Filho
de Fux trocou mensagens com Vorcaro sobre processo bilionário no STF
ensagens
encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram que o
então banqueiro procurou o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, às
vésperas de um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que discutia a
suspensão de um precatório estimado em cerca de R$ 5 bilhões.
O
contato ocorreu em novembro de 2024, quando Vorcaro encaminhou a Rodrigo um
documento relacionado a um processo da Agro Industrial Tabu. O caso interessava
ao Banco Master porque envolvia créditos adquiridos por fundos de investimento.
As informações são da coluna de Bela Megale no Globo.
Em 6 de
novembro daquele ano, dois dias antes do início do julgamento no plenário
virtual do STF, Vorcaro enviou ao advogado um arquivo identificado como “SLAT
TABU”. O material tratava de embargos de declaração apresentados no processo.
Rodrigo
respondeu: “Vou ler”. No dia seguinte, avisou que precisaria de mais tempo para
analisar o conteúdo: “Só conseguirei ver no detalhe no final de semana. Ok? Te
aviso.” Vorcaro respondeu: “Fechado!”
Já em 9
de novembro, com o julgamento em andamento, Rodrigo voltou a escrever para o
banqueiro. “Fala amigo”, disse. Na sequência, perguntou: “Você estará pelo RJ
essa semana?”. Ele explicou que viajaria na quarta-feira e que teria um
julgamento na terça, o que dificultaria um encontro em São Paulo ou Brasília.
“De qualquer forma, temos tempo”, acrescentou.
O
escritório de Rodrigo Fux negou ter atuado no processo. Por meio de sua
assessoria, afirmou que “o escritório foi procurado, mas não advogou no caso”.
Também declarou que “jamais celebrou qualquer contrato sobre qualquer matéria
com o Banco Master ou com Daniel Vorcaro”.
A banca
acrescentou que “não apresentou proposta de trabalho ou celebrou qualquer
contrato; não engajou seus profissionais no feito; e não recebeu qualquer
pagamento” relacionado ao processo. Segundo o escritório, “jamais foi
contratado para atuar em processos que se encontrassem em vias de remessa ao
STF muito menos para atuar em processos que já se encontrassem em trâmite na
corte”.
<><>
Disputa começou nos anos 1990
A
origem do processo remonta a uma ação movida na década de 1990 por 27 empresas
do setor sucroalcooleiro contra a União. As companhias alegavam ter sofrido
prejuízos porque o governo havia tabelado os preços do açúcar e do álcool em
valores inferiores aos custos de produção.
A
Justiça reconheceu o direito das empresas à indenização, mas estabeleceu que o
prejuízo de cada uma deveria ser calculado posteriormente. Como havia 27
empresas envolvidas, a execução acabou sendo desmembrada. A ação relacionada à
Agro Industrial Tabu era uma dessas parcelas.
O valor
do precatório se tornou bilionário. Em setembro de 2023, a então presidente do
STF, Rosa Weber, determinou a suspensão do pagamento, considerando prematura a
emissão do título. O montante referente à Tabu chegava a aproximadamente R$ 5
bilhões em valores atualizados.
A
Advocacia-Geral da União estimava, à época, que as demais 26 execuções poderiam
produzir impacto potencial de cerca de R$ 80 bilhões para os cofres públicos.
O
plenário do STF confirmou por unanimidade a decisão de Rosa Weber. Luiz Fux
participou daquele julgamento e acompanhou a relatora, votando contra a
liberação do precatório. Não havia, naquele momento, registro de contato de
Vorcaro com o filho do ministro sobre o processo.
<><>
Embargos não liberaram o precatório
Mais de
um ano depois, em novembro de 2024, Vorcaro procurou Rodrigo Fux para tratar
dos embargos de declaração que buscavam modificar a decisão anterior.
O
julgamento começou em 8 de novembro, dois dias após o envio do arquivo por
Vorcaro. Relator do caso, o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso,
votou pela correção de um número de processo que havia sido citado de maneira
equivocada, mas manteve a suspensão do precatório.
