sábado, 12 de setembro de 2026

STF, peão da eleição

A racionalidade política, no processo eleitoral em curso, está contaminada pelos choques ideológicos dos protagonistas que dela participam.

O inconsciente coletivo, por exemplo, por causa de tais choques, liga o ministro Alexandre de Moraes ao presidente Lula, porque o ministro condenou o derrotado por Lula, ex-presidente Jair Bolsonaro, à prisão a 27,3 anos de prisão por tentativa de golpe contra democracia em 2022.

Já o ministro André Mendonça, alçado ao cargo pelo ex-presidente Jair, marcha com Flávio Bolsonaro, seu filho, cumprindo o papel que lhe cabe no enredo eleitoral.

Essa certeza popular, realçada, especialmente, pelos bolsonaristas, de que Lula é aliado de Moraes, é amplificada pela mídia anti-lulista, anti-nacionalista, pró-mercado financeiro especulativo, que a consolida pela repetição ad nausean, que atende seus interesses ocultos.

Um fato ou uma mentira repetida mil vezes acaba virando verdade, já disse um fascista alemão famoso, assessor de Hitler.

O viés fascista, indiscutivelmente, está no ar na campanha eleitoral, que se desenrola, bem entendido, num ambiente internacional de avanço do fascismo ultradireitista, como acaba se ser provado com a vitória ele na Alemanha, no domingo.

Não é novidade, portanto, que ficou fácil generalizar o entendimento popular quanto à verdade bolsonarista de que Alexandre Moraes – e, por extensão, o STF, de forma ampla – são lulistas.

Preocupados, assessores de Lula pedem para ele se distanciar de Moraes, para não ser confundido com ele como seu aliado eleitoral.

A parte ficou confundida com o todo, como se o STF fosse uma unidade e não algo multifacetado – diversas faces em conflito permanente.

DINO ENTRA NA GUERRA

Essa lógica, agora, é reforçada pela decisão do ministro Flávio Dino, que tem em suas mãos a bomba atômica do inquérito das emendas parlamentares, de reverter a decisão de do ministro André Mendonça de afastar o chefe da PF, indicado por Lula, ao argumentar que tal afastamento, primeiro, é inconstitucional, pois invade prerrogativa do presidente da República, e, segundo, prejudicaria processos do STF em andamento sob sua responsabilidade, provocando caos e incertezas processuais em prejuízo do interesse público etc.

Forma-se, dessa maneira, uma dobradinha – Moraes e Dino –, tida como aliada do lulismo, reforçando o inconsciente coletivo de que o STF está ao lado de Lula contra Flávio Bolsonaro no contexto da rebelião em curso na Corte Suprema, sob a presidência de Edson Fachin, considerado ministro tatibitate, cheio de dedos e pouca determinação para decidir, energicamente, diante dos fatos borbulhantes em jogo.

DERROTA PARCIAL DO BOLSONARISMO

A reversão da demissão de Andrei Rodrigues, da PF, representou, portanto, derrota do bolsonarismo para o lulismo, no cenário eleitoral.

De um lado, estariam os lulistas Dino e Moraes, e, de outro, Mendonça, Nunes Marques e Luís Fux, que votaram pelo afastamento de Rodrigues, quando o relator dos casos do INSS e Banco Master, Mendonça, jogou para decisão da 2ª Turma do STF o destino do chefe da PF.

Não fosse o ministro decano Gilmar Mendes pedir vista do processo, adiando seu desfecho por 90 dias, para depois das eleições, Rodrigues teria dançado.

Estaria configurado impasse entre os poderes Executivo e Judiciário, visto que Lula reagiu, por intermédio da AGU, sob argumento de que Mendonça invadiu prerrogativa do presidente da República, que cabe indicar o diretor geral da PF.

É nesse cenário de confronto ferrenho, em que o julgamento popular diz que a vaca não reconhece o bezerro, que se desenrola a sucessão presidencial.

Nele, novos episódios inesperados podem ser desencadeados, o que já levanta pânico no candidato Flávio Bolsonaro, cercado de suspeições de irregularidades sujeitas a detoná-lo, se o STF apontar falhas suas em etapas antecedentes à luta eleitoral, vindas, agora, à tona com força de tsunami político altamente explosivo.

