mito.
- O
organismo repõe as células que foram doadas. Segundo a médica, esse processo
leva, em média, de 10 a 20 dias. Durante esse período, é comum que o doador
apresente algum cansaço, especialmente nos dias seguintes ao procedimento.
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5. Quem se cadastra provavelmente será chamado para doar
Mito.
- A
chance de um cadastro resultar em uma doação é baixa. Isso acontece porque a
compatibilidade entre doador e receptor depende de características genéticas
bastante específicas. “Quando um doador é chamado, significa que, dentre uma
enorme variabilidade genética, há compatibilidade com o receptor”, explica a
hematologista. Por isso, o cadastro não significa que a pessoa necessariamente
terá de realizar a doação. Ao contrário: quanto maior e mais diversificado for
o registro de potenciais doadores, maiores são as possibilidades de encontrar
alguém compatível para quem precisa do transplante.
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6. Qualquer pessoa saudável pode se cadastrar
Mito.
-
Existem critérios de idade e saúde para o cadastro. Em geral, prioriza-se a
inclusão de pessoas entre 18 e 35 anos, e o doador permanece ativo nos
registros até os 60 anos. Também são investigadas condições que podem
interferir na elegibilidade, como histórico pessoal de câncer, algumas doenças
autoimunes, infecções crônicas entre elas tuberculose, doença de Chagas e
hepatites e determinadas condições crônicas, como diabetes, obesidade e
insuficiência cardíaca.
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7. Transplante de medula serve apenas para tratar câncer
Mito.
-
Embora seja uma modalidade importante no tratamento de algumas doenças malignas
do sangue, como leucemias, linfomas, mieloma e neoplasias mielodisplásicas, o
transplante também pode ser indicado para algumas doenças benignas. Entre elas,
estão determinadas imunodeficiências primárias, anemia falciforme e falências
medulares congênitas.
• A importância da doação de medula óssea
para salvar vidas
A
doação de medula óssea é um ato de solidariedade que pode fazer toda a
diferença na vida de pessoas que lutam contra doenças graves, como leucemia,
linfoma e anemia aplástica, e possuem poucas alternativas de tratamento.
Facilitar o acesso à informações sobre o processo de doação e os passos para se
tornar um doador(a) é fundamental, pois contribui com a redução da fila de
espera.
A
medula óssea é responsável pela produção de células sanguíneas. Contudo, quando
não funciona corretamente, pode comprometer a saúde e até mesmo a vida do
paciente. A importância da doação reside na capacidade de proporcionar uma
segunda chance de vida para pacientes que enfrentam condições médicas sérias,
pois terão acesso ao transplante.
Encontrar
um doador compatível nem sempre é fácil, especialmente devido à diversidade
genética presente na população. Por causa disso, aumentar o número de doadores
é fundamental, pois quanto mais pessoas estiverem cadastradas no Registro
Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME), maiores serão as chances de
encontrar um indivíduo compatível com aqueles que precisam de um transplante.
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Como doar medula óssea?
A
Associação da Medula Óssea (AMEO) montou um passo a passo para a doação
voluntária. Contudo, é importante lembrar que as informações e procedimentos
podem variar de acordo com a região e suas regulamentações específicas.
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1 – Realizar o cadastro
Para se
cadastrar como doador de medula óssea, você pode realizar o cadastro em
campanhas de doação ou em um Hemocentro. No site da AMEO, você pode encontrar o
Hemocentro mais próximo da sua casa digitando o seu CEP.
Para se
cadastrar será necessário fornecer uma amostra de sangue e preencher uma ficha
cadastral. Após aproximadamente dois meses, seus dados estarão disponíveis no
REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), que, em suma, é um
registro nacional do Ministério da Saúde. Cada estado tem um cadastro e eles
enviam todos os dados ao registro nacional.
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2 – Esperar
A
genética determina a compatibilidade de medula. Isso significa que pode levar
meses ou até anos para encontrar um doador compatível. Se encontrarem você como
um possível doador compatível, solicitarão que você forneça uma nova amostra de
sangue para confirmar a compatibilidade.
Nesta
fase, é importante manter os dados de contato atualizados, pois o doador
precisa ser acionado rapidamente.
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3 – Confirmada a compatibilidade, realizar avaliação médica
Quando
você for chamado(a) para doar medula óssea, um médico irá avaliar seu estado de
saúde e solicitar a realização de novos exames. Com base nos resultados dessas
avaliações e nas necessidades do paciente receptor, o médico irá explicar qual
será o método de coleta utilizado: aférese, que consiste na filtragem do
sangue, ou punção no osso da bacia.
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4 – A doação da medula óssea
Existem
duas maneiras de coletar medula óssea. A primeira maneira é coletando do osso
da bacia, inserindo uma agulha na região da nádega. Esse procedimento,
realizado com anestesia, dura cerca de 60 minutos. Após a coleta, o doador fica
em observação por um dia.
