Coordenadora de Flávio Bolsonaro quer
importar a catástrofe econômica de Milei para o Brasil
A campanha do candidato do PL, Flávio
Bolsonaro, prepara um programa econômico inspirado nas reformas do presidente
argentino Javier Milei, com a revogação de normas infralegais e o envio de uma
proposta de emenda à Constituição para promover arrocho fiscal.
As diretrizes foram apresentadas pela
coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, durante um evento do
Esfera Brasil. “Inspirando-nos nas reformas implementadas pelo governo de
Javier Milei, na Argentina”, afirmou a ex-presidente da Caixa Econômica
Federal.
Uma das principais medidas em estudo é a
revisão de mais de mil normas editadas pelo governo federal, informa a revista
Exame. A equipe de Flávio Bolsonaro pretende concentrar a iniciativa em
obrigações acessórias e regulamentos situados abaixo do nível das leis, com o
argumento de supostamente reduzir a burocracia e os custos impostos ao setor
produtivo.
“Iniciamos o mapeamento de mais de mil
normas, entre obrigações acessórias e regulamentos infralegais, visando à
desburocratização”, declarou Daniella. A coordenadora classifica a proposta
como um “revogaço” e sustenta que parte dessas regras teria ampliado a carga
tributária por meio de atos administrativos.
O programa também prevê a apresentação de uma
PEC voltada à redução dos gastos públicos logo no início de um eventual
governo. A intenção, segundo Daniella, é concentrar o ajuste na estrutura do
Estado e nos benefícios tributários, sem reduzir as políticas de transferência
de renda.
Apesar da referência ao governo Milei,
marcado por um ajuste fiscal profundo na Argentina, Daniella afirmou que a
política externa de uma eventual administração de Flávio Bolsonaro buscaria
preservar as relações comerciais com diferentes países.
“Buscaremos o diálogo com todas as nações,
pautando nossa atuação no fortalecimento do Brasil como uma potência comercial
e preservando os compromissos estratégicos na região”, declarou.
A coordenadora também defendeu a manutenção
da autonomia do Banco Central. Segundo ela, não haveria dificuldade de
convivência entre um eventual governo de Flávio Bolsonaro e o atual presidente
da instituição, Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT).
“Respeitamos profundamente a autonomia do
Banco Central, que é um avanço institucional essencial para a nossa
estabilidade econômica. A atuação pautada em critérios técnicos e na
transparência é o que mantém a inflação ancorada”, afirmou.
Ao ser questionada sobre o combate a fraudes
no sistema financeiro, inclusive diante do caso envolvendo o Banco Master,
Daniella atribuiu a responsabilidade pela fiscalização à autoridade monetária.
“Essa é uma atribuição do Banco Central, que possui autonomia e poder
regulatório sobre o setor financeiro. Devemos respeitar a competência técnica
da autarquia”, disse.
Ex-presidente da Caixa entre julho de 2022 e
janeiro de 2023, Daniella Marques também ocupou a Secretaria Especial de
Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia durante o
governo de Jair Bolsonaro. Na campanha presidencial de Flávio, ela está
encarregada de formular propostas para as contas públicas, a reforma
administrativa e a competitividade da economia brasileira.
• Articulador
de rede trumpista atua dentro do QG de Flávio Bolsonaro
Pedro Sang, empresário carioca apontado como
articulador no Brasil da Rockbridge Network, passou a atuar no comitê
presidencial de Flávio Bolsonaro, senador e candidato do Partido Liberal (PL),
em São Paulo, segundo reportagem publicada no sábado, 12 de setembro de 2026,
pelo site Amado Mundo, de Guilherme Amado e João Pedroso de Campos. O caso leva
para dentro da campanha a conexão entre a direita trumpista dos Estados Unidos,
a disputa por recursos estratégicos e a promessa de alinhar minerais críticos
brasileiros aos interesses de Washington.
O cenário é uma casa de dois andares na
Avenida República do Líbano, em frente à sede do PL e perto do Parque
Ibirapuera. Pessoas ouvidas pelo site disseram que Sang se apresentava ali como
“Pedro da Rockbridge”, ocupava uma sala no segundo andar e participou da
montagem física do QG, com providências de móveis e infraestrutura.
Segundo a apuração, o empresário mantinha
contato com integrantes próximos da operação eleitoral, entre eles o
marqueteiro Duda Lima e os irmãos José Vicente e Nelson Santini. Sang declarou
que acompanha a campanha “como cidadão preocupado com o futuro do meu país” e
afirmou desconhecer qualquer financiamento da Rockbridge Network para Flávio.