Por exemplo, pega fogo o caso do financiamento do filme Dark Horse, financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

FILME DE TERROR

A empresa produtora do filme teme diligências do STF e da PF, por ordem de Flávio Dino, na aferição da contabilidade da obra, cuja maior parte, mais de 70%, foi realizada nos Estados Unidos.

Especialistas em produção cinematográfica consideram exagerado o orçamento do produto e levantam dúvidas de superfaturamento e desvio de recursos da parte dos Bolsonaro, Flávio e seu irmão, Eduardo, que, nos Estados Unidos, comandam a execução de Dark Horse.

Por essa razão, a produção teme batidas policiais a qualquer momento na empresa responsável por ela, o que, no ambiente de disputa eleitoral, geraria consequências negativas para Flávio, a repercutirem em pesquisas eleitorais, favorecendo Lula.

Flávio levanta suspeitas de que há um consórcio entre STF(Dino e Moraes) e Senado(Alcolumbre) para beneficiar o Executivo(Lula).

Os poderes da República, portanto, estão em confronto.

O titular do Senado, Davi Alcolumbre(UB-AP) está relacionado por Flávio como seu adversário eleitoral, já que o Centrão, do qual Alcolumbre é um dos líderes, tomou posição de neutralidade na disputa Flávio x Lula, o que beneficia o presidente da República.

Por isso, Alcolumbre teme virar alvo do ministro André Mendonça, aliado de Flávio Bolsonaro, esperando, a qualquer momento, sofrer uma estocada do ministro terrivelmente evangélico, para favorecer o candidato bolsonarista.

Vai se verificando, assim, jogo de posições de guerra, em trocas de chumbo grosso.

Nesse embalo, o presidente Lula, que está liso de acusações no caso Vorcaro-Master, raíz de todo o processo de corrupção fraudulenta que envolve a República, vai ao ataque: quer suspensão total de sigilo que cerca o processo, para que a sociedade saiba a verdade inteira., para orientar seu voto na urna em outubro.

HISTÓRICO CONFLITANTE DA GUERRA

Tudo, como se sabe, começou porque Moraes teria em mãos relatório da PF, que Mendonça considera como peça de monitoramento de suas ações no STF.

Por causa disso, Mendonça retrucou contra Moraes, suspendendo sigilo nos inquéritos que estão sob sua orientação(INSS e Banco Master), para mostrar trocas de informações entre Vorcaro e Moraes, sabendo que a mulher de Moraes era advogada de Vorcaro, para defendê-lo das acusações de fraudes realizadas pelo Banco Master.

Na sequência, o evangélico terrível, considerando obra da PF o relatório de Moraes, que lhe serviu de base para acusá-lo de suspeições na condução dos assuntos do INSS e do Banco Master, decidiu demitir Andrei Rodrigues, causando rebelião nos policiais que colocaram seus cargos à disposição em solidariedade ao chefe etc.

Ou seja, o enredo da crise tem como origem a relação tumultuada entre STF, dividido em facções guerreiras entre si, e PF, submetida às ordens cruzadas e conflitantes de ministros do STF, posicionados, por sua vez, no contexto de interesses em choque entre os candidatos Lula e Flávio; estes, ancorados, por sua vez, nos seus pupilos na Suprema Corte, viram joguetes, também, de suas próprias excelências supremas.

Desse modo, a confusão no STF e, por extensão, na sucessão presidencial, como diria o bruxo do Cosme Velho, o notável Machado de Assis, é total.

•        Sobre as eleições no Brasil. Por João Claudio Platenik Pitillo

É preciso ter clareza de que Flávio Bolsonaro é o candidato de Donald Trump e que o que é bom para os Estados Unidos não é bom para o Brasil. Trump está sobretaxando os produtos brasileiros para gerar desequilíbrio comercial e desemprego no Brasil, ao passo que ameaça todos os países da América Latina, chamando a região de “quintal dos Estados Unidos”.

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Deve-se ressaltar que o odioso líder estadunidense, responsável pela morte de milhares de pessoas em todo o mundo, já atacou sete países desde que tomou posse e segue bombardeando de forma covarde barcos no Mar do Caribe, Oceano Atlântico e Pacífico, sem nenhuma prova de que sejam criminosos.

Donald Trump planeja colocar toda a América Latina de joelhos, enquanto promove uma caçada contra os latino-americanos que trabalham nos Estados Unidos. Trump não tem nenhum respeito pela América Latina e tampouco nutre consideração pelos brasileiros. Ele não possui nenhum projeto de cooperação com o Brasil, quer simplesmente dominar as riquezas brasileiras e golpear a nossa democracia.

