quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Contrato de R$ 427 milhões ligaria Nunes Marques a Daniel Vorcaro, aponta PF

rquivos enviados pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelam um contrato de honorários de R$ 427 milhões para a “Turma do KN”, que se referia a advogados ligados ao ministro Kássio Nunes Marques, que seriam pagos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em caso de vitória em processos relacionados ao Banco Master. As mensagens foram reveladas pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, nesta segunda-feira (21).

As mensagens mostram conversas entre Vorcaro, o desembargador Newton Ramos, do TRF-1, e a mulher dele, a advogada Camilla Ramos.  Os advogados eram responsáveis por repassar a Vorcaro atualizações sobre as ações de interesse de Vorcaro em tribunais superiores que poderiam destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios.  Além disso, Newton e Camilla também repassavam pedidos de Nunes Marques, como hospedagem no hotel Fasano.

Os arquivos da PF mostram um contrato de R$ 427 milhões destinado ao escritório de advocacia de Camilla e de Newton, o Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, que havia sido contratado pelo Master para defender o banco em ações sobre indenizações relacionadas ao antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), no qual o Banco Master atuava como credor ou cessionário dos créditos.

Para ter sucesso nos julgamentos, Vorcaro começou a cercar integrantes da Segunda Turma do STF. Nas mensagens, Camilla e Newton passam atualizações a Vorcaro sobre os votos de Nunes Marques nas ações. Em uma das conversas, Camilla comemora o voto do ministro no julgamento. De início, Nunes Marques havia se considerado impedido de julgar o caso, mas voltou atrás da decisão.

“É um excelente voto do Min. Nunes Marques fazendo a distinção dos casos em que o título judicial trouxe os critérios da indenização”, afirmou Camilla e Vorcaro.

<><> Hospedagem, ingresso para Fórmula 1 e camarotes

As mensagens também revelam que Vorcaro bancou hospedagens, ingressos para Fórmula 1 e camarotes na Sapucaí tanto para o ministro quanto para o desembargador. Em uma mensagem, Leo Serrano Giunchetti, auxiliar de Vorcaro, informa que Newton solicitou uma reserva no hotel Fasano Itaim para Kássio Nunes. “Fasano Itaim essa sexta a sábado para KN”, diz o assessor.

Já em outra mensagem, uma assessora do banqueiro encaminha uma mensagem de Newton sobre o mesmo assunto. “Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para ele uma tarifa promocional no Fasano. Só uma diária. Entrando sexta e saindo sábado. Recebi essa mensagem do Newton. OK para você?”.  “Pode botar na minha conta”, responde Vorcaro.

Em outras mensagens, os assessores falam em  “Turma do KN”, se referindo a Camilla e Newton. “Dani, turma do KN (Newton) me mandou aqui 6 nomes para colocar na lista do Camarote… posso encaminhar isso lá pra lista do Camarote, né?”, diz uma assessora.

“Dani, aquele Newton pediu pra ele aqui reserva de 1 noite de hoje pra amanhã no Fasano Itaim, pode fazer e faturar pra Prime?”, diz outra mensagem.

•        Vorcaro bancou Kassio Nunes Marques em mansão de R$ 250 milhões de Márcio Garcia no Carnaval, aponta PF

ensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelam uma operação milionária montada para hospedar, durante o Carnaval de 2025 no Rio de Janeiro, um “ministro” identificado como “KN” em uma mansão do ator Márcio Garcia avaliada em R$ 250 milhões.

Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, investigadores da Polícia Federal apontam que “KN” seria o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. A propriedade, localizada no Joá, bairro nobre do Rio, teria sido reservada também para o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A semana de hospedagem custou cerca de R$ 1,45 milhão, de acordo com os diálogos obtidos pelo portal.

Kassio Nunes Marques e Newton Ramos não se manifestaram sobre as mensagens reveladas.

<><> Mensagens mostram Vorcaro tratando da hospedagem de “KN”

A logística da viagem era discutida diretamente por Vorcaro com Léo Serrano Giunchetti, responsável pelas viagens do banqueiro. Newton Ramos, por sua vez, aparece nas conversas fazendo a interlocução com a equipe ligada ao ministro.

Em uma mensagem enviada em 19 de fevereiro de 2025, Léo relata que Newton havia pedido informações porque “disse que precisava passar pro ministro”. Em outra passagem, ao explicar a Vorcaro por que estava tratando dos detalhes, afirma que havia entendido que a casa de Márcio Garcia “ficaria pro ministro”.

Segundo o Metrópoles, naquele momento ainda havia dúvidas sobre a hospedagem de “KN” no imóvel, mas a utilização da mansão teria sido confirmada nos dias seguintes. A PF aponta que as iniciais fariam referência a Kassio Nunes Marques.

<><> Mansão de Márcio Garcia tem 6 mil metros quadrados

A casa escolhida para a hospedagem pertence ao ator Márcio Garcia e fica no Joá, nas proximidades da Pedra da Gávea. Avaliado em R$ 250 milhões, o imóvel tem cerca de 6 mil metros quadrados, sete suítes e vista panorâmica para o mar.