<><> Memorando levou terras raras
ao centro da campanha
A presença de Sang no comitê ganha peso
porque a Rockbridge apareceu, nos últimos dias, ao lado de outro documento
sensível. Um memorando elaborado por André Marinho, aliado de Flávio e
candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro, trazia na capa a inscrição
“Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign” e propunha uma aproximação entre Brasil e
Estados Unidos para exploração, processamento e industrialização de minerais
críticos e terras raras.
Marinho confirmou a autoria do material, mas
disse que o estudo foi iniciativa pessoal, sem relação com a campanha
presidencial, e negou ter apresentado oficialmente o documento a autoridades
americanas. A reportagem atribui ao arquivo 22 páginas, produção em 19 de março
de 2026, metadados em nome de Marinho e uso da marca de Flávio com o slogan
“Prosperity Partnership”.
O texto defendia posicionar o Brasil como
fornecedor e centro de processamento de minerais críticos alinhado ao Ocidente.
A fórmula soa técnica, mas ganha consequência política direta quando uma
candidatura presidencial oferece um setor estratégico como peça de
reorganização das cadeias produtivas americanas.
Flávio já havia defendido essa linha em março
de 2026, durante evento conservador nos Estados Unidos. O senador disse que o
Brasil seria “a solução” para os EUA reduzirem a dependência da China em
minerais críticos, especialmente terras raras, e associou o tema à inovação
tecnológica e à produção militar americana.
<><> O que está em disputa no
subsolo
A Agência Nacional de Mineração (ANM) trata
os minerais críticos como substâncias de alta relevância econômica e risco
elevado de suprimento, com impacto em tecnologia, energia, defesa e indústria.
A própria agência informa que a China concentra cerca de 60% da produção
mundial de terras raras, entre 85% e 90% do refino global e perto de 90% da
fabricação de ímãs permanentes de neodímio, ferro e boro.
Essa concentração explica a corrida de
Washington por fornecedores alternativos e a pressão sobre países com reservas
relevantes. O Brasil entrou no radar porque tem uma das maiores reservas do
mundo.
Levantamento da Associated Press e da
Repórter Brasil, com base em registros da ANM até junho de 2026, apontou 268
pedidos de pesquisa de terras raras apenas no primeiro semestre de 2026 e
mostrou que mais de 86% dos requerimentos foram apresentados nos três anos
anteriores. O mesmo levantamento indicou que investidores de fora responderam
por mais de quatro em cada dez pedidos e que empresas americanas e australianas
dominaram o interesse recente.
<><>Rede de Vance aproxima
eleição brasileira da direita americana
A Rockbridge Network foi fundada em 2019 por
J.D. Vance, atual vice-presidente dos Estados Unidos, e pelo investidor Chris
Buskirk. A rede reúne doadores e operadores da direita republicana e voltou ao
noticiário americano na semana passada, em meio a eventos de arrecadação do
Partido Republicano.
No Brasil, a suspeita de apoio estrangeiro à
candidatura de Flávio foi levada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo
deputado federal Lindbergh Farias, do Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio de
Janeiro. A notícia de fato pede apuração sobre eventual entrada de recursos
estrangeiros, direta ou indireta, na campanha do senador.
A representação se baseia em declarações
públicas de Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, que acusa a
Rockbridge de ter apoiado a campanha de Flávio. Renan e Lindbergh não
divulgaram provas de repasses, e os empresários citados negam ter intermediado
dinheiro estrangeiro para a eleição.
A Lei das Eleições proíbe partidos e
candidatos de receber, direta ou indiretamente, doação em dinheiro ou estimável
em dinheiro procedente de entidade ou governo estrangeiro. A norma também
obriga a devolução de recursos de fonte vedada ou de origem não identificada.
Até agora, há documento com marca de
campanha, relato de atuação de Pedro Sang no QG, contatos com a Rockbridge e
uma representação ao STF, mas não há prova pública de repasse estrangeiro à
candidatura de Flávio. A controvérsia, ainda assim, já deslocou a disputa
eleitoral para o terreno da soberania mineral.
Se a proposta do memorando virar programa de
governo, a exploração de terras raras e minerais críticos brasileiros pode
ficar condicionada à estratégia industrial e militar dos Estados Unidos antes
de responder a uma política nacional de tecnologia, emprego qualificado e
agregação de valor. O Supremo e a Procuradoria-Geral da República terão de
decidir se investigam contas, contratos, intermediários e eventuais cooperações
internacionais.
• PT
leva ao STF suspeita de apoio estrangeiro à campanha de Flávio Bolsonaro
O PT decidiu levar ao Supremo Tribunal
Federal uma suspeita que envolve a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro
(PL). O partido pediu a abertura de uma investigação para apurar se uma
organização norte-americana ligada ao vice-presidente dos Estados Unidos, J.D.
