Embargos
a Cuba expõem desprezo dos EUA por resoluções da ONU e direito internacional
Sob bloqueio econômico dos EUA desde 1962,
Cuba enfrenta uma crise ainda mais grave desde o retorno de Trump à Casa
Branca. Desde o ano passado, Washington intensificou o cerco energético e
praticamente zerou o fornecimento de petróleo à ilha. Até que ponto sanções e
bloqueios podem funcionar como instrumentos de asfixia de uma população?
Pouco mais de duas horas de eletricidade por
dia e uma falta de combustível, que afeta até o transporte público. Esse tem
sido o cotidiano de quase 11 milhões de cubanos nos últimos
tempos. Segundo país mais populoso do Caribe, Cuba tem 82% de sua população
em áreas urbanas, onde elevadas temperaturas são sentidas durante boa parte do
ano.
Com o objetivo
de estrangular ainda mais a economia do
país, Washington passou a intensificar as sanções contra países que enviassem
petróleo à nação, cuja produção interna cobre apenas 30% da demanda energética
e é quase totalmente dependente de combustíveis fósseis.
Aliado a isso, a Venezuela, que até o
sequestro do presidente Nicolás Maduro era o principal fornecedor do insumo ao
país, interrompeu o fornecimento sob pressão da Casa Branca.
"Comida estragando, o calor que torna
impossível dormir, pais abanando seus bebês, crianças fazendo a lição de casa
no escuro, jovens sem conectividade ou lazer, avós sem televisão ou, às
vezes, nem mesmo rádio, toda a vida familiar prejudicada", relatou na
última semana o ministro das Relações Exteriores do país, Bruno Rodríguez
Parrilla.
Conforme o chanceler, somente o bloqueio
energético já provocou um prejuízo de mais de US$ 8 bilhões (R$ 40,8
bilhões) em menos de um ano, valor considerado recorde em meio a
um embargo que dura há quase 65 anos.
Apesar da gravidade da situação, Cuba
encontrou uma alternativa para suprir a necessidade energética a partir da
energia solar. Em apenas 45 dias, parques foram instalados no país, que
enfrenta um novo desafio: as ameaças contra empresas que transportam painéis
solares e baterias para que essas estruturas comecem a funcionar.
A analista internacional e doutora em ciência
política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Ana
Prestes compara, ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, a
situação cubana à realidade vivida pela população
palestina na Faixa de Gaza, mas sem bombas. Em
meio à guerra na região, Israel tem deixado há quase três anos o território sem
fornecimento de energia elétrica.
"Eu estive em Cuba duas vezes neste ano
e, inclusive, ouvi essa comparação de um embaixador da Palestina no país. E
ninguém melhor que um palestino para fazer esse tipo de comparação. Sabemos que
há enormes diferenças, mas o que o povo cubano está sofrendo é uma forma
de genocídio sem bombas."
A especialista também afirma que, mesmo sem
oferecer nenhuma ameaça aos Estados Unidos, tanto econômica quanto
militarmente, Washington busca uma "vitória simbólica" sobre o
governo castrista, classificado pelo governo Trump como "uma ameaça
extraordinária" à segurança nacional.
"Quando as relações entre os dois países
estavam melhores, entre 2007 e o governo Barack Obama, apesar da manutenção do
embargo, os Estados Unidos se beneficiavam de Cuba, já que iam fazer turismo,
inclusive para tratamentos médicos. Então, não há ameaça nenhuma, muito menos
militar, de uma ilha pequena diante de um território enorme que tem 300
milhões de habitantes", afirma.
Mesmo assim, Cuba foi um dos poucos países
que um dia desafiou de forma contundente a hegemonia estadunidense, que
busca ditar mundo afora como as sociedades devem viver, acrescenta Prestes.
"Quando Cuba é essa alternativa de um
país que investe em saúde, educação, cultura, esporte, ciência e pesquisa, ela
mostra para o mundo que é possível viver de outra forma, sem ter um regime de
exploração. Então, mais do que tudo, os EUA seguem buscando essa vitória
simbólica porque é uma forma de mostrarem que Havana tentou outro caminho e não
conseguiu", complementa.
O professor e vice-presidente da Associação
Cultural José Martí, uma entidade sem fins lucrativos de solidariedade entre
Brasil e Cuba, Luiz Eduardo Mergulhão, concorda e acrescenta que Cuba é
uma "Gaza silenciosa" diante do cerco
econômico sem precedentes.
