Alex Solnik: O feitiço virou contra o
feiticeiro
Por ser
novo, tanto na vida quanto no STF, André Mendonça não atentou para o conhecido
provérbio “macaco velho não mete a mão em cumbuca”. Ao meter a mão na cumbuca
de Alexandre de Moraes, meteu os pés pelas mãos e corre o risco de virar
personagem de outro velho provérbio: “quem com ferro fere, com ferro será
ferido”.
O que,
para nós, leigos, foi “meter os pés pelas mãos”, no mundo jurídico constitui
indícios de crimes — improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de
responsabilidade —, em razão dos quais Alexandre de Moraes pediu ao presidente
do STF, Edson Fachin, a investigação de Mendonça. Ao contrário do calouro
Mendonça, Moraes encaminhou da forma correta.
A
alegação mais grave contra o ministro indicado por Bolsonaro é a de que agiu
por motivo político, para favorecer determinado grupo. O seu. A suspeita é de
que o tal relatório da PF com mensagens de Vorcaro a Moraes tenha sido
produzido a pedido dele, pelos agentes da PF que atuam em seu gabinete. O
decano Gilmar Mendes, que sempre quis ver Mendonça pelas costas, reuniu-se com
o presidente Lula com o objetivo de relatar os acontecimentos e pedir que ele
instrua o diretor da PF a proibir que seus policiais permaneçam nos gabinetes
do Supremo. Já pressentindo que a maré virou contra ele, Mendonça anunciou
afastamento do instituto com o qual tem feito um polpudo pé-de-meia, auferido
em contratos com governos estaduais.
E quem
está rindo por último é Alexandre de Moraes.
¨ PF indica que
Mendonça acoberta Flávio e persegue “Lulinha”
Leitura
das 50 páginas do relatório de inteligência da Polícia Federal mostra que a
Corporação imputa vários crimes a André Mendonça. Crimes que simplesmente
confirmam o que já se diz à boca pequena nos becos da opinião pública. Com
efeito, o Terrivelmente Evangélico, no dizer da Corporação vilipendiada pelos
10% mais desastrosos de Jair Bolsonaro no Supremo, é considerado suspeito de
direcionar investigações, usurpar a competência policial e, pasmem, ADULTERAR
PROVAS.
Aponta
o documento: “A elaboração deste relatório decorre de dois vetores
convergentes, identificados no curso das Operações Sem Desconto e Compliance
Zero. O primeiro é o avanço progressivo do Ministro relator sobre atribuições
próprias da Polícia Federal. O segundo vetor são indícios crescentes de
enviesamento da condução da supervisão judicial, manifestados em direcionamento
temático de intensidade progressiva quanto a linha investigativa determinada,
em assimetria de tratamento entre investigados de situação processual
equivalente e em variação relevante nos prazos de apreciação conforme o perfil
do alvo”.
Se você
acha muito, tem muito mais. Mendonça mandou investigar CINCO colegas de
Tribunal, sendo dois deles da sua própria “Ala”. Se não, vejamos: “em virtude
de notícias da existência de relatórios de inteligência, devidamente
registrados no sistema da Polícia Federal, envolvendo eventuais atos criminosos
tendentes a direcionar a produção de provas para falsa imputação de crime em
relação a Ministros do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, com citação expressa dos nomes
dos Ministros GILMAR MENDES, DIAS TOFFOLI, LUIZ FUX, ALEXANDRE DE MORAES e
NUNES MARQUES, além do Procurador Geral da República e do Diretor Geral da
Polícia Federal”
Mais
grave: inicialmente, a investigação de Moraes e outros ministros, do PGR e do
chefe da PF foi uma ordem informal, sem assinatura. Diz o relatório de
inteligência:
“Em 24
de agosto de 2026, (…) O relator convocou os investigadores para reunião
presencial em seu gabinete e entregou-lhes exemplar físico da decisão, sem
assinatura. A prática é atípica: a intimação de ato judicial faz-se por meio
próprio e a entrega de via não assinada, em ato presencial, não constitui forma
de comunicação processual, além de impedir a aferição imediata de autenticidade
e de conteúdo definitivo. Posteriormente, foi feita conferência entre a via
física e a peça 534 dos autos do STF. Embora elas fossem iguais, na peça 534
ainda não constava a assinatura do Ministro.
