terça-feira, 22 de setembro de 2026

Flávio Bolsonaro faz striptease econômico: a catástrofe de Milei contrasta com o desenvolvimento de Lula

Promessas econômicas deveriam ser examinadas pelos resultados concretos de onde foram aplicadas.

A proposta de reproduzir no Brasil o programa econômico de Javier Milei é uma delas.

É isso que está em discussão quando Daniella Marques, a precária coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, apresenta Milei como um “ótimo exemplo” e defende uma agenda de forte redução do Estado, liquidação de empresas públicas, desregulamentação e corte radical de gastos.

A Argentina é um laboratório vivo dessa experiência. Milei aplica um programa de brutal custo humano e produtivo. É essa estratégia, já repudiada pelo eleitor, que o filho de Jair Bolsonaro propõe ao Brasil?

Na Argentina, a pobreza e a indigência dispararam na primeira fase da aplicação daquilo que os neoliberais denominam “ajuste”. No segundo semestre de 2025, ainda atingiam, respectivamente, 28,2% e 6,3% da população, segundo as próprias estatísticas oficiais. São milhões de argentinos vivendo abaixo das linhas de pobreza e indigência.

O contraste com o Brasil é eloquente.

Enquanto a Argentina sucumbe à recessão do choque da motosserra, o Brasil conseguiu retirar novamente o país do Mapa da Fome da ONU. Em 2026, o relatório da FAO confirmou que o Brasil continuava fora do Mapa da Fome e registrou a prevalência de subnutrição abaixo de 2,5% da população.

Não é uma diferença abstrata. É a diferença entre uma política econômica que combina crescimento, emprego, valorização da renda e políticas de proteção social e outra que colocou a redução selvagem do gasto público no centro da estratégia.

O resultado aparece também no mundo empresarial.

No Brasil, foram abertas 1,67 milhão de empresas apenas entre maio e agosto de 2025, alta de 14,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O país terminou aquele período com 24,2 milhões de empresas ativas.

Na Argentina, a dinâmica foi inversa. No primeiro trimestre de 2025, segundo dados oficiais do governo argentino, foram abertas 16.902 empresas, mas 19.199 fecharam. O saldo foi negativo em 2.297 empresas.

A diferença aparece também nos fluxos internacionais de capital. O Brasil recebeu US$ 77,7 bilhões em investimento direto no país em 2025, segundo dados consolidados pelo Tribunal de Contas da União a partir das estatísticas do Banco Central.

Na Argentina, no quarto trimestre de 2025, o próprio Banco Central argentino registrou saída líquida de US$ 4,687 bilhões em investimento estrangeiro direto.

Esses números ajudam a desmontar uma ideia que as próprias economias capitalistas difundem, mas não praticam: a de que, quanto menor o Estado, maior necessariamente a confiança dos investidores e melhor a economia real.

O caso da indústria é ainda mais revelador.

Enquanto as grandes potências mundiais disputam semicondutores, inteligência artificial, tecnologias estratégicas e autonomia industrial, o Brasil precisa decidir se pretende participar dessa corrida de verdade ou assistir a ela de fora.

É nesse ponto que a proposta de Marques de fechar a Ceitec se torna emblemática. Ela é a única empresa brasileira a atuar justamente em uma área estratégica: pesquisa, desenvolvimento e produção de semicondutores de alta tecnologia. Pretender simplesmente eliminá-la em nome de um evangelho de eficiência fiscal significa abrir mão de uma capacidade tecnológica que levou décadas para ser construída.

Determinadas capacidades industriais e científicas têm valor estratégico. São a base em cima da qual se constroem sociedades de alto desenvolvimento.

Semicondutores são hoje infraestrutura do poder econômico e tecnológico. Estados Unidos, China, Índia, Europa, Japão, Coreia do Sul e Taiwan despejam recursos públicos e privados para garantir posição nessa cadeia. Seria uma contradição histórica o Brasil escolher justamente esse momento para abandonar uma de suas poucas estruturas dedicadas à produção nacional de chips.

