A exemplo de El Salvador: 4 países que
apostaram e depois recuaram no uso das criptomoedas
Há
cinco anos, o governo de El Salvador adotou oficialmente a criptomoeda Bitcoin
como moeda de curso legal, ao lado do dólar, tornando-se o primeiro país do
mundo a tomar essa medida.
A
experiência pioneira, no entanto, durou pouco tempo. Em janeiro deste
ano, o governo salvadorenho recuou e revogou as medidas que tornavam o
Bitcoin obrigatório após fechar um acordo com o Fundo Monetário
Internacional por um empréstimo de US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 7,1 bilhões).
Durante a negociação do acordo, o FMI apontou não haver evidências de que a
adoção tivesse melhorado a inclusão financeira no país: apenas 20% das empresas
salvadorenhas aceitavam a Bitcoin e somente 4,9% das vendas no país eram pagas
com a criptomeoda.
Atualmente,
o uso das criptomoedas no país se
restringe a cidadãos e empresas privadas, e sua aceitação passou de obrigatória
a opcional.
A
experiência El Salvador traz uma reflexão sobre os riscos e benefícios do uso
de criptomoedas como instrumento de política econômica. A Sputnik
Brasil preparou uma lista de países que decidiram adotar oficialmente as
criptomoedas e depois recuaram da medida diante de problemas.
<><> República Centro-Africana
Em
abril de 2022, a República Centro-Africana tornou a Bitcoin moeda de curso
legal, tornando-se o segundo país do mundo a fazê-lo, após El Salvador.
A
medida enfrentou problemas jurídicos e econômicos e acabou sendo revertida
poucos meses depois, após questionamentos de constitucionalidade e oposição do
banco central regional. O projeto não trouxe os benefícios esperados para a
população, que continuou a utilizar o franco CFA como principal moeda.
Um dos
problemas enfrentados foi que somente cerca de 10% a 15% da população do
país tem acesso a internet e eletricidade estável no país, o que inviabiliza o
uso de criptomoedas. Além disso, houve pressão contra a medida por parte do FMI e da Comunidade Econômica
e Monetária da África Central (CEMAC).
<><> China
Em
2021, a China proibiu totalmente as transações e a mineração de
criptomoedas, tomando um rumo oposto ao que dez anos antes havia colocado o
país na dianteira global tanto no volume de negociação quanto no poder de
mineração de criptomoedas.
A
mudança do governo chinês em relação às criptomoedas teve como justificativa
conter riscos de fraudes financeiras, controlar a fuga de capitais do país,
evitar o alto consumo de energia gerado pela mineração dos ativos digitais, que
ia na contramão das metas ambientais traçadas pelo governo, e abrir espaço para
o yuan digital, a moeda digital oficial do Banco Central chinês.
Em
fevereiro deste ano, a China reafirmou a proibição das criptomoedas, e
reforçou a proibição ampliando a supervisão sobre stablecoins, que são
criptomoedas projetadas para uma paridade de preço a uma moeda padrão, como o
dólar, e a tokenização de ativos reais, que consiste em transformar um bem
físico ou direito financeiro em uma representação digital.
<><> Venezuela
No
final de 2017, o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, lançou o Petro, uma criptomoeda
estatal. O ativo digital não era uma criptomoeda descentralizada, mas criada
pelo próprio Estado venezuelano, que seria lastreada em petróleo e outros
ativos.
O Petro
foi promovido como uma alternativa ao dólar e às sanções internacionais,
porém, o ativo nunca conseguiu obter adoção significativa e acabou
sendo descontinuado em 2024.
<><> Nigéria
A
relação da Nigéria com as criptomoedas é bastante volátil. Em 2017, o Banco
Central da Nigéria emitiu um alerta aos bancos comerciais instruindo-os a
evitar transações com criptomeodas por conta da falta de rastreabilidade,
regulação e risco de uso para lavagem de dinheiro.
Em
2021, o governo foi além, endurecendo as regras e ordenando o fechamento
de contas ligadas a criptomoedas. Em 2023, o governo reverteu a medida, em
uma tentativa de regular o setor. Um ano depois, o país baniu sites de
corretores de criptomoedas, para conter a desvalorização da naira, a moeda
local.
