Entre a vitrine e a realidade: o que a
atuação da imprensa independente revela sobre El Salvador
Em vídeos de alta produção e campanhas
cuidadosamente roteirizadas, El Salvador aparece como uma nação completamente
transformada: ruas limpas, crescimento econômico e uma paz antes impensável. O
presidente Nayib Bukele tornou-se o rosto dessa narrativa, celebrada por
milhões de seguidores nas redes sociais e apresentada como prova de que o
combate ao crime pode produzir resultados rápidos.
Não por acaso, o chamado “modelo Bukele”
ultrapassou as fronteiras de El Salvador. Em um continente marcado pelo avanço
da violência urbana, sua política de segurança passou a ser defendida por
candidatos, influenciadores e grupos políticos como um exemplo a ser seguido,
muitas vezes reduzida a vídeos virais, discursos de impacto e estatísticas
sobre a queda dos homicídios.
Por trás da vitrine de sucesso e do marketing
político, no entanto, esconde-se uma realidade que só aparece quando reels,
tiktoks e posts no X, são confrontados com fatos, dados e a atuação de uma
imprensa independente.
<><> Quem é Nayib Bukele?
Antes de se tornar a face do novo
autoritarismo latino-americano, Nayib Bukele era um jovem empresário do setor
de publicidade. Sua entrada na política ocorreu pelas fileiras da Frente
Farabundo Martí de Liberación Nacional (FMLN), tradicional partido de esquerda
do país. Em 2015, foi eleito prefeito de Nuevo Cuscatlán e, depois, da capital
San Salvador, construindo uma imagem de gestor eficiente, próximo da população
e disposto a promover mudanças.
Percebendo o desgaste das duas grandes forças
que dominaram o país desde o fim da guerra civil, Bukele rompeu com a FMLN e
lançou uma marca política própria. Apelidado pela imprensa internacional de
“presidente millennial”, abandonou o figurino formal dos chefes de Estado,
apostou em uma comunicação direta pelas redes sociais e construiu um discurso
que misturava combate à corrupção, antipolítica e promessas de eficiência.
A estratégia funcionou. Em 2019, aos 37 anos,
venceu a eleição presidencial no primeiro turno, encerrando três décadas de
hegemonia bipartidária. O que parecia representar uma renovação da política,
rapidamente revelou um projeto de concentração de poder apoiado em elevados
índices de popularidade e em uma sofisticada máquina de comunicação.
<><> O “método Bukele” e a
popularidade conquistada por meio do combate ao crime
A principal fonte dessa popularidade foi a
segurança pública. Durante décadas, El Salvador conviveu com uma das maiores
taxas de homicídio do mundo, além do domínio territorial exercido pelas gangues
Mara Salvatrucha (MS-13) e Barrio 18. Comerciantes eram extorquidos
diariamente, bairros inteiros viviam sob o controle do crime organizado e a
circulação pelas cidades era marcada pelo medo.
A promessa de restabelecer a ordem encontrou
uma população desesperada por mudanças. Em março de 2022, após um final de
semana com múltiplos assassinatos atribuídos às gangues do país, Bukele
decretou “estado de exceção”. A medida, que deveria durar apenas 30 dias,
ampliou os poderes das forças de segurança, flexibilizou garantias
constitucionais e permitiu a realização de prisões em massa.
Os índices de homicídio despencaram, milhares
de integrantes das organizações criminosas foram presos e a sensação de
segurança voltou a fazer parte da rotina de muitos salvadorenhos. Para uma população que
passou décadas convivendo com o medo, o “método Bukele” virou sinônimo de
eficácia. O presidente alcançou níveis de aprovação superiores a 80% e transformou
sua política de segurança em uma referência internacional.
Mas o
“estado de exceção” ultrapassou os 30 dias e virou regra no país, sendo renovado mensalmente. E, com todo o
poder concentrado nas próprias mãos, sem garantias democráticas para frear
violações e uma enorme máquina de propaganda, o “método Bukele” passou a ser
vendido como uma solução facilmente replicável para um problema extremamente
complexo.