A estrutura da mansão inclui ainda escritório com capacidade para até 20 pessoas, consultório, academia completa, piscina semiolímpica, sistema avançado de segurança e gramado para minigolfe. O projeto paisagístico é assinado por Burle Marx.

Além do imóvel, as conversas mostram uma estrutura de serviços preparada para o grupo, com:

•        chef de cozinha, garçons e motoristas;

•        uísque Macallan 12;

•        vinhos Sassicaia e Chablis;

•        Moët Chandon e Dom Pérignon;

•        camarote e pulseiras para área VIP;

•        kits para os convidados;

•        tratativas para passeio de helicóptero.

Os diálogos mostram que a organização não se restringia, portanto, à locação da mansão. Vorcaro participava pessoalmente de decisões relacionadas à estrutura que seria disponibilizada aos hóspedes durante o Carnaval.

<><> Feijoada para 40 pessoas e entrada VIP em camarote

As mensagens também registram um pedido de Newton Ramos para promover uma feijoada para aproximadamente 40 pessoas na mansão de Márcio Garcia. Léo Giunchetti consulta Vorcaro sobre a possibilidade de realizar o evento. O banqueiro responde: “Pode fazer.”

Em outro momento, Newton pede pulseiras para uma área VIP. Vorcaro também autoriza. Segundo o relato feito nas mensagens, o desembargador queria ainda uma forma de “KN” entrar em um camarote sem seguir o procedimento normal, evitando o cadastro no aplicativo utilizado pelo evento.

As revelações fazem parte do material extraído do celular de Daniel Vorcaro e obtido pelo Metrópoles. Até a publicação da reportagem, Kassio Nunes Marques e Newton Ramos não haviam se manifestado sobre as tratativas registradas nas mensagens.

•        Crise no STF trava avanço de investigações sobre Banco Master e INSS

 A disputa interna no Supremo Tribunal Federal abriu um cenário de indefinição sobre o andamento das investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS, com efeitos diretos sobre novas operações, pedidos da Polícia Federal, medidas contra investigados e decisões urgentes nos processos. As informações são da Folha de São Paulo.

Desde que o presidente do STF, Edson Fachin, determinou o envio de processos ao seu gabinete, há menos de duas semanas, investigadores, defesas e magistrados passaram a relatar dúvidas sobre os procedimentos. O temor, nos bastidores, é que a crise entre ministros se prolongue por meses e contamine a tramitação dos casos.

Oficialmente, o relator das ações continua sendo André Mendonça. No entanto, os autos — isto é, os documentos que compõem as investigações — estão agora no gabinete da Presidência do Supremo. A medida é considerada incomum e tem sido alvo de críticas e questionamentos dentro e fora da Corte.

A suspensão do julgamento sobre o relatório das mensagens de Daniel Vorcaro enviado ao ministro Alexandre de Moraes agravou a incerteza. Integrantes da cúpula da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República afirmam que há dúvidas sobre como proceder diante da decisão de Fachin. Desde então, a PF não apresentou novas representações ao Supremo e, segundo a reportagem, não há previsão de que isso ocorra em breve.

Na avaliação de integrantes do Ministério Público, apenas eventuais tratativas para acordos de delação premiada podem continuar, porque essa fase de negociação independe de decisão judicial. O restante do trabalho segue, nas palavras de autoridades ouvidas pela Folha, “dentro do possível”, com análise de materiais já apreendidos e tomada de depoimentos, medidas que não exigem autorização prévia do Judiciário.

O impacto mais sensível recai sobre diligências que dependem do aval do Supremo. Quebras de sigilo fiscal, bancário, telefônico e telemático, além de buscas, apreensões e novas operações, estão suspensas na prática. Quando houver necessidade de novas providências desse tipo, os investigadores ainda terão de avaliar a quem direcionar os pedidos.

No caso do Banco Master, Mendonça homologou recentemente a delação de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, apontado como um dos operadores de Daniel Vorcaro. O empresário João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, também fechou acordo de delação premiada com a PGR, ainda pendente de homologação.

As defesas, por sua vez, demonstram preocupação com a manutenção prolongada de prisões e medidas restritivas. No caso do INSS, Fachin pediu o envio de um processo citado no relatório de inteligência de Moraes contra Mendonça, identificado como PET 15041. Apenas nessa ação, há 11 investigados presos preventivamente, além de pessoas monitoradas por tornozeleira eletrônica e outras que estão fora do Brasil.

Sob reserva, a defesa de um dos envolvidos afirmou à Folha que não há determinação explícita, por escrito, de suspensão da tramitação do processo em nenhum dos despachos. Caso houvesse uma paralisação formal, argumenta, seria necessário reavaliar a situação das pessoas detidas. A avaliação é que a interrupção teria ocorrido de maneira informal, o que dificulta questionamentos judiciais.

Essa petição inclui Romeu Carvalho Antunes, filho do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, cuja prisão foi revogada em 9 de setembro. O caso da lobista Roberta Luchsinger também tramita na mesma ação.