Em
julho deste ano, em uma nova tentativa de harmonizar o uso de criptmoedas
e combater fraudes e crimes
financeiros com uso do ativo digital, o presidente nigeriano, Bola Tinubu,
assinou uma ordem executiva para aprimorar a regulamentação.
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Países do BRICS estão unidos por uma visão comum sobre
relações internacionais, diz Peskov
Os
países do BRICS estão unidos por uma visão comum de como as relações entre as
nações devem ser construídas no mundo moderno, disse o porta-voz do presidente
russo, Dmitry Peskov, em um briefing para jornalistas na véspera da cúpula do
BRICS, organizada pela Sputnik.
Conforme
as palavras de Peskov, o sistema do mundo unipolar está agora em
colapso, perdendo sua competitividade.
"E,
ao mesmo tempo, o sistema unipolar tenta recuperar o poder, tomando medidas às
vezes muito duras, prejudicando o sistema global, a economia global, o
meio ambiente global e a política global [...]. Este é um processo muito
perigoso", destacou o porta-voz do presidente russo.
Abordando
a questão da resolução pacífica na Ucrânia, Peskov afirmou
que a Rússia está pronta para alcançar a paz, espera a retomada das
negociações trilaterais e parabeniza os esforços do líder norte-americano Donald Trump para contribuir
com a resolução do conflito.
Ao
mesmo tempo, o alto funcionário russo enfatizou que Kiev não tem
flexibilidade suficiente nas questões da resolução pacífica.
"Estamos
tentando parar a guerra que começou antes, e não fomos nós que a
começamos. Não foi iniciado por nós. [...] queremos resolver o conflito
ucraniano de forma pacífica. A Rússia está aberta a esse processo. Na
verdade, nós nunca quisemos essa guerra", disse Peskov.
A
cúpula do BRICS será realizada
em Nova Deli entre os dias 12 e 13 de setembro. Anteriormente, o assessor do
presidente russo, Yuri Ushakov, informou que
Vladimir Putin planeja realizar negociações com o líder chinês Xi Jinping e o
primeiro-ministro indiano Narendra Modi no âmbito da
cúpula.
A
reunião entre Putin e Modi está marcada para sexta-feira (11). Durante as
negociações, as partes discutirão a agenda bilateral, abordando amplamente
questões de comércio e parceria econômica. O líder russo informará seu
amigo indiano sobre a situação atual na zona da operação militar especial,
disse Peskov.
"A
Índia é nosso parceiro estratégico e estamos convencidos da
necessidade de continuar nossa cooperação em várias esferas. [...] estamos
satisfeitos com nossa cooperação com a Índia no campo militar, bem como na
esfera técnico-militar. Tem uma tradição muito rica, é uma cooperação bem
enraizada", destacou.
Além
disso, os líderes da Rússia e da Índia discutirão a
situação na região do golfo Pérsico e o conflito iraniano. A
Rússia defende a liberdade de navegação no estreito de Ormuz, acrescentou Peskov.
Moscou preferiria que
os países envolvidos na situação em torno de Ormuz retornassem ao memorando de
entendimento assinado entre o Irã e os Estados Unidos, ou a qualquer
outro acordo que possa trazer a paz, resumiu o porta-voz do presidente russo.
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BRICS desempenha um papel fundamental na criação de um mundo multipolar, diz
Lavrov
O
ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, explicou como um
novo mundo multipolar está sendo estabelecido e qual o papel que o BRICS
desempenha nele.
Ele
observou que, nesta fase, o mundo já é
multipolar,
pois os Estados Unidos enfraquecem em termos de peso na economia e na política
globais, e a Europa está perdendo suas posições ainda mais rápido.
"E
se tomarmos a multipolaridade que já é reconhecida no Ocidente, os americanos,
por exemplo, estão estabelecendo toda a sua política global para conter a
China", disse ele em entrevista a um projeto on-line.
O
ministro explicou que os americanos estão fazendo todo o possível para garantir
que aqueles que são vistos como seus adversários não se beneficiem do comércio
global. Para fazer isso, eles quebraram o sistema econômico
global existente
e agora estão usando "sanções, quebra de correntes, corte das rotas mais
convenientes e baratas".
"Agora
há uma luta oculta sobre como será este mundo. Ou será aberto, livre, onde não
haverá barreiras no desporto, na educação ou na cultura, e onde não
haverá restrições
artificiais ao
desenvolvimento econômico e a outras formas de vida", acrescentou Lavrov.