<><> Quanto custa a segurança?
A redução da violência em El Salvador é um
fato que ajuda a explicar a enorme popularidade de Nayib Bukele. Não se pode
fechar os olhos para a mudança nos índices de criminalidade, assim como não dá
para ignorar os custos que a acompanharam.
Democracias foram
construídas sobre um princípio fundamental: a desconfiança da concentração de poder. Por isso
distribuem autoridade entre diferentes instituições, garantem direitos
individuais e estabelecem mecanismos de controle capazes de limitar qualquer
governante, por mais popular que ele seja.
O autoritarismo, por outro lado, age de
maneira contrária. Ele raramente chega prometendo censura ou perseguição
política. Em geral, apresenta-se como uma solução para crises e oferece
respostas para medos reais. Em troca, pede apenas que parte das garantias
democráticas seja suspensa temporariamente.
Foi exatamente esse o argumento utilizado em
El Salvador. Anos após o decreto de estado de exceção, ele continua sendo
renovado sucessivamente, transformando a exceção em regra e a restrição das
garantias democráticas em política pública.
O problema é que o poder excepcional
dificilmente permanece do mesmo tamanho. Cada nova concessão abre espaço para a
seguinte. Cada direito relativizado torna mais fácil justificar a suspensão de
outro. Como um monstro alimentado pouco a pouco, o autoritarismo cresce à
medida que encontra menos limites para expandir <><> A ascensão
de Bukele e a queda da democracia
A chegada de Nayib Bukele ao poder
representou uma ruptura com o sistema político que governava El Salvador. Sua
eleição, em 2019, encerrou três décadas de alternância entre a FMLN e a ARENA.
A promessa era substituir uma classe política desgastada por um governo
eficiente, capaz de enfrentar a violência e combater a corrupção.
A alta popularidade conquistada com o avanço
da política de segurança, porém, foi acompanhada por uma profunda
reconfiguração das instituições democráticas do país. Em poucos anos, decisões
que antes dependeriam do equilíbrio entre os Poderes passaram a ser
concentradas no Executivo, reduzindo progressivamente os mecanismos de
fiscalização sobre o governo.
O
próprio Bukele já fez piadas com o autoritarismo atribuído a ele pela imprensa
internacional. Em 2021, ele alterou sua biografia no antigo Twitter (X),
definindo-se como “o ditador mais cool do mundo mundial”.
Em
2015, a situação do país era dramática, registrando a alarmante marca de 104 homicídios por
100 mil habitantes.
A ineficiência dos partidos tradicionais abriu espaço para que Bukele se
apresentasse como a única solução viável. Eleito em 2019 no primeiro turno com
53% dos votos, ele rapidamente transformou seu mandato em uma escalada
autoritária articulada em etapas:
- Captura
do Judiciário (2021):
- poucos dias após a
nova Assembleia Legislativa assumir suas funções, parlamentares aliados de
Bukele destituíram os cinco
magistrados da Sala Constitucional da Suprema Corte e o procurador-geral da
República.
Em seus lugares foram nomeados integrantes alinhados ao governo, ampliando a
influência do Executivo sobre o Judiciário.
- Reeleição
autorizada (2024):
- embora a Constituição salvadorenha proibisse a
reeleição presidencial consecutiva, a nova composição da Suprema Corte
reinterpretou o texto constitucional
e autorizou Bukele a
disputar um novo mandato, abrindo caminho
para sua reeleição.
- Ampliação
do mandato presidencial (2025):
- uma reforma eleitoral aprovada pela base governista
estendeu o mandato presidencial de cinco para seis anos e eliminou os limites
para novas reeleições, permitindo que um presidente possa ser reconduzido ao
poder quantas vezes puder.
