quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Cura da Hepatite B: universidades brasileiras integram estudo global

Um novo estudo global, liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, busca tratamentos e uma cura para a hepatite B. A pesquisa conta com a participação de duas universidades públicas do Brasil para iniciar os testes no país.

O consórcio une, além da Universidade John Hopkins, pesquisadores do Brasil, Índia, Senegal e Uganda. As universidades que representam o Brasil são a USP (Universidade de São Paulo) e o Hucam-Ufes (Hospital Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo).

O objetivo da pesquisa é observar, a nível celular, o comportamento do vírus em pacientes de diferentes países assim como as respostas imunológicas das pessoas infectadas.

Durante os testes, serão analisadas também pessoas infectadas ao mesmo tempo por hepatite B e HIV.

A professora do Hucam-Ufes, Tânia Reuter, afirma que o estudo busca eliminar as hepatites virais, e, no caso do Brasil, eliminar a hepatite B como problema de saúde pública até 2030.

<><> Testes no Brasil

O estudo teve início este ano no Brasil e a previsão é que deve durar cerca de cinco anos. Segundo Reuter, no geral, os pesquisadores irão observar 600 pacientes com hepatite B e com a coinfecção por hepatite B e HIV por cerca de quatro anos e meio cada.

Do total de participantes, serão 150 pacientes de cada país. No Brasil, 75 participantes serão analisados pela equipe dela no Ufes.

A pesquisa procura identificar o que faz com que o vírus evolua diferentemente em cada paciente, quais características genéticas são capazes de proteger as pessoas de uma evolução mais rápida e quais subpartículas do vírus podem funcionar como preditores de cura ou de tratamento.

pode ser um alvo para desenvolvimento de fármacos, sejam imunoestimuladores, imunomodulador."]Eu quero descobrir alvos que possam auxiliar no manejo para cura da hepatite B. [O que for achado] pode ser um alvo para desenvolvimento de fármacos, sejam imunoestimuladores, imunomodulador.Tânia Reuter, professora do Hucam-Ufes

O recrutamento dos pacientes da Ufes está em andamento desde julho e, até o momento, conta com 40 participantes. O prazo dado pela pesquisa é até meados de 2027, e a pesquisadora pretende ter o grupo completo até o final do ano.

<><> Entenda a Hepatite B

A hepatite B integra o grupo das hepatites virais, infecções inflamatórias do fígado causadas por diferentes tipos de vírus, podem levar a complicações graves como cirrose e câncer hepático.

Essa é uma doença silenciosa que ataca o fígado de cerca de 240 milhões de pessoas, de forma crônica, e pode levar à cirrose, câncer hepático e, até mesmo, morte.

A doença pode se manifestar tanto de forma aguda quanto crônica. Ela é transmitida pelo contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas e de mãe para filho durante o parto. No Brasil, cerca de 1,1 milhão de pessoas vivem com infecção crônica por HBV.

Entre as hepatites, os tipos B e C concentram a maior preocupação por sua capacidade de evoluir para formas crônicas. Em muitos pacientes, a infecção permanece ativa durante anos sem produzir sinais que motivem a procura por atendimento. Quando o diagnóstico finalmente acontece, o fígado pode já apresentar fibrose avançada, cirrose ou câncer.

O Ministério da Saúde afirma que a principal forma de prevenção é a vacina, que está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde) para todas as pessoas não vacinadas, independentemente da idade.

A meta global da OMS é erradicar o HIV, as hepatites virais e as infecções sexualmente transmissível (ISTs) como ameaças à saúde pública até 2030.

Um relatório da organização, divulgado em julho deste ano, aponta as infecções por hepatites virais anuais caíram 32% globalmente desde 2015, devido ao aumento da vacinação infantil.

•        IA quer detectar hipertensão e diabetes com análises de vídeo em pacientes

A tecnologia sempre foi utilizada como um método para a melhora das áreas médicas e científicas. Desta vez, pesquisadores buscam, de forma inédita, usar a IA (Inteligência Artificial) em análise de vídeos faciais para identificar pressão alta e diabetes não diagnosticadas. O estudo foi apresentado em primeira mão no Congresso da ESC (Sociedade Europeia de Cardiologistas) 2026, finalizado no último dia 31.

Os testes foram realizados pelos cientistas da Universidade de Tóquio e do Instituto de Ciências de Tóquio em 215 participantes, envolvendo tanto pacientes diagnosticados quanto saudáveis. Cada um passou por uma gravação do rosto e das palmas das mãos usando uma câmera espectroscópica. Eles também foram submetidos a exames convencionais de hipertensão e diabetes.

Um algoritmo de aprendizado de máquina analisou os vídeos individuais e extraiu dados sobre a dinâmica das ondas de pulso (que medem a rigidez das artérias), padrões de fluxo sanguíneo da pele e as características espectrais da coloração da pele.

O sistema conseguiu detectar hipertensão com 93% de precisão a partir das gravações de 30 segundos e 90,3% usando um vídeo de 5 segundos. A sensibilidade para detectar pressão arterial normal foi de 100,0%, enquanto a sensibilidade à hipertensão foi de 89,2%.

Na análise baseada em padrões de fluxo sanguíneo facial, o algoritmo conseguiu detectar diabetes com 88,2% de precisão em um vídeo de 30 segundos e 81,2% em um vídeo de 5 segundos.

Para Ryoko Uchida, apresentadora do estudo, o método pode ser utilizado como forma de triagem no atendimento dos pacientes: "Nosso objetivo era desenvolver um algoritmo de IA que permita a triagem sem contato em ambientes cotidianos para detectar condições comuns mais cedo e em larga escala", contou.

Apesar da precisão, a máquina teve um erro médio de 8,6% para pressão arterial sistólica — o valor mais alto da pressão medindo a força do sangue contra as artérias durante a contração do coração. Com isso, o próximo passo dos pesquisadores é reduzir essa variação para poder validar o estudo.

No Brasil, esse método pode ser uma evolução no diagnóstico dos pacientes. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, mais de 13 milhões de pessoas  vivem com a doença e, de acordo com o Ministério da Saúde, 388 pessoas morrem por dia com hipertensão.

Quando os pacientes conseguem um diagnóstico precoce em ambos os casos, o risco de morte e sequelas são menores, já que a doença é tratada e controlada com uma atenção maior.

"Como essa abordagem é rápida, fácil e sem contato, ela pode ser usada em muitos contextos além dos hospitais, o que lhe confere o potencial de alcançar muito mais pessoas do que os métodos tradicionais de triagem. A detecção precoce dessas condições significa que o tratamento e as mudanças no estilo de vida podem começar mais cedo, ajudando a prevenir ataques cardíacos, derrames e outras doenças cardiovasculares e comorbidades relacionadas", explicou a endocrinologista brasileira Dra. Deborah Beranger.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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