Depois
do voto de Barroso, Alexandre de Moraes pediu vista e interrompeu a análise.
Naquele momento, apenas o voto do relator havia sido apresentado.
O
processo voltou ao plenário virtual entre 27 de fevereiro e 6 de março de 2026.
Moraes acompanhou Barroso, assim como Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Flávio
Dino também seguiu o relator, com ressalvas. Luiz Fux não votou naquela etapa,
e Nunes Marques pediu nova vista.
A
análise foi concluída somente na sessão virtual realizada entre 19 e 26 de
junho. O STF acolheu os embargos apenas para corrigir o número do processo e
manteve a suspensão do precatório.
Foi
nessa última votação que Luiz Fux se manifestou sobre o caso. O ministro
acompanhou os demais integrantes da Corte, e a decisão terminou de forma
unânime, sem atender ao pedido que poderia beneficiar os interesses ligados a
Vorcaro.
O
escritório de Rodrigo Fux também afirmou que o advogado “não dialogou com o
ministro sobre a STP 976/DF, como de resto não o fez ou faz acerca de quaisquer
processos patrocinados pelo Escritório”.
A banca
declarou ainda que “em todas as oportunidades em que o caso foi submetido a
julgamento, o ministro Luiz Fux sempre julgou em sentido contrário aos
interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master”.
Em
nota, Luiz Fux afirmou que “em todas as ocasiões em que participou do
julgamento, foi contra a pretensão”. O ministro disse ainda que nunca foi
abordado sobre o assunto e destacou que “a decisão unânime do tribunal, com o
voto do ministro Fux”, foi contra a pretensão que beneficiaria Vorcaro.
<><>
Vorcaro foi preso em 2025
O
contato entre Vorcaro e Rodrigo Fux ocorreu cerca de um ano antes da primeira
prisão do então banqueiro. Vorcaro foi detido em 17 de novembro de 2025, na
véspera da Operação Compliance Zero e da liquidação do Banco Master.
Ele foi
solto ainda naquele mês, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica, mas
voltou à prisão em 4 de março de 2026. A nova detenção ocorreu sob suspeitas de
interferência nas investigações, ocultação de patrimônio e financiamento de
ações de intimidação.
Procurada,
a defesa de Vorcaro informou que não comentaria o contato com Rodrigo Fux.
• Envolvido com Vorcaro, Nikolas ataca
Gilmar Mendes, que votou contrariando banqueiro
A
tática de criar cortinas de fumaça e inverter a lógica dos fatos para encobrir
os próprios escândalos é um método antigo na política, mas a extrema direita
levou essa prática a níveis inéditos. O caso mais recente envolve o deputado
federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que, atolado em revelações estarrecedoras
sobre sua ligação umbilical com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, resolveu
partir para o ataque contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal
Federal. O tiro, no entanto, saiu pela culatra e expôs um paradoxo que beira o
absurdo.
Durante
meses, Nikolas Ferreira sustentou publicamente a narrativa de que jamais
mantivera qualquer tipo de contato ou conhecimento sobre as atividades de
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A farsa caiu por terra com a
divulgação de provas documentais. Primeiro, veio à tona o uso frequente de
aeronaves privadas do magnata por parte do parlamentar mineiro para cumprir
agendas de campanha, fato confirmado por mensagens do próprio fraudador a
assessores.
Na
sequência, o vazamento de um áudio demoliu de vez qualquer tentativa de
negação. Na gravação, em tom de contida adoração e subserviência, Nikolas
refere-se ao financeiro afundado em fraudes como “Dani”, afirma que seria um
“prazer conhecê-lo pessoalmente” e chega ao cúmulo de pedir desculpas formais
por críticas pregressas, alegando que “se soubesse que o banco era dele, não
teria criticado”. Para coroar a promiscuidade entre o público e o privado, o
deputado ainda atuou como garoto de recados de luxo, intercedendo junto ao
banqueiro em favor de interesses ligados a um valioso ativo minerário em Minas
Gerais.
