Jorge Folena: Só Lula pode vencer o crime
organizado
A desordem institucional promovida por André
Mendonça, ministro do STF (nomeado pelo ex-presidente condenado por graves
crimes contra a ordem democrática) traz ao debate a necessidade imperiosa de
enfrentamento ao crime organizado, que se infiltrou em atividades empresariais
a partir do governo da liberdade econômica, que esteve à frente do país entre
2019-2022.
Daniel Vorcaro é um dos frutos podres da
árvore plantada no governo anterior, que assumiu um banco pequeno e conseguiu,
por meio da corrupção, conquistar vasto espaço e poder no sistema financeiro e
político do país.
Empregando as velhas práticas mafiosas,
Vorcaro atuou como um polvo, espalhando seus tentáculos por quase toda a
estrutura política do país, contratando prepostos para trabalhar em seu banco
de fachada, financiando viagens de luxo, refeições caras, degustação de
charutos e uísque e vinhos de safras exclusivas e, como se não bastasse,
organizando festas luxuosas para os moralistas no discurso, mas que gostam de
orgias e bacanais com jovens meninas; aliás, uma técnica muito semelhante à
utilizada por Eppstein. Porém, aqui no Brasil do Banco Master, ainda não veio à
tona, em profusão, o que rolou nas
festinhas.
O ex-dono do Banco Master distribuía milhões
de reais para corromper servidores do Banco Central, de governos estaduais e
municipais e até mesmo magistrados, como está sendo revelado pela retirada de
sigilo das investigações, que estava sendo imposto a qualquer custo pelo
ministro André Mendonça, para proteger pessoas próximas ao seu círculo
político, como alguns integrantes da família Bolsonaro, que receberam repasses
de milhões de reais sob a alegação de colaboração para o filme do
ex-presidente.
O caso Master é emblemático para se observar
como o crime organizado se espalhou e ganhou força, a partir do governo de
Bolsonaro, e porque há tanto esforço da classe dominante do país para tentar
impedir a reeleição do presidente Lula.
Como tenho comentado ao longo do último ano,
no Brasil, desde o início do século passado, já tinham sido identificadas as
forças que conspiram contra o país, que são o imperialismo, o latifúndio e o
fascismo. A partir da operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, foi possível
identificar, com mais evidência, que o crime organizado, que está estruturado
em diversas atividades econômicas e financeiras, também integra estas forças
que conspiram contra o desenvolvimento brasileiro.
Não quero parecer ufanista, mas é inegável
que foi sob a liderança do presidente Lula, neste seu terceiro mandato, que a
Polícia Federal iniciou um sério enfrentamento ao crime organizado, que sempre
contou com a omissão e o apoio de governos locais (como no Rio de Janeiro) para
atuar livremente e sem qualquer repressão. Os governos estaduais, que são
constitucionalmente responsáveis pela garantia da segurança pública, apenas
direcionavam suas ações contra a população preta e pobre das periferias das grandes
cidades, como se nesses locais estivessem os verdadeiros chefes do crime.
O presidente Lula, com uma coragem
impressionante, escolheu meter a mão nesse vespeiro e encaminhou uma proposta
de emenda constitucional para que a Polícia Federal se tornasse responsável pelo enfrentamento ao crime
organizado, às milícias privadas e aos crimes ambientais. O curioso é que quem
mais combateu esta proposta de emenda constitucional foram os governadores
bolsonaristas Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Jorginho de Melo
e Cláudio Castro. Inclusive, este grupo de governadores, com apoio da família
Bolsonaro, abraçou Cláudio Castro em uma manifestação arrevesada de
solidariedade, quando, no final de outubro de 2025, a polícia do Rio de Janeiro
matou mais de cento e vinte uma pessoas, numa única incursão no Complexo do
Alemão.
Como desdobramento desta matança, promovida
pelo dublê de cantor religioso e governador cassado Cláudio Castro, o ministro Alexandre de
Moraes do STF, nos autos do processo da ADPF das favelas, determinou a prisão de
várias autoridades ligadas ao governo de Castro e ao comando vermelho, pessoas
que tinham também forte relação política e pessoal com o candidato Flávio
Bolsonaro.
Em consequência do caso do Banco Master, a
mídia empresarial tentou construir a tese de que toda a política brasileira
estaria contaminada pela corrupção, porém esquecendo de informar – como de
costume – que o mencionado banco também foi um dos grandes patrocinadores
desses veículos e que o dinheiro de Vorcaro é oriundo de práticas delituosas
contra o sistema financeiro e de corrupção promovida em diversos fundos de
servidores públicos de estados e municípios.
