Instituto
ligado a Mendonça recebeu R$ 5,2 mi de empresa de parceiro de Vorcaro, diz site
O
Instituto Iter, ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André
Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa controlada
pelo empresário Lucas Kallas, que manteve negócios com o banqueiro Daniel
Vorcaro. O contrato de mútuo conversível foi firmado em abril de 2024 e previa
R$ 5,9 milhões em repasses. As informações são de Cézar Cézar Feitoza, Fabio
Serapião e Marcela Mattos do site UOL.
O Iter
decidiu interromper os repasses e começar a devolver os recursos em janeiro
deste ano. No mês seguinte, Mendonça foi sorteado relator das investigações
relacionadas ao Banco Master. Segundo o instituto, a decisão de encerrar o
empréstimo ocorreu porque a entidade já havia alcançado sustentabilidade
financeira.
O
contrato previa que o dinheiro seria usado exclusivamente na estruturação e nas
atividades do Iter. O instituto afirma que os recursos foram depositados em sua
conta e que não houve distribuição de lucros, dividendos ou participações nos
resultados.
A
negociação foi conduzida pelo presidente do Iter, Victor Godoy Veiga, com
representantes da Cedro. Segundo o instituto, Mendonça e Kallas não
participaram das tratativas.
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Relação com Vorcaro
Kallas
manteve negócios com empresas ligadas a Vorcaro. Em 2023, a Cedro tinha 8% da
Biomm, enquanto a gestora WNT, ligada a Vorcaro e Nelson Tanure, passou a
comprar ações da empresa em 2024. O grupo ligado ao banqueiro chegou a deter
25% da Biomm em janeiro de 2025.
Mensagens
encontradas no celular de Vorcaro também mostram que ele e Kallas viajaram
juntos para Caracas, na Venezuela, em novembro de 2023, para prospectar
negócios. Registros do Palácio do Planalto mostram que os dois entraram juntos
na sede do governo em dezembro daquele ano.
A Cedro
nega que Vorcaro tenha tido relação societária ou vínculo empresarial com seus
negócios. Kallas também afirma que as viagens internacionais faziam parte de
sua agenda de prospecção comercial.
O
empresário não é investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes
envolvendo Vorcaro e o Banco Master. A Cedro também não é citada nos inquéritos
sobre as fraudes.
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Encontro com Vorcaro
Mendonça
e Vorcaro se encontraram em março de 2025, na sede do Instituto Iter. Segundo o
ministro, a reunião tratou de precatórios de interesse do Banco Master.
No
mesmo mês, Mendonça recebeu um advogado de Vorcaro em seu gabinete no STF para
tratar do mesmo assunto. O ministro afirma que sua atuação no processo foi
contrária à posição defendida pelo banqueiro.
Mendonça
deixou o Iter no início de setembro. O instituto afirma que ele nunca recebeu
dividendos, lucros ou participação nos resultados. Procurado, o ministro não se
manifestou.
Prefeito
de cidade que aplicou R$ 93 milhões no Master assinou contrato de R$ 1,2 milhão
com Iter, de Mendonça
puração
do Fórum Investiga, o núcleo investigativo da Fórum, revela uma conexão entre
contratos sem licitação feitos pelo Instituto Iter, criado por André Mendonça,
e o caso Master, de Daniel Vorcaro, pivô de um dos maiores escândalos
financeiros da história do país, que até a semana passada estava sob relatoria
do ministro no Supremo Tribunal Federal (STF).
A
conexão passa por Guto Issa (PSD), prefeito de São Roque entre 2021 e 2024 e
reeleito para um segundo mandato. Em 2024, durante sua gestão, o São Roque
Prev, instituto de Previdência municipal, destinou cerca de R$ 93 milhões em
sete aplicações em letras do Banco Master. As operações foram realizadas
durante a gestão de Vanderlei Massarioli, que havia sido nomeado para comandar
a autarquia pela administração de Issa.
Em
abril, o caso foi abordado em reportagem de André Barrocal, na Carta Capital. O
Fórum Investiga aprofundou a apuração após revelar a existência de 55 contratos
públicos, 54 deles firmados sem licitação, que resultaram em R$ 10,8 milhões ao
Instituto Iter. Nesse meio tempo, houve ainda a revelação da reunião entre
André Mendonça e Daniel Vorcaro no escritório do Iter em São Paulo.
No ano
seguinte, já em 2025, Issa assumiu a presidência do CIOESTE, consórcio que
reúne municípios da região Oeste da Grande São Paulo. Meses depois de um
encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro na sede do Instituto Iter, em
São Paulo, o CIOESTE firmou contrato de R$ 1.228.505,55 com o instituto criado
pelo ministro para ministrar cursos e palestras na Escola de Governo do
consórcio. O contrato foi firmado sem prévia licitação, segundo o levantamento
do Fórum Investiga.
