terça-feira, 15 de setembro de 2026

Jorge Folena: Só Lula pode vencer o crime organizado

A desordem institucional promovida por André Mendonça, ministro do STF (nomeado pelo ex-presidente condenado por graves crimes contra a ordem democrática) traz ao debate a necessidade imperiosa de enfrentamento ao crime organizado, que se infiltrou em atividades empresariais a partir do governo da liberdade econômica, que esteve à frente do país entre 2019-2022.

Daniel Vorcaro é um dos frutos podres da árvore plantada no governo anterior, que assumiu um banco pequeno e conseguiu, por meio da corrupção, conquistar vasto espaço e poder no sistema financeiro e político do país.

Empregando as velhas práticas mafiosas, Vorcaro atuou como um polvo, espalhando seus tentáculos por quase toda a estrutura política do país, contratando prepostos para trabalhar em seu banco de fachada, financiando viagens de luxo, refeições caras, degustação de charutos e uísque e vinhos de safras exclusivas e, como se não bastasse, organizando festas luxuosas para os moralistas no discurso, mas que gostam de orgias e bacanais com jovens meninas; aliás, uma técnica muito semelhante à utilizada por Eppstein. Porém, aqui no Brasil do Banco Master, ainda não veio à tona, em profusão, o que  rolou nas festinhas.

O ex-dono do Banco Master distribuía milhões de reais para corromper servidores do Banco Central, de governos estaduais e municipais e até mesmo magistrados, como está sendo revelado pela retirada de sigilo das investigações, que estava sendo imposto a qualquer custo pelo ministro André Mendonça, para proteger pessoas próximas ao seu círculo político, como alguns integrantes da família Bolsonaro, que receberam repasses de milhões de reais sob a alegação de colaboração para o filme do ex-presidente.

O caso Master é emblemático para se observar como o crime organizado se espalhou e ganhou força, a partir do governo de Bolsonaro, e porque há tanto esforço da classe dominante do país para tentar impedir a reeleição do presidente Lula.

Como tenho comentado ao longo do último ano, no Brasil, desde o início do século passado, já tinham sido identificadas as forças que conspiram contra o país, que são o imperialismo, o latifúndio e o fascismo. A partir da operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, foi possível identificar, com mais evidência, que o crime organizado, que está estruturado em diversas atividades econômicas e financeiras, também integra estas forças que conspiram contra o desenvolvimento brasileiro.

Não quero parecer ufanista, mas é inegável que foi sob a liderança do presidente Lula, neste seu terceiro mandato, que a Polícia Federal iniciou um sério enfrentamento ao crime organizado, que sempre contou com a omissão e o apoio de governos locais (como no Rio de Janeiro) para atuar livremente e sem qualquer repressão. Os governos estaduais, que são constitucionalmente responsáveis pela garantia da segurança pública, apenas direcionavam suas ações contra a população preta e pobre das periferias das grandes cidades, como se nesses locais estivessem os verdadeiros chefes do crime.

O presidente Lula, com uma coragem impressionante, escolheu meter a mão nesse vespeiro e encaminhou uma proposta de emenda constitucional para que a Polícia Federal se tornasse  responsável pelo enfrentamento ao crime organizado, às milícias privadas e aos crimes ambientais. O curioso é que quem mais combateu esta proposta de emenda constitucional foram os governadores bolsonaristas Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Jorginho de Melo e Cláudio Castro. Inclusive, este grupo de governadores, com apoio da família Bolsonaro, abraçou Cláudio Castro em uma manifestação arrevesada de solidariedade, quando, no final de outubro de 2025, a polícia do Rio de Janeiro matou mais de cento e vinte uma pessoas, numa única incursão no Complexo do Alemão.

Como desdobramento desta matança, promovida pelo dublê de cantor religioso e governador cassado  Cláudio Castro, o ministro Alexandre de Moraes do STF, nos autos do processo da ADPF das favelas, determinou a prisão de várias autoridades ligadas ao governo de Castro e ao comando vermelho, pessoas que tinham também forte relação política e pessoal com o candidato Flávio Bolsonaro.

Em consequência do caso do Banco Master, a mídia empresarial tentou construir a tese de que toda a política brasileira estaria contaminada pela corrupção, porém esquecendo de informar – como de costume – que o mencionado banco também foi um dos grandes patrocinadores desses veículos e que o dinheiro de Vorcaro é oriundo de práticas delituosas contra o sistema financeiro e de corrupção promovida em diversos fundos de servidores públicos de estados e municípios.

