quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Uso de emagrecedores em crianças menores de 12 anos sobe 300 vezes nos EUA

Um estudo divulgado, nesta sexta-feira (4), aponta que as prescrições de medicamentos para perda de peso à base de GLP-1 entre crianças menores de 12 anos nos Estados Unidos aumentaram mais de 300 vezes desde 2019.

Ao todo, 20.282 crianças receberam medicamentos à base de GLP-1 durante o período do estudo, na maioria das vezes, a caneta emagrecedora Wegovy, da Novo Nordisk. Porém, os profissionais também prescreveram o Saxenda, da Novo, e o Zepbound, da Eli Lilly.  

Os dados da NYU Langone Health mostram que os médicos buscam cada vez mais tratamentos novos e eficazes para pacientes mais jovens com obesidade. 

A análise contou com mais de 3,5 milhões de crianças com idades entre 8 e 11 anos com obesidade, mas sem diabetes, e constatou que as prescrições de medicamentos para perda de peso à base de GLP-1 aumentaram de 0,03% em 2019 para 9,3% em junho deste ano. 

Apesar dos medicamentos não serem aprovados para uso em crianças menores de 12 anos, as diretrizes clínicas permitem que eles sejam utilizados para tratar a obesidade em crianças a partir dos oito anos de idade. 

Assim, 94% das crianças que receberam uma prescrição de GLP-1 apresentavam obesidade grave, e cerca de 65% tinham pelo menos uma condição de saúde associada, como colesterol alto, pressão alta ou apneia do sono. De forma natural, é um hormônio natural produzido pelo intestino que ajuda a controlar o açúcar no sangue, aumenta a saciedade e reduz o apetite.

•        Canetas emagrecedoras desafiam indústria de alimentos, mostra estudo

A indústria de alimentos enfrenta um novo e significativo desafio com o avanço das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos à base do composto GLP-1. Fabricantes de produtos industrializados têm testado estratégias para conquistar consumidores que perdem o apetite em razão do uso dessas substâncias.

De acordo com um estudo da Scanntech Brasil, o uso do GLP-1 pode reduzir em 0,49% o volume total de alimentos vendidos em supermercados. As bebidas devem registrar queda de 0,91%, os perecíveis embalados de 0,66% e a mercearia de 0,53%.

Categorias como cervejas, petiscos, snacks, chocolates e biscoitos também estão entre as mais impactadas.

<><> GLP-1 como catalisador de uma nova tendência de consumo

Priscila Ariani, diretora de marketing da Scanntech Brasil, avalia que o GLP-1 não criou a tendência de consumo saudável, mas a acelerou de forma sem precedentes. "O GLP não é um provocador de uma onda de saudabilidade, ele é um catalisador", afirmou.

Segundo ela, a indústria já vinha observando o crescimento de categorias ligadas à saúde e às práticas esportivas, mas a entrada do GLP no mercado escalou esse movimento em velocidade inédita.

Como resposta, fabricantes têm apostado em produtos proteicos, mudanças nas embalagens e reformulações voltadas à construção de massa muscular.

Priscila Ariani destacou ainda que o perfil do usuário de GLP é o de um consumidor intenso — alguém que, proporcionalmente, consome mais do que a média em categorias como cerveja e produtos indulgentes. "O usuário de GLP é um usuário heavy user das categorias", explicou.

Por isso, mesmo que o percentual de usuários seja relativamente pequeno, o impacto no volume de vendas é expressivo. Atualmente, 14% da população brasileira já usa ou já utilizou o medicamento. Considerando também quem convive com esses usuários, o chamado "efeito halo" alcança 21% da população.

<><> Queda da patente pode triplicar o número de usuários

Com a queda da patente da semaglutida — molécula de entrada entre os medicamentos GLP-1 — e a chegada de versões genéricas ao mercado, o cenário deve se transformar de forma ainda mais intensa.

A pesquisa da Scanntech Brasil indica que 37% dos 86% da população que ainda não utiliza o medicamento declararam alta ou altíssima probabilidade de uso caso o preço diminua. Somando esse potencial aos 14% já usuários, o estudo projeta que o alcance pode chegar a 46% da população.

"A gente está falando que a gente sai de um 14% para 46% da população", disse Priscila Ariani, ressaltando que esse número representa um teto potencial, sem prazo definido para ser atingido.

A especialista também chamou atenção para a existência de um robusto mercado informal de GLP-1 no Brasil, com doses aplicadas em clínicas de estética, dermatologistas e produtos vindos do Paraguai. Antes da queda da patente, estimava-se que 55% das doses consumidas eram informais e apenas 45% formais.

Após a queda da patente, essa proporção se inverteu, com as doses formais passando a representar 17% a mais do que as informais. "Parte dessa queda de patente é uma formalização do consumo", avaliou Priscila Ariani.

Ela e o entrevistador reforçaram a importância de os consumidores buscarem apenas produtos regulamentados e aprovados pela Anvisa, evitando medicamentos contrabandeados ou sem fiscalização adequada.

 

Fonte: CNN Brasil


 

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