STF, peão da eleição
A racionalidade política, no processo
eleitoral em curso, está contaminada pelos choques ideológicos dos
protagonistas que dela participam.
O inconsciente coletivo, por exemplo, por
causa de tais choques, liga o ministro Alexandre de Moraes ao presidente Lula,
porque o ministro condenou o derrotado por Lula, ex-presidente Jair Bolsonaro,
à prisão a 27,3 anos de prisão por tentativa de golpe contra democracia em
2022.
Já o ministro André Mendonça, alçado ao cargo
pelo ex-presidente Jair, marcha com Flávio Bolsonaro, seu filho, cumprindo o
papel que lhe cabe no enredo eleitoral.
Essa certeza popular, realçada,
especialmente, pelos bolsonaristas, de que Lula é aliado de Moraes, é
amplificada pela mídia anti-lulista, anti-nacionalista, pró-mercado financeiro
especulativo, que a consolida pela repetição ad nausean, que atende seus interesses
ocultos.
Um fato ou uma mentira repetida mil vezes
acaba virando verdade, já disse um fascista alemão famoso, assessor de Hitler.
O viés fascista, indiscutivelmente, está no
ar na campanha eleitoral, que se desenrola, bem entendido, num ambiente
internacional de avanço do fascismo ultradireitista, como acaba se ser provado
com a vitória ele na Alemanha, no domingo.
Não é novidade, portanto, que ficou fácil
generalizar o entendimento popular quanto à verdade bolsonarista de que
Alexandre Moraes – e, por extensão, o STF, de forma ampla – são lulistas.
Preocupados, assessores de Lula pedem para
ele se distanciar de Moraes, para não ser confundido com ele como seu aliado
eleitoral.
A parte ficou confundida com o todo, como se
o STF fosse uma unidade e não algo multifacetado – diversas faces em conflito
permanente.
DINO ENTRA NA GUERRA
Essa lógica, agora, é reforçada pela decisão
do ministro Flávio Dino, que tem em suas mãos a bomba atômica do inquérito das
emendas parlamentares, de reverter a decisão de do ministro André Mendonça de
afastar o chefe da PF, indicado por Lula, ao argumentar que tal afastamento,
primeiro, é inconstitucional, pois invade prerrogativa do presidente da
República, e, segundo, prejudicaria processos do STF em andamento sob sua
responsabilidade, provocando caos e incertezas processuais em prejuízo do
interesse público etc.
Forma-se, dessa maneira, uma dobradinha –
Moraes e Dino –, tida como aliada do lulismo, reforçando o inconsciente
coletivo de que o STF está ao lado de Lula contra Flávio Bolsonaro no contexto
da rebelião em curso na Corte Suprema, sob a presidência de Edson Fachin,
considerado ministro tatibitate, cheio de dedos e pouca determinação para
decidir, energicamente, diante dos fatos borbulhantes em jogo.
DERROTA PARCIAL DO BOLSONARISMO
A reversão da demissão de Andrei Rodrigues,
da PF, representou, portanto, derrota do bolsonarismo para o lulismo, no
cenário eleitoral.
De um lado, estariam os lulistas Dino e
Moraes, e, de outro, Mendonça, Nunes Marques e Luís Fux, que votaram pelo
afastamento de Rodrigues, quando o relator dos casos do INSS e Banco Master,
Mendonça, jogou para decisão da 2ª Turma do STF o destino do chefe da PF.
Não fosse o ministro decano Gilmar Mendes
pedir vista do processo, adiando seu desfecho por 90 dias, para depois das
eleições, Rodrigues teria dançado.
Estaria configurado impasse entre os poderes
Executivo e Judiciário, visto que Lula reagiu, por intermédio da AGU, sob
argumento de que Mendonça invadiu prerrogativa do presidente da República, que
cabe indicar o diretor geral da PF.
É nesse cenário de confronto ferrenho, em que
o julgamento popular diz que a vaca não reconhece o bezerro, que se desenrola a
sucessão presidencial.
Nele, novos episódios inesperados podem ser
desencadeados, o que já levanta pânico no candidato Flávio Bolsonaro, cercado
de suspeições de irregularidades sujeitas a detoná-lo, se o STF apontar falhas
suas em etapas antecedentes à luta eleitoral, vindas, agora, à tona com força
de tsunami político altamente explosivo.
Por exemplo, pega fogo o caso do
financiamento do filme Dark Horse, financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do
Master.
FILME DE TERROR
A empresa produtora do filme teme diligências
do STF e da PF, por ordem de Flávio Dino, na aferição da contabilidade da obra,
cuja maior parte, mais de 70%, foi realizada nos Estados Unidos.