De fato, o dinheiro da corrupção de DV se
espalhou pela vida política e empresarial do país e foi utilizado para
satisfazer os desejos de muita gente.
Porém, o único que não tem nada a ver com as
falcatruas do Banco Master é o presidente Lula, que em seu terceiro mandato
compreendeu a necessidade de se enfrentar o crime organizado, que se associou
ao fascismo, ao imperialismo e ao latifúndio para tentar derrotá-lo
eleitoralmente, mas cujas intenções finais são ainda mais tenebrosas do que a
intervenção nas eleições de um país.
Os desdobramentos da crise instalada no STF
vão deixando evidente a importância da liderança do presidente Lula, que já se
manifestou de modo contundente em defesa da soberania e do direito cada país de
determinar seu próprio futuro.
Por tudo isto, o processo eleitoral que
atravessamos é crucial para o futuro do país, assim como a reeleição do
Presidente Lula, pois fora da hipótese da vitória das forças progressistas só
existe a certeza da barbárie.
• Lula
rebate mentiras da extrema direita sobre INSS e Master: ‘verdade tarda, mas não
falha’
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
afirmou neste sábado (12), durante ato de campanha em Curitiba (PR), que a
abertura dos inquéritos relacionados aos casos do Banco Master e das fraudes no
INSS permitirá que a população tenha acesso mais amplo às informações
investigadas.
Segundo Lula, ele havia defendido ao
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a divulgação
integral dos processos para evitar que informações fossem apresentadas de forma
parcial. “Eu pedi pra liberar todo o processo, vamos deixar nu pra saber quem é
que está por trás disso”, afirmou.
Na avaliação do presidente, a divulgação dos
documentos permitirá identificar os responsáveis pelos crimes investigados. “E
vamos deixar às claras, para ver quem é ladrão e corrupto nesse país. Estou
feliz que o povo brasileiro vai saber a verdade, quem fez o quê nesse país”,
disse.
Durante o ato, Lula também mencionou
reportagens publicadas na sexta-feira (11) sobre uma relação imobiliária entre
empresas ligadas ao senador Flávio Bolsonaro e ao empresário Antônio Carlos
Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
“Ontem saiu matéria de que o tal do ‘Careca’
está no mesmo prédio que o Flávio Bolsonaro”, disse o presidente.
<><> Fraudes no INSS
Ao abordar as fraudes contra aposentados e
pensionistas, Lula afirmou que as investigações avançaram durante seu governo
graças à atuação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal.
“Nós descobrimos, em dois anos, a maior
quadrilha montada para roubar aposentados e pensionistas nesse país. Foram a
Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal, no meu governo, que
descobriram uma quadrilha montada no governo Bolsonaro”, declarou.
Lula também afirmou que o governo decidiu
ressarcir os aposentados enquanto os processos seguem em andamento. De acordo
com ele, bens e valores apreendidos dos investigados serão utilizados para
recuperar recursos desviados.
“Nós descobrimos a quadrilha, vários deles já
estão na cadeia, já apreendemos R$ 6 bilhões de patrimônio deles e já
devolvemos R$ 3,5 bilhões aos aposentados. Todos receberam de volta”, declarou.
<><> Banco Master
Sobre o Banco Master, Lula lembrou que havia
pedido a abertura dos inquéritos relacionados ao caso ainda na quarta-feira
(9), antes da decisão do STF de retirar o sigilo das investigações. O
presidente afirmou que o banco foi criado durante o governo de Jair Bolsonaro e
associou à sua gestão as investigações e a prisão de Daniel Vorcaro.
“Em 2019, eles pegaram um agiota e
transformaram em banqueiro, o tal do Banco Master, que tem esse Vorcaro que
corrompeu muita gente na República. E nós prendemos esse banqueiro. Eles
abriram um banco e nós fechamos esse banco. E ele deu um golpe de R$ 60 bilhões
nesse país”, afirmou.
Lula também criticou a atuação da oposição
diante das investigações e acusou integrantes da extrema direita de utilizar o
Congresso para produzir conteúdo político nas redes sociais.
“Eu disse a vocês que este ano a verdade vai
vencer a mentira. Eles passam o ano inteiro fazendo filme, lá no Senado e na
Câmara. Quando a extrema direita vai interrogar um ministro, nem ouvem a
resposta. Vão lá, fazem uma pergunta cretina e saem correndo pra lacrar na
internet”, afirmou.