Apenas
no dia da entrega do resultado da determinação feita à PF, após condicionamento
desta última entrega do resultado apenas mediante visualização da decisão
assinada nos autos da PET 15556 é que foi efetivamente dado acesso a via
assinada e disponibilizada nos autos eletrônicos”.
A PF
ainda denuncia perseguição ao filho de Lula: “Em reunião presencial de
13/8/2026, o relator manifestou percepção de que ACM Neto, candidato ao Governo
da Bahia, aparentaria estar exercendo atividade de representação de interesses
dentro dos limites do permitido. A situação fática apurada quanto a ele guarda
similaridade relevante com a de Fábio Luís Lula da Silva, o que sugere a adoção
de standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa
envolvida nos fatos. O relator sugeriu que fossem separados, em petições
distintas, os casos relativos a Antonio Rueda e ACM Neto, não obstante a
conexão aparente entre as condutas. Registre-se a assimetria de tratamento: a
separação é sugerida onde a unidade identifica conexão, ao passo que, no episódio
de julho de 2026, a contrariedade do relator recaiu sobre desmembramento pela
unidade justamente onde a conexão inexistia. Nem vamos falar de Davi
Alcolumbre, Paulo Gonet e Andrei Passos Rodrigues. Tudo isso foi muito
noticiado.
A
conclusão possível e imperiosa é uma só: André Mendonça é o típico
bolsonarista. Todos eles fazem apostas exorbitantes em ações de alto risco e
jogadas “espetaculares” ignorando riscos legais e um mínimo de reflexão.
Mendonça violou todas as regras regimentais internas do Supremo concernentes a
investigação de autoridades com prerrogativa de foro especial. Agora, terá alto
preço a pagar. Pode perder o cargo e a primariedade. Simultaneamente.
¨ “Mendonça quis
intimidar PF e agir como gangster, agora tem problemão”, diz agente federal.
Por Henrique Rodrigues
Atensão
nos bastidores do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal atingiu o nível
mais crítico de que se tem notícia até hoje. No centro da crise está a atuação
do ministro André Mendonça, indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) e sob a alcunha de “terrivelmente evangélico”, cujas movimentações
recentes contra o ministro Alexandre de Moraes e contra a própria cúpula da PF
deflagraram uma reação institucional sem precedentes no interior da corporação.
Para
entender a profundidade do abalo sísmico que sacode Brasília,
a Fórum voltou a ouvir uma de suas fontes mais estratégicas
na capital federal. Trata-se do mesmo agente da Polícia Federal lotado em
Brasília que, na transição entre o final de 2022 e o início de 2023, período em
que atuava diretamente no Palácio do Planalto, foi o personagem central de uma
histórica série de 14 matérias exclusivas publicadas por este veículo. Na ocasião, o
servidor denunciou com antecedência a articulação golpista que se desenhava no
Gabinete de Segurança Institucional (GSI) sob o comando do general Augusto
Heleno e a mando de Jair Bolsonaro, maquinação que viria a se confirmar
tragicamente perante o país e o mundo no 8 de Janeiro.
Agora,
o mesmo agente que antecipou a trama golpista da extrema direita quebra o
silêncio para relatar o que se passa no novo front de batalha: o choque aberto
promovido por André Mendonça ao determinar apurações baseadas no depoimento do
empresário Daniel Vorcaro e tentar arrastar o ministro Alexandre de Moraes e a
própria direção da PF para o lamaçal de suspeitas controversas.
Na
avaliação contundente da fonte, o tiro de Mendonça saiu pela culatra e provocou
um levante silencioso, porém devastador, na Contrainteligência e no alto
comando da instituição policial. “Mendonça quis intimidar a PF, e isso nunca
vai ser tolerado. Eles vão desconstruir o Mendonça e quem vai fazer isso é
a Contrainteligencia… Só para lembrar, no gabinete do Mendonça tem um delta
lavajatista, o doutor Marcantonio [Thiago Marcantonio Ferreira], que
foi assessor do próprio Mendonça quando ele era ministro da Justiça, e agora o
Mendonça levou ele para o STF… A PF sabe com quem está lidando”, começou
dizendo o federal.