Especialistas em produção cinematográfica
consideram exagerado o orçamento do produto e levantam dúvidas de
superfaturamento e desvio de recursos da parte dos Bolsonaro, Flávio e seu
irmão, Eduardo, que, nos Estados Unidos, comandam a execução de Dark Horse.
Por essa razão, a produção teme batidas
policiais a qualquer momento na empresa responsável por ela, o que, no ambiente
de disputa eleitoral, geraria consequências negativas para Flávio, a
repercutirem em pesquisas eleitorais, favorecendo Lula.
Flávio levanta suspeitas de que há um
consórcio entre STF(Dino e Moraes) e Senado(Alcolumbre) para beneficiar o
Executivo(Lula).
Os poderes da República, portanto, estão em
confronto.
O titular do Senado, Davi Alcolumbre(UB-AP)
está relacionado por Flávio como seu adversário eleitoral, já que o Centrão, do
qual Alcolumbre é um dos líderes, tomou posição de neutralidade na disputa
Flávio x Lula, o que beneficia o presidente da República.
Por isso, Alcolumbre teme virar alvo do
ministro André Mendonça, aliado de Flávio Bolsonaro, esperando, a qualquer
momento, sofrer uma estocada do ministro terrivelmente evangélico, para
favorecer o candidato bolsonarista.
Vai se verificando, assim, jogo de posições
de guerra, em trocas de chumbo grosso.
Nesse embalo, o presidente Lula, que está
liso de acusações no caso Vorcaro-Master, raíz de todo o processo de corrupção
fraudulenta que envolve a República, vai ao ataque: quer suspensão total de
sigilo que cerca o processo, para que a sociedade saiba a verdade inteira.,
para orientar seu voto na urna em outubro.
HISTÓRICO CONFLITANTE DA GUERRA
Tudo, como se sabe, começou porque Moraes
teria em mãos relatório da PF, que Mendonça considera como peça de
monitoramento de suas ações no STF.
Por causa disso, Mendonça retrucou contra
Moraes, suspendendo sigilo nos inquéritos que estão sob sua orientação(INSS e
Banco Master), para mostrar trocas de informações entre Vorcaro e Moraes,
sabendo que a mulher de Moraes era advogada de Vorcaro, para defendê-lo das
acusações de fraudes realizadas pelo Banco Master.
Na sequência, o evangélico terrível,
considerando obra da PF o relatório de Moraes, que lhe serviu de base para
acusá-lo de suspeições na condução dos assuntos do INSS e do Banco Master,
decidiu demitir Andrei Rodrigues, causando rebelião nos policiais que colocaram
seus cargos à disposição em solidariedade ao chefe etc.
Ou seja, o enredo da crise tem como origem a
relação tumultuada entre STF, dividido em facções guerreiras entre si, e PF,
submetida às ordens cruzadas e conflitantes de ministros do STF, posicionados,
por sua vez, no contexto de interesses em choque entre os candidatos Lula e
Flávio; estes, ancorados, por sua vez, nos seus pupilos na Suprema Corte, viram
joguetes, também, de suas próprias excelências supremas.
Desse modo, a confusão no STF e, por
extensão, na sucessão presidencial, como diria o bruxo do Cosme Velho, o
notável Machado de Assis, é total.
• Sobre
as eleições no Brasil. Por João Claudio Platenik Pitillo
É preciso ter clareza de que Flávio Bolsonaro
é o candidato de Donald Trump e que o que é bom para os Estados Unidos não é
bom para o Brasil. Trump está sobretaxando os produtos brasileiros para gerar
desequilíbrio comercial e desemprego no Brasil, ao passo que ameaça todos os
países da América Latina, chamando a região de “quintal dos Estados Unidos”.
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Deve-se ressaltar que o odioso líder
estadunidense, responsável pela morte de milhares de pessoas em todo o mundo,
já atacou sete países desde que tomou posse e segue bombardeando de forma
covarde barcos no Mar do Caribe, Oceano Atlântico e Pacífico, sem nenhuma prova
de que sejam criminosos.
Donald Trump planeja colocar toda a América
Latina de joelhos, enquanto promove uma caçada contra os latino-americanos que
trabalham nos Estados Unidos. Trump não tem nenhum respeito pela América Latina
e tampouco nutre consideração pelos brasileiros. Ele não possui nenhum projeto
de cooperação com o Brasil, quer simplesmente dominar as riquezas brasileiras e
golpear a nossa democracia.