A
segunda maneira é através da coleta venosa, onde o doador toma um medicamento
durante cinco dias para aumentar a produção de células-tronco. No sexto dia, o
sangue do doador contém muitas células-tronco, e uma máquina pode filtrá-las,
retirando as células-tronco e devolvendo o sangue ao doador.
Geralmente,
o processo de coleta leva de 4 a 6 horas. O medicamento causa efeitos
colaterais como dores no corpo, semelhantes às da gripe. Contudo, não é motivo
de grande preocupação, pois eles podem ser aliviados com um analgésico. Após a
doação de medula óssea, o doador não precisa receber sangue.
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Quem não pode se cadastrar para doar medula óssea?
Existem
certas condições médicas que podem impedir alguém de ser um doador de medula
óssea, pois podem pôr o transplante em risco. Algumas dessas condições incluem:
• Pessoas com menos de 18 anos e mais de
35 anos;
• Portadores de HIV/AIDS;
• Portadores de Hepatite B e C;
• Pessoas que tiveram ou têm algum tipo de
câncer;
• Pessoas com doenças autoimunes como:
Artrite Reumatóide, Lupus, Fibromialgia, Esclerose Múltipla, Psoríase,
Vitiligo, Síndrome de Guillain-Barre, Púrpura, Síndrome Antifosfolipídica,
Síndrome de Sjogren, Doença de Crohn, Espondilite Anquilosante;
• Pessoas com epilepsia;
• Portadores de DST (exceto Herpes, HPV,
Clamídia e Sífilis);
• Portadores de diabetes (exceto diabetes
bem controlada por dieta ou medicamento).
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Apoio aos pacientes transplantados ou que estão na fila de espera
A
Associação da Medula Óssea (AMEO) trabalha para tornar o Programa de
Transplante no Brasil mais acessível. Assista ao depoimento da Dra. Carmen
Vergueiro, médica hematologista e fundadora da AMEO, e conheça um pouco mais
sobre o trabalho de apoio aos pacientes transplantados ou que estão na fila de
espera.
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Projetos sociais e educativos da AMEO
A AMEO
também trabalha em projetos relacionados à educação, formação e divulgação de
conhecimento, pois é fundamental que cada vez mais pessoas conheçam como
funciona todo processo até a realização de um transplante. Um desses projetos é
o Educar para Doar, que oferece um programa para escolas com o objetivo de
ensinar sobre a importância da doação de sangue como um ato de cidadania. Em
suma, a equipe da AMEO utiliza estratégias de teatralização e pesquisas para
discutir a necessidade de ter doadores comprometidos com a doação de sangue e a
falta constante de doadores nos Hemocentros. Com esse projeto, é possível
explicar, também, como realizar o cadastro no REDOME.
Além
disso, a AMEO iniciou em 2019 o projeto Mapa do Transplante de Medula Óssea,
que reúne os dados dos transplantes autólogos e alogênicos realizados no
Brasil. Este banco de dados foi criado para ajudar pacientes, familiares e
profissionais de saúde a obter informações nacionais sobre o Transplante de
Medula Óssea.
Ele
possui um portal público, onde todos os dados estão disponíveis de forma
anônima, e um portal exclusivo para os hospitais, que requer uma senha
individualizada para acessar os gráficos. O Mapa de dados é apresentado de
forma fácil e interativa, permitindo que o público em geral consulte os números
gerais de transplantes, a distribuição por regiões do país e também visualize
resultados parciais ao filtrar de acordo com seus interesses.
Confira
mais sobre o assunto no depoimento da Carmen Vergueiro.
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Campanha Transforme-se
Diversas
ações têm o intuito de aumentar a abrangência de potenciais doadores, como a
Campanha “Transforme-se”. O projeto conta com uma série de vídeos documentais,
onde os transplantados contam suas histórias de vida e todo o processo de
receber um novo órgão. A ação conta, também, com publicações nas redes sociais.
Pois, com o grande número de pessoas que utiliza estas plataforma, é possível
aumentar a conscientização.
A
campanha Transforme-se tem o apoio de algumas organizações sociais, entre elas
o Instituto do Bem, Instituto Gabriel, Associação da Medula Óssea (AMEO) e
Associação Brasileira de Transplantados (ABTX). Em suma, o objetivo é passar a
mensagem de que, por meio da doação, a vida de outras pessoas pode continuar.
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Doe medula óssea, doe esperança
Seja um
herói na vida de alguém. Considere tornar-se um doador de medula óssea. Pois,
um simples gesto de se cadastrar pode ser o início de uma jornada que
transforma a vida de outra pessoa, trazendo esperança, saúde e a oportunidade
de viver plenamente.
Juntos,
podemos fazer a diferença e mostrar que a solidariedade é a força que une e
salva vidas.
Fonte:
Por EdiCase/Biometrix Diagnóstica

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