Flávio Bolsonaro pediu 4 vezes que Mendonça
relatasse caso Dark Horse
A defesa do senador e candidato à Presidência
da República, Flávio Bolsonaro (PL), pediu, ao menos quatro vezes, ao Supremo
Tribunal Federal (STF) que a relatoria da investigação de emendas parlamentares
enviadas ao filme Dark Horse ficasse sob responsabilidade do ministro André
Mendonça. O relator do caso na Corte é o ministro Flávio Dino. As informações
foram reveladas com a queda do sigilo dos inquéritos relacionados ao caso
Master.
De acordo com a defesa de Flávio, a relatoria
deveria ficar com Mendonça já que o ministro é responsável pela investigação
dos recursos enviados ao filme por meio de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Os
pedidos foram feitos entre 13 e 29 de julho deste ano.
As duas primeiras solicitações dos advogados
foram encaminhadas ao gabinete de Edson Fachin, presidente da Corte, as outras
duas foram destinadas ao ministro Flávio Dino.
A investigação acerca das emendas
parlamentares destinadas ao filme apura o possível uso irregular de dinheiro
público na produção. Enquanto a investigação sobre o Caso Master apura repasses
financeiros realizados por Daniel Vorcaro para o longa, bem como a origem
desses valores.
• Fachin
assume relatoria do caso Moraes-Vorcaro, e retira de Mendonça processos ligados
ao Master e ao escândalo do INSS
O presidente do Supremo Tribunal Federal,
ministro Edson Fachin, decidiu em despacho neste sábado (12/9) assumir a
relatoria do caso que vai analisar a relação entre o ministro Alexandre de
Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master.
Fachin determinou também que a presidência do
STF seja a responsável por decidir a respeito do sigilo ou não do conteúdo do
celular de Vorcaro - alvo de intensa disputa entre os ministros -, além de
processos ligados à investigação de desvios no INSS (Instituto Nacional de
Serviço Social).
O presidente da Corte convocou uma sessão
plenária extraordinária no Supremo para a próxima terça-feira (15/9) na qual
estará em análise justamente as conversas entre Moraes e Vorcaro, tornadas
públicas em 1º de setembro pelo ministro André Mendonça, até então relator
deste caso e de toda a investigação sobre o Master.
Com essa mudança, será Fachin, e não
Mendonça, quem abrirá a sessão na terça e fará o relato dos fatos aos colegas,
além de proferir o primeiro voto a respeito das suspeitas que pairam sobre
Moraes.
A mudança pode ser lida como uma vitória
tática de Alexandre de Moraes, já que tanto ele quanto seu aliado na corte
Gilmar Mendes haviam pedido a Fachin que retirasse a relatoria do caso de
Mendonça.
A decisão de Fachin é mais um capítulo na
crise do STF, com guerra aberta entre Mendonça e Moraes, que ganhou a
manifestação de vários outros ministros em apoio de um lado ou de outro nos
últimos dias.
O ministro André Mendonça também perde, ao
menos momentaneamente, o controle dos dois casos mais sensíveis do país hoje.
O primeiro deles é o de Vorcaro. Há diversos
políticos sendo alvo de investigações por seus elos com o o banqueiro, entre
eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. Flávio pediu
dinheiro a Vorcaro para o filme do pai, Dark Horse, mas nega qualquer
irregularidade na transação.
Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro ao
Supremo em 2023, também relatava o escândalo do INSS, investigações que atraem
atenção, entre outros motivos, porque afetam a lobista Roberta Luchisinger,
ligada ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Lula da Silva.
Conhecido como Lulinha, ele é investigado em
três inquéritos na Polícia Federal por seus negócios com Luchisinger.
Fachin já havia negado no sábado o pedido de
Moraes para que o plenário da Corte julgasse em conjunto as denúncias contra
ele e Mendonça.
Moraes solicitou que, na sessão plenária da
terça, também fosse analisada a petição 16.704, em que apresentou
questionamentos sobre a condução de Mendonça nos casos Master e INSS.