É importante destacar que, se o candidato
Flávio Bolsonaro for eleito, inevitavelmente terá que pagar pela ajuda
estadunidense. O preço será a concessão de valores significativos aos Estados
Unidos, inclusive no que diz respeito ao acesso aos recursos naturais do
Brasil, que são muito valiosos. Flávio Bolsonaro entregará todo o nosso
patrimônio para os gringos.
Donald Trump é uma influência negativa para o
processo eleitoral brasileiro. As nossas eleições devem acontecer sem a
ingerência da Casa Branca; não podemos permitir que o nosso destino seja
definido em Washington. Os brasileiros precisam rechaçar Flávio Bolsonaro, que
não passa de um aventureiro que se coloca como garoto de recado dos interesses
estadunidenses.
Os brasileiros precisam invocar o seu
nacionalismo e dar um não rotundo às maquinações de Trump e às mentiras dos
Bolsonaros. Na atual conjuntura de avanço do imperialismo sobre a América
Latina, o Brasil se projeta como um importante foco de resistência contra a
dominação estadunidense.
O Brasil está na mira de Trump desde que
constituiu o PIX e passou a colaborar com o projeto do BRICS de substituir o
dólar como moeda de lastro comercial. Essa medida em especial tende a
beneficiar todos os brasileiros, fazendo com que o preço dos produtos fique
mais barato. O dólar funciona como uma corrente, impedindo que o país se
desenvolva de maneira autônoma.
Todo o mundo acompanha as eleições
brasileiras; a torcida para dizermos não a Flávio Bolsonaro é também uma
torcida contra o ser mais odiado no mundo, que é Donald Trump. Os brasileiros
precisam derrotar Flávio Bolsonaro para podermos ajudar os estadunidenses
também a derrotarem Donald Trump nas eleições de novembro nos Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro representa o fascismo, a
destruição do Estado brasileiro e a submissão total aos Estados Unidos. Sem
falar que possui um projeto reacionário de criminalização da pobreza e de
destruição das leis trabalhistas e previdenciárias. Flávio Bolsonaro é o
candidato das milícias, dos corruptos e dos degenerados. Flávio é o pior dos
Bolsonaros.
Votar em Flávio Bolsonaro é votar contra o
Brasil!
• Candidato
de Flávio e Nikolas em MG recebeu R$ 900 mil de banqueiro denunciado por
fraude. Por Por Eduardo Goulart e Vinícius Madureira
Apoiado pelo senador e presidenciável Flávio
Bolsonaro e pelo deputado federal que busca a reeleição Nikolas Ferreira, ambos
do Partido Liberal, o PL, o candidato ao governo de Minas Gerais pela mesma
sigla, Flávio Roscoe, recebeu uma doação de campanha de R$ 900 mil de Carlos
Geo Quick, ex-controlador do Banco Neon – liquidado extrajudicialmente pelo
Banco Central em maio de 2018. Quick virou réu na justiça federal em abril de
2025, denunciado pelo Ministério Público Federal, o MPF, por crimes contra o
sistema financeiro nacional, incluindo gestão fraudulenta por meio de operações
de crédito fictícias.
Até o dia 9 de setembro, o montante
transferido por Quick representava a 21ª maior doação individual de pessoa
física em todo o país nestas eleições. Dados declarados ao Tribunal Superior
Eleitoral, o TSE, mostram que a quantia foi repassada em duas parcelas via
transferência eletrônica em agosto – uma de R$ 380 mil e outra de R$ 520 mil.
Os recursos bancam a campanha de Roscoe no estado, onde ele se reuniu nesta
quarta-feira, 9 de setembro, com Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira para uma
motociata e comício em Juiz de Fora.
A comitiva bolsonarista tentava realizar o
ato na cidade desde 17 de agosto, quando uma tempestade esvaziou a primeira
tentativa e forçou um encontro em um ginásio em Belo Horizonte.
Na véspera da nova mobilização desta quarta,
Flávio Bolsonaro convocou apoiadores nas redes sociais afirmando esperar o
público em Juiz de Fora para uma motocarreata em direção ao centro da cidade,
“no local onde o presidente Bolsonaro tomou uma facada de um ex-integrante do
PSOL”.
Ao citar o Partido Socialismo e Liberdade, o
PSOL, o presidenciável desenterra um vínculo que Adélio Bispo de fato teve com
a legenda, mas que é irrelevante para explicar o atentado de 2018 – ele se
desfiliou em 2014. As investigações da Polícia Federal concluíram que Bispo
sofria de transtorno mental delirante e agiu sozinho.
