Elo
entre Vorcaro e Mendonça, Ciro Soares é tido como lobista de muitos contatos em
Brasília
Lobista,
arroz de festa e sedutor. Estas são algumas das expressões atribuídos por
colegas do meio jurídico ao advogado Ciro Rocha Soares, que aparece em áudios
revelados pelo colunista do ICL Notícias Paulo Motoryn como responsável por
articular um encontro secreto entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco
Master, e o ministro André Mendonça, do STF.
Soares
nasceu em Salvador, mas passou parte da vida em Minas Gerais. Voltou para a
capital baiana para fazer faculdade na Universidade Católica, onde também
começou a advogar. Em 2018, ao lado da esposa Lara Rocha Soares abriu o
escritório Rocha Soares Advogados Associados. Lara atualmente trabalha como
assessora do desembargador Washington Pires Ribeiro, no Tribunal de Justiça da
Bahia.
Apesar
de já ter participado da defesa do próprio Vorcaro e também do ex-governador
Wilson Witzel no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ciro é apontado por
colegas como um advogado sem muita profundidade jurídica, mas com muito acesso
entre as autoridades.
Em
outras palavras, uma das principais virtudes dele, de acordo com colegas
advogados que pediram anonimato, é conseguir articular uma boa rede de
contatos, conectando pessoas a partir das suas respectivas demandas. Também é
elogiado por colecionar acessos e amizades com autoridades de diversas esferas
de poder.
Ciro
Soares foi sócio do advogado baiano Thiago Ayres Legal, que, em 2018, atuou
como representante jurídico da campanha presidencial de Jair Bolsonaro, eleito
naquele ano no segundo turno vencendo Fernando Haddad, candidato do PT.
Ciro é
apontado como figura recorrente em festas e eventos de posse de autoridades
políticas em Brasília, sendo considerado “divertido”, “boa praça” e “muito
sedutor”. Já namorou a filha de um ministro que atualmente compõe a corte do
STF, em um caso que se tornou público em Brasília.
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“Filho de Otto Alencar”
A
inserção de Ciro Soares no meio político se deu por meio do senador Otto
Alencar (PSD-BA), atuando como advogado eleitoral dele e do partido, a partir
de 2010. Otto é o presidente estadual do diretório do PSD na Bahia – legenda
com maior número de prefeituras no estado, 116 no total.
Atualmente,
Otto é próximo do PT, que governa a Bahia há 2o anos. Mas, no passado, fez
parte do bloco comandado por Antonio Carlos Magalhães, chegando a ser
governador por oito meses em 2002.
Essa
amplitude política de Otto favoreceu Ciro a trafegar em diferentes colorações
partidárias, tanto na Bahia quanto em Brasília. Fontes ouvidas pela reportagem
contam que, em mais de uma ocasião, Ciro se apresentou como “filho de Otto”
para ser recebido em diferentes gabinetes na capital federal.
Ciro é
apontado como responsável por articular com deputados do PSD a concessão de
títulos de cidadãos baianos para o procurador-geral da República, Paulo Gonet,
e também para o ministro do STF Dias Toffoli na Assembleia Legislativa da
Bahia. As duas honrarias foram entregues conjuntamente em uma cerimônia, em
março do ano passado.
Relatório
da Polícia Federal mostrou que Ciro fazia uma aproximação entre Daniel Vorcaro
e Paulo Gonet.
Em
entrevista ao ICL Notícias, o senador Otto Alencar confirmou a amizade com Ciro
Soares e a também referência paternal usada por ele, mas negou qualquer tipo de
favorecimento.
“Ciro
perdeu o pai muito cedo. Ele me conhece há mais de 30 anos, se casou com a
filha de um grande amigo meu, por isso faz essa brincadeira que é meu filho.
Mas nunca fiz nada para promover o escritório dele não. Ele sempre teve os
próprios caminhos”, diz.
Questionado
sobre como recebeu a notícia de Ciro Soares ter atuado como elo entre Vorcaro e
Mendonça, Otto respondeu que “com naturalidade”.
“Ele é
advogado de Vorcaro. Atua para o cliente. Eu não me envolvo nessas relações,
mas entendo que é uma relação normal dentro da advocacia. Não é proibido ter
esse tipo de relação”, contemporizou.