Vance, teria participado de uma articulação de apoio financeiro irregular ao
senador. As informação são da colunista de O Globo, Bela Megale.
A representação foi apresentada depois que o
candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou haver indícios de uma
operação envolvendo a Rockbridge Network, entidade fundada por Vance. O PT
sustenta que os fatos precisam ser esclarecidos porque a legislação brasileira
impede que campanhas eleitorais recebam recursos estrangeiros.
O partido pede que investigadores verifiquem
se houve uma tentativa de driblar as regras de financiamento eleitoral e
prestação de contas. A suspeita levantada na peça é de que uma eventual ajuda
financeira poderia estar relacionada a interesses econômicos ligados à
exploração de terras raras no Brasil.
Na avaliação do PT, caso as denúncias sejam
comprovadas, o episódio poderia envolver crimes eleitorais e corrupção, além de
uma possível interferência externa no processo político brasileiro.
A legenda solicitou ao STF medidas de
investigação, como acesso a dados bancários, fiscais e telemáticos, além de
diligências e cooperação com autoridades de outros países.
O pedido também será encaminhado ao Tribunal
Superior Eleitoral, à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
A representação cita ainda empresários
apontados como possíveis intermediários entre a organização norte-americana e a
campanha de Flávio Bolsonaro, entre eles Tallis Gomes e Pedro Sang, devido às
ligações deles com a Rockbridge.
No documento, o PT afirma que uma eventual
operação fora dos registros oficiais de campanha poderia representar uma forma
de contornar a fiscalização da Justiça Eleitoral.
O partido também chama atenção para a
hipótese de que uma candidatura presidencial pudesse ser influenciada por
interesses privados ligados a um setor considerado estratégico para o país.
O STF ainda não decidiu sobre a abertura
formal do inquérito.
• Mercadante
rejeita narrativa de “motosserra” e destaca crescimento de 77,4% do BNDES
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante,
fez nesta segunda-feira (14) um balanço de seu mandato no comando do banco de
fomento ao longo dos últimos três anos e meio, e rejeitou firmemente a
narrativa de campanha “de motosserra”, defendida pela direita para aplicar
cortes severos sobre o setor público.
“Nossos ativos que eram de 620 bilhões de
reais, passaram para 1 trilhão e 100 bilhões de reais, em três anos e meio”,
ressaltou Mercadante, ao dirigir críticas a setores do empresariado presentes
na plateia, durante evento do Esfera Brasil, em São Paulo (SP).
Mercadante elogiou o TCU pelo reconhecimento
do BNDES como a instituição estatal mais transparente do país.
“Na última campanha, a acusação era que o
BNDES era uma ‘caixa-preta’. Hoje o BNDES ganhou, nos três últimos anos pelo
Tribunal de Contas da União, (o reconhecimento) como a instituição mais
transparente do Estado brasileiro, municipal, estadual e federal”, disse
Mercadante. “Chegamos no BNDES com 747 processos contra servidores, hoje não
tem nenhum”, acrescentou.
“Isso mostra o padrão de gestão de eficiência
de uma instituição pública estatal”, enfatizou Mercadante.
Mercadante afirmou que, para o Brasil se
reindustrializar, é necessário abandonar o pensamento do Consenso de
Washington, ainda prevalente entre setores da elite econômica.
“É um equívoco o Brasil continuar insistindo
que o caminho para o desenvolvimento é o Estado mínimo, desregular, privatizar
e o Estado se retirar da economia”, afirmou Mercadante. “Isso leva à
desindustrialização”, acrescentou.
“Somos o país que mais cresceu no mundo
durante 30 anos, não três anos. Perdemos essa relação, temos que recompor”,
defendeu Mercadante.
O presidente do BNDES rejeitou a acusação de
que estaria buscando “inchar” o banco, defendendo que seus ativos permaneçam na
casa dos 2% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
“O BNDES não pode querer substituir o mercado
de capitais, nem queremos um BNDES inchado, como já tivemos. Depois da crise de
2008, o BNDES chegou a ter 4-5% do PIB. Nossa meta é ficar em 2%, que é o
padrão histórico que nós tínhamos antes da crise de 2008”, disse Mercadante.
Mercadante também afirmou que o Estado é um
instrumento necessário para o desenvolvimento, especialmente no fomento à
inovação, que, segundo ele, não costuma atrair interesse do setor financeiro
privado. “Não há inovação se o Estado não correr risco”, afirmou.
Fonte: Brasil 247/O CafezinhoOpera Mundi

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