Uso de emagrecedores em crianças menores de
12 anos sobe 300 vezes nos EUA
Um estudo divulgado, nesta sexta-feira (4),
aponta que as prescrições de medicamentos para perda de peso à base de GLP-1
entre crianças menores de 12 anos nos Estados Unidos aumentaram mais de 300
vezes desde 2019.
Ao todo, 20.282 crianças receberam
medicamentos à base de GLP-1 durante o período do estudo, na maioria das vezes,
a caneta emagrecedora Wegovy, da Novo Nordisk. Porém, os profissionais também
prescreveram o Saxenda, da Novo, e o Zepbound, da Eli Lilly.
Os dados da NYU Langone Health mostram que os
médicos buscam cada vez mais tratamentos novos e eficazes para pacientes mais
jovens com obesidade.
A análise contou com mais de 3,5 milhões de
crianças com idades entre 8 e 11 anos com obesidade, mas sem diabetes, e
constatou que as prescrições de medicamentos para perda de peso à base de GLP-1
aumentaram de 0,03% em 2019 para 9,3% em junho deste ano.
Apesar dos medicamentos não serem aprovados
para uso em crianças menores de 12 anos, as diretrizes clínicas permitem que
eles sejam utilizados para tratar a obesidade em crianças a partir dos oito
anos de idade.
Assim, 94% das crianças que receberam uma
prescrição de GLP-1 apresentavam obesidade grave, e cerca de 65% tinham pelo
menos uma condição de saúde associada, como colesterol alto, pressão alta ou
apneia do sono. De forma natural, é um hormônio natural produzido pelo
intestino que ajuda a controlar o açúcar no sangue, aumenta a saciedade e reduz
o apetite.
• Canetas
emagrecedoras desafiam indústria de alimentos, mostra estudo
A indústria de alimentos enfrenta um novo e
significativo desafio com o avanço das chamadas canetas emagrecedoras,
medicamentos à base do composto GLP-1. Fabricantes de produtos industrializados
têm testado estratégias para conquistar consumidores que perdem o apetite em
razão do uso dessas substâncias.
De acordo com um estudo da Scanntech Brasil,
o uso do GLP-1 pode reduzir em 0,49% o volume total de alimentos vendidos em
supermercados. As bebidas devem registrar queda de 0,91%, os perecíveis
embalados de 0,66% e a mercearia de 0,53%.
Categorias como cervejas, petiscos, snacks,
chocolates e biscoitos também estão entre as mais impactadas.
<><> GLP-1 como catalisador de
uma nova tendência de consumo
Priscila Ariani, diretora de marketing da
Scanntech Brasil, avalia que o GLP-1 não criou a tendência de consumo saudável,
mas a acelerou de forma sem precedentes. "O GLP não é um provocador de uma
onda de saudabilidade, ele é um catalisador", afirmou.
Segundo ela, a indústria já vinha observando
o crescimento de categorias ligadas à saúde e às práticas esportivas, mas a
entrada do GLP no mercado escalou esse movimento em velocidade inédita.
Como resposta, fabricantes têm apostado em
produtos proteicos, mudanças nas embalagens e reformulações voltadas à
construção de massa muscular.
Priscila Ariani destacou ainda que o perfil
do usuário de GLP é o de um consumidor intenso — alguém que, proporcionalmente,
consome mais do que a média em categorias como cerveja e produtos indulgentes.
"O usuário de GLP é um usuário heavy user das categorias", explicou.
Por isso, mesmo que o percentual de usuários
seja relativamente pequeno, o impacto no volume de vendas é expressivo.
Atualmente, 14% da população brasileira já usa ou já utilizou o medicamento.
Considerando também quem convive com esses usuários, o chamado "efeito
halo" alcança 21% da população.
<><> Queda da patente pode
triplicar o número de usuários
Com a queda da patente da semaglutida —
molécula de entrada entre os medicamentos GLP-1 — e a chegada de versões
genéricas ao mercado, o cenário deve se transformar de forma ainda mais
intensa.
A pesquisa da Scanntech Brasil indica que 37%
dos 86% da população que ainda não utiliza o medicamento declararam alta ou
altíssima probabilidade de uso caso o preço diminua. Somando esse potencial aos
14% já usuários, o estudo projeta que o alcance pode chegar a 46% da população.
"A gente está falando que a gente sai de
um 14% para 46% da população", disse Priscila Ariani, ressaltando que esse
número representa um teto potencial, sem prazo definido para ser atingido.
A especialista também chamou atenção para a
existência de um robusto mercado informal de GLP-1 no Brasil, com doses
aplicadas em clínicas de estética, dermatologistas e produtos vindos do
Paraguai. Antes da queda da patente, estimava-se que 55% das doses consumidas
eram informais e apenas 45% formais.
Após a queda da patente, essa proporção se
inverteu, com as doses formais passando a representar 17% a mais do que as
informais. "Parte dessa queda de patente é uma formalização do
consumo", avaliou Priscila Ariani.
Ela e o entrevistador reforçaram a
importância de os consumidores buscarem apenas produtos regulamentados e
aprovados pela Anvisa, evitando medicamentos contrabandeados ou sem
fiscalização adequada.
Fonte: CNN Brasil


Nenhum comentário:
Postar um comentário