De fato, o dinheiro da corrupção de DV se espalhou pela vida política e empresarial do país e foi utilizado para satisfazer os desejos de muita gente.

Porém, o único que não tem nada a ver com as falcatruas do Banco Master é o presidente Lula, que em seu terceiro mandato compreendeu a necessidade de se enfrentar o crime organizado, que se associou ao fascismo, ao imperialismo e ao latifúndio para tentar derrotá-lo eleitoralmente, mas cujas intenções finais são ainda mais tenebrosas do que a intervenção nas eleições de um país.

Os desdobramentos da crise instalada no STF vão deixando evidente a importância da liderança do presidente Lula, que já se manifestou de modo contundente em defesa da soberania e do direito cada país de determinar seu próprio futuro.

Por tudo isto, o processo eleitoral que atravessamos é crucial para o futuro do país, assim como a reeleição do Presidente Lula, pois fora da hipótese da vitória das forças progressistas só existe a certeza da barbárie.

•        Lula rebate mentiras da extrema direita sobre INSS e Master: ‘verdade tarda, mas não falha’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (12), durante ato de campanha em Curitiba (PR), que a abertura dos inquéritos relacionados aos casos do Banco Master e das fraudes no INSS permitirá que a população tenha acesso mais amplo às informações investigadas.

Segundo Lula, ele havia defendido ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a divulgação integral dos processos para evitar que informações fossem apresentadas de forma parcial. “Eu pedi pra liberar todo o processo, vamos deixar nu pra saber quem é que está por trás disso”, afirmou.

Na avaliação do presidente, a divulgação dos documentos permitirá identificar os responsáveis pelos crimes investigados. “E vamos deixar às claras, para ver quem é ladrão e corrupto nesse país. Estou feliz que o povo brasileiro vai saber a verdade, quem fez o quê nesse país”, disse.

Durante o ato, Lula também mencionou reportagens publicadas na sexta-feira (11) sobre uma relação imobiliária entre empresas ligadas ao senador Flávio Bolsonaro e ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

“Ontem saiu matéria de que o tal do ‘Careca’ está no mesmo prédio que o Flávio Bolsonaro”, disse o presidente.

<><> Fraudes no INSS

Ao abordar as fraudes contra aposentados e pensionistas, Lula afirmou que as investigações avançaram durante seu governo graças à atuação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal.

“Nós descobrimos, em dois anos, a maior quadrilha montada para roubar aposentados e pensionistas nesse país. Foram a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal, no meu governo, que descobriram uma quadrilha montada no governo Bolsonaro”, declarou.

Lula também afirmou que o governo decidiu ressarcir os aposentados enquanto os processos seguem em andamento. De acordo com ele, bens e valores apreendidos dos investigados serão utilizados para recuperar recursos desviados.

“Nós descobrimos a quadrilha, vários deles já estão na cadeia, já apreendemos R$ 6 bilhões de patrimônio deles e já devolvemos R$ 3,5 bilhões aos aposentados. Todos receberam de volta”, declarou.

<><> Banco Master

Sobre o Banco Master, Lula lembrou que havia pedido a abertura dos inquéritos relacionados ao caso ainda na quarta-feira (9), antes da decisão do STF de retirar o sigilo das investigações. O presidente afirmou que o banco foi criado durante o governo de Jair Bolsonaro e associou à sua gestão as investigações e a prisão de Daniel Vorcaro.

“Em 2019, eles pegaram um agiota e transformaram em banqueiro, o tal do Banco Master, que tem esse Vorcaro que corrompeu muita gente na República. E nós prendemos esse banqueiro. Eles abriram um banco e nós fechamos esse banco. E ele deu um golpe de R$ 60 bilhões nesse país”, afirmou.

Lula também criticou a atuação da oposição diante das investigações e acusou integrantes da extrema direita de utilizar o Congresso para produzir conteúdo político nas redes sociais.

“Eu disse a vocês que este ano a verdade vai vencer a mentira. Eles passam o ano inteiro fazendo filme, lá no Senado e na Câmara. Quando a extrema direita vai interrogar um ministro, nem ouvem a resposta. Vão lá, fazem uma pergunta cretina e saem correndo pra lacrar na internet”, afirmou.

