sábado, 12 de setembro de 2026

Setembro verde: os alertas para hábitos de risco ao câncer colorretal

O câncer colorretal é o segundo com maior incidência no Brasil. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que 53.810 mil casos sejam registrados a cada ano, entre 2026 e 2028. O mês de setembro traz diferentes campanhas de conscientização, uma delas é a de prevenção e diagnóstico precoce do câncer colorretal.

O Inca estima que os casos serão divididos proporcionalmente, com 26.270 entre os homens e 27.540 entre as mulheres. Ou seja, câncer de intestino não é uma doença majoritariamente masculina ou feminina.

<><> Principais riscos

De acordo com o Inca, os principais fatores de risco são os comportamentais, como tabagismo, sedentarismo, excesso de gordura corporal, consumo de bebidas alcoólicas, consumo elevado de carne vermelha e carnes processadas. Vale lembrar também o alerta para o baixo consumo de alimentos ricos em fibras, como cereais integrais, leguminosas, frutas e vegetais.

Condições genéticas e hereditárias, como doenças intestinais crônicas, histórico pessoal ou familiar de pólipos adenomatosos ou câncer colorretal, também são fatores de alerta. O oncologista Márcio Almeida, da Rede Américas e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clinica (SBOC), reforça que o risco de desenvolvimento da doença está nos hábitos que levamos e o cuidado pode ser trocá-los, ou torná-los mais saudáveis.

“O risco não está no alimento consumido de maneira isolada, mas no padrão que se repete ao longo dos anos. Quando temos uma alimentação com presença frequente de carnes processadas e pouca fibra, somada ao sedentarismo, excesso de peso, álcool e tabagismo, acumulamos fatores associados à doença. A prevenção passa por modificar aquilo que está ao nosso alcance”, comenta o médico.

<><> Colonoscopia

A colonoscopia é um exame fundamental para o combate e a prevenção do câncer de intestino. Ele permite visualizar e remover os pólipos antes que possam evoluir para um câncer.

Os pólipos são pequenas formações que surgem na parede interna do intestino grosso. Nem todos se tornam malignos, mas alguns podem acumular alterações celulares ao longo dos anos e dar origem a um tumor. Como essa transformação é demorada gera uma janela de oportunidades para identificá-los e removê-los por meio da colonoscopia.

“A colonoscopia é fundamental porque nos permite ir além do diagnóstico precoce. Isso muda completamente a lógica: não estamos apenas tentando encontrar uma doença em estágio inicial, estamos diante da possibilidade de interromper o caminho que poderia levar ao desenvolvimento do tumor”, destaca o médico.

<><> Crescimento de ocorrências em pessoas mais novas

Apesar de ser uma doença mais incidente nas pessoas mais velhas, estudos internacionais vêm registrando o crescimento de casos em pessoas com menos de 50 anos.

“O aumento de casos entre adultos mais jovens está mudando a forma como precisamos olhar para o câncer colorretal. Não significa criar alarme ou antecipar exames para todo mundo, mas abandonar a ideia de que esse é um câncer exclusivamente de pessoas mais velhas. Informação, prevenção e investigação adequada precisam acompanhar essa mudança no perfil da doença”, conclui o oncologista.

<><> Alguns sintomas

Alguns sintomas de alerta para o câncer colorretal: sangue nas fezes, mudança persistente no hábito intestinal, alternância entre diarreia e constipação, dor ou desconforto abdominal, sensação de evacuação incompleta, anemia sem causa aparente e perda de peso não intencional.

•        Setembro Amarelo: cuidado com a saúde mental deve começar nos sinais invisíveis que antecedem à depressão

Quando se fala em depressão, quase sempre a atenção se concentra no ato extremo que a doença pode levar um paciente a cometer contra si mesmo. Mas talvez estejamos com o foco equivocado. Essa atitude pode ser compreendido como a manifestação extrema de um processo mental de autodestruição que, muitas vezes, começou antes. O que precisamos compreender – e tentar interromper – é o processo invisível que o antecede.