"Temos uma dificuldade enorme no
cotidiano da ilha que, mesmo assim, tenta sobreviver. Então é um cerco
justamente para causar a fome e o debacle definitivo da ilha. Mas, por outro
lado, as instituições e o governo cubano permanecem e conseguem
construir determinadas políticas de resistência. Além disso, o povo cubano,
apesar de toda situação muito dura, não é tomado pela completa descrença e
tenta construir a sobrevivência à medida que pode. Então, é uma Gaza silenciosa
e, ao mesmo tempo, uma Gaza que resiste com suas estruturas de governo
consolidadas", afirma ao programa.
<><> ONU condena bloqueio contra
Cuba, mas resoluções não têm efeito sobre sanções
Para Ana Prestes, cada vez mais as sanções
são instrumentalizadas pelos Estados Unidos e Europa, principalmente, como
armas para "pressionar, coagir, intimidar e chantagear" os
países. A especialista cita o caso do Brasil, que recentemente sofreu tarifas
de importação que chegaram a 50% e tiveram como argumento uma suposta
perseguição pelo Supremo
Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente
Jair Bolsonaro.
"São punições coletivas, como ocorre com
a Rússia, que é o país mais sancionado do mundo, mas tem um território gigante,
muitos recursos e uma forte aliança com a China e o BRICS, que fez com que
conseguisse se reerguer, o que é diferente de Cuba, uma ilha isolada
fisicamente do mundo. Então, é muito mais fácil isolar o país, que é pequeno,
com poucos recursos e sem petróleo suficiente para se manter e tudo mais",
compara.
Outro ponto que a analista internacional
enfatiza é que há pelo menos 30 anos a Assembleia Geral da Organização
das Nações Unidas (ONU) aprova anualmente
a resolução contra o bloqueio estadunidense contra Havana. Segundo ela, somente
Estados Unidos e alguns poucos parceiros, como Israel e, recentemente,
Argentina, votaram contra, enquanto o Brasil chegou a se abster durante o governo
Bolsonaro.
"Ou seja, todos os anos Washington não
respeita a resolução da ONU. Logo, não há legitimidade no direito
internacional, e existe uma extraterritorialidade da legislação dos EUA que
eles têm aplicado a vários países da América Latina. É isso que eles
fazem, tudo isso à revelia dos pactos internacionais de respeito à
soberania dos países", resume.
<><> Ajuda humanitária para Cuba
parada por sanções
Para além das dificuldades vividas
diariamente pela população cubana, as sanções e os bloqueios estadunidenses
afetam até a chegada de ajuda humanitária à ilha. Desde o endurecimento das
medidas unilaterais, Cuba passou a receber alimentos, medicamentos e até
placas solares de países como Brasil, Rússia e China, cujos navios
conseguem chegar ao território. Contudo, quando esse apoio vem de instituições
privadas e ONGs, segundo Ana Prestes, não é possível encontrar empresas que
façam o transporte justamente por medo de serem sancionadas.
"Quando eu fui pela última vez, em
agosto, eles contaram que só nos portos da Jamaica ou do México havia quase 5
mil contêineres com esses insumos. Cuba é alvo de muita solidariedade mundo
afora, só que essa ajuda humanitária não está conseguindo chegar."
¨
Trump elogia atuação de Sheinbaum contra drogas, mas
interfere na soberania do México ao exigir prisão de funcionários
Em sua
apresentação do relatório anual ao Congresso sobre os principais países de
trânsito e produção de drogas ilícitas, o presidente Donald Trump escreveu que
“reconhecemos os esforços” antidrogas do governo de Claudia Sheinbaum, sobretudo no envio
de forças de segurança pública e militares para a fronteira norte, mas
ressaltou que “o México precisa fazer muito mais para conter o fluxo de drogas
mortais para o nosso país”, incluindo o combate à “narcocorrupção”.
Ao
tratar do México em sua introdução, o mandatário escreveu que, enquanto
“protegemos nossas fronteiras contra a invasão”, México — juntamente com o
Canadá — “precisa fazer muito mais” contra o fluxo de drogas.
“Reconhecemos
o governo da presidenta mexicana Sheinbaum por apreender volumes maiores de
drogas, desmantelar laboratórios de drogas” e mobilizar forças de segurança
para a fronteira com os Estados Unidos.
Elogiou
ainda o fato de que a cooperação do México com os Estados Unidos “ajudou a
eliminar alguns dos chefes de cartel mais notórios do mundo, incluindo El
Mencho”.
Mas o
México “tem de tomar medidas adicionais contra as organizações narcoterroristas
que dominam vastas áreas de seu território e continuam ameaçando o povo
estadunidense”, afirmou.
Entre
essas medidas, ressaltou que o México precisa “desmascarar, prender e processar
muitos dos funcionários públicos corruptos que ajudaram e instigaram os cartéis
e traíram a segurança e a soberania de seu próprio país”.