A Fórum
entrou em contato com todos os envolvidos, incluindo André Mendonça e Guto
Issa, que não retornaram até o fechamento desta reportagem. O São Roque Prev
informou que “adquiriu letras financeiras do banco em 2024 seguindo os ritos
legais e técnicos” e que acompanha “os desdobramentos das operações envolvendo
o Banco Master”.
Já o
Instituto Iter afirma que o contrato com o Cioeste não teve “qualquer
participação, indicação ou ingerência do Ministro André Mendonça” e que a
negociação “não guarda nenhuma relação com Daniel Vorcaro, com o Banco Master
ou com quaisquer fatos a eles atribuídos”. Mendonça deixou a sociedade no Iter
após a Fórum revelar R$ 10,8 milhões em 55 contratos públicos, sendo que 54
deles foram firmados sem licitação. Leia as notas ao final da reportagem.
Os
demais citados não responderam às indagações enviadas nesta quarta-feira (16)
pela Fórum, com prazo até a manhã desta quinta-feira (15). O espaço segue
aberto para o posicionamento.
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São Roque, Master e Iter: sequência de fatos que se conecta no tempo
A
sequência temporal é um dos elementos que chama atenção na apuração. Em março
de 2024, o São Roque Prev começou a realizar as aplicações no Banco Master,
chegando a sete operações que somaram aproximadamente R$ 93 milhões. Naquele
momento, a autarquia era comandada por Vanderlei Massarioli, nomeado pela
administração de Guto Issa em março de 2022 para dirigir o instituto de
Previdência municipal.
Em
março de 2025, um ano depois das primeiras aplicações, Daniel Vorcaro se reuniu
com André Mendonça na sede do Instituto Iter, em São Paulo. A existência do
encontro foi revelada por mensagens e documentos apreendidos na investigação da
Polícia Federal sobre o Banco Master.
A
reunião ocorreu no dia 14 de março e durou cerca de duas horas. A defesa de
Mendonça confirmou o encontro e afirmou que foram tratados apenas temas
relacionados a processos no STF e negou qualquer irregularidade.
Em 24
de julho de 2025, quatro meses depois do encontro, o CIOESTE assinou com o
Instituto Iter o contrato de R$ 1,228 milhão para a realização de cursos e
palestras em Direito e Administração Pública no âmbito da Escola de Governo do
consórcio. O documento, publicado no Diário Oficial, estabelece vigência de um
ano e identifica o Instituto Iter S.A. como contratado.
Em 11
de agosto de 2025, a parceria foi apresentada publicamente. André Mendonça
esteve pessoalmente no evento de lançamento da Escola de Governo do CIOESTE, ao
lado de Victor Godoy, presidente do Iter, de Guto Issa, então presidente do
consórcio, e do ministro do STJ Mauro Campbell. Mendonça ministrou a palestra
“Controle judicial do ato administrativo”. O próprio CIOESTE descreveu o Iter
como “parceiro” estratégico da iniciativa.
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Os R$ 93 milhões do São Roque Prev no Banco Master
Os
investimentos do São Roque Prev no Banco Master começaram em março de 2024. Ao
todo, foram sete aplicações, que chegaram a aproximadamente R$ 93 milhões.
O valor
correspondeu a uma parcela significativa dos recursos administrados pelo regime
próprio de Previdência de São Roque. Documentos divulgados pela Câmara
Municipal apontaram que os investimentos representavam cerca de 18,5% dos
ativos do RPPS. A própria Câmara instalou uma CPI para investigar as
aplicações.
Quem
presidia o São Roque Prev naquele período era Vanderlei Massarioli. A
Prefeitura de São Roque havia anunciado sua nomeação para comandar a autarquia
em março de 2022, durante a gestão de Guto Issa.
Portanto,
as aplicações foram operações do São Roque Prev, sob a presidência de
Massarioli, durante a administração municipal de Guto Issa.
A
situação das aplicações passou a ser investigada após a liquidação do Banco
Master. A Câmara de São Roque criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito em
abril de 2026 para apurar as operações. Em depoimentos, a CPI ouviu integrantes
e ex-integrantes da estrutura do São Roque Prev e representantes ligados às
decisões de investimento.
Em 27
de julho, a CPI conclui que existiram “fragilidades nos mecanismos de
governança, marcada pela inefetividade de conselhos e reincidência de
irregularidades já apontadas pelos órgãos de controle da São Roque Prev” e
atribuiu “falhas graves de gestão” a Massarioli, que teriam causado prejuízos
ao município. O relatório final foi enviado ao Ministério Público estadual e
federal.
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Depois do encontro com Vorcaro, o contrato de R$ 1,2 milhão com o CIOESTE
A
segunda ponta da conexão envolve o Instituto Iter, criado por André Mendonça em
2023. Em março de 2025, Daniel Vorcaro esteve na sede do instituto, em São
Paulo, para uma reunião com Mendonça. A relação entre o banqueiro e o ministro
passou a ser examinada no contexto das investigações sobre o Banco Master.