É importante destacar que, se o candidato Flávio Bolsonaro for eleito, inevitavelmente terá que pagar pela ajuda estadunidense. O preço será a concessão de valores significativos aos Estados Unidos, inclusive no que diz respeito ao acesso aos recursos naturais do Brasil, que são muito valiosos. Flávio Bolsonaro entregará todo o nosso patrimônio para os gringos.

Donald Trump é uma influência negativa para o processo eleitoral brasileiro. As nossas eleições devem acontecer sem a ingerência da Casa Branca; não podemos permitir que o nosso destino seja definido em Washington. Os brasileiros precisam rechaçar Flávio Bolsonaro, que não passa de um aventureiro que se coloca como garoto de recado dos interesses estadunidenses.

Os brasileiros precisam invocar o seu nacionalismo e dar um não rotundo às maquinações de Trump e às mentiras dos Bolsonaros. Na atual conjuntura de avanço do imperialismo sobre a América Latina, o Brasil se projeta como um importante foco de resistência contra a dominação estadunidense.

O Brasil está na mira de Trump desde que constituiu o PIX e passou a colaborar com o projeto do BRICS de substituir o dólar como moeda de lastro comercial. Essa medida em especial tende a beneficiar todos os brasileiros, fazendo com que o preço dos produtos fique mais barato. O dólar funciona como uma corrente, impedindo que o país se desenvolva de maneira autônoma.

Todo o mundo acompanha as eleições brasileiras; a torcida para dizermos não a Flávio Bolsonaro é também uma torcida contra o ser mais odiado no mundo, que é Donald Trump. Os brasileiros precisam derrotar Flávio Bolsonaro para podermos ajudar os estadunidenses também a derrotarem Donald Trump nas eleições de novembro nos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro representa o fascismo, a destruição do Estado brasileiro e a submissão total aos Estados Unidos. Sem falar que possui um projeto reacionário de criminalização da pobreza e de destruição das leis trabalhistas e previdenciárias. Flávio Bolsonaro é o candidato das milícias, dos corruptos e dos degenerados. Flávio é o pior dos Bolsonaros.

Votar em Flávio Bolsonaro é votar contra o Brasil!

•        Candidato de Flávio e Nikolas em MG recebeu R$ 900 mil de banqueiro denunciado por fraude. Por Por Eduardo Goulart e Vinícius Madureira

Apoiado pelo senador e presidenciável Flávio Bolsonaro e pelo deputado federal que busca a reeleição Nikolas Ferreira, ambos do Partido Liberal, o PL, o candidato ao governo de Minas Gerais pela mesma sigla, Flávio Roscoe, recebeu uma doação de campanha de R$ 900 mil de Carlos Geo Quick, ex-controlador do Banco Neon – liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em maio de 2018. Quick virou réu na justiça federal em abril de 2025, denunciado pelo Ministério Público Federal, o MPF, por crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo gestão fraudulenta por meio de operações de crédito fictícias.

Até o dia 9 de setembro, o montante transferido por Quick representava a 21ª maior doação individual de pessoa física em todo o país nestas eleições. Dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, mostram que a quantia foi repassada em duas parcelas via transferência eletrônica em agosto – uma de R$ 380 mil e outra de R$ 520 mil. Os recursos bancam a campanha de Roscoe no estado, onde ele se reuniu nesta quarta-feira, 9 de setembro, com Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira para uma motociata e comício em Juiz de Fora.

A comitiva bolsonarista tentava realizar o ato na cidade desde 17 de agosto, quando uma tempestade esvaziou a primeira tentativa e forçou um encontro em um ginásio em Belo Horizonte.

Na véspera da nova mobilização desta quarta, Flávio Bolsonaro convocou apoiadores nas redes sociais afirmando esperar o público em Juiz de Fora para uma motocarreata em direção ao centro da cidade, “no local onde o presidente Bolsonaro tomou uma facada de um ex-integrante do PSOL”.

Ao citar o Partido Socialismo e Liberdade, o PSOL, o presidenciável desenterra um vínculo que Adélio Bispo de fato teve com a legenda, mas que é irrelevante para explicar o atentado de 2018 – ele se desfiliou em 2014. As investigações da Polícia Federal concluíram que Bispo sofria de transtorno mental delirante e agiu sozinho.

