Flávio
Bolsonaro faz striptease econômico: a catástrofe de Milei contrasta com o
desenvolvimento de Lula
Promessas
econômicas deveriam ser examinadas pelos resultados concretos de onde foram
aplicadas.
A
proposta de reproduzir no Brasil o programa econômico de Javier Milei é uma
delas.
É isso
que está em discussão quando Daniella Marques, a precária coordenadora
econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, apresenta Milei como um “ótimo
exemplo” e defende uma agenda de forte redução do Estado, liquidação de
empresas públicas, desregulamentação e corte radical de gastos.
A
Argentina é um laboratório vivo dessa experiência. Milei aplica um programa de
brutal custo humano e produtivo. É essa estratégia, já repudiada pelo eleitor,
que o filho de Jair Bolsonaro propõe ao Brasil?
Na
Argentina, a pobreza e a indigência dispararam na primeira fase da aplicação
daquilo que os neoliberais denominam “ajuste”. No segundo semestre de 2025,
ainda atingiam, respectivamente, 28,2% e 6,3% da população, segundo as próprias
estatísticas oficiais. São milhões de argentinos vivendo abaixo das linhas de
pobreza e indigência.
O
contraste com o Brasil é eloquente.
Enquanto
a Argentina sucumbe à recessão do choque da motosserra, o Brasil conseguiu
retirar novamente o país do Mapa da Fome da ONU. Em 2026, o relatório da FAO
confirmou que o Brasil continuava fora do Mapa da Fome e registrou a
prevalência de subnutrição abaixo de 2,5% da população.
Não é
uma diferença abstrata. É a diferença entre uma política econômica que combina
crescimento, emprego, valorização da renda e políticas de proteção social e
outra que colocou a redução selvagem do gasto público no centro da estratégia.
O
resultado aparece também no mundo empresarial.
No
Brasil, foram abertas 1,67 milhão de empresas apenas entre maio e agosto de
2025, alta de 14,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O país
terminou aquele período com 24,2 milhões de empresas ativas.
Na
Argentina, a dinâmica foi inversa. No primeiro trimestre de 2025, segundo dados
oficiais do governo argentino, foram abertas 16.902 empresas, mas 19.199
fecharam. O saldo foi negativo em 2.297 empresas.
A
diferença aparece também nos fluxos internacionais de capital. O Brasil recebeu
US$ 77,7 bilhões em investimento direto no país em 2025, segundo dados
consolidados pelo Tribunal de Contas da União a partir das estatísticas do
Banco Central.
Na
Argentina, no quarto trimestre de 2025, o próprio Banco Central argentino
registrou saída líquida de US$ 4,687 bilhões em investimento estrangeiro
direto.
Esses
números ajudam a desmontar uma ideia que as próprias economias capitalistas
difundem, mas não praticam: a de que, quanto menor o Estado, maior
necessariamente a confiança dos investidores e melhor a economia real.
O caso
da indústria é ainda mais revelador.
Enquanto
as grandes potências mundiais disputam semicondutores, inteligência artificial,
tecnologias estratégicas e autonomia industrial, o Brasil precisa decidir se
pretende participar dessa corrida de verdade ou assistir a ela de fora.
É nesse
ponto que a proposta de Marques de fechar a Ceitec se torna emblemática. Ela é
a única empresa brasileira a atuar justamente em uma área estratégica:
pesquisa, desenvolvimento e produção de semicondutores de alta tecnologia.
Pretender simplesmente eliminá-la em nome de um evangelho de eficiência fiscal
significa abrir mão de uma capacidade tecnológica que levou décadas para ser
construída.
Determinadas
capacidades industriais e científicas têm valor estratégico. São a base em cima
da qual se constroem sociedades de alto desenvolvimento.
Semicondutores
são hoje infraestrutura do poder econômico e tecnológico. Estados Unidos,
China, Índia, Europa, Japão, Coreia do Sul e Taiwan despejam recursos públicos
e privados para garantir posição nessa cadeia. Seria uma contradição histórica
o Brasil escolher justamente esse momento para abandonar uma de suas poucas
estruturas dedicadas à produção nacional de chips.