É aqui que a promessa de importar Milei para o Brasil deixa de ser uma discussão abstrata sobre ideologia econômica.

O que está em jogo é saber se o país quer uma economia que apenas corte despesas até mergulhar no atraso e na exclusão ou uma economia capaz de produzir, investir, inovar, gerar empregos e disputar setores estratégicos.

O caminho utilizado por Milei produziu uma violenta compressão da demanda, atingiu empresas, empregos e renda e submeteu milhões de argentinos a uma deterioração brutal de suas condições de vida.

O Brasil está seguindo outro caminho. Saiu do Mapa da Fome, ampliou a abertura de empresas, atraiu dezenas de bilhões de dólares em investimento direto e mantém uma economia com emprego em níveis historicamente elevados.

Não há razão para ignorar os problemas brasileiros. Há razão para não transformar a experiência argentina em objeto de adoração, sem discutir os custos cruéis de sua cega imposição.

A pergunta que Daniella Marques e os bolsonaristas defensores dessa agenda suicida precisam responder é simples: por que o Brasil deveria importar justamente aquilo que na Argentina não dá certo?

Lula já demonstrou neste mandato, mais uma vez, que é possível conciliar responsabilidade fiscal e desenvolvimento. Cortar pode ser rápido.

Reconstruir depois a indústria, o emprego, a renda, a ciência e a soberania tecnológica destruídos pelo corte pode levar décadas.

E esse é um preço que o Brasil não pode aceitar pagar.

•        Tiago Barbosa desmonta o ‘jornalismo de guerra’ e a blindagem corporativa a Flávio Bolsonaro

A cobertura das eleições presidenciais de 2026 expõe, de maneira crua, o retorno de métodos e práticas que marcaram os períodos mais sombrios da história recente do país. Em participação no programa Fura-Bolha, conduzido pela jornalista Laís Gouveia na TV 247 neste sábado (19), o jornalista e colunista Tiago Barbosa fez uma dissecação detalhada da postura dos grandes conglomerados da imprensa comercial, denunciando uma operação aberta de blindagem à candidatura do senador Flávio Bolsonaro em contraposição a uma ofensiva orquestrada contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a soberania do Judiciário.

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Para Barbosa, o alinhamento dos barões da mídia a uma pauta ultraliberal fez com que as próprias redações desenvolvessem uma espécie de “amnésia institucional”: esqueceram o tratamento humilhante do “cercadinho” e os ataques sistemáticos promovidos pelo clã Bolsonaro contra jornalistas durante quatro anos para abraçar, de forma dissimulada, a restauração da extrema direita.

“O ódio de classe, o antipetismo e o antilulismo suplantam o próprio fazer jornalístico e a dignidade profissional. Muitos jornalistas se tornaram mais realistas do que o rei, introjetando essa agressividade e transformando qualquer factoide em munição contra o governo”, pontuou Barbosa.

<><> A sabatina do JN e a reativação do estigma da corrupção

Um dos pontos centrais da análise de Tiago Barbosa foi o roteiro adotado pelas grandes emissoras e jornais durante as sabatinas presidenciais, em especial a do Jornal Nacional. Segundo ele, o modelo adotado não buscou debater projetos de país nem avaliar o papel de um estadista com projeção e reconhecimento internacional, mas sim forçar um tropeço para alimentar narrativas de desestabilização.

Barbosa comparou o momento presente ao ambiente persecutório do mensalão e da finada Operação Lava Jato:

•        Jornalismo de trinchera: A insistência em pautas marginais, vazamentos seletivos e acusações sem sustentação material contra familiares de Lula, com o intuito de colar a pecha de corrupção no campo progressista.

•        Critério de exclusão deliberada: O desenho das coberturas e convites a sabatinas que privilegiou múltiplas vozes da direita e da extrema direita, suprimindo forças e candidaturas populares com defesas programáticas dos serviços públicos e das estatais.