Ele
enfatizou que é o BRICS que defende um mundo aberto e uma competição justa. No
entanto, o Ocidente tem medo da concorrência leal, observou o ministro.
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China aumenta
exportações em 25% no último ano e escancara vantagem estratégica sobre EUA,
diz mídia
Impulsionadas
pela forte demanda global por automóveis e produtos de tecnologia avançada, as
exportações chinesas aumentaram 25% em agosto na comparação com o mesmo mês do
ano anterior, ampliando ainda mais o superávit comercial recorde do país,
informa uma agência de notícias ocidental.
A
agência destaca que a China aumentou as exportações de veículos elétricos, bem como de
máquinas industriais e semicondutores.
"Em
agosto, as importações totais da China aumentaram 28,2% em relação ao ano
anterior, ante uma alta de 27,5% em julho. As exportações, por sua vez,
cresceram 23,9% ano a ano no mesmo mês. O superávit comercial aumentou
para US$ 119,1 bilhões [R$ 606,1 bilhões] em agosto, ante US$ 112,5 bilhões [R$
572,5 bilhões] em julho", ressalta a publicação.
Segundo
a matéria, em agosto, as exportações chinesas para os EUA
alcançaram US$ 42,5 bilhões (R$ 216,28 bilhões), representando um crescimento
anual de 34,4%, em parte devido ao baixo efeito de base decorrente da
queda das exportações no ano anterior.
Enquanto
isso, as exportações dos EUA para a China totalizaram US$ 13,3 bilhões (R$ 67,7
bilhões), resultando em um superávit de US$ 29,2 bilhões (R$ 148,6
bilhões) para a China.
Ao
mesmo tempo, é observado que o crescimento das exportações variou entre as
regiões. A União Europeia registrou um
modesto aumento de 6,6%. O Sudeste Asiático e a América Latina, por sua
vez, registraram ganhos muito mais fortes: 30,2% e 17,5%, respectivamente.
"A
China resistiu melhor às perturbações causadas pela guerra no Irã do que muitos
outros países. Ela também tem exportado mais para o Sudeste Asiático, a América
Latina e a África, o que a protegeu do impacto de tarifas mais altas dos
EUA", acrescenta o texto.
O forte
desempenho no setor de automóveis e no de semicondutores destaca a crescente
competitividade da China em bens de tecnologia à medida que o país sobe
rapidamente na cadeia de valor, tornando-se uma força importante na
infraestrutura de inteligência artificial e na automação industrial.
Ao
mesmo tempo, a reportagem conclui que a China tem vantagem estratégica sobre os
Estados Unidos, pois controla as exportações de terras raras para o
país e é o maior produtor desse tipo de produto.
Anteriormente,
o jornal South China Morning Post informou que depósitos
recém-identificados de terras raras no nordeste da China, formados por
ciclos de congelamento que geram areia e cascalho soltos, podem reduzir custos
e impactos ambientais, ampliando o potencial estratégico do país ao combinar
elementos leves e pesados em concentrações superiores às do sul.
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Pressão dos EUA sobre parceria da Ford com empresas chinesas acende alerta na
indústria
EUA
ampliaram a pressão sobre a Ford ao criticar suas parcerias com empresas
chinesas, acusando dependência tecnológica e riscos à segurança nacional. A
montadora rebateu, dizendo que controla sua fábrica de baterias e usa apenas
tecnologia licenciada. Especialistas afirmam que tais acordos são essenciais
para manter competitividade.
O
governo dos EUA ampliou sua pressão sobre a Ford
ao criticar suas parcerias com empresas chinesas, como CATL, Geely e BYD,
acusando a montadora de depender excessivamente de tecnologia e cadeias de
suprimentos da China. A carta do secretário de Transportes, Sean Duffy,
expressou "profunda preocupação" com acordos
que, segundo ele, poderiam comprometer interesses estratégicos
norte-americanos.
A Ford
rebateu afirmando que a crítica é equivocada e que sua fábrica de baterias
em Michigan é totalmente controlada pela empresa, usando apenas tecnologia
licenciada da CATL. A montadora também destacou que, enquanto concorrentes
importam mais veículos, ela mantém investimentos
industriais nos EUA e
emprega mão de obra local.
