Por
que a hidratação é tão importante para quem tem diabetes?
Beber
água faz parte da rotina de cuidados com a saúde, afinal, ela participa de
funções essenciais do organismo, como o transporte de nutrientes e oxigênio
pelo sangue, a regulação da temperatura corporal e a eliminação de resíduos.
Entretanto,
para quem tem diabetes, a hidratação pode ganhar uma importância diferente.
Isso porque a sede nem sempre aparece apenas como resposta ao calor ou à falta
de líquidos. Em algumas situações, ela pode estar relacionada a alterações na
glicemia.
Mas
será que beber mais água ajuda a baixar a glicose? Ou será que existe uma
quantidade ideal de líquidos para quem tem diabetes? Para entender essas
questões, é preciso primeiro olhar para a relação entre a hidratação e o
diabetes.
<><>
O que a hidratação tem a ver com o diabetes?
Quando
a glicemia está muito elevada, os rins trabalham para eliminar parte do excesso
de glicose pela urina. Como a glicose leva água consigo, esse processo pode
aumentar a quantidade de urina produzida e, consequentemente, a perda de
líquidos e eletrólitos.
Os
eletrólitos são minerais, como sódio e potássio, que participam de funções
importantes do organismo, incluindo o equilíbrio de líquidos e o funcionamento
dos músculos e dos nervos. Já a perda de água pode deixar o sangue mais
concentrado. Com menos água disponível na circulação, a glicose pode atingir
concentrações maiores no sangue, o que ajuda a explicar a relação entre
desidratação e aumento da glicemia.
Esse
processo ganha ainda mais importância em situações que favorecem a perda de
líquidos, como dias muito quentes, atividade física intensa, transpiração
excessiva, febre, vômitos ou diarreia.
Mas
isso significa que beber água é capaz de reduzir a glicemia? Para responder a
essa questão, é preciso separar o papel da hidratação do tratamento do
diabetes.
<><>
Beber água ajuda a baixar a glicemia?
Beber
água não substitui a insulina, os medicamentos ou outras medidas indicadas para
o controle do diabetes. A principal função da água nesse contexto é ajudar a
manter o organismo hidratado e favorecer o funcionamento adequado dos rins e da
circulação.
Isso
não significa, porém, que a hidratação seja irrelevante para a glicemia. Quando
há desidratação, a concentração de glicose no sangue pode aumentar. Por isso,
manter uma ingestão adequada de líquidos faz parte dos cuidados gerais,
especialmente em situações de maior perda de água.
Além
disso, a escolha da bebida também importa. A American Diabetes Association
recomenda priorizar a água e limitar bebidas açucaradas, como refrigerantes,
chás adoçados e outras opções com açúcar, que podem elevar a glicemia e
acrescentar calorias à alimentação.
<><>
Existe uma quantidade ideal de água?
Não
existe uma quantidade única que sirva para todas as pessoas com diabetes. A
Sociedade Brasileira de Diabetes cita uma estimativa de 30 a 50 ml de água por
quilo de peso ao dia, mas destaca que fatores como clima, umidade do ar,
transpiração, idade e nível de atividade física também precisam ser
considerados.
Na
prática, essa necessidade pode mudar ao longo do dia. Em períodos de calor ou
durante atividades físicas, por exemplo, a perda de líquidos pelo suor pode
aumentar e exigir maior atenção à hidratação.
Alguns
medicamentos usados no tratamento do diabetes também podem influenciar essa
necessidade. Os inibidores de SGLT2, como dapagliflozina, empagliflozina e
canagliflozina, aumentam a eliminação de glicose pela urina e podem aumentar a
frequência urinária. Por isso, quem utiliza esses medicamentos deve seguir as
orientações do seu médico sobre hidratação.
Da
mesma forma, pessoas com condições que exigem controle da quantidade de
líquidos, como algumas doenças cardíacas ou renais, não devem simplesmente
aumentar a ingestão de água por conta própria. Nesses casos, a quantidade
adequada precisa ser individualizada pela equipe de saúde.
Mas
saber quanta água beber é apenas uma parte do cuidado. No dia a dia, outra
questão pode surgir:
<><>
Como manter a hidratação no dia a dia?
Uma das
estratégias mais simples é manter uma garrafa de água por perto e distribuir o
consumo ao longo do dia. Para quem costuma esquecer de beber água, alarmes e
lembretes podem ajudar.
Quem
não gosta de água pura também pode variar o sabor com ingredientes como limão,
frutas, pepino ou hortelã, sem acrescentar açúcar. Frutas e verduras com alto
teor de água também contribuem para a ingestão total de líquidos.
Outro
cuidado é antecipar situações em que a perda de líquidos pode aumentar. Em dias
quentes, durante atividades físicas ou quando há transpiração intensa, por
exemplo, é importante dar mais atenção à reposição de líquidos. Também vale
observar os sinais do organismo, como boca seca, urina mais escura, cansaço,
tontura e dor de cabeça, que podem aparecer em situações de desidratação.
A sede
também é um sinal importante, mas não deve ser o único momento para lembrar de
beber água. Isso porque a sede pode surgir depois que a desidratação já
começou. Por isso, manter uma rotina de hidratação pode ser mais útil do que
esperar o corpo pedir água. Mas há situações em que a sede merece uma atenção
diferente, especialmente quando aparece acompanhada de outros sinais.
<><>
E quando a sede aumenta demais?
Nem
toda sede significa que a glicemia está alta. Calor, exercício, alimentação e
outras situações também podem aumentar a necessidade de líquidos.
Por
outro lado, sede intensa ou persistente, principalmente quando aparece junto de
aumento da frequência urinária e alterações nas medições de glicose, pode estar
relacionada à hiperglicemia. Nesses casos, observar o conjunto de sintomas é
mais importante do que atribuir a sede apenas à falta de água.
A
relação acontece porque a glicemia elevada pode aumentar a eliminação de
glicose pela urina e, com ela, a perda de líquidos. Esse ciclo ajuda a explicar
por que a sede pode aparecer justamente em momentos de glicemia mais alta. Se a
sede persistir ou vier acompanhada de alterações importantes na glicemia,
aumento significativo da urina, tontura, fraqueza ou outros sintomas, é
importante procurar orientação da equipe de saúde.
<><>
O que é importante entender
A
hidratação faz parte dos cuidados diários de quem tem diabetes, mas a
quantidade de água necessária não é igual para todas as pessoas. Clima,
atividade física, alimentação, medicamentos e outras condições de saúde podem
influenciar essa necessidade.
Deixar
a água por perto e distribuir o consumo ao longo do dia são medidas simples que
podem ajudar a manter o corpo hidratado. Afinal, mais do que matar a sede,
beber água faz parte dos cuidados com o organismo e pode ganhar ainda mais
importância em situações que aumentam a perda de líquidos.
Já a
sede intensa ou persistente merece atenção, principalmente quando aparece
acompanhada de alterações na glicemia, aumento da frequência urinária ou outros
sintomas. Nesses casos, mais do que simplesmente beber água, é importante
entender o que pode estar causando esses sinais e buscar orientação médica
quando necessário.
Fonte:
Um Diabético

Nenhum comentário:
Postar um comentário