quinta-feira, 10 de setembro de 2026

 

Moisés Mendes: Não escondam as motivações desta guerra no Supremo

Não é apenas inútil, é enganoso querer saber quem está certo ou errado a partir do que os juristas chamam de tecnicidades nos casos de André Mendonça e Alexandre de Moraes. É diversionista o debate hermenêutico sobre os desvios jurídicos por eles cometidos.

É quase uma aula de imitadores de Rolandos Leros o confronto de juristas em guerra para tentar convencer que essa é uma batalha do mundo do Direito. Não é. O Direito ofereceu as armas e a arena para o enfrentamento.

A essência da guerra Mendonça x Moraes é política, é da mesma esfera do embate entre Lula e Flávio, ou entre a democracia e os que tentam destruí-la. Mendonça e Moraes se enfrentam porque um dia o ministro que prendeu Bolsonaro e os generais iria encontrar alguém que o enfrentasse na arena em que atua.

Claro que importa saber se Moraes errou, mas o que importa, acima disso, é compreender que não é por isso que Mendonça o cercou. Onde estão os outros ministros que também ‘erraram’ nas relações com esse e com outros Vorcaros?

Moraes sabia que toda a direita estava a esperá-lo em alguma esquina que ele decidisse dobrar meio distraído. Foi o que aconteceu. Agora, divirtam-se com os argumentos de quem maneja o Direito e dediquem-se aos aspectos ditos técnicos das decisões de um e de outro. Mas vejam esses aspectos como elementos para enredos dispersivos.

Mendonça e Moraes protagonizam o grande duelo pós-golpe, em circunstâncias previsíveis, na instituição que nos salvou do fascismo. A investida de Mendonça é o começo da tentativa de fazer Moraes sangrar, para que chegue trôpego ao que seria o confronto final com o Senado que se elege em outubro.

Moraes deve ser mantido nas cordas até que a direita com mandato se encarregue do seu destino. Enquanto isso, o país fica entretido com as controvérsias. Mendonça não poderia ter mandado a PF investigar Moraes, e agora Moraes não pode pedir a Fachin investigações sobre Mendonça.

Debatem sobre armas, e não sobre a guerra. O Direito finge almejar uma democracia limpinha. Mas esse não é um produto disponível no Brasil desde o momento em que o eleitor descobriu que poderia, pelo voto, dar lastro ao bolsonarismo.

Aqui a democracia é sujinha. É a política suja que orienta essa guerra, diz o estagiário do STF para seu colega hipnotizado pela sabedoria dos que nos dizem, alguns ainda em latim, o que é certo e errado.

Não querem e não podem dizer que essa é uma guerra do ministro que chegou ontem para fazer contraponto ao ministro que há anos enfrenta a extrema direita. O lavajatismo não pode, mas nós podemos dizer.

Mendonça é um ministro terrivelmente cumpridor da sua missão de começar o projeto que deve inviabilizar a permanência de Moraes no STF. Ministros vacilantes indicados pela esquerda a partir de 2003, que ainda estão ou já passaram pelo STF, devem olhá-lo com certa inveja.

        Lula sai por cima da crise do STF e caminha limpo de sujeira ao quarto mandato. Por César Fonseca

Politicamente, a semana rendeu, de maneira positiva, para o presidente Lula.

Ele acabou saindo por cima, porque não veio ao ar nada que o comprometa, a fim de jogar no chão sua pretensão de alcançar o quarto mandato.

Segue em frente de mãos limpas em meio à tempestade da República manchada de grossa corrupção pelas acusações que pairam sobre o Judiciário.

Até o caso do filho, Fábio Luís, acusado sem provas cabais, ficou para trás, diante do vendaval que envolveu os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, numa briga que, se o presidente do STF, Edson Fachin, não intervir, para evitar transbordamento, promete continuar gerando desastres institucionais.

Moraes e Mendonça saíram chamuscados e correm perigo de sobrar para eles o pior, talvez o impeachment.

Mendonça, pelo seu açodamento em servir ao bolsonarismo, que o colocou no Tribunal, para prestar serviço à causa de viés fascista que toma conta dos Bolsonaro, agiu de forma parcial, na condução dos inquéritos que têm em mãos: atrasou pedidos de investigação dos aliados, encurtou o dos adversários e passou por cima de procedimentos institucionais, agindo, ilegalmente.

Por isso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pressionado pelo fascismo bolsonarista para abrir processo de impeachment contra Moraes, alertou que Mendonça, aliado do bolsonarismo, poderia, também, entrar em buraqueira.

Afinal, pesam, igualmente, sobre Mendonça acusações de aproximação com o banqueiro Gabriel Vorcaro, do Master, com quem se encontrou, e de açodamento em vencer/ultrapassar hierarquias constitucionais, tais como dar uma de juiz para adiantar julgamentos que não lhe competiam pelas regras legais.

Alcolumbre, com suas ponderações, sossegou, pelo menos, aparentemente, a bancada bolsonarista senatorial, com sangue nos olhos para detonar Moraes, esquecendo de que, também, teria que ter agido na mesma linha para ver os podres de Mendonça etc.

NECESSIDADE DA INVESTIGAÇÃO

Já o ministro Alexandre de Moraes está sem situação delicada.

O contrato de prestação de serviços advocatícios de sua mulher, advogada Berci de Moraes, para Vorcaro, a fim de defendê-lo das falcatruas bilionárias que realizou através do Banco Master, mereceu do marido ministro avaliação nada republicana.