<><> O vale-tudo pelo estado
decisivo
O mau tempo levou o voo do senador a ser
desviado para a cidade vizinha de Goianá nesta quarta-feira. De lá, ele partiu
para Juiz de Fora de carro, onde chegou no fim da manhã. No centro da cidade,
Flávio usou um colete à prova de balas por baixo de uma camiseta amarela
idêntica à que Jair Bolsonaro vestia no dia do atentado em 2018.
Carregado nos ombros por um segurança, o
parlamentar refez o trajeto do pai pelo cruzamento das ruas Halfeld e Batista
de Oliveira. Do alto do trio elétrico, ao lado de Roscoe e Ferreira, Flávio
declarou aos eleitores: “Completei o trajeto que ele não conseguiu”.
A aposta no capital político do pai também
marcou os vídeos divulgados pela campanha nas redes, nos quais o senador afirma
a Roscoe: “Xará, vambora resgatar esse Brasil, quem vence em Minas, vence o
Brasil”.
Filiado ao PL em março de 2026, Roscoe é a
principal aposta da sigla para tentar consolidar o palanque do partido no
segundo maior colégio eleitoral do país, tradicional por decidir as eleições
presidenciais. A ofensiva em Minas Gerais coincide com o levantamento da Quaest
que apontou Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva no estado em um cenário de segundo turno.
Ex-presidente da Federação das Indústrias do
Estado de Minas Gerais, a Fiemg, Roscoe se apresenta nas redes como um gestor
experiente. Ocorre que o candidato, que enaltece sua capacidade de
administração para assumir o governo do estado, tem como seu maior doador um
empresário com histórico de sanções no sistema financeiro e que é réu na
justiça federal.
Em mensagem enviada por WhatsApp, a
assessoria do candidato disse que “a doação foi realizada diretamente ao
partido, de forma legal, transparente e devidamente declarada pelo doador”. O
comunicado ainda aponta que a relação de Roscoe com Quick “decorre exclusivamente
do convívio no meio empresarial de Minas Gerais”. Por fim, a assessoria
acrescentou que “a campanha seguirá integralmente financiada por doações
privadas, devidamente declaradas, SEM utilização de recursos públicos ou do
Fundo Partidário”.
<>< A engrenagem da fraude
Carlos Geo Quick e seus sócios comandavam não
apenas o Banco Neon, antigo Banco Pottencial, mas também uma outra empresa
chamada Pottencial Assessoria e Consultoria, a PAC. Segundo as investigações do
MPF, o grupo utilizava a PAC para captar recursos de forma irregular, sem a
devida autorização do Banco Central. Foi essa estrutura que forneceu as bases
para o golpe contra os investidores.
A fraude funcionava como uma armadilha
financeira. Empresas depositavam milhões na conta da PAC com a promessa de
rendimentos. O problema acontecia na hora de sacar o dinheiro. Quando o cliente
pedia o resgate da aplicação, os controladores não devolviam os fundos da PAC.
Em vez disso, eles simulavam a liberação de um empréstimo no Banco Neon no
exato valor solicitado pelo investidor.
Com essa manobra, quem ganhava era o banco.
Sem saber, a empresa que tentava reaver seu próprio dinheiro era registrada no
sistema do Banco Neon como devedora de um empréstimo fictício na modalidade de
conta garantida. Ao mesmo tempo, a instituição financeira contabilizava
receitas falsas de juros sobre essas dívidas inventadas, inflando
artificialmente seu patrimônio para enganar o Banco Central e o mercado
financeiro.
A defesa de Quick disse que “ele não tem
relação comercial com o candidato Flávio Roscoe, tendo regularmente doado para
sua campanha por acreditar nas suas propostas e o considerar excelente nome
para o Governo de Minas Gerais”. Quanto às perguntas sobre as acusações do MPF,
os advogados disseram em mensagem conjunta via e-mail que seu cliente “não se
manifestará”.
Foi o funcionamento contínuo dessa máquina de
fabricar devedores que levou Quick ao banco dos réus. Em março de 2025, o MPF
apresentou a denúncia detalhando o esquema. No fim de abril do mesmo ano, a
justiça federal em Belo Horizonte aceitou a acusação contra o empresário por
crimes como fraudar a gestão do banco, enganar investidores e operar uma
estrutura financeira clandestina.
Os candidatos Flávio Bolsonaro e Nikolas
Ferreira foram procurados pela reportagem, mas não responderam aos
questionamentos. O espaço segue aberto.
Fonte:
Por César Fonseca, em Brasil 247/The Intercept

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