quinta-feira, 10 de setembro de 2026

 

A exemplo de El Salvador: 4 países que apostaram e depois recuaram no uso das criptomoedas

Há cinco anos, o governo de El Salvador adotou oficialmente a criptomoeda Bitcoin como moeda de curso legal, ao lado do dólar, tornando-se o primeiro país do mundo a tomar essa medida.

A experiência pioneira, no entanto, durou pouco tempo. Em janeiro deste ano, o governo salvadorenho recuou e revogou as medidas que tornavam o Bitcoin obrigatório após fechar um acordo com o Fundo Monetário Internacional por um empréstimo de US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 7,1 bilhões). Durante a negociação do acordo, o FMI apontou não haver evidências de que a adoção tivesse melhorado a inclusão financeira no país: apenas 20% das empresas salvadorenhas aceitavam a Bitcoin e somente 4,9% das vendas no país eram pagas com a criptomeoda.

Atualmente, o uso das criptomoedas no país se restringe a cidadãos e empresas privadas, e sua aceitação passou de obrigatória a opcional.

A experiência El Salvador traz uma reflexão sobre os riscos e benefícios do uso de criptomoedas como instrumento de política econômica. A Sputnik Brasil preparou uma lista de países que decidiram adotar oficialmente as criptomoedas e depois recuaram da medida diante de problemas.

<><> República Centro-Africana

Em abril de 2022, a República Centro-Africana tornou a Bitcoin moeda de curso legal, tornando-se o segundo país do mundo a fazê-lo, após El Salvador.

A medida enfrentou problemas jurídicos e econômicos e acabou sendo revertida poucos meses depois, após questionamentos de constitucionalidade e oposição do banco central regional. O projeto não trouxe os benefícios esperados para a população, que continuou a utilizar o franco CFA como principal moeda.

Um dos problemas enfrentados foi que somente cerca de 10% a 15% da população do país tem acesso a internet e eletricidade estável no país, o que inviabiliza o uso de criptomoedas. Além disso, houve pressão contra a medida por parte do FMI e da Comunidade Econômica e Monetária da África Central (CEMAC).

<><> China

Em 2021, a China proibiu totalmente as transações e a mineração de criptomoedas, tomando um rumo oposto ao que dez anos antes havia colocado o país na dianteira global tanto no volume de negociação quanto no poder de mineração de criptomoedas.

A mudança do governo chinês em relação às criptomoedas teve como justificativa conter riscos de fraudes financeiras, controlar a fuga de capitais do país, evitar o alto consumo de energia gerado pela mineração dos ativos digitais, que ia na contramão das metas ambientais traçadas pelo governo, e abrir espaço para o yuan digital, a moeda digital oficial do Banco Central chinês.

Em fevereiro deste ano, a China reafirmou a proibição das criptomoedas, e reforçou a proibição ampliando a supervisão sobre stablecoins, que são criptomoedas projetadas para uma paridade de preço a uma moeda padrão, como o dólar, e a tokenização de ativos reais, que consiste em transformar um bem físico ou direito financeiro em uma representação digital.

<><> Venezuela

No final de 2017, o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, lançou o Petro, uma criptomoeda estatal. O ativo digital não era uma criptomoeda descentralizada, mas criada pelo próprio Estado venezuelano, que seria lastreada em petróleo e outros ativos.

O Petro foi promovido como uma alternativa ao dólar e às sanções internacionais, porém, o ativo nunca conseguiu obter adoção significativa e acabou sendo descontinuado em 2024.

<><> Nigéria

A relação da Nigéria com as criptomoedas é bastante volátil. Em 2017, o Banco Central da Nigéria emitiu um alerta aos bancos comerciais instruindo-os a evitar transações com criptomeodas por conta da falta de rastreabilidade, regulação e risco de uso para lavagem de dinheiro.

Em 2021, o governo foi além, endurecendo as regras e ordenando o fechamento de contas ligadas a criptomoedas. Em 2023, o governo reverteu a medida, em uma tentativa de regular o setor. Um ano depois, o país baniu sites de corretores de criptomoedas, para conter a desvalorização da naira, a moeda local.