Ele usou relatórios da inteligência da
Polícia Federal para acusar Mendonça de, "em tese", ter cometido
improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso de
autoridade, com quebra da "imparcialidade judicial" e "favorecimento
a determinados grupos políticos" ao atuar como relator dos casos.
Em sua resposta, porém, Fachin marcou para 23
de setembro o julgamento do pedido de investigação contra Mendonça.
• Dino
retira sigilo de material da polícia de SP sobre financiamento do filme Dark
Horse
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal
Federal (STF), retirou o sigilo dos documentos do caso que apura o possível
direcionamento de emendas parlamentares no Estado de São Paulo para o
financiamento do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL).
A decisão foi tomada neste domingo (13/09) e
alcança o material produzido pela Polícia Civil de São Paulo sobre o caso.
Os documentos fazem parte de uma das
investigações que tramitam atualmente no STF relacionadas ao financiamento do
filme. O braço relatado por Dino mira o possível uso irregular das emendas
parlamentares.
A outra investigação apura a origem e o
destino de recursos enviados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master,
para financiar o filme, após pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL).
No despacho deste domingo, Dino determinou
que o STF centralize o inquérito que tramitava na Polícia Civil do Estado de
São Paulo.
Na mesma decisão, proferida no âmbito da
Petição (PET) nº 16.669/DF, o ministro ordenou o levantamento do sigilo dos
autos e dos atos investigativos já documentados, sob o fundamento de que é
necessário garantir transparência e prevenção contra vazamentos seletivos.
Dino afirmou que, após analisar o material
produzido pela investigação da Polícia Civil de São Paulo, os elementos indicam
um possível "sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos
públicos", principalmente de emendas parlamentares federais.
O ministro ainda mandou a Secretaria de
Segurança Pública de São Paulo entregar à Polícia Federal todo o material bruto
extraído de celulares apreendidos, além dos aparelhos, computadores e
documentos recolhidos.
Entre os alvos da investigação de Dino estão
o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor executivo de Dark Horse e
ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, e Karina Gama, dona da Go Up,
produtora do longa.
Ambos foram alvo de uma operação policial na
última quinta-feira (10/09) para apurar o suposto desvio de recursos públicos
oriundos de emendas parlamentares repassadas, por meio de termos de fomento, a
organizações da sociedade civil.
Frias é acusado de ter repassado R$ 2 milhões
a Gama, que é dona de um instituto à frente de projetos sociais e, ao mesmo
tempo, da produtora Go Up Entertainment.
Em vídeo postado em suas redes sociais na
noite de quinta-feira, Frias acusou a operação de ser uma "cortina de
fumaça" em período eleitoral. Segundo o deputado, a emenda parlamentar
investigada foi destinada a um projeto esportivo e de letramento digital para
crianças. Ele disse ter documentos e notas para comprovar a licitude da ação.
Frias afirmou também que sua defesa não
consegue acesso ao inquérito que o atinge. "Levaram celular, documentos,
computador. Ninguém foi preso. É claro, porque não existe mandado de prisão
contra mim nem contra ninguém", disse o parlamentar.
Em maio, Frias negou que tivesse destinado
emendas ao filme Dark Horse. Ele disse que a tese é "absolutamente falsa,
desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória."
Na decisão que autorizou a operação, Dino
sustenta que as apurações iniciais apontam possíveis crimes envolvendo Frias e
um suposto grupo criminoso do qual ele faria parte.
Segundo o ministro, recursos públicos
federais teriam sido destinados, por meio de termos de fomento financiados com
emendas parlamentares, às organizações sociais Instituto Conhecer Brasil (ICB)
e Academia Nacional de Cultura (ANC), ambas presididas por Ferreira da Gama,
que teria ligações com o parlamentar.
Em sua decisão deste domingo, Dino também faz
menção a uma possível participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no
esquema. O ministro, porém, não detalhou qual seria o papel da facção ou em
quais circunstâncias, nem identificou integrantes do grupo ou condutas
específicas.
"Com efeito, no curso da investigação se
fortalece a hipótese de imbricação indissociável em um sofisticado esquema de
destinação e desvio de recursos públicos, com destaque para emendas
parlamentares federais e para a prefeitura de São Paulo. Essa organização
alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital),
consoante linha investigativa mencionada nos autos", diz Dino na decisão.