É aqui
que a promessa de importar Milei para o Brasil deixa de ser uma discussão
abstrata sobre ideologia econômica.
O que
está em jogo é saber se o país quer uma economia que apenas corte despesas até
mergulhar no atraso e na exclusão ou uma economia capaz de produzir, investir,
inovar, gerar empregos e disputar setores estratégicos.
O
caminho utilizado por Milei produziu uma violenta compressão da demanda,
atingiu empresas, empregos e renda e submeteu milhões de argentinos a uma
deterioração brutal de suas condições de vida.
O
Brasil está seguindo outro caminho. Saiu do Mapa da Fome, ampliou a abertura de
empresas, atraiu dezenas de bilhões de dólares em investimento direto e mantém
uma economia com emprego em níveis historicamente elevados.
Não há
razão para ignorar os problemas brasileiros. Há razão para não transformar a
experiência argentina em objeto de adoração, sem discutir os custos cruéis de
sua cega imposição.
A
pergunta que Daniella Marques e os bolsonaristas defensores dessa agenda
suicida precisam responder é simples: por que o Brasil deveria importar
justamente aquilo que na Argentina não dá certo?
Lula já
demonstrou neste mandato, mais uma vez, que é possível conciliar
responsabilidade fiscal e desenvolvimento. Cortar pode ser rápido.
Reconstruir
depois a indústria, o emprego, a renda, a ciência e a soberania tecnológica
destruídos pelo corte pode levar décadas.
E esse
é um preço que o Brasil não pode aceitar pagar.
• Tiago Barbosa desmonta o ‘jornalismo de
guerra’ e a blindagem corporativa a Flávio Bolsonaro
A
cobertura das eleições presidenciais de 2026 expõe, de maneira crua, o retorno
de métodos e práticas que marcaram os períodos mais sombrios da história
recente do país. Em participação no programa Fura-Bolha, conduzido pela
jornalista Laís Gouveia na TV 247 neste sábado (19), o jornalista e colunista
Tiago Barbosa fez uma dissecação detalhada da postura dos grandes conglomerados
da imprensa comercial, denunciando uma operação aberta de blindagem à
candidatura do senador Flávio Bolsonaro em contraposição a uma ofensiva
orquestrada contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a soberania do
Judiciário.
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Para
Barbosa, o alinhamento dos barões da mídia a uma pauta ultraliberal fez com que
as próprias redações desenvolvessem uma espécie de “amnésia institucional”:
esqueceram o tratamento humilhante do “cercadinho” e os ataques sistemáticos
promovidos pelo clã Bolsonaro contra jornalistas durante quatro anos para
abraçar, de forma dissimulada, a restauração da extrema direita.
“O ódio
de classe, o antipetismo e o antilulismo suplantam o próprio fazer jornalístico
e a dignidade profissional. Muitos jornalistas se tornaram mais realistas do
que o rei, introjetando essa agressividade e transformando qualquer factoide em
munição contra o governo”, pontuou Barbosa.
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A sabatina do JN e a reativação do estigma da corrupção
Um dos
pontos centrais da análise de Tiago Barbosa foi o roteiro adotado pelas grandes
emissoras e jornais durante as sabatinas presidenciais, em especial a do Jornal
Nacional. Segundo ele, o modelo adotado não buscou debater projetos de país nem
avaliar o papel de um estadista com projeção e reconhecimento internacional,
mas sim forçar um tropeço para alimentar narrativas de desestabilização.
Barbosa
comparou o momento presente ao ambiente persecutório do mensalão e da finada
Operação Lava Jato:
• Jornalismo de trinchera: A insistência
em pautas marginais, vazamentos seletivos e acusações sem sustentação material
contra familiares de Lula, com o intuito de colar a pecha de corrupção no campo
progressista.
• Critério de exclusão deliberada: O
desenho das coberturas e convites a sabatinas que privilegiou múltiplas vozes
da direita e da extrema direita, suprimindo forças e candidaturas populares com
defesas programáticas dos serviços públicos e das estatais.