No caso Master, a defesa de Henrique Vorcaro voltou a citar, na quarta-feira (16), a indefinição no STF ao pedir novamente a soltura do pai de Daniel Vorcaro. Henrique está preso há mais de 90 dias. Seus advogados alegam que não há nova fundamentação para justificar a continuidade da prisão.

A defesa sustenta que o plenário do Supremo ainda não resolveu pontos centrais da controvérsia, como a suspensão dos processos, o órgão competente para julgar as ações e a definição sobre quem deve atuar como relator. Os advogados também afirmam que o caso não deveria tramitar no STF, por ausência de prerrogativa de foro dos envolvidos. Caso permaneça na Corte, pedem que os autos sejam devolvidos a André Mendonça.

Outro exemplo da indefinição envolve Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária do Banco Central. Sua defesa pediu há seis meses a revisão da medida de monitoração, sem resposta de Mendonça. Na última quarta-feira, o relator informou por e-mail que a responsabilidade sobre pedidos relacionados à operação Compliance Zero passou a ser de Fachin, afirmando: “os feitos foram remetidos à Presidência e lá se encontram”.

Um dos advogados de Belline, Leonardo Palazzi, classificou a situação como um “processo fantasma, sem juiz”, diante da ausência de decisão tanto de Mendonça quanto de Fachin. As defesas de Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro da organização criminosa, do advogado Daniel Monteiro e do próprio Daniel Vorcaro também já cobraram respostas do Supremo.

Interlocutores da Presidência do STF e de André Mendonça afirmam que ainda não há uma dinâmica definida para lidar com os processos. Nos bastidores, Mendonça e seus assessores dizem que as dúvidas devem ser encaminhadas a Fachin. O presidente da Corte, por sua vez, ainda não orientou sua equipe sobre como responder a esses questionamentos.

Uma alternativa discutida seria adotar procedimento semelhante ao usado quando um ministro pede vista de um processo. Nesses casos, se há demanda urgente enquanto os autos estão no gabinete de outro ministro, o pedido é encaminhado ao relator para decisão pontual. Essa solução, porém, ainda não foi formalizada para os casos do Master e do INSS.

A crise também expôs divergências públicas entre ministros. Durante a sessão de terça-feira (15), Flávio Dino criticou Fachin e afirmou ser irregular que o presidente assumisse os casos. Fachin rebateu, dizendo que não havia tomado essa medida.

Fachin chegou a avaliar retirar de André Mendonça a relatoria dos casos Master e INSS, em uma tentativa de conter a crise interna no Supremo. Uma ala da Corte mais próxima de Alexandre de Moraes também defendia esse movimento. Gilmar Mendes, segundo a reportagem, fez o pedido diretamente ao presidente do STF.

Fachin, no entanto, resistiu à ideia por considerar a medida extrema e de difícil fundamentação. Antes disso, ele retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e suspendeu decisões de ministros contra colegas. Em seguida, no dia 12, determinou o envio de processos de Mendonça à Presidência do tribunal.

•        Abin registra alta de grupos extremistas em meio à crise no STF

 A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) identificou um “crescimento expressivo” de grupos que discutem ações “extremistas e violentas” contra o Supremo Tribunal Federal (STF), em meio à crise aberta na Corte após a sessão que debateu a conduta do ministro Alexandre de Moraes no caso Master.

A informação foi divulgada pela jornalista Daniela Lima, do UOL, com base em relatório de inteligência elaborado em 18 de setembro. Segundo o documento, a movimentação ganhou força em redes como WhatsApp e Telegram depois da sessão do STF realizada no dia 15 de setembro.

O relatório aponta que o crescimento desses grupos ocorreu principalmente a partir de discussões envolvendo ataques às instituições e à segurança do processo eleitoral. A Abin recomenda atenção especial a São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, localidades onde a movimentação foi registrada de forma mais incisiva.

O documento é produzido periodicamente e também encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por tratar de riscos que podem interferir no andamento das eleições gerais de 2026. No período analisado, entre 15 e 24 de setembro, o nível de alerta para ameaças à segurança do processo eleitoral foi classificado como “alto”.

O relatório trata de um acompanhamento de incidentes relevantes no contexto eleitoral e aponta aumento das ameaças às instituições durante a janela monitorada. O documento também registra novos casos de interferência em cidades onde o crime organizado exerce influência sobre a circulação de pessoas e o controle territorial.

Um dos pontos centrais do alerta da Abin é a rápida expansão de grupos extremistas violentos em plataformas digitais, articulados em torno da narrativa de “nepalização” do Brasil. A expressão faz referência aos protestos violentos ocorridos no Nepal em setembro de 2025, usados por esses grupos como modelo ou inspiração para mobilizações no país.

A sessão de 15 de setembro no STF discutiu a possível abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes a partir de elementos reunidos pela Polícia Federal envolvendo o caso Banco Master. O julgamento foi suspenso após pedido de vista de Flávio Dino, em meio a divergências entre ministros da Corte.

 

Fonte: Fórum/Brasil 247

 

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