Outras
sugestões, ou talvez exigências, para o México enumeradas por Trump incluem
maior participação do setor privado, aumento das inspeções em seus pontos de
entrada e elevação dos gastos públicos nessa luta, já que “os atuais
investimentos do México em suas forças de segurança são insuficientes para
sustentar e ampliar suas campanhas contra os narcoterroristas, suas finanças e
suas redes criminosas”.
O
relatório, elaborado pelo Departamento de Estado e apresentado anualmente ao
Congresso, identifica os principais países de trânsito e produção de drogas.
Nesta
edição, são relacionados 23 países do mundo — a maioria na América Latina e no
Caribe —, entre eles o México. Dos 23, o presidente designou quatro —
Afeganistão, Bolívia, Myanmar e Colômbia — como países que, durante os últimos
12 meses, “fracassaram […] em fazer esforços substanciais para cumprir suas
obrigações” previstas em acordos internacionais e nas leis estadunidenses.
O
mandatário elogiou a si próprio por suas realizações: “Meu governo fez
progressos históricos na proteção do povo estadunidense contra drogas mortais e
organizações narcoterroristas implacáveis”. Acrescentou que, sob seu governo,
“a fronteira sul é a mais fechada e segura da história de nossa nação” e que
“salvamos dezenas de milhares de vidas estadunidenses”.
Ressaltou
que “os narcoterroristas responsáveis por esta invasão estão mortos, presos ou
vivendo com medo de serem os próximos a enfrentar a Justiça estadunidense”,
tudo isso, segundo ele, como resultado do emprego de forças militares contra
“narcoterroristas” onde quer que estejam no mundo. Também destacou o papel da
Coalizão Anticartel das Américas, aliança de uma dúzia de países do Hemisfério
Ocidental que teria alcançado, mais uma vez, resultados “históricos”.
De
fato, enfatizou que “mudanças políticas dramáticas na América do Sul durante o
último ano criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados
Unidos com governos da região”.
“Na
Venezuela, graças à prisão e remoção do ex-ditador ilegítimo e narcotraficante
Nicolás Maduro [realizada] por meu governo, já estamos vendo os resultados de
uma crescente cooperação com o governo interino do país contra os cartéis…”,
afirmou.
Na
Bolívia, depois de “décadas de governos socialistas ineptos”, abre-se, segundo
Trump, um novo capítulo de cooperação. “O povo da Colômbia tomou a decisão
corajosa” de eleger Abelardo de la Espriella depois das “políticas socialistas
fracassadas” de seu antecessor e, com isso, “a Colômbia está prestes a retomar
seu lugar como nosso principal parceiro de segurança no hemisfério”.
Da
mesma forma, deu as boas-vindas ao novo governo do Peru e destacou “os grandes
aliados dos Estados Unidos” na região — Argentina, Equador e El Salvador — em
suas lutas contra o “narcoterrorismo”. Ao mesmo tempo, acusou o governo do
Brasil de ter “fracassado” no enfrentamento a grupos “narcoterroristas” e
também condenou a “ditadura socialista” da Nicarágua.
Em
relação a outros países, destacou que a China continua sendo o maior produtor
mundial de precursores químicos empregados na fabricação de fentanil e outras
drogas sintéticas e instou o governo chinês a adotar medidas “mais agressivas”.
Continua
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A lista
apresentada pelo presidente dos principais países de trânsito ou produção de
drogas para o ano fiscal de 2027 é a seguinte: Afeganistão, Bahamas, Belize,
Bolívia, Myanmar, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador,
El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México,
Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.
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O Grito nos Estados Unidos
“Aqui
estamos, viva o México” foi uma das palavras de ordem tanto da celebração da
Independência do México como um grito de desafio dentro de um país que promove
agressivas medidas antimigratórias e cujo presidente divulgou uma imagem do
México — junto com o Canadá e a Groenlândia — sob a bandeira estadunidense.
Em Nova
York, Chicago, Los Angeles, Minneapolis, Boston e outras cidades, prefeitos e
governadores se somaram à celebração e transmitiram a mensagem de que “esta é a
sua casa”. Mas o Grito foi mais um sussurro em algumas localidades e chegou a
ser sufocado em outras, como em Passaic, Nova Jersey, onde a tradicional
celebração do dia 15 foi suspensa diante do temor da “migra” e para evitar
expor a comunidade a agentes federais mascarados e às ameaças retóricas que
diariamente partem do governo federal.
