Navegação
em tempo real amplia precisão em cirurgias complexas de ombro
Uma
tecnologia que permite ao cirurgião acompanhar, em tempo real, o planejamento
feito antes da operação será utilizada em duas cirurgias complexas de ombro nos
dias 29 e 30 de setembro, no Hospital Santa Izabel, em Salvador. A navegação
cirúrgica assistida por computador integra imagens de tomografia e planejamento
tridimensional à execução do procedimento, fornecendo informações que ajudam a
orientar o posicionamento das próteses.
Os dois
pacientes passarão por situações bastante diferentes. Uma mulher de 66 anos,
com artrose avançada e dor mais intensa no ombro esquerdo, receberá sua
primeira prótese. Já o segundo paciente utiliza uma prótese há cerca de 12 anos
e precisará passar por uma nova cirurgia após apresentar dor, perda de
movimentos e desgaste ósseo na região onde o implante é fixado.
“Podemos
pensar na navegação como um mapa que é preparado antes da cirurgia e pode ser
consultado enquanto o procedimento acontece. A tomografia nos permite estudar
cada detalhe da anatomia, planejar onde queremos posicionar a prótese e,
durante a operação, conferir se estamos seguindo aquele planejamento”, explica
o ortopedista Marcus Vinicius Martins, especialista em cirurgia do ombro e
cotovelo.
A
anatomia do ombro não é exatamente igual em todas as pessoas. Além das
diferenças naturais entre os pacientes, doenças como a artrose podem provocar
deformidades e desgaste do osso. Em quem já passou por uma cirurgia
anteriormente, essas alterações podem ser ainda maiores. Por isso, imagens de
tomografia são utilizadas para criar uma representação tridimensional da
articulação, permitindo ao cirurgião estudar previamente as características
daquele ombro e definir aspectos importantes da colocação e da fixação da
prótese.
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Artroplastia reversa
- No
primeiro procedimento, a paciente será submetida a uma artroplastia reversa do
ombro esquerdo. Nesse tipo de cirurgia, a forma de funcionamento da articulação
é modificada para permitir que o músculo deltoide participe mais ativamente dos
movimentos do braço. A técnica pode ser indicada, entre outras situações,
quando estruturas responsáveis pela movimentação e estabilidade do ombro estão
comprometidas.
“Na
prótese reversa, mudamos a maneira como a articulação funciona para que o
deltoide possa ter um papel maior no movimento do braço. Ao reorganizar a
mecânica do ombro, tratamos situações em que a articulação já apresenta um
comprometimento importante”, esclarece o ortopedista.
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Cirurgia mais desafiadora
- O
segundo procedimento apresenta uma dificuldade adicional. O paciente já possui
uma prótese implantada há aproximadamente 12 anos e apresenta perda óssea na
região da escápula onde o implante precisa ser fixado. Além das alterações
provocadas ao longo do tempo, pode haver redução da quantidade de osso
disponível para sustentar a nova prótese, tornando necessário identificar as
melhores áreas para fixação e preservar o tecido ósseo existente.
“Uma
cirurgia de revisão é como reconstruir uma estrutura quando algumas das
referências originais já foram modificadas. Precisamos descobrir onde há osso
em boas condições, como posicionar o novo implante e qual a melhor forma de
fixá-lo. É justamente nesse tipo de situação que um planejamento detalhado pode
ser especialmente útil”, afirma Marcus Vinicius Martins.
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Cirurgião no controle
- Com a
navegação, o cirurgião acompanha na tela informações relacionadas à posição da
prótese e aos pontos escolhidos para sua fixação, comparando o que está sendo
realizado com o planejamento feito antes da operação. Nos dois procedimentos
será utilizado o sistema ExactechGPS®. O recurso não opera o paciente nem toma
decisões de forma autônoma: a escolha da técnica, a interpretação das
informações e a execução de todas as etapas permanecem sob responsabilidade do
médico.
“A
tecnologia não substitui o cirurgião. Ela amplia as informações disponíveis.
Quem decide o que fazer e executa cada etapa continua sendo o médico. O
objetivo é utilizar esses dados para realizar uma cirurgia cada vez mais
individualizada, principalmente nos casos em que a anatomia é mais complexa”,
ressalta o especialista.
A
navegação, no entanto, não significa ausência de riscos nem garantia de
resultados. Como em qualquer cirurgia, a evolução depende de diferentes fatores
relacionados ao procedimento, às condições clínicas e anatômicas do paciente e
à recuperação pós-operatória.
Fonte:
Por Carla Santana - Assessora de Imprensa

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