<><> O vale-tudo pelo estado decisivo

O mau tempo levou o voo do senador a ser desviado para a cidade vizinha de Goianá nesta quarta-feira. De lá, ele partiu para Juiz de Fora de carro, onde chegou no fim da manhã. No centro da cidade, Flávio usou um colete à prova de balas por baixo de uma camiseta amarela idêntica à que Jair Bolsonaro vestia no dia do atentado em 2018.

Carregado nos ombros por um segurança, o parlamentar refez o trajeto do pai pelo cruzamento das ruas Halfeld e Batista de Oliveira. Do alto do trio elétrico, ao lado de Roscoe e Ferreira, Flávio declarou aos eleitores: “Completei o trajeto que ele não conseguiu”.

A aposta no capital político do pai também marcou os vídeos divulgados pela campanha nas redes, nos quais o senador afirma a Roscoe: “Xará, vambora resgatar esse Brasil, quem vence em Minas, vence o Brasil”.

Filiado ao PL em março de 2026, Roscoe é a principal aposta da sigla para tentar consolidar o palanque do partido no segundo maior colégio eleitoral do país, tradicional por decidir as eleições presidenciais. A ofensiva em Minas Gerais coincide com o levantamento da Quaest que apontou Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado em um cenário de segundo turno. 

Ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a Fiemg, Roscoe se apresenta nas redes como um gestor experiente. Ocorre que o candidato, que enaltece sua capacidade de administração para assumir o governo do estado, tem como seu maior doador um empresário com histórico de sanções no sistema financeiro e que é réu na justiça federal.

Em mensagem enviada por WhatsApp, a assessoria do candidato disse que “a doação foi realizada diretamente ao partido, de forma legal, transparente e devidamente declarada pelo doador”. O comunicado ainda aponta que a relação de Roscoe com Quick “decorre exclusivamente do convívio no meio empresarial de Minas Gerais”. Por fim, a assessoria acrescentou que “a campanha seguirá integralmente financiada por doações privadas, devidamente declaradas, SEM utilização de recursos públicos ou do Fundo Partidário”.

<>< A engrenagem da fraude

Carlos Geo Quick e seus sócios comandavam não apenas o Banco Neon, antigo Banco Pottencial, mas também uma outra empresa chamada Pottencial Assessoria e Consultoria, a PAC. Segundo as investigações do MPF, o grupo utilizava a PAC para captar recursos de forma irregular, sem a devida autorização do Banco Central. Foi essa estrutura que forneceu as bases para o golpe contra os investidores.

A fraude funcionava como uma armadilha financeira. Empresas depositavam milhões na conta da PAC com a promessa de rendimentos. O problema acontecia na hora de sacar o dinheiro. Quando o cliente pedia o resgate da aplicação, os controladores não devolviam os fundos da PAC. Em vez disso, eles simulavam a liberação de um empréstimo no Banco Neon no exato valor solicitado pelo investidor.

Com essa manobra, quem ganhava era o banco. Sem saber, a empresa que tentava reaver seu próprio dinheiro era registrada no sistema do Banco Neon como devedora de um empréstimo fictício na modalidade de conta garantida. Ao mesmo tempo, a instituição financeira contabilizava receitas falsas de juros sobre essas dívidas inventadas, inflando artificialmente seu patrimônio para enganar o Banco Central e o mercado financeiro.

A defesa de Quick disse que “ele não tem relação comercial com o candidato Flávio Roscoe, tendo regularmente doado para sua campanha por acreditar nas suas propostas e o considerar excelente nome para o Governo de Minas Gerais”. Quanto às perguntas sobre as acusações do MPF, os advogados disseram em mensagem conjunta via e-mail que seu cliente “não se manifestará”.

Foi o funcionamento contínuo dessa máquina de fabricar devedores que levou Quick ao banco dos réus. Em março de 2025, o MPF apresentou a denúncia detalhando o esquema. No fim de abril do mesmo ano, a justiça federal em Belo Horizonte aceitou a acusação contra o empresário por crimes como fraudar a gestão do banco, enganar investidores e operar uma estrutura financeira clandestina.

Os candidatos Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira foram procurados pela reportagem, mas não responderam aos questionamentos. O espaço segue aberto.

 

Fonte:  Por César Fonseca, em Brasil 247/The Intercept

 

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