<><> “Ninguém pode ser protegido”

O presidente ainda afirmou que qualquer pessoa suspeita de cometer irregularidades deve ser investigada, inclusive integrantes de sua própria família e ministros do STF.

“Quando começaram a falar do meu filho, eu disse que meu filho não será protegido. Ele nasceu pra fazer as coisas certas, e eu acredito na inocência dele, mas se ele cometeu um erro, ele terá que pagar pelo erro que ele cometeu”, completou.

Lula afirmou que o mesmo princípio deve valer para qualquer cidadão e também para integrantes da Suprema Corte.

“Isso vale pra mim, isso vale pro meu filho, isso vale pra qualquer ministro da Suprema Corte. Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte pra ficar rico, aquilo é um sacerdócio. As pessoas têm que se dedicar, porque é a Corte Suprema, quando ela toma uma decisão, ninguém pode mudar. Então as pessoas têm que ter um padrão de comportamento acima da média da sociedade”, disse o presidente.

•        Eduardo mira Itamaraty e sinaliza guinada pró-EUA caso Flávio Bolsonaro seja eleito

O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro pretende assumir o Ministério das Relações Exteriores caso seu irmão, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vença a eleição de outubro, destaca o jornalista Lauro Jardim em sua coluna no jornal O Globo. A movimentação colocaria no comando da diplomacia brasileira um dos principais articuladores da aproximação do bolsonarismo com o governo de Donald Trump e abriria caminho para uma profunda mudança na posição internacional do Brasil.

 A eventual escolha de Eduardo para o Itamaraty ganha dimensão especial porque a política externa se transformou em uma das principais linhas divisórias da eleição presidencial de 2026. Mais do que uma simples escolha ministerial, sua chegada ao Palácio Itamaraty representaria a possibilidade de substituir a estratégia de autonomia, multilateralismo e aproximação com o Sul Global adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por uma política significativamente mais próxima de Washington.

<><> Eduardo no centro da articulação com Washington

A trajetória recente de Eduardo Bolsonaro torna a hipótese particularmente sensível. O ex-deputado construiu canais políticos com integrantes do campo trumpista nos Estados Unidos e participou da campanha internacional contra autoridades brasileiras. O ex-parlamentar reside atualmente nos EUA.

Em junho deste ano, Eduardo foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. Segundo o Ministério Público Federal, ele atuou na articulação de sanções dos Estados Unidos contra o Brasil e ministros do Supremo com o objetivo de influenciar o julgamento relacionado à trama golpista.

Na sexta-feira (11), Eduardo anunciou que pretende viajar novamente a Washington para discutir a possibilidade de retomada de sanções da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Essa trajetória coloca uma questão central para um eventual governo Flávio Bolsonaro: Eduardo deixaria de atuar como interlocutor informal de setores da extrema direita brasileira em Washington para ocupar justamente o cargo responsável por formular e executar institucionalmente a política externa do Estado brasileiro.

<><> Política externa de Flávio aponta mudança de eixo

A possível nomeação também precisa ser observada à luz das posições internacionais defendidas pelo próprio Flávio Bolsonaro.

Embora seu programa eleitoral procure apresentar uma diplomacia baseada em “profissionalismo” e “pragmatismo”, declarações públicas do candidato apontam para mudanças profundas na inserção internacional brasileira.

Flávio já afirmou que pretende reavaliar a permanência do Brasil no BRICS, criticou iniciativas destinadas a reduzir a utilização do dólar no comércio internacional e defendeu maior aproximação estratégica com os Estados Unidos. Também sustenta uma parceria preferencial com Washington na exploração de minerais críticos brasileiros.

O senador defende ainda a flexibilização do Mercosul para permitir um acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos e propõe uma aproximação mais intensa com Israel. Entre suas propostas está a transferência da Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém.

O conjunto dessas posições indicaria uma ruptura significativa em relação à política externa atualmente conduzida pelo governo Lula (PT).

<><> China seria o maior teste

A China provavelmente seria o ponto mais delicado dessa guinada.

A China  ocupa posição central no comércio exterior brasileiro e tornou-se um parceiro decisivo para setores como agronegócio, mineração, energia, infraestrutura e indústria, sendo o maior parceiro comercial do Brasil. Ao mesmo tempo, a rivalidade entre China e Estados Unidos se tornou um dos elementos estruturantes da ordem internacional.