Mas o
Grito foi celebrado como sempre na maior metrópole dos Estados Unidos, Nova
York, onde, na cerimônia oficial no bairro mexicano (que também inclui um
bairro chinês) de Sunset Park, realizou-se o ato oficial com a presença do
cônsul-geral Marcos Bucio, do embaixador do México junto à Organização das
Nações Unidas, Héctor Vasconcelos, de alguns políticos latinos locais e do
prefeito imigrante de Nova York, Zohran Mamdani.
“Mamdani,
irmão, agora você é mexicano”, entoaram milhares de pessoas, felizes porque o
prefeito decidiu voltar para estar com elas depois de ter participado do
desfile no domingo. A mensagem do ainda novo prefeito foi: “Isto é PueblaYork”.
“É uma
grande alegria estar aqui para celebrar os mexicanos em Nova York”, declarou.
Recordou Miguel Hidalgo e como seu grito foi apenas o início de uma longa luta;
lembrou Benito Juárez e sua estátua no centro desta cidade; e afirmou que “há
mais de 160 anos, os mexicanos ajudam a construir esta cidade… Em cada distrito
e em cada bairro, o México está costurado no tecido de Nova York.
Vemos
isso nos sapateiros de Corona [bairro do Queens], consertando as botas de
longas jornadas de trabalho e de longas marchas pela justiça; nos médicos de
Kingsbridge, curando os enfermos; vemos isso nos músicos das bandas de Sunset
Park, que enchem quarteirões inteiros com ritmo e metais”.
Mamdani
referiu-se ao orgulho e à luta da comunidade e afirmou: “Sabemos que há muitos
mexicanos nova-iorquinos se perguntando se esta cidade é um lar para eles, e eu
venho como prefeito de nossa cidade para dizer que vocês estão em casa em
PueblaYork, sempre estarão em casa aqui.
Manteremos
abertas nossas clínicas, nossas escolas e nossos abrigos, independentemente da
situação migratória de qualquer pessoa, e faremos isso porque, quando olho para
vocês aqui, o que vejo é um público de nova-iorquinos”. E concluiu em espanhol:
“Que vivam os mexicanos”.
O
cônsul Bucio proferiu o Grito e tocou o sino, declarando que “celebramos a
identidade, a história e a força de uma comunidade que fez de Nova York seu
lar”, e lembrou que o consulado está comemorando 200 anos de presença nesta
cidade. Um mar de bandeiras mexicanas, agitadas por famílias, acompanhou os
discursos e a música da noite, incluindo um mariachi com a cantora Rosy Arango,
a Banda Unión de Chinantla e a dupla pop Ha*Ash, enquanto aromas e sabores de
espigas de milho, churros, taquitos dourados, raspadinhas e todo tipo de nozes
e amendoins eram oferecidos, juntamente com camisetas da seleção nacional.
Em
Washington, DC, a cerimônia do Grito foi presidida pela primeira vez pelo novo
embaixador Roberto Lazzeri Montaño, que incluiu entre os “vivas” a comunidade
imigrante e uma “América do Norte unida e humanista”, durante a celebração
realizada no Instituto Cultural Mexicano.
De
longe, ao anoitecer, podia-se ver o icônico arranha-céu Empire State Building
iluminado com as cores da bandeira mexicana na noite do dia 15.
Em
outras cidades — algumas das quais realizaram a celebração nacional no fim de
semana passado — ocorreram eventos culturais de diversos tipos. Em Chicago, o
governador democrata de Illinois, JB Pritzker, e o prefeito Brandon Johnson
participaram das comemorações, e o governador chegou inclusive a dançar na rua.
A
prefeita de Los Angeles, Karen Bass, também dançou na rua ao acompanhar a festa
nas escadarias da prefeitura, onde se apresentaram Los Ángeles Azules. Também
houve grandes atos em Las Vegas, Phoenix, Arizona, Houston, Miami, San
Francisco, Filadélfia, San Diego e El Paso, entre outras cidades e localidades.
Por sua
vez, em nome do governo dos Estados Unidos, o secretário de Estado Marco Rubio
felicitou o povo mexicano pelo 216º aniversário de sua independência, em um
comunicado.
Acrescentou
que, no governo de Donald Trump, abriu-se “um novo capítulo de nossa relação
com o México, no qual ambas as nossas nações se beneficiam de um comércio mais
justo, de uma cooperação muito mais profunda em questões de segurança e de
economias prósperas orientadas para o mercado”.
Rubio
afirmou que o “narcoterrorismo” afetou os dois povos e declarou que Trump
realizou “esforços históricos” para enfrentar os “narcoterroristas” no México,
acrescentando que há “muito mais trabalho” a fazer para que o México seja um
“parceiro” nas próximas décadas. Enquanto isso, soma-se ao “povo mexicano na
celebração de sua independência”.
Fonte:
Sputnik Brasil/Diálogos do Sul Global

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