- Mudança
das regras eleitorais:
- -
a mesma reforma extinguiu o segundo turno das eleições presidenciais. A
partir das novas regras, basta obter a maior votação no primeiro turno
para vencer a disputa, mesmo sem maioria absoluta dos votos.
Ao anular a oposição e transformar leis em
ferramentas de blindagem pessoal, Bukele construiu um modelo de controle
absoluto sob o disfarce de legitimidade eleitoral. Essa tem sido uma marca do
autoritarismo no século XXI: as instituições democráticas se tornaram um alvo
e, em muitos casos, quem está na mira usou o próprio sistema para conquistar a
arma.
<><> O sucesso de Bukele: quando
a propaganda vira política
Os resultados da política de segurança
implementada por Nayib Bukele são difíceis de ignorar. A redução dos homicídios
e o enfraquecimento das gangues transformaram profundamente a rotina de milhões
de salvadorenhos.
Esse impacto explica boa parte da
popularidade do presidente. Mas o sucesso do chamado “modelo Bukele” não se
sustenta apenas pelos indicadores de segurança. Ele também depende de uma
estratégia sofisticada de comunicação, capaz de transformar ações de governo em
uma narrativa global de eficiência e controle.
Vídeos com estética cinematográfica, imagens
de operações policiais cuidadosamente editadas, discursos transmitidos
diretamente pelas redes sociais e uma comunicação voltada para o consumo
digital ajudaram a construir uma marca política que ultrapassou as fronteiras
de El Salvador. O país passou a ser vendido como a prova de que seria possível
resolver problemas complexos por meio de medidas rápidas, duras e sem
concessões.
Essa narrativa, no entanto, produz um efeito
colateral importante: ela simplifica uma realidade muito mais complexa. Ao
privilegiar apenas os resultados mais visíveis, deixa em segundo plano as
perguntas sobre os custos humanos, jurídicos e democráticos dessa
transformação.
>>>>> Veja a análise de
Gabriela Varella, do ICL Notícias, sobre o interesse de figuras da extrema
direita brasileira no “método Bukele”:
<><> El Salvador após Bukele: o
que investigações da imprensa revelam?
Se em
2015 o país lidava com a maior taxa de homicídios no mundo, o índice foi
substituído pela maior taxa de pessoas encarceradas em todo o planeta. Cerca de
19 meses após o decreto de estado de exceção, mais de 73 mil pessoas haviam
sido presas. Em um país com cerca de 6,4 milhões de habitantes, estimativas
indicam que quase 2% da população está na cadeia e um em cada dez
jovens entre 26 e 35 anos já havia sido encarcerado.
Equiparando
o crime organizado ao terrorismo, El Salvador inaugurou o Centro de
Confinamiento del Terrorismo (CECOT) no final de 2022. A megaprisão tem
capacidade para 40 mil detidos. No entanto, com os dados oficiais sob sigilo,
organizações de direitos humanos e institutos de pesquisa apontam que o país
conviva com uma superlotação de 157%
no sistema prisional.
A
flexibilização das garantias democráticas, tendo como justificativa o combate
ao crime fez com que medidas excepcionais fossem adotadas. Segundo a Human Rights Watch, em 2022, o Legislativo estendeu o tempo
máximo de prisão para o crime de “associação criminosa” para até 10 anos. A
questão é que essa é a sentença máxima caso o “criminoso” seja uma criança
entre 12 e 15 anos de idade. Para os adolescentes de 16 a 18 anos, pode chegar
a 20 anos.
Somado
a isso, a imensa maioria dos detidos ainda não passou por julgamento. Desde que
o estado de exceção foi decretado, o Ministério Público teria até dois anos
para apresentar as denúncias contra os detidos. Em 2025, o Congresso estendeu o
prazo e possibilitou que presos fiquem até 7 anos aguardando julgamento.