Moraes deu seu ok ao contrato ao certificar que era legal sua execução, sem o envolver, materialmente, na condição de ministro do Supremo, mas, eticamente…

Para Moraes, o buraco ficou mais embaixo.

Onde já se viu caso dessa natureza que não merecesse apreciações críticas no mundo jurídico, especialmente, sabendo dos valores excessivos da peça contratual: R$ 130 milhões!

Vorcaro, portanto, soube, competentemente, graças à corrupção monetária, envolver membros da Suprema Corte, que acabou colocando-a num mato sem cachorro federal.

Por essa razão, com o estouro da boiada, patrocinado por Mendonça, que abriu sigilo do inquérito envolvendo Moraes/Berci e Vorcaro, o ministro Fachin está na obrigação de agir, na maior urgência, possível para evitar a maior crise institucional da República.

Foi o que prometeu, na sexta-feira, em encontro com o presidente Lula, configurando-se necessidade de se socorrer, moralmente, com o chefe de governo.

ESCAPULINDO DA CRISE

Nesse vendaval todo, onde está o presidente Lula?

Levado à presença do chefe do Planalto pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e pelo ex-ministro Guido Mantega, na condição de consultor do banqueiro Vorcaro, o comportamento de Lula foi exemplar: mandou o Banco Central proceder de acordo com a lei.

Se o Master estivesse com problemas de liquidez, por ter atuado de forma extemporânea, exagerando na dose de tentar fazer dinheiro na base da corrupção, como, realmente, ocorreu, que fosse fechado, determinou o presidente.

Sob as ordens de Lula, Galípolo fez o que tinha de ser feito: detonou o Master.

Certamente, devem ser feitas reparações ao ex-ministro Mantega por ter levado ao presidente alguém suspeito, o que implicou em perigo ao titular do poder.

No entanto, experiente em sua ação institucional, Lula não caiu em casca de banana.

O seu pedido de investigação do Master, com recomendação a Galípolo para que tomasse providências cabíveis diante de eventuais maus feitos de Vorcaro, comprovou que agiu corretamente.

Por fim tem a acusação do senador do PT, Jacques Wagner, da Bahia, antigo correligionário de Lula, também, envolvido em negociatas com Vorcaro, em compras de apartamento, em Salvador, por meio de corretores, ligados ao banqueiro, que se encontra preso.

Novamente, Lula se comportou assertivamente: disse que quem agiu erradamente que pague na justiça pelos seus erros, aliás, o que disse, também, relativamente, ao próprio filho.

Desse modo, no frigir dos ovos, em longa semana em que a República, literalmente, pegou fogo, o presidente Lula, no calor da campanha eleitoral, teve a tranquilidade de ir à opinião pública pedir julgamento de todos os acusados e condenação a eles, se forem julgados culpados, nos marcos da lei.

FLÁVIO ENROLADO ATÉ O PESCOÇO

O contrário não aconteceu com seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, do PL, candidato ao Planalto.

Pego com a mão na cumbuca, atolado até o pescoço, no caso Master, áudios divulgados na mídia revelaram a relação de Flávio Rachadinha com o banqueiro, ao solicitar-lhe dinheiro para realização de filme sobre a vida do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, julgado, condenado e preso, por 27,3 anos, por atentado terrorista contra a democracia.

Flávio, até agora, não foi capaz de apresentar prestação de contas do dinheiro que arrecadou, e a sua desculpa de que se tratou de negócio privado não convence nem uma criança.

Seria, também, caso para impeachment.

Afinal, Vorcaro retirou dinheiro depositado no seu banco falido por aposentados da Previdência sob autorização de governadores bolsonaristas aliados de Flávio.

Em outras palavras, não se tratou de negócio privado, de dinheiro saído do bolso de Vorcaro, para financiar o filme, como tenta fazer crer Flávio, mas, sim, de negócio público, visto que os recursos saíram da conta dos aposentados.

Puro roubo.

Restou a Flávio Bolsonaro ficar espalhando o inverossímel: que Lula é aliado do ministro Alexandre Moraes, cuja tarefa, segundo Flávio, tem sido a de formar consórcio político, em aliança com Polícia Federal, para defender a candidatura lulista ao quarto mandato.

Os fatos revelam que Flávio não tem moral alguma para pedir a cabeça de Alexandre de Moraes, ao acusá-lo de se relacionar, criminosamente, com Vorcaro, se, logo ele, tomou dinheiro do banqueiro para servir aos interesses políticos de si mesmo e do próprio pai.

Ao mesmo tempo, espalha, na maior cara de pau, que não tem que, pessoalmente, prestar contas do dinheiro, mas, sim, a produtora para o qual a grana foi depositada.

Depositada aonde?

Nos Estados Unidos, onde a “obra de arte” bolsonarista foi realizada!!!

O bolsonarista de viés fascista que, se eleito, promete fazer governo de transição com o presidente americano, Donald Trump, em gesto de vendilhão da pátria, termina a semana em situação que o compromete, dramaticamente.

Flávio está na contramão de Lula, cheio de culpa no cartório, sob proteção de forças poderosas que procuram esconder sua face tenebrosa de candidato à presidência como maior ameaça à estabilidade e à soberania nacional.

Olho vivo, eleitoras e eleitoras, a hora está chegando, pois vocês serão os verdadeiros juízes dessa situação dramática em que vive o Brasil.

 

Fonte: Brasil 247

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