• Mário
Frias seria líder de organização criminosa com possível elo com PCC, diz Dino
ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal
Federal (STF), afirmou em decisão que a investigação sobre o financiamento do
filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, fortaleceu a hipótese de
existência de uma estrutura organizada para desvio de recursos públicos, com
participação de agentes públicos e privados.
No despacho que determinou o levantamento do
sigilo da investigação, publicado neste domingo (13), Dino registrou que o
deputado federal Mário Frias (PL-SP) aparece de forma reiterada nos autos e
que, dentro da hipótese investigativa analisada, teria ocupado um papel de
liderança na suposta estrutura criminosa.
A decisão também menciona uma linha de
investigação que aponta possíveis vínculos da organização investigada com o
Primeiro Comando da Capital (PCC).
O ministro determinou a transferência para a
Polícia Federal de todo o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo,
incluindo celulares, computadores e documentos, mesmo quando perícias ainda
estavam em andamento. O acervo reúne cerca de 5 mil páginas de documentos
relacionados à apuração.
Segundo Dino, a análise conjunta dos
elementos reunidos pela Polícia Federal e pela investigação estadual indicaria
que não se trataria de frentes isoladas, mas de uma possível estrutura única
envolvendo recursos de emendas parlamentares federais e contratos públicos.
<><> Dino cita “sofisticado
esquema” e aponta Frias como “agente central”
Na decisão, o ministro afirma que a
investigação encontrou elementos que aproximam duas frentes: uma relacionada ao
uso de emendas parlamentares e outra envolvendo movimentações financeiras de
empresas e pessoas ligadas ao núcleo investigado.
Dino afirma que os documentos analisados
reforçam a hipótese de um “sofisticado esquema de destinação e desvio de
recursos públicos”, com destaque para verbas parlamentares federais e contratos
da Prefeitura de São Paulo.
A Polícia Federal investiga suspeitas de que
recursos públicos tenham circulado entre entidades e empresas relacionadas ao
filme Dark Horse. Entre os pontos analisados estão repasses destinados ao
Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à produtora da obra, e conexões
financeiras com empresas contratadas em projetos financiados por recursos
públicos.
Em outro trecho da decisão, Dino afirma que
Mário Frias aparece como elemento central da hipótese investigativa.
O ministro reproduziu a avaliação de que o
parlamentar teria papel relevante na estrutura analisada pelos investigadores.
“[…] no curso da investigação se fortalece a
hipótese de imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e
desvio de recursos públicos, com destaque para emendas parlamentares federais e
para a prefeitura de São Paulo.
Essa organização alcançaria, inclusive,
vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), consoante linha
investigativa mencionada nos autos.
Há a alusão reiterada, no itinerário
delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mário Frias, que – no terreno
hipotético da investigação – ocuparia um papel de liderança na suposta
arquitetura criminosa”, diz trecho da decisão de Dino.
Mário Frias alvo de busca e apreensão
Mário Frias, deputado federal pelo PL de São
Paulo, é um dos principais alvos da investigação que apura suspeitas envolvendo
o financiamento de Dark Horse. Ele participou do projeto como
produtor-executivo do filme e destinou emendas parlamentares para entidades
investigadas.
A Polícia Federal também investiga repasses
feitos ao Instituto Conhecer Brasil, além de contratos firmados por entidades
ligadas à produtora do longa.
A investigação ganhou nova dimensão após a
Operação Make Up, deflagrada na última semana pela PF, que cumpriu 49 mandados
de busca e apreensão em diferentes estados e teve entre os alvos Frias e Karina
Ferreira da Gama, responsável pela produtora ligada ao filme.
Frias nega irregularidades e afirma que os
recursos destinados por meio de emendas tiveram finalidade social.
Com a decisão de Dino, o material apreendido
passa a ser analisado pela Polícia Federal, enquanto o STF acompanha uma das
investigações mais sensíveis envolvendo o entorno político do ex-presidente
Jair Bolsonaro.
Fonte: Correio Braziliense/BBC News
Brasil/Fórum

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