A
divulgação das mensagens levou também a questionamentos sobre a atuação de
Mendonça no caso. Não há, até aqui, comprovação pública de que o encontro tenha
resultado em qualquer favorecimento judicial a Vorcaro; as alegações sobre
eventual influência são objeto de investigação e foram negadas pelos envolvidos
– veja nota do Iter ao final da reportagem.
Quatro
meses depois, em 24 de julho, o CIOESTE, então presidido por Guto Issa, assinou
o contrato de R$ 1.228.505,55 com o Instituto Iter.
O
objeto era a realização de cursos e palestras em diversas áreas do Direito e da
Administração Pública, dentro da Escola de Governo do CIOESTE. O contrato foi
celebrado sem prévia licitação.
A
contratação não ficou restrita a um documento administrativo. Em agosto, o
próprio CIOESTE divulgou a iniciativa como uma “parceria” com o Instituto Iter.
No
lançamento da Escola de Governo, realizado em 11 de agosto de 2025 na sede do
consórcio, em Alphaville, na cidade de Barueri, estavam juntos Guto Issa, André
Mendonça e Victor Godoy. Mendonça, fundador do Iter, foi um dos palestrantes do
evento.
Na
ocasião, o CIOESTE afirmou que a Escola de Governo era uma iniciativa voltada à
capacitação de gestores públicos e apresentou o Iter como parceiro da
iniciativa. O próprio Mendonça declarou que o instituto tinha o propósito de
auxiliar os municípios do consórcio e outras cidades da região. O contrato de
R$ 1,23 milhão é um dos maiores negócios identificados pelo Fórum Investiga
entre os contratos públicos do Instituto Iter.
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Os contratos públicos do Iter e a saída de Mendonça da sociedade
A
contratação do CIOESTE faz parte de um levantamento mais amplo realizado pelo
Fórum Investiga sobre a atuação do Instituto Iter junto ao poder público.
A
apuração identificou 55 contratos e instrumentos públicos com valores
identificados, que somam ao menos R$ 10,85 milhões. Desse universo, 54 foram
realizados sem prévia licitação, o equivalente a 98,2% dos registros
analisados.
O
levantamento mostrou ainda que os contratos envolvem diferentes órgãos públicos
e incluem valores milionários, entre eles o próprio contrato do CIOESTE, de R$
1,23 milhão.
A
exposição desses contratos ocorreu em meio às revelações sobre a relação de
Mendonça com Daniel Vorcaro e sobre a atuação do ministro no caso Master.
Diante
da repercussão, Mendonça deixou a sociedade do Instituto Iter. O instituto foi
criado pelo ministro em 2023, antes de sua posse no STF, e posteriormente
passou a manter contratos com órgãos públicos em diferentes estados.
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Leia a nota na íntegra do Instituto Iter
Sobre
os questionamentos encaminhados, o Instituto Iter esclarece que nenhuma de suas
contratações, incluindo o Contrato nº 19/2025, firmado com o CIOESTE, teve
qualquer participação, indicação ou ingerência do Ministro André Mendonça, que
não atua na prospecção, negociação, aprovação ou execução dos contratos da
instituição e deles não obtém qualquer remuneração ou vantagem, direta ou
indireta.
A contratação decorreu de tratativas
institucionais conduzidas exclusivamente pela direção executiva do Instituto e
não guarda nenhuma relação com Daniel Vorcaro, com o Banco Master ou com
quaisquer fatos a eles atribuídos. Todas as contratações do Instituto Iter com
a administração pública são de acesso público, com processos disponíveis nos
portais oficiais de transparência.
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Leia a nota na íntegra do São Roque Prev
“O
Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque informa
que segue acompanhando os desdobramentos das operações envolvendo o Banco
Master, especialmente após a conclusão dos trabalhos da CEI realizada pelo
Poder Legislativo local, o processo de liquidação conduzido pelo Banco Central
e as apurações realizadas pelos órgãos de controle externo.
Além
disso, foi instaurado um procedimento administrativo pelo Instituto para
consolidação dessas informações e avaliações de possíveis cenários e adoção de
medidas pertinentes.
A
autarquia esclarece que adquiriu letras financeiras do banco em 2024 seguindo
os ritos legais e técnicos, com pareceres de assessoria de investimentos,
aprovação do Comitê de Investimentos, ciência e homologação dos Conselhos
Fiscal e Conselho Deliberativo.
É
importante destacar que o patrimônio da São Roque Prev permanece sólido, com
mais de R$ 500 milhões em caixa, sem considerar os valores investidos no Banco
Master.
O SÃO
ROQUE PREV monitora o cenário econômico e adotará todas as medidas cabíveis e
legais para resguardar os interesses dos servidores, reforçando seu compromisso
em garantir a segurança dos recursos previdenciários, bem como em proteger o
interesse do funcionário público são-roquense.”
Fonte:
ICL Notícias

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