“Toda a
arquitetura dessas sabatinas foi montada para extrair do presidente um tropeço
e reativar na sociedade o falso estigma de que corrupção é monopólio da
esquerda, enquanto se esconde a ausência completa de propostas do adversário”,
sustentou o colunista.
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A balança viciada: o rigor contra Lula versus o silêncio com o clã Bolsonaro
A
disparidade na alocação de recursos investigativos das redações tradicionais
também foi alvo de duras críticas durante o diálogo entre Tiago Barbosa e Laís
Gouveia.
Enquanto
grandes veículos enviaram repórteres ao exterior para esquadrinhar a rotina
civil de familiares de Lula em condomínios comuns, o mesmo ecossistema
midiático trata com indiferença e desdém escândalos contundentes que envolvem
diretamente Flávio Bolsonaro.
Barbosa
destacou as contradições incontornáveis da cobertura:
1. O caso do banqueiro preso: O senador e
candidato bolsonarista é o único personagem que admitiu abertamente, inclusive
em registros de áudio, ter solicitado recursos a um banqueiro envolvido em
fraudes bilionárias contra aposentados e o sistema financeiro — fato tratado
com leniência e manobras editoriais para evitar manchetes de impacto.
2. Patrimônio e mansões: A compra de uma
mansão de milhões de reais em Brasília, financiada por condições atípicas e
quitada em velocidade recorde, segue longe dos holofotes do chamado “jornalismo
investigativo” da TV aberta.
3. Coincidências imobiliárias: A revelação
de sedes compartilhadas entre empresas ligadas ao candidato e investigados por
esquemas ilícitos no INSS não mereceu equipes especiais nem reportagens de
capa.
“Quando
um jornal decide enviar equipe para a Europa atrás de detalhes irrelevantes da
vida do filho do presidente e ignora transações financeiras suspeitas de quem
disputa a Presidência da República, ele está assinando uma adesão explícita à
campanha adversária”, sentenciou Barbosa.
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STF no alvo: a manobra para atingir Lula por tabela
A
ofensiva editorial disparada contra a Suprema Corte — com uma sequência inédita
de editoriais pedindo o afastamento ou a cabeça de ministros que atuaram de
forma firme na contenção da intentona golpista de 8 de janeiro — também foi
dissecada no programa.
Tiago
Barbosa apontou que a tentativa histérica de derrubar o ministro Alexandre de
Moraes visa produzir uma manchete sob encomenda para o discurso bolsonarista:
carimbar o magistrado como “o juiz de Lula” e deslegitimar as sentenças contra
os executores e mandantes da tentativa de golpe de Estado.
“Esses
veículos não estão preocupados com moralidade institucional. Se estivessem,
estariam indignados com reuniões às vésperas de decisões judiciais e com a
lentidão protelatória em processos que beneficiam a extrema direita. O objetivo
nunca foi a ética, mas sim abrir caminho para o retorno do fascismo ao poder
sob a chancela do mercado”, denunciou.
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Indicadores econômicos reais versus a ficção das manchetes
Ao
final da conversa, Laís Gouveia e Tiago Barbosa refletiram sobre como a grande
imprensa fabrica um fosso intransponível entre a realidade material dos
trabalhadores e a narrativa transmitida pelos telejornais.
Mesmo
diante de um ciclo consistente de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB),
desemprego em patamares historicamente baixos, inflação controlada e retomada
do poder de compra, o noticiário insiste em atribuir os resultados à “sorte” ou
em classificar políticas públicas vitais — como a valorização do salário mínimo
e o reajuste do Bolsa Família — como expedientes “eleitoreiros”.
“A
versão fabricada do real tenta ser mais forte do que a própria realidade vivida
pelo povo. A mídia apela ao irracional porque não tem projeto de país a
oferecer. O que resta aos setores populares e à comunicação independente é
seguir desmascarando esse plano dia após dia nas redes e nas ruas”, concluiu
Tiago Barbosa.
Fonte:
Brasil 247

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