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Ciro Soares gosta de luxo e ostentação
Nos
sites de coluna social da Bahia, o advogado chegou a ser figurinha carimbada em
notícias que falam das suas viagens, jantares e compras em Miami e Cancun, além
de um encontro reservado que organizou na Ilha de Itaparica, em janeiro de
2021, durante a pandemia. No texto, é descrito que Ciro “atacou de DJ e
comandou a playlist, que contou com grandes clássicos de Skank e Edith Piaf”.
Em um
indicativo de evolução patrimonial, Ciro se mudou recentemente dentro de
Salvador. Saiu do prédio Mansão Lev Smarcevski, no Horto Florestal, com
apartamentos no valor de R$ 3 milhões, para a Mansão Phileto Sobrinho, no
Corredor da Vitória (o metro quadrado mais caro da cidade), com apartamentos no
valor de R$8 milhões.
O
advogado também é frequentador assíduo da Bahia Marina, um clube privado
reservado para lanchas e grandes embarcações ancoradas na Baía de Todos os
Santos.
Procurado
pelo ICL Notícias, Ciro Soares enviou a seguinte nota:
“Tenho
uma carreira consolidada e vitoriosa de quase três décadas na advocacia. Não é
necessário, portanto, citar terceiros nas minhas apresentações pessoais.
Exerço
a advocacia com coragem, orgulho e dentro dos parâmetros estabelecidos em lei.
Respeito
as opiniões de todos, mesmo daqueles que se escondem no papel de fontes
anônimas para tecer comentários supostamente de ordem ‘técnica e moral’ sobre
mim.
Na
advocacia, como em qualquer outra profissão, temos amigos e adversários. Não
cabe a mim dar curso a intrigas rebarbativas. Quem conhece a mim e a meu
trabalho sabe do meu valor”.
• Alckmin cobra investigação sobre ligação
de Tarcísio com o Banco Master: “traga a verdade”
O
vice-presidente da República e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSB),
defendeu a apuração rigorosa sobre a suposta relação entre o governador de São
Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e as investigações que envolvem o
Banco Master. Durante entrevista ao Metrópoles, Alckmin afirmou que repasses
financeiros para campanhas eleitorais não podem estar associados a
favorecimentos na administração pública.
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“Não
tem problema as pessoas fazerem doações para a campanha; a lei permite, pessoa
física, não jurídica. Agora, o que não pode é vincular isso a benefícios de
governo, então cabe a investigação”, pontuou o vice-presidente.
A
declaração ocorre após o ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatar, em proposta de
delação premiada, que a doação de R$ 5 milhões realizada nas eleições de 2022
para as campanhas de Tarcísio de Freitas (R$ 2 milhões) e de Jair Bolsonaro (R$
3 milhões) teria sido fruto de negociação de propina com Gilberto Kassab,
presidente nacional do PSD e ex-secretário de Governo e Relações Institucionais
da gestão paulista. Naquele pleito, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e alvo
da Operação Compliance Zero, figurou como o maior doador individual dos dois
políticos.
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Crise no STF, atitude republicana e críticas ao governo Bolsonaro
Na
mesma entrevista, Geraldo Alckmin classificou como “muito triste” a atual crise
enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeada pelo envolvimento
de ministros com o caso do banco. Ele defendeu que os órgãos de controle atuem
sem restrições.
“Acho
que tem que ter o que a sociedade espera, a população brasileira espera. Espera
que haja investigação e que a investigação traga a verdade. Traga a verdade e
que tenha consequências. Ninguém está acima da lei”, declarou.
Alckmin
ressaltou que a responsabilidade pública aumenta de acordo com a hierarquia do
cargo exercido. “Quanto mais alto o cargo, mais alta a responsabilidade, maior
o dever de cumprir a lei e de dar exemplo. Então, defendo que se apure, doa a
quem doer. Quero fazer aqui um destaque ao trabalho do governo do presidente
Lula, que trabalha com espírito republicano. Ninguém da Polícia Federal é
ameaçado. Nenhum diretor é substituído porque investigou A, B ou C. O
Ministério Público tem total liberdade”, acrescentou.
A
declaração fez alusão direta à postura de Jair Bolsonaro (PL), que promoveu
trocas na direção-geral e em postos de comando da Polícia Federal sob a
justificativa oficial de ajustes administrativos e falta de interlocução, em um
contexto no qual investigações e gravações de reunião ministerial apontavam
tentativas de interferência política para blindar familiares.