“Toda a arquitetura dessas sabatinas foi montada para extrair do presidente um tropeço e reativar na sociedade o falso estigma de que corrupção é monopólio da esquerda, enquanto se esconde a ausência completa de propostas do adversário”, sustentou o colunista.

<><> A balança viciada: o rigor contra Lula versus o silêncio com o clã Bolsonaro

A disparidade na alocação de recursos investigativos das redações tradicionais também foi alvo de duras críticas durante o diálogo entre Tiago Barbosa e Laís Gouveia.

Enquanto grandes veículos enviaram repórteres ao exterior para esquadrinhar a rotina civil de familiares de Lula em condomínios comuns, o mesmo ecossistema midiático trata com indiferença e desdém escândalos contundentes que envolvem diretamente Flávio Bolsonaro.

Barbosa destacou as contradições incontornáveis da cobertura:

1.       O caso do banqueiro preso: O senador e candidato bolsonarista é o único personagem que admitiu abertamente, inclusive em registros de áudio, ter solicitado recursos a um banqueiro envolvido em fraudes bilionárias contra aposentados e o sistema financeiro — fato tratado com leniência e manobras editoriais para evitar manchetes de impacto.

2.       Patrimônio e mansões: A compra de uma mansão de milhões de reais em Brasília, financiada por condições atípicas e quitada em velocidade recorde, segue longe dos holofotes do chamado “jornalismo investigativo” da TV aberta.

3.       Coincidências imobiliárias: A revelação de sedes compartilhadas entre empresas ligadas ao candidato e investigados por esquemas ilícitos no INSS não mereceu equipes especiais nem reportagens de capa.

“Quando um jornal decide enviar equipe para a Europa atrás de detalhes irrelevantes da vida do filho do presidente e ignora transações financeiras suspeitas de quem disputa a Presidência da República, ele está assinando uma adesão explícita à campanha adversária”, sentenciou Barbosa.

<><> STF no alvo: a manobra para atingir Lula por tabela

A ofensiva editorial disparada contra a Suprema Corte — com uma sequência inédita de editoriais pedindo o afastamento ou a cabeça de ministros que atuaram de forma firme na contenção da intentona golpista de 8 de janeiro — também foi dissecada no programa.

Tiago Barbosa apontou que a tentativa histérica de derrubar o ministro Alexandre de Moraes visa produzir uma manchete sob encomenda para o discurso bolsonarista: carimbar o magistrado como “o juiz de Lula” e deslegitimar as sentenças contra os executores e mandantes da tentativa de golpe de Estado.

“Esses veículos não estão preocupados com moralidade institucional. Se estivessem, estariam indignados com reuniões às vésperas de decisões judiciais e com a lentidão protelatória em processos que beneficiam a extrema direita. O objetivo nunca foi a ética, mas sim abrir caminho para o retorno do fascismo ao poder sob a chancela do mercado”, denunciou.

<><> Indicadores econômicos reais versus a ficção das manchetes

Ao final da conversa, Laís Gouveia e Tiago Barbosa refletiram sobre como a grande imprensa fabrica um fosso intransponível entre a realidade material dos trabalhadores e a narrativa transmitida pelos telejornais.

Mesmo diante de um ciclo consistente de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), desemprego em patamares historicamente baixos, inflação controlada e retomada do poder de compra, o noticiário insiste em atribuir os resultados à “sorte” ou em classificar políticas públicas vitais — como a valorização do salário mínimo e o reajuste do Bolsa Família — como expedientes “eleitoreiros”.

“A versão fabricada do real tenta ser mais forte do que a própria realidade vivida pelo povo. A mídia apela ao irracional porque não tem projeto de país a oferecer. O que resta aos setores populares e à comunicação independente é seguir desmascarando esse plano dia após dia nas redes e nas ruas”, concluiu Tiago Barbosa.

 

Fonte: Brasil 247

 

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