Mesmo
com a reputação arranhada e o envolvimento escancarado, o parlamentar optou
pela sua habitual postura de ataque. Usando a rede social no X (antigo
Twitter), o jovem deputado disparou ofensas contra o ministro Gilmar Mendes:
“Agora ficou mais claro porque o sapão tava todo exaltado com o pedido de
investigação. E ainda votou contra. Vai chegar em você, Cururu”.
>>>
Veja o tuíte:
A
postura de infantilidade impertinente, marcada por apelidos pejorativos e
ofensas de cunho físico típicas de dinâmicas escolares, esconde uma contradição
insanável que gerou forte estarrecimento no ambiente virtual.
O fato
real, desprovido da retórica inflamada do parlamentar, é que o ministro Gilmar
Mendes de fato esteve com Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro solicitou e obteve uma
audiência institucional para apresentar pleitos e tentar pressionar por um voto
favorável em uma causa bilionária que tramitava na Suprema Corte, referente a
disputas no setor sucroalcooleiro.
Contudo,
ao contrário de Nikolas, que se colocou à disposição dos interesses de “Dani”
em troca de benesses logísticas e afagos políticos, o decano do STF manteve a
independência da magistratura: repeliu as pressões do empresário e votou de
forma rigorosamente contrária aos interesses de Vorcaro no julgamento.
• Considerações a respeito do caso Daniel
Vorcaro. Por Kakay
er
coerente, às vezes, desgasta e cansa. Mas a vida dá, nega e tira, como eu
sempre falo parafraseando Trasibulo Ferraz. A defesa de Daniel Vorcaro
apresentou hoje (sexta, 18) ao presidente da Suprema Corte um pedido de
liberdade ou de substituição da prisão por cautelares alternativas.
Sem
entrar no mérito das várias questões jurídicas levantadas pela defesa técnica,
coordenada pelo excelente advogado Sérgio Leonardo, há um fato que merece
reflexão de toda a advocacia e, por que não, da sociedade.
O
investigado está preso desde 4 de março. Não há ainda denúncia penal. A
investigação parece estar tomando corpo cada vez mais intrincado. Mas um fato
tem valor jurídico que deve ser analisado: na sessão do dia 15 do Plenário da
Corte, pelo que foi possível apreender, a sessão foi uma EINE GROSSE KONFUSION
(uma grande confusão), o inquérito onde o Daniel Vorcaro está sendo investigado
e com prisão decretada, foi avocado pelo presidente Fachin.
Neste
momento não se sabe ao certo, salvo melhor juízo, quem é o responsável para
definir, por exemplo, sobre a liberdade do investigado. É assustador! Ainda que
de certa forma o investigado tenha dado azo a toda sorte de questões que
causaram as perplexidades postas, o Supremo Tribunal tem a obrigação
constitucional de garantir a ele todos os direitos. Independentemente de
qualquer outro juízo de valor.
Por
isto, entendo que, priorizando o valor maior da liberdade, deve o Supremo
Tribunal determinar a imediata liberdade do Daniel Vorcaro ou,
alternativamente, definir pela sua prisão domiciliar.
Como
ensinou Cervantes através de Dom Quixote: “Pela liberdade, Sancho, e pela
honra, se deve arriscar a própria vida”.
Por
isto, mesmo com o possível desgaste em razão da grande exposição midiática e da
proximidade com as eleições – sim, sem dúvida, a tentativa de prejudicar a
candidatura do Lula está muito clara, muito evidente – a liberdade do Daniel
Vorcaro, ou de quem quer que seja, não pode estar sujeita a outras questões que
não sejam as referentes ao devido processo legal, a Constituição. Ele está
preso desde 4 de março e é evidente que não pode continuar preso esperando
qualquer definição sobre competência da Suprema Corte.
Fonte:
Fórum

Nenhum comentário:
Postar um comentário