Em julho deste ano, em uma nova tentativa de harmonizar o uso de criptmoedas e combater fraudes e crimes financeiros com uso do ativo digital, o presidente nigeriano, Bola Tinubu, assinou uma ordem executiva para aprimorar a regulamentação.

¨      Países do BRICS estão unidos por uma visão comum sobre relações internacionais, diz Peskov

Os países do BRICS estão unidos por uma visão comum de como as relações entre as nações devem ser construídas no mundo moderno, disse o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, em um briefing para jornalistas na véspera da cúpula do BRICS, organizada pela Sputnik.

Conforme as palavras de Peskov, o sistema do mundo unipolar está agora em colapso, perdendo sua competitividade.

"E, ao mesmo tempo, o sistema unipolar tenta recuperar o poder, tomando medidas às vezes muito duras, prejudicando o sistema global, a economia global, o meio ambiente global e a política global [...]. Este é um processo muito perigoso", destacou o porta-voz do presidente russo.

Abordando a questão da resolução pacífica na Ucrânia, Peskov afirmou que a Rússia está pronta para alcançar a paz, espera a retomada das negociações trilaterais e parabeniza os esforços do líder norte-americano Donald Trump para contribuir com a resolução do conflito.

Ao mesmo tempo, o alto funcionário russo enfatizou que Kiev não tem flexibilidade suficiente nas questões da resolução pacífica.

"Estamos tentando parar a guerra que começou antes, e não fomos nós que a começamos. Não foi iniciado por nós. [...] queremos resolver o conflito ucraniano de forma pacífica. A Rússia está aberta a esse processo. Na verdade, nós nunca quisemos essa guerra", disse Peskov.

A cúpula do BRICS será realizada em Nova Deli entre os dias 12 e 13 de setembro. Anteriormente, o assessor do presidente russo, Yuri Ushakov, informou que Vladimir Putin planeja realizar negociações com o líder chinês Xi Jinping e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi no âmbito da cúpula.

A reunião entre Putin e Modi está marcada para sexta-feira (11). Durante as negociações, as partes discutirão a agenda bilateral, abordando amplamente questões de comércio e parceria econômica. O líder russo informará seu amigo indiano sobre a situação atual na zona da operação militar especial, disse Peskov.

"A Índia é nosso parceiro estratégico e estamos convencidos da necessidade de continuar nossa cooperação em várias esferas. [...] estamos satisfeitos com nossa cooperação com a Índia no campo militar, bem como na esfera técnico-militar. Tem uma tradição muito rica, é uma cooperação bem enraizada", destacou.

Além disso, os líderes da Rússia e da Índia discutirão a situação na região do golfo Pérsico e o conflito iraniano. A Rússia defende a liberdade de navegação no estreito de Ormuz, acrescentou Peskov.

Moscou preferiria que os países envolvidos na situação em torno de Ormuz retornassem ao memorando de entendimento assinado entre o Irã e os Estados Unidos, ou a qualquer outro acordo que possa trazer a paz, resumiu o porta-voz do presidente russo.

<><> BRICS desempenha um papel fundamental na criação de um mundo multipolar, diz Lavrov

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, explicou como um novo mundo multipolar está sendo estabelecido e qual o papel que o BRICS desempenha nele.

Ele observou que, nesta fase, o mundo já é multipolar, pois os Estados Unidos enfraquecem em termos de peso na economia e na política globais, e a Europa está perdendo suas posições ainda mais rápido.

"E se tomarmos a multipolaridade que já é reconhecida no Ocidente, os americanos, por exemplo, estão estabelecendo toda a sua política global para conter a China", disse ele em entrevista a um projeto on-line.

O ministro explicou que os americanos estão fazendo todo o possível para garantir que aqueles que são vistos como seus adversários não se beneficiem do comércio global. Para fazer isso, eles quebraram o sistema econômico global existente e agora estão usando "sanções, quebra de correntes, corte das rotas mais convenientes e baratas".

"Agora há uma luta oculta sobre como será este mundo. Ou será aberto, livre, onde não haverá barreiras no desporto, na educação ou na cultura, e onde não haverá restrições artificiais ao desenvolvimento econômico e a outras formas de vida", acrescentou Lavrov.