Em
um relatório divulgado
em 2024, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos disse ter
recebido inúmeros relatos de violações, incluindo “detenções ilegais e
arbitrárias sistemáticas e generalizadas, invasões ilegais de domicílios, uso
excessivo da força e violações dos direitos de crianças e adolescentes”.
Os
dados sobre a redução na violência parecem dizer que o número de homicídios
diminuiu. Mas, com a narrativa e a divulgação sob controle do estado, existe
uma outra informação que os dados não revelam: mortes em
decorrência de confrontos policiais, óbitos em prisões e corpos encontrados em
valas clandestinas não entram na conta.
<><> Segurança para quem?
Por
trás da propaganda de perfeição, o país enfrenta outros problemas. Segundo
o Banco Mundial, em 2023, cerca de
27% da população vivia abaixo da linha da pobreza e outros 9% se encontravam em
situação de extrema pobreza. O acesso à escolaridade também se mostra uma
dificuldade: 21,5% dos salvadorenhos entre 18 e 24 anos não estão na escola,
nem empregados. Somado a isso, quase 30% dos idosos acima de 60 anos não sabem
ler ou escrever.
A
aplicação do estado de exceção para o combate à criminalidade é uma face, mas a
concentração de poder nas mãos da figura de Bukele também revela um projeto de
poder autoritário que vai além do discurso a favor da segurança. Em 2025, o
jornal La Prensa Grafica identificou que
o Ministério da Saúde do país removeu menções a “diversidade sexual” e “LGBT”,
o que, na prática, significa maior dificuldade na divulgação de informações
sobre saúde sexual e gênero.
Outro
alvo eleito pelo governo salvadorenho foi a suposta “ideologia de gênero”,
repetindo uma prática tradicional da extrema direita mundial, que costuma
encarnar na ideia uma ameaça iminente. Como resultado, em fevereiro de 2024, o
ministro da Educação afirmou, no X, ter “removido todo o
material relacionado à ideologia de gênero das escolas do país”. El Salvador também
não reconhece o casamento homosexual, identidade de gênero e não dispõe de
medidas contra a LGBTfobia.
Somado
a tudo isso, embora o governo conte com aprovação popular, os dados mostram um
dilema. Uma pesquisa divulgada em maio de 2026
pela Cid Gallup revelou
que Bukele tinha mais de 80% de aprovação. Ao mesmo tempo, quase 60% da
população considera provável ou muito provável que uma pessoa ou instituição
sofra consequências negativas por criticar o governo. Na prática, a sensação de
melhora é sustentada pelo silenciamento de vozes dissonantes.
<><> Quem tem medo dos
jornalistas?
Pode
ser verdade que quem conta um ponto aumenta um ponto. Mas também é verdade que
quem conta um conto pode deixar outros convenientemente de fora, a depender do
próprio interesse. E, quando um Estado assume o controle da narrativa, cabe à
sociedade civil e à imprensa fiscalizar o poder.
Não por
acaso esses atores passaram a ocupar um lugar central no conflito político
salvadorenho. Segundo a ONG Cristosal, cerca de 73% dos
pedidos de informação no país são negados ou ignorados, e informações de
interesse público são mantidas sob sigilo. A própria declaração de patrimônio
de Nayib Bukele foi declarada confidencial pela Suprema Corte. Mas, segundo o
jornal Redaccion Regional, Bukele e seu círculo pessoal
adquiriram 361 hectares de terra apenas durante seu primeiro mandato.
A
redução da criminalidade é outro ponto que passou pelo escrutínio da imprensa.
Em entrevista gravada pelo jornal independente El Faro, dois líderes da
gangue Barrio 18 contaram como o grupo criminoso teria supostamente se
aproximado de Bukele, recebido favores e dado apoio para sua ascensão política.