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Fragilidades na gestão paulista e ato antidemocrático
Ao
avaliar o cenário político no estado de São Paulo, o vice-presidente pontuou
que Fernando Haddad (PT) tem destacado de forma precisa os gargalos do governo
de Tarcísio de Freitas. Alckmin citou problemas em áreas essenciais e criticou
o modelo adotado na desestatização dos serviços públicos.
“Tem o
caso da Sabesp, que não é o fato de ter privatizado, mas você tem uma das
melhores e maiores empresas do mundo, não tem um concorrente, é uma coisa
estranha. Uma piora da segurança pública, do feminicídio, roubos de celular, da
educação. Enfim, eu acho que ele [Haddad] está caminhando”, analisou.
Em
relação ao ato convocado por Flávio Bolsonaro (PL) e aliados para o feriado de
7 de Setembro, na Avenida Paulista, Geraldo Alckmin rechaçou atos com perfil
golpista no dia da Independência.
“Que as
pessoas façam campanha, isso é natural. Faz campanha, faz congresso, defende as
suas teses, nenhum problema. O que não pode é no dia da Pátria, que e é o 7 de
Setembro, você ter saudade de golpe militar, isso não é possível”, afirmou.
O
vice-presidente concluiu enfatizando a diferença fundamental entre as forças
políticas no país. “O que diferencia mesmo na vida pública é quem tem apreço
pela democracia e quem não tem apreço pela democracia. E não é possível você
fazer campanha no exterior contra o país, torcendo contra o emprego no Brasil,
a economia, as empresas; o tarifaço”, finalizou.
• Vorcaro diz que doações a Bolsonaro e
Tarcísio foram propina
Daniel
Vorcaro afirmou, em propostas de delação premiada rejeitadas pela Polícia
Federal e pelo Ministério Público, que os R$ 5 milhões doados às campanhas de
Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022 teriam sido pagamento de propina
articulado com Gilberto Kassab. O relato foi revelado pelo UOL e, segundo os
investigadores, não trouxe fatos inéditos.
No
material, Vorcaro também diz que houve outros repasses: R$ 10 milhões em
dinheiro vivo ao PSD e transferências classificadas como contrapartidas
financeiras. As informações, segundo ele, estariam ligadas a um ajuste para
manter negócios em funcionamento e preservar o espaço do grupo Master no
mercado.
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Credcesta e a suposta engrenagem financeira
A
acusação coloca no centro do caso o Credcesta, cartão de crédito consignado
usado por empresas ligadas ao Master em uma operação iniciada ainda no governo
João Doria. Vorcaro sustenta que o objetivo era garantir a continuidade do
esquema diante da mudança de comando no governo paulista, com a eleição de
Tarcísio em 2022.
Segundo
o ex-banqueiro, o acordo com Kassab previa pagamento de 5% do resultado líquido
das operações com o Credcesta e também contribuições para campanhas aliadas.
Ele afirma ainda que a parte eleitoral foi inicialmente pensada em dinheiro,
mas teria sido ajustada para doações oficiais por exigência de partidos
parceiros.
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Reações de Kassab, Tarcísio e Bolsonaro
Gilberto
Kassab negou a versão e disse que não teve relação com Daniel Vorcaro, chamando
o relato de “absolutamente fantasioso”. Tarcísio de Freitas afirmou que nunca
teve contato com o ex-banqueiro e declarou que sua campanha foi conduzida
dentro da lei.
O
governador também ressaltou que o credenciamento da empresa ligada ao Master
para atuar com o Credcesta ocorreu na gestão anterior. Já a defesa de Jair
Bolsonaro não respondeu até a publicação do texto, e Flávio Bolsonaro ironizou
a acusação, dizendo que a informação não se sustenta.
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Próximos passos da investigação
Vorcaro
está preso desde março e tentou negociar novos acordos de colaboração com as
autoridades, depois de outras propostas terem sido recusadas. Em junho, ele foi
transferido para a unidade conhecida como Papudinha, no Distrito Federal, após
a segunda negativa da PF e da PGR.
A
delação premiada, pela lei, é um meio de obtenção de prova e não pode sustentar
condenação sozinha. Por isso, os relatos de Vorcaro ainda precisam ser
apurados, junto com os documentos apresentados na tentativa de acordo.
Fonte:
ICL Notícias/Brasil 247/JB

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