Ele enfatizou que é o BRICS que defende um mundo aberto e uma competição justa. No entanto, o Ocidente tem medo da concorrência leal, observou o ministro.

¨      China aumenta exportações em 25% no último ano e escancara vantagem estratégica sobre EUA, diz mídia

Impulsionadas pela forte demanda global por automóveis e produtos de tecnologia avançada, as exportações chinesas aumentaram 25% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano anterior, ampliando ainda mais o superávit comercial recorde do país, informa uma agência de notícias ocidental.

A agência destaca que a China aumentou as exportações de veículos elétricos, bem como de máquinas industriais e semicondutores.

"Em agosto, as importações totais da China aumentaram 28,2% em relação ao ano anterior, ante uma alta de 27,5% em julho. As exportações, por sua vez, cresceram 23,9% ano a ano no mesmo mês. O superávit comercial aumentou para US$ 119,1 bilhões [R$ 606,1 bilhões] em agosto, ante US$ 112,5 bilhões [R$ 572,5 bilhões] em julho", ressalta a publicação.

Segundo a matéria, em agosto, as exportações chinesas para os EUA alcançaram US$ 42,5 bilhões (R$ 216,28 bilhões), representando um crescimento anual de 34,4%, em parte devido ao baixo efeito de base decorrente da queda das exportações no ano anterior.

Enquanto isso, as exportações dos EUA para a China totalizaram US$ 13,3 bilhões (R$ 67,7 bilhões), resultando em um superávit de US$ 29,2 bilhões (R$ 148,6 bilhões) para a China.

Ao mesmo tempo, é observado que o crescimento das exportações variou entre as regiões. A União Europeia registrou um modesto aumento de 6,6%. O Sudeste Asiático e a América Latina, por sua vez, registraram ganhos muito mais fortes: 30,2% e 17,5%, respectivamente.

"A China resistiu melhor às perturbações causadas pela guerra no Irã do que muitos outros países. Ela também tem exportado mais para o Sudeste Asiático, a América Latina e a África, o que a protegeu do impacto de tarifas mais altas dos EUA", acrescenta o texto.

O forte desempenho no setor de automóveis e no de semicondutores destaca a crescente competitividade da China em bens de tecnologia à medida que o país sobe rapidamente na cadeia de valor, tornando-se uma força importante na infraestrutura de inteligência artificial e na automação industrial.

Ao mesmo tempo, a reportagem conclui que a China tem vantagem estratégica sobre os Estados Unidos, pois controla as exportações de terras raras para o país e é o maior produtor desse tipo de produto.

Anteriormente, o jornal South China Morning Post informou que depósitos recém-identificados de terras raras no nordeste da China, formados por ciclos de congelamento que geram areia e cascalho soltos, podem reduzir custos e impactos ambientais, ampliando o potencial estratégico do país ao combinar elementos leves e pesados em concentrações superiores às do sul.

<><> Pressão dos EUA sobre parceria da Ford com empresas chinesas acende alerta na indústria

EUA ampliaram a pressão sobre a Ford ao criticar suas parcerias com empresas chinesas, acusando dependência tecnológica e riscos à segurança nacional. A montadora rebateu, dizendo que controla sua fábrica de baterias e usa apenas tecnologia licenciada. Especialistas afirmam que tais acordos são essenciais para manter competitividade.

O governo dos EUA ampliou sua pressão sobre a Ford ao criticar suas parcerias com empresas chinesas, como CATL, Geely e BYD, acusando a montadora de depender excessivamente de tecnologia e cadeias de suprimentos da China. A carta do secretário de Transportes, Sean Duffy, expressou "profunda preocupação" com acordos que, segundo ele, poderiam comprometer interesses estratégicos norte-americanos.

A Ford rebateu afirmando que a crítica é equivocada e que sua fábrica de baterias em Michigan é totalmente controlada pela empresa, usando apenas tecnologia licenciada da CATL. A montadora também destacou que, enquanto concorrentes importam mais veículos, ela mantém investimentos industriais nos EUA e emprega mão de obra local.

