Gilmar
Mendes alerta contra politização do TSE e diz que maior risco à Justiça
Eleitoral “vem de dentro”
O
ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), fez neste
sábado (19) uma defesa da imparcialidade da Justiça Eleitoral e afirmou que a
politização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) representa um risco
particularmente grave para a legitimidade das eleições de 2026.
Em
manifestação nas redes sociais, Gilmar abordou tanto as ameaças externas ao
processo eleitoral quanto os riscos que, em sua avaliação, podem surgir dentro
das próprias instituições responsáveis pela organização e fiscalização do
pleito.
“Mais
grave, porém, é o risco que vem de dentro: o da politização da Justiça
Eleitoral”, afirmou o ministro. Gilmar acrescentou que integrantes do tribunal
que tentem engajar a Corte em “proselitismo partidário” devem avaliar se reúnem
condições para continuar exercendo suas funções no TSE.
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Partidos e Ministério Público devem fiscalizar
Gilmar
defendeu que os partidos políticos e o Ministério Público Eleitoral acompanhem
de perto a atuação da Justiça Eleitoral e utilizem os instrumentos previstos na
legislação quando identificarem situações que possam comprometer a
imparcialidade dos julgamentos.
A
preocupação central manifestada pelo ministro é preservar a paridade de armas
entre as candidaturas e impedir que decisões da Justiça Eleitoral sejam
orientadas por preferências político-partidárias.
Gilmar
afirmou ainda que o STF continuará funcionando como instância de supervisão da
atuação do TSE, intervindo quando considerar necessário para assegurar o
cumprimento da Constituição e dos precedentes da própria Suprema Corte.
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Alerta sobre interferência dos Estados Unidos
A
manifestação ocorre também em meio às preocupações com possíveis interferências
externas nas eleições brasileiras. Um relatório da Agência Brasileira de
Inteligência (Abin), enviado ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e
ao TSE, elevou o grau de preocupação com a atuação dos Estados Unidos no
processo eleitoral brasileiro.
Segundo
o documento, há uma tendência de intensificação da pressão norte-americana
sobre o Brasil. A avaliação da Abin relaciona essa política a objetivos
estratégicos dos Estados Unidos na América Latina, incluindo a redução da
influência de potências rivais e disputas envolvendo ativos estratégicos,
riquezas naturais e infraestrutura.
Para
Gilmar, no entanto, a preocupação com interferências estrangeiras não elimina a
necessidade de vigilância sobre o comportamento das próprias instituições
brasileiras.
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Tensão entre ministros
A
declaração ocorre poucos dias depois de uma sessão marcada por forte tensão no
STF em torno das investigações relacionadas ao caso Banco Master.
Durante
a sessão de 15 de setembro, Gilmar acusou o ministro André Mendonça de agir com
viés político-eleitoral na condução de questões relacionadas às conversas entre
o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça rejeitou
as acusações e classificou as declarações do colega como levianas.
As
divergências expuseram uma divisão dentro do Supremo em um momento
especialmente sensível, às vésperas das eleições de outubro.
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Inteligência artificial preocupa
Outro
ponto destacado por Gilmar foi o uso da inteligência artificial para produzir
conteúdos capazes de enganar os eleitores.
O
ministro mencionou exemplos de materiais falsos que circularam nas redes
sociais, entre eles uma imagem manipulada que atribuía ao presidente do TSE uma
alteração na data do primeiro turno e outra publicação que convocava pessoas a
“retomar Brasília, como fizemos em 8 de janeiro”.
O tema
já está no centro das preocupações da Justiça Eleitoral. Neste mês, o TSE
estabeleceu critérios para caracterizar deepfakes nas eleições de 2026. A Corte
definiu como deepfake o conteúdo sintético produzido ou manipulado por
inteligência artificial ou tecnologia equivalente que apresente realismo ou
verossimilhança e crie, reproduza ou altere imagem, voz ou manifestação de uma
pessoa.