Uma diplomacia fortemente alinhada a Washington colocaria o Brasil diante de pressões para reduzir sua participação em mecanismos impulsionados pelos chineses e limitar a presença de empresas chinesas em setores considerados estratégicos.

O próprio Flávio Bolsonaro  já declarou que o Brasil deveria abandonar aquilo que classifica como “submissão à China”. Apesar disso, seu programa eleitoral tenta transmitir uma posição mais cautelosa, afirmando que um eventual governo negociaria tanto com Estados Unidos quanto com China, União Europeia e mercados asiáticos.

Eduardo, por sua vez, adotou recentemente um discurso público mais moderado. Em artigo publicado neste mês, defendeu preservar oportunidades econômicas com a China, ao mesmo tempo em que propôs reduzir dependências e avaliar com maior rigor investimentos chineses em setores estratégicos.

A contradição entre esse discurso recente e sua atuação política junto ao trumpismo seria um dos principais desafios de sua eventual passagem pelo Itamaraty.

<><> Brics pode virar ponto de ruptura

Outra transformação potencial estaria na relação brasileira com o Brics.

Sob Lula, o bloco se tornou um dos pilares da estratégia brasileira de fortalecimento do Sul Global e de defesa de uma ordem internacional multipolar. O Brasil também utiliza o grupo como instrumento para ampliar relações econômicas e políticas para além do eixo tradicional Estados Unidos-Europa.

Flávio Bolsonaro, porém, afirmou que avaliaria retirar o país do Brics por considerar que o grupo passou a assumir uma orientação ideológica contrária aos Estados Unidos. O candidato também critica iniciativas para ampliar transações internacionais em moedas diferentes do dólar.

Uma eventual saída brasileira representaria uma alteração histórica na estratégia internacional do país e reduziria um dos principais espaços multilaterais em que Brasília exerce influência ao lado de China, Índia, Rússia, África do Sul e outras potências emergentes.

Também aproximaria o Brasil da estratégia de Washington de limitar a expansão de mecanismos internacionais capazes de reduzir a centralidade econômica e financeira estadunidense.

<><> Itamaraty sob pressão

A eventual indicação de Eduardo também teria repercussões dentro do próprio Ministério das Relações Exteriores.

O Itamaraty possui uma burocracia diplomática profissional e uma tradição histórica de buscar margem de autonomia para o Brasil mesmo quando governos adotam diferentes orientações ideológicas. A chegada de um ministro identificado diretamente com o trumpismo poderia produzir tensões entre essa tradição institucional e um projeto de forte realinhamento político.

Essas tensões não são apenas hipotéticas.

Em maio, declarações de Eduardo Bolsonaro contra o Itamaraty já provocaram preocupação entre diplomatas. Depois de dificuldades envolvendo a realização de uma entrevista coletiva durante uma viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, Eduardo ameaçou promover mudanças profundas no ministério em um eventual governo do irmão.

<><> Soberania entraria no centro da disputa

É justamente nesse ponto que a escolha ganharia sua maior dimensão política.

A diplomacia brasileira deixaria de ser apenas mais uma área de divergência entre Lula e o bolsonarismo para se transformar em parte central da disputa sobre soberania nacional.

O governo Lula procura construir sua política internacional sobre três pilares: fortalecimento do Brics e do Sul Global, diversificação das relações econômicas e manutenção de autonomia diante das grandes potências.

Um eventual governo Flávio Bolsonaro com Eduardo no Itamaraty apontaria para direção distinta: aproximação estratégica com Washington, revisão da relação com o Brics, maior desconfiança diante da China e alinhamento político mais intenso com governos conservadores.

A diferença é particularmente relevante diante da atual política de Donald Trump. Washington tem pressionado países parceiros em temas que envolvem minerais críticos, empresas de tecnologia, segurança regional e relações econômicas com Pequim.

Para o Brasil, potência continental, grande produtor de alimentos e energia e detentor de algumas das maiores reservas minerais estratégicas do planeta, escolher um alinhamento automático significaria abrir mão de parte da capacidade de negociar simultaneamente com diferentes polos de poder.

 

Fonte: Brasil 247

 

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