De acordo com Zhang Xiang, especialista do setor automotivo consultado pelo Global Times, tratar todas as parcerias como ameaças à segurança nacional distorce a realidade da indústria automotiva, que opera em cadeias globais.

Para ele, fabricantes chineses construíram liderança tecnológica e de escala, enquanto a Ford enfrenta custos crescentes e forte concorrência global. Trabalhar com fornecedores competitivos seria, portanto, uma estratégia pragmática para reduzir prazos de desenvolvimento e manter relevância industrial.

A cooperação com empresas chinesas ocorre em diferentes regiões: tecnologia da bateria de íons de lítio feita com fosfato de ferro-lítio (LFP, na sigla em inglês) da CATL nos EUA, uma joint venture com a Geely na fábrica de Valência, na Espanha, e negociações com a BYD para fornecimento de baterias híbridas em mercados fora dos EUA. Esses acordos oferecem acesso a soluções mais baratas e avançadas, consideradas vitais para acelerar a eletrificação.

pressão política de Washington, no entanto, ocorre em um momento delicado para a Ford, que viu seu lucro trimestral cair pela metade e acumula prejuízos bilionários na divisão de veículos elétricos (VEs). A empresa tenta cortar custos e desenvolver modelos mais competitivos, mas enfrenta limitações estruturais e desafios tecnológicos.

Washington, porém, endurece restrições ao setor automotivo chinês, mantendo tarifas de 100% sobre VEs e impondo proibições futuras a softwares e hardwares ligados à China. Pequim rejeita essas medidas, classificando-as como protecionistas e prejudiciais à cooperação econômica.

Ainda segundo a mídia asiática, analistas alertam que, se o governo norte-americano limitar o acesso da Ford a tecnologias avançadas e cadeias de suprimentos eficientes, poderá enfraquecer a competitividade da montadora e afetar empregos, produção e a própria resiliência industrial dos EUA.

¨      EUA já não têm certeza de sua superioridade absoluta na economia e na esfera militar, diz especialista

Os Estados Unidos e suas elites dominantes reconhecem o declínio de sua hegemonia e estão se afastando do modelo unipolar de governar o mundo, acredita Di Dongsheng, reitor da Faculdade de Estudos Globais e Regionais da Universidade Popular Chinesa.

Participando de uma reunião do Clube Internacional de Discussões Valdai, o professor chinês afirmou que o mundo vai testemunhar o declínio do domínio dos Estados Unidos, e este período de declínio será acompanhado por uma espécie de caos global.

Segundo o especialista, não faz muito tempo que os EUA estavam no auge de seu poder, dominavam os tratados internacionais, as organizações internacionais e, em alguns casos, até a Organização das Nações Unidas.

"O que está acontecendo agora? Os Estados Unidos, especialmente as elites dominantes, estão agora inseguros de sua superioridade absoluta tanto na economia quanto na esfera militar, o que os leva a se afastar gradualmente desse modelo de governança global, de governar o mundo", declarou Dongsheng.

Segundo o analista, o período de declínio da hegemonia dos EUA é acompanhado por uma desestabilização nos assuntos mundiais. No passado, observou ele, uma situação semelhante foi observada no século XX durante as duas guerras mundiais.

Ele explicou que em pouco mais de 30 anos, duas guerras mundiais e o período da Grande Depressão, surgiu a política de protecionismo. Hoje, em sua opinião, há um cenário semelhante de desenvolvimento da situação global.

"Quando esse período vai acabar, não se sabe. Eu preveria que desta vez o período de caos levará mais tempo, porque a velha hegemonia [dos EUA] está em declínio, está deixando a Europa gradualmente, Donald Trump está falando sobre deixar a Europa, até mesmo às vezes se fala sobre a retirada dos EUA da OTAN", resumiu o especialista.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou nesta terça-feira (8) que o mundo atualmente é multilateral em qualquer caso, porque os Estados Unidos estão se enfraquecendo em termos de peso na economia global e, consequentemente, em termos de influência na política mundial.

A Europa, por sua vez, está perdendo terreno ainda mais rápido, acrescentou Di Dongsheng.

 

Fonte: Sputnik Brasil

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