<><> Como a mente transforma fatos em sofrimento

A mente humana não registra simplesmente a realidade: ela a interpreta. Um mesmo acontecimento pode adquirir significados completamente diferentes dependendo das experiências anteriores, das memórias e dos padrões que cada pessoa carrega. É nesse espaço entre o que aconteceu e aquilo que a mente construiu sobre o acontecimento que grande parte do sofrimento psíquico se desenvolve.

Uma perda, uma rejeição, um fracasso profissional, uma separação ou uma humilhação são acontecimentos reais. Mas a mente pode produzir, a partir deles, imagens muito mais devastadoras: “minha vida acabou”, “eu estraguei tudo”, “não tenho mais saída”, “nada vai melhorar”. Aos poucos, a pessoa deixa de sofrer apenas pelo que aconteceu e passa a sofrer também pelo cenário que a própria mente produz.

<><> O estreitamento da realidade e a sensação de não haver saída

É aqui que começa um fenômeno perigoso: o estreitamento da realidade. As alternativas continuam existindo, mas a pessoa deixa de enxergá-las. O futuro passa a ser representado sempre pelo mesmo filme: dor hoje, dor amanhã, dor depois. A mente transforma uma situação insuportável neste momento na convicção de uma vida inteira insuportável. E uma imagem mental repetida muitas vezes pode adquirir, para quem sofre, a força de uma realidade.

Em algumas pessoas, esse processo se dirige contra o próprio eu. A culpa deixa de dizer simplesmente “eu errei” e começa a dizer “eu sou um erro”. Essa diferença parece pequena, mas é enorme. Enquanto reconhecer um erro ainda permite corrigir, aprender e seguir, transformar a falha em identidade aprisiona. Nos meus estudos sobre culpa, descrevo justamente essa passagem: da culpa para a vergonha e, em situações mais graves, da punição interna para a autodestrutividade.

<><> O tribunal interno e o circuito que se retroalimenta

Forma-se então uma espécie de tribunal interno em funcionamento permanente. A própria pessoa é acusadora, réu e juiz. Ela cobra de si mesma aquilo que acredita que deveria ter sido, deveria ter feito ou deveria ter conseguido. O problema é que não há como fugir desse credor, porque credor e devedor moram na mesma cabeça. Quanto mais se pune, menos energia psíquica possui para reconstruir a própria vida; quanto menos consegue reconstruir, mais motivos encontra para se punir. É um circuito que se retroalimenta.

Por isso considero imprecisa a ideia de que quem pensa em cometer um ato contra si mesmo simplesmente “quer morrer”. Muitas vezes, o que aquela pessoa desesperadamente quer é que determinada experiência de sofrimento termine. Morrer aparece para uma mente progressivamente encurralada como uma solução para acabar com a dor. E aqui está uma distinção fundamental para a prevenção: não encontrar uma saída é muito diferente de não existir uma saída.

É também por isso que frases como “pense positivo”, “você tem tudo para ser feliz” ou “olhe quantas pessoas têm problemas piores” costumam fracassar. Elas discutem com a conclusão sem alcançar o processo que a construiu. A tarefa não é convencer aquela pessoa de que sua vida é maravilhosa. É ajudá-la a perceber que o filme que ocupa a mente naquele momento não é toda a realidade. O sofrimento é real. A interpretação de que ele será eterno não necessariamente é.

Prevenir o ato extremo que a depressão pode levar, portanto, não começa apenas quando alguém verbaliza que pretende morrer. Começa muito antes: quando percebemos o isolamento crescente, a desesperança, a culpa que virou identidade, a sensação de ser um peso, a repetição de cenários mentais sem saída e a perda progressiva da capacidade de imaginar um futuro diferente. Quanto mais cedo interrompemos esse circuito, maior a possibilidade de devolver à pessoa algo que o sofrimento lhe roubou: perspectiva.

Talvez essa seja a mensagem mais importante. No auge de uma crise suicida, não é necessariamente a vida que ficou sem possibilidades; é a mente que perdeu temporariamente a capacidade de enxergá-las. E isso muda tudo. Porque aquilo que foi construído dentro da mente pode ser compreendido, tratado e transformado. Entre a dor e a autodestruição existe um espaço. É nesse espaço que precisam entrar o outro, o cuidado, o tratamento e, principalmente, uma nova possibilidade de futuro.

 

Fonte: Correio Braziliense/CNN Brasil

 

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