Para
Gilmar, a combinação entre inteligência artificial, desinformação,
interferências externas e eventual partidarização das instituições exige
vigilância redobrada. A função da Justiça Eleitoral, sustentou o ministro, deve
ser assegurar condições equilibradas para a disputa e impedir práticas abusivas
capazes de distorcer a vontade popular.
• Reforma do STF entra na campanha e
mandato para ministros ganha apoio entre presidenciáveis
A reforma do Supremo Tribunal Federal (STF)
ganhou espaço na disputa presidencial de 2026 em meio ao agravamento dos
conflitos internos na Corte e às revelações envolvendo o banqueiro Daniel
Vorcaro e pessoas ligadas a integrantes do tribunal. Entre as mudanças
colocadas em discussão estão a criação de mandatos para ministros, restrições à
atuação de parentes de magistrados, limites a decisões individuais e alterações
nos critérios de indicação para o Supremo.
Segundo
reportagem de O Globo publicada neste domingo (20), a instituição de mandatos
para os ministros é um dos pontos de maior convergência entre os
presidenciáveis. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo
Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante)
já defenderam ou se vincularam, de diferentes formas, a propostas que limitam o
período de permanência na Corte.
Atualmente,
a Constituição não estabelece mandato para ministros do STF. Uma vez nomeados,
eles permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos, salvo
outras hipóteses de desligamento previstas na legislação.
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Lula defende discussão sobre mandato
Lula
voltou a tratar do assunto depois da intensificação dos conflitos no Supremo.
Em entrevista ao SBT, o presidente afirmou: “Sinceramente, acho que é preciso
discutir um mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo
cargo”.
O
debate também chegou ao Congresso por meio do PT. O deputado federal Reginaldo
Lopes (PT-MG) apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê
mandato de dez anos para os integrantes do STF.
O
vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também se manifestou favoravelmente à
limitação temporal dos cargos, afirmando que “nada deve ser vitalício”.
A
discussão ocorre enquanto Gilmar Mendes, ministro mais antigo da atual
composição do Supremo, soma 24 anos no tribunal. Indicado pelo então presidente
Fernando Henrique Cardoso, ele deverá deixar a Corte em 2030, quando completar
75 anos.
Outros
países adotam diferentes sistemas para suas cortes superiores. Alemanha, França
e Itália estabelecem períodos determinados de permanência, enquanto Estados
Unidos mantêm cargos vitalícios. Noruega e Finlândia utilizam limites etários.
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Propostas variam entre oito e 15 anos
Entre
os candidatos que especificaram a duração pretendida para os mandatos, as
propostas são diferentes. O programa de Augusto Cury estabelece oito anos.
Renan Santos também defende oito anos, enquanto Ronaldo Caiado propõe 12.
Romeu
Zema já se manifestou favoravelmente a um período máximo de 15 anos, embora a
proposta não tenha sido incluída no plano apresentado à Justiça Eleitoral.
Flávio
Bolsonaro, por sua vez, não incorporou a medida ao programa presidencial, mas
foi um dos signatários, no Senado, de uma PEC que prevê mandato de dez anos
para integrantes do Supremo.
Caiado
também propõe idade mínima de 60 anos para ocupar uma cadeira na Corte e uma
quarentena após a saída do tribunal. Pela proposta, ex-ministros ficariam
quatro anos impedidos de advogar e oito anos afastados de atividades
político-partidárias.
“A
reforma será feita. E ela começará por onde está hoje a maior instabilidade
institucional no Judiciário: o Supremo. As regras para ocupar o cargo de
ministro vão mudar”, declarou Caiado a O Globo.
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Advocacia de parentes entra no debate
Outro
tema presente nas propostas de diferentes candidatos é a atuação profissional
de parentes de magistrados. Zema e Flávio Bolsonaro defendem impedir parentes
até o terceiro grau de advogar nos tribunais em que seus familiares exerçam a
magistratura.
Renan
Santos também se posicionou contra a atuação de escritórios vinculados a
parentes de ministros perante o STF. Lula abordou o tema em entrevista à
Record.