<><> “Ninguém pode ser protegido”
O presidente ainda afirmou que qualquer
pessoa suspeita de cometer irregularidades deve ser investigada, inclusive
integrantes de sua própria família e ministros do STF.
“Quando começaram a falar do meu filho, eu
disse que meu filho não será protegido. Ele nasceu pra fazer as coisas certas,
e eu acredito na inocência dele, mas se ele cometeu um erro, ele terá que pagar
pelo erro que ele cometeu”, completou.
Lula afirmou que o mesmo princípio deve valer
para qualquer cidadão e também para integrantes da Suprema Corte.
“Isso vale pra mim, isso vale pro meu filho,
isso vale pra qualquer ministro da Suprema Corte. Ninguém pode ser ministro da
Suprema Corte pra ficar rico, aquilo é um sacerdócio. As pessoas têm que se
dedicar, porque é a Corte Suprema, quando ela toma uma decisão, ninguém pode
mudar. Então as pessoas têm que ter um padrão de comportamento acima da média
da sociedade”, disse o presidente.
• Eduardo
mira Itamaraty e sinaliza guinada pró-EUA caso Flávio Bolsonaro seja eleito
O ex-deputado federal cassado Eduardo
Bolsonaro pretende assumir o Ministério das Relações Exteriores caso seu irmão,
o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vença a eleição
de outubro, destaca o jornalista Lauro Jardim em sua coluna no jornal O Globo.
A movimentação colocaria no comando da diplomacia brasileira um dos principais
articuladores da aproximação do bolsonarismo com o governo de Donald Trump e
abriria caminho para uma profunda mudança na posição internacional do Brasil.
A
eventual escolha de Eduardo para o Itamaraty ganha dimensão especial porque a
política externa se transformou em uma das principais linhas divisórias da
eleição presidencial de 2026. Mais do que uma simples escolha ministerial, sua
chegada ao Palácio Itamaraty representaria a possibilidade de substituir a
estratégia de autonomia, multilateralismo e aproximação com o Sul Global
adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por uma política
significativamente mais próxima de Washington.
<><> Eduardo no centro da
articulação com Washington
A trajetória recente de Eduardo Bolsonaro
torna a hipótese particularmente sensível. O ex-deputado construiu canais
políticos com integrantes do campo trumpista nos Estados Unidos e participou da
campanha internacional contra autoridades brasileiras. O ex-parlamentar reside
atualmente nos EUA.
Em junho deste ano, Eduardo foi condenado
pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois
meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. Segundo o Ministério
Público Federal, ele atuou na articulação de sanções dos Estados Unidos contra
o Brasil e ministros do Supremo com o objetivo de influenciar o julgamento
relacionado à trama golpista.
Na sexta-feira (11), Eduardo anunciou que
pretende viajar novamente a Washington para discutir a possibilidade de
retomada de sanções da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de
Moraes.
Essa trajetória coloca uma questão central
para um eventual governo Flávio Bolsonaro: Eduardo deixaria de atuar como
interlocutor informal de setores da extrema direita brasileira em Washington
para ocupar justamente o cargo responsável por formular e executar
institucionalmente a política externa do Estado brasileiro.
<><> Política externa de Flávio
aponta mudança de eixo
A possível nomeação também precisa ser
observada à luz das posições internacionais defendidas pelo próprio Flávio
Bolsonaro.
Embora seu programa eleitoral procure
apresentar uma diplomacia baseada em “profissionalismo” e “pragmatismo”,
declarações públicas do candidato apontam para mudanças profundas na inserção
internacional brasileira.
Flávio já afirmou que pretende reavaliar a
permanência do Brasil no BRICS, criticou iniciativas destinadas a reduzir a
utilização do dólar no comércio internacional e defendeu maior aproximação
estratégica com os Estados Unidos. Também sustenta uma parceria preferencial
com Washington na exploração de minerais críticos brasileiros.
O senador defende ainda a flexibilização do
Mercosul para permitir um acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos e
propõe uma aproximação mais intensa com Israel. Entre suas propostas está a
transferência da Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém.
O conjunto dessas posições indicaria uma
ruptura significativa em relação à política externa atualmente conduzida pelo
governo Lula (PT).
<><> China seria o maior teste
A China provavelmente seria o ponto mais
delicado dessa guinada.