Bukele
negou as acusações, mas o fato é que, para evitar a perseguição e prisão, a
redação do El Faro precisou sair do país e o jornal se transferiu para a Costa
Rica. A perseguição também chegou ao ambiente digital: 22 funcionários do
veículo tiveram seus celulares infectados pelo spyware de vigilância Pegasus. O
curioso é que esse mesmo software quase foi implantado no Brasil, quando Carlos Bolsonaro
tentou convencer seu pai, o então presidente Jair Bolsonaro, a adquirir o
sistema.
O caso
do El Faro é um, mas esses jornalistas se somam aos cerca de
53 que precisaram deixar o país até novembro de 2025, em virtude da insegurança
e perseguição, segundo a Associação de Jornalistas de El Salvador (Apes). Em
2024, a mãe do jornalista independente Ricardo Vaquerano foi assediada e
intimidada depois que ele publicou uma matéria sobre uma
rede de policiais ligada a centenas de assassinatos.
Esse
cerco também ganhou forma institucional. Em 2025, o governo aprovou a Lei de Agentes
Estrangeiros,
que criou um registro para organizações que recebem financiamento internacional
e estabeleceu uma cobrança de 30% sobre esses recursos, além de ampliar os
poderes do Estado para fiscalizar, suspender ou dissolver entidades. A medida
foi criticada por organizações de direitos humanos e de defesa da liberdade de
imprensa, que apontaram o risco de atingir justamente grupos independentes que
fiscalizam o governo.
O
“modelo Bukele”, amplamente propagandeado pela extrema direita mundial, guarda
um segredo frequentemente deixado de lado: ele só é possível quando o Estado
democrático de direito dá lugar ao Estado de exceção e a narrativa se torna
meticulosamente controlada por quem está no poder. Para garantir o controle, é
preciso silenciar quem mostra o contraditório. Isso explica por que, entre 2019
e 2026, El Salvador despencou da 81ª para a 143ª posição no ranking de
liberdade de imprensa do Repórteres Sem Fronteiras.
Não é
por acaso que o jornalismo, sobretudo o jornalismo
independente,
se torna uma pedra no sapato de líderes autoritários. Quem procura, acha, e,
quando se tem muitos esqueletos no armário, em algum momento eles vêm à tona.
<><> Quando a democracia perde
seus freios, quem sobra para contar a história?
El Salvador mudou. A violência caiu, as
gangues perderam espaço e milhões de salvadorenhos passaram a experimentar uma
sensação de segurança que, durante décadas, parecia impossível. Ignorar essa
transformação seria tão equivocado quanto ignorar o preço que ela cobrou.
Quando uma experiência complexa vira um
“método”, o que ocorre é que uma resposta simples passa a ser a solução para
problemas não tão simples: diante da violência, mais poder para o Estado;
diante do crime, menos garantias; diante dos resultados, menos disposição para
questionar.
O “método Bukele” oferece justamente o que o
autoritarismo precisa para florescer: um motivo forte o suficiente para
convencer a todos de que é preciso fazer algumas concessões. Mas um estado de
exceção de 30 dias vira dois meses, três meses e, quando se vê, a exceção virou
regra e a democracia, uma aparência.
O autoritarismo raramente aparece de uma vez.
Ele cresce aos poucos, cada vez que uma exceção parece justificável, uma
garantia parece inconveniente ou uma crítica passa a ser tratada como ameaça.
Quando percebemos, o monstro já não precisa se esconder. E, para impedir isso,
uma sociedade precisa de jornalistas livres para investigar, questionar e
contar aquilo que o poder preferiria manter fora do enquadramento.
A propaganda convence. O jornalismo verifica.
Enquanto governos investem para controlar narrativas, o trabalho da imprensa
independente continua sendo confrontar versões oficiais com fatos, documentos e
investigações. Ao apoiar o jornalismo do ICL Notícias, você ajuda a financiar
reportagens independentes e fortalece o direito de toda a sociedade de saber o
que seus governos fazem — inclusive, quando acham que ninguém está olhando.
Fonte: ICL Notícias
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