De
acordo com Zhang Xiang, especialista do setor automotivo consultado pelo Global
Times, tratar todas as parcerias como ameaças à segurança nacional
distorce a realidade da indústria automotiva, que opera em cadeias globais.
Para
ele, fabricantes chineses construíram liderança tecnológica e de escala,
enquanto a Ford enfrenta custos crescentes e forte concorrência
global.
Trabalhar com fornecedores competitivos seria, portanto, uma estratégia
pragmática para reduzir prazos de desenvolvimento e manter relevância
industrial.
A
cooperação com empresas chinesas ocorre em diferentes regiões: tecnologia da
bateria de íons de lítio feita com fosfato de ferro-lítio (LFP, na sigla em
inglês) da CATL nos EUA, uma joint venture com a Geely na fábrica de Valência,
na Espanha, e negociações com a BYD para fornecimento de baterias híbridas
em mercados fora dos EUA. Esses acordos oferecem acesso a soluções mais baratas
e avançadas, consideradas vitais para acelerar a
eletrificação.
A pressão política de
Washington,
no entanto, ocorre em um momento delicado para a Ford, que viu seu lucro
trimestral cair pela metade e acumula prejuízos bilionários na divisão de
veículos elétricos (VEs). A empresa tenta cortar custos e desenvolver modelos
mais competitivos, mas enfrenta limitações estruturais e desafios tecnológicos.
Washington,
porém, endurece restrições ao setor automotivo chinês, mantendo tarifas de
100% sobre VEs e impondo proibições futuras a softwares e
hardwares ligados à China. Pequim rejeita essas medidas, classificando-as como
protecionistas e prejudiciais à cooperação econômica.
Ainda
segundo a mídia asiática, analistas alertam que, se o governo norte-americano
limitar o acesso da Ford a tecnologias avançadas e cadeias de suprimentos
eficientes, poderá enfraquecer a competitividade da montadora e afetar empregos, produção e a
própria resiliência industrial dos EUA.
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EUA já não têm certeza
de sua superioridade absoluta na economia e na esfera militar, diz especialista
Os
Estados Unidos e suas elites dominantes reconhecem o declínio de sua hegemonia
e estão se afastando do modelo unipolar de governar o mundo, acredita Di
Dongsheng, reitor da Faculdade de Estudos Globais e Regionais da Universidade
Popular Chinesa.
Participando
de uma reunião do Clube Internacional de Discussões Valdai, o professor chinês
afirmou que o mundo vai testemunhar o declínio do domínio dos Estados
Unidos,
e este período de declínio será acompanhado por uma espécie de caos
global.
Segundo
o especialista, não faz muito tempo que os EUA estavam no auge de seu
poder, dominavam os tratados internacionais, as organizações internacionais e,
em alguns casos, até a Organização das Nações Unidas.
"O
que está acontecendo agora? Os Estados Unidos, especialmente as elites
dominantes, estão agora inseguros de sua superioridade absoluta tanto na
economia quanto na esfera militar, o que os leva a se afastar gradualmente
desse modelo de governança
global,
de governar o mundo", declarou Dongsheng.
Segundo
o analista, o período de declínio da hegemonia dos EUA é acompanhado por
uma desestabilização nos assuntos mundiais. No passado, observou ele, uma
situação semelhante foi observada no século XX durante as duas guerras
mundiais.
Ele
explicou que em pouco mais de 30 anos, duas guerras mundiais e o período
da Grande Depressão, surgiu a política
de protecionismo. Hoje, em sua opinião, há um cenário semelhante de
desenvolvimento da situação global.
"Quando
esse período vai acabar, não se sabe. Eu preveria que desta vez o período
de caos levará mais tempo, porque a velha hegemonia [dos EUA] está em declínio,
está deixando a Europa gradualmente, Donald Trump está falando sobre deixar a
Europa, até mesmo às vezes se fala sobre a retirada dos EUA da
OTAN",
resumiu o especialista.
O
ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov,
afirmou nesta terça-feira (8) que o mundo atualmente é multilateral em
qualquer caso, porque os Estados Unidos estão se
enfraquecendo em termos de peso na economia global e, consequentemente, em
termos de influência na política mundial.
A
Europa, por sua vez, está perdendo terreno ainda mais rápido, acrescentou
Di Dongsheng.
Fonte: Sputnik Brasil
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