A China
ocupa posição central no comércio exterior brasileiro e tornou-se um
parceiro decisivo para setores como agronegócio, mineração, energia,
infraestrutura e indústria, sendo o maior parceiro comercial do Brasil. Ao
mesmo tempo, a rivalidade entre China e Estados Unidos se tornou um dos
elementos estruturantes da ordem internacional.
Uma diplomacia fortemente alinhada a
Washington colocaria o Brasil diante de pressões para reduzir sua participação
em mecanismos impulsionados pelos chineses e limitar a presença de empresas
chinesas em setores considerados estratégicos.
O próprio Flávio Bolsonaro já declarou que o Brasil deveria abandonar
aquilo que classifica como “submissão à China”. Apesar disso, seu programa
eleitoral tenta transmitir uma posição mais cautelosa, afirmando que um
eventual governo negociaria tanto com Estados Unidos quanto com China, União
Europeia e mercados asiáticos.
Eduardo, por sua vez, adotou recentemente um
discurso público mais moderado. Em artigo publicado neste mês, defendeu
preservar oportunidades econômicas com a China, ao mesmo tempo em que propôs
reduzir dependências e avaliar com maior rigor investimentos chineses em
setores estratégicos.
A contradição entre esse discurso recente e
sua atuação política junto ao trumpismo seria um dos principais desafios de sua
eventual passagem pelo Itamaraty.
<><> Brics pode virar ponto de
ruptura
Outra transformação potencial estaria na
relação brasileira com o Brics.
Sob Lula, o bloco se tornou um dos pilares da
estratégia brasileira de fortalecimento do Sul Global e de defesa de uma ordem
internacional multipolar. O Brasil também utiliza o grupo como instrumento para
ampliar relações econômicas e políticas para além do eixo tradicional Estados
Unidos-Europa.
Flávio Bolsonaro, porém, afirmou que
avaliaria retirar o país do Brics por considerar que o grupo passou a assumir
uma orientação ideológica contrária aos Estados Unidos. O candidato também
critica iniciativas para ampliar transações internacionais em moedas diferentes
do dólar.
Uma eventual saída brasileira representaria
uma alteração histórica na estratégia internacional do país e reduziria um dos
principais espaços multilaterais em que Brasília exerce influência ao lado de
China, Índia, Rússia, África do Sul e outras potências emergentes.
Também aproximaria o Brasil da estratégia de
Washington de limitar a expansão de mecanismos internacionais capazes de
reduzir a centralidade econômica e financeira estadunidense.
<><> Itamaraty sob pressão
A eventual indicação de Eduardo também teria
repercussões dentro do próprio Ministério das Relações Exteriores.
O Itamaraty possui uma burocracia diplomática
profissional e uma tradição histórica de buscar margem de autonomia para o
Brasil mesmo quando governos adotam diferentes orientações ideológicas. A
chegada de um ministro identificado diretamente com o trumpismo poderia
produzir tensões entre essa tradição institucional e um projeto de forte
realinhamento político.
Essas tensões não são apenas hipotéticas.
Em maio, declarações de Eduardo Bolsonaro
contra o Itamaraty já provocaram preocupação entre diplomatas. Depois de
dificuldades envolvendo a realização de uma entrevista coletiva durante uma
viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, Eduardo ameaçou promover
mudanças profundas no ministério em um eventual governo do irmão.
<><> Soberania entraria no centro
da disputa
É justamente nesse ponto que a escolha
ganharia sua maior dimensão política.
A diplomacia brasileira deixaria de ser
apenas mais uma área de divergência entre Lula e o bolsonarismo para se
transformar em parte central da disputa sobre soberania nacional.
O governo Lula procura construir sua política
internacional sobre três pilares: fortalecimento do Brics e do Sul Global,
diversificação das relações econômicas e manutenção de autonomia diante das
grandes potências.
Um eventual governo Flávio Bolsonaro com
Eduardo no Itamaraty apontaria para direção distinta: aproximação estratégica
com Washington, revisão da relação com o Brics, maior desconfiança diante da
China e alinhamento político mais intenso com governos conservadores.
A diferença é particularmente relevante
diante da atual política de Donald Trump. Washington tem pressionado países
parceiros em temas que envolvem minerais críticos, empresas de tecnologia,
segurança regional e relações econômicas com Pequim.
Para o Brasil, potência continental, grande
produtor de alimentos e energia e detentor de algumas das maiores reservas
minerais estratégicas do planeta, escolher um alinhamento automático
significaria abrir mão de parte da capacidade de negociar simultaneamente com
diferentes polos de poder.
Fonte: Brasil 247

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