“Tem
que ter algo claro: quem for ministro ou estiver no Judiciário não pode querer
ficar rico. Não podem estar no Judiciário e um filho advogando, uma mulher
advogando, o pai advogando na própria Suprema Corte. É preciso criar critério
de moralização”, afirmou o presidente.
O
assunto ganhou maior repercussão com as investigações relacionadas ao Banco
Master. De acordo com O Globo, o escritório de Viviane Barci, mulher de
Alexandre de Moraes, firmou contratos milionários com o banco. Conversas
encontradas no celular de Daniel Vorcaro também fizeram referências aos
advogados Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, e Kevin de Carvalho Marques,
filho de Kassio Nunes Marques, além de Chiquinho Feitosa, então cunhado de
Gilmar Mendes.
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Decisões individuais também estão na mira
Flávio
Bolsonaro, Renan Santos e Romeu Zema incluem em suas propostas mudanças nas
decisões monocráticas, tomadas individualmente por ministros.
O
programa de Flávio propõe limitar essas decisões e rever os tipos de processos
e os autores de ações que podem recorrer diretamente ao Supremo. O documento
afirma que se pretende impedir que “a caneta de um só ministro” se “sobreponha
ao trabalho de todo o Congresso”.
Zema
propõe impedir que um único integrante do STF suspenda leis, bloqueie políticas
públicas ou imponha determinadas obrigações ao Executivo. Seu programa também
prevê mudanças nas hipóteses em que decisões tomadas pelo Congresso podem ser
revertidas pelo tribunal.
Flávio
e Zema defendem ainda alterações no foro de parlamentares. Ambos propõem
retirar do Supremo a competência para julgar congressistas em determinadas
situações.
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Critérios para indicação podem mudar
A forma
de escolha dos ministros é outro ponto colocado em discussão. Atualmente, cabe
ao presidente da República indicar um nome, que precisa passar por sabatina e
aprovação do Senado.
Zema
defende impedir a indicação de políticos, ministros de Estado, secretários e
pessoas vinculadas a partidos, além de seus parentes. Em ato realizado na
Avenida Paulista em 7 de Setembro, ele sugeriu a utilização de uma lista
tríplice.
“Não
tenho nenhum receio de receber uma lista tríplice preparada pela OAB, pelo
Superior Tribunal de Justiça e pelo Ministério Público Federal”, afirmou.
O
programa de Flávio Bolsonaro prevê quarentena de um ano para que ministros de
Estado possam ser indicados ao STF. Uma regra desse tipo teria atingido, em
diferentes momentos, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e André Mendonça, que
comandaram o Ministério da Justiça antes de chegarem ao Supremo.
Augusto
Cury propõe outra mudança estrutural: reduzir de 11 para nove o número de
ministros. Pelo modelo apresentado em seu programa, seis integrantes viriam da
magistratura, dois do Ministério Público e um da advocacia. O candidato também
defende idade mínima de 50 anos para ocupar uma cadeira.
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Tema ganha peso na eleição de 2026
A
presença das propostas de reforma do Supremo na atual campanha contrasta com a
disputa presidencial de 2022. Naquele ano, nem Lula nem Jair Bolsonaro
incluíram mudanças estruturais do Judiciário em seus respectivos programas,
apesar dos sucessivos conflitos entre o então presidente e integrantes da
Corte.
O
debate, porém, não é novo. Em 2018, quando Fernando Haddad substituiu Lula como
candidato do PT à Presidência, seu programa já defendia mandatos para
integrantes do Supremo e alterações no processo de escolha, com maior
participação da sociedade civil.
Em
2026, as discussões voltaram à campanha em outro contexto. As revelações
relacionadas ao Banco Master, as menções a magistrados e seus familiares e os
embates recentes entre integrantes do próprio STF ampliaram o espaço ocupado
pelo funcionamento da Corte no debate eleitoral. As propostas dos candidatos
mostram convergência em alguns pontos, sobretudo na limitação temporal dos
cargos, mas diferenças importantes sobre duração dos mandatos, poderes
individuais dos ministros e forma de composição do tribunal.
Fonte:
Brasil 247

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