O
servidor da PF se refere à Coordenação-Geral de Contrainteligência (CGCINT),
subordinada à Diretoria de Inteligência Policial (DIP). Regimental e
legalmente, a unidade tem a função de atuar na proteção do conhecimento,
salvaguardando operações policiais, inquéritos sigilosos e documentos
estratégicos contra o acesso de pessoas não autorizadas ou organizações
criminosas, e na neutralização de ameaças adversas, prevenindo e detectando
interferências ilegais que comprometam a instituição.
A Fórum apurou
que esses relatórios de contrainteligência policial, robustos, analíticos e
repletos de dados, é que estão sendo encaminhados às mãos do ministro
Edson Fachin, presidente do Supremo, anexados ao pedido de abertura de investigação
feito por Alexandre de Moraes, para que a partir deles seja autorizada a
instauração de um inquérito contra Mendonça, algo que é dado como quase certo e
que deve ser autorizado em breve. Além de dados sobre a conduta do ministro em
questão no exercício de sua função, o ponto central do material é a inação
de Mendonça no caso envolvendo os R$ 61 milhões recebidos de Vorcaro pelo
senador Flávio Bolsonaro (depois soube-se de um novo depósito de R$ 8,6
milhões).
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Conexão da “Lava Jato” no gabinete do STF
A
presença do delegado citado pelo agente no
gabinete de André Mendonça no STF lança luz sobre o histórico de métodos
operacionais que a Polícia Federal conhece de longa data. O investigador aponta
para a trajetória do delegado no Ministério da Justiça durante a gestão de
Mendonça no governo Bolsonaro, correlacionando sua atuação aos setores mais
conturbados da inteligência da época.
Ao
detalhar quem é o interlocutor de confiança do magistrado na Corte, e se os
novos fatos teriam os dedos dele, o servidor expõe os vínculos históricos que
acenderam os alertas da Contrainteligência policial: “Tem, com certeza,
porque essa cara [delegado Marcantonio] foi da gestão dele [Mendonça] lá no
Ministério da Justiça e estava envolvido naquela Diretoria de Operações, que
cuidava da Inteligência junto com a [delegada] Marilia Alencar, que foi
julgada, condenada [na tentativade golpe de Estado] e está presa”,
explicou.
A
revelação conecta a atuação presente no gabinete do Supremo às redes de
inteligência paralela e ingerência política formadas durante a gestão
bolsonarista. Para a PF, a reprodução desses quadros e o uso de métodos
controversos de apuração em gabinetes do Judiciário indicam que a investida
contra a corporação não foi um fato isolado, mas uma ação calculada de
inteligência. Haveria, portanto, conexão e similaridade entre a forma de
agir empregada no período da tentativa de golpe e os últimos lances feitos no
escândalo do Banco Master.
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Assimetria política e os relatórios da inteligência
O
incômodo da corporação com Mendonça ganhou densidade documental nas últimas
horas. Relatórios internos da própria Polícia Federal, encaminhados no âmbito
dos procedimentos enviados pelo STF e que agora estão sob análise do ministro
Edson Fachin, colocaram a nu a seletividade e a assimetria na tramitação
de processos sob a relatoria de Mendonça.
Levantamentos
da contrainteligência policial evidenciaram a flagrante disparidade de prazos
impostos pelo ministro dependendo do espectro político do investigado. Em casos
emblemáticos, a PF constatou que Mendonça levou apenas nove dias para
despachar e determinar medidas drásticas no caso envolvendo o senador Jaques
Wagner (PT-BA), no âmbito das apurações do Banco Master. Em contrapartida,
quando o alvo era o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio
Castro (PL-RJ), aliado político da extrema direita, o ministro demorou
longos 75 dias para adotar qualquer decisão.
Situação
idêntica de discrepância de critérios foi apontada pela PF na comparação do
tratamento dispensado às menções envolvendo Fábio Luís Lula da
Silva, filho do presidente Lula, chamado pela mídia corporativa de
“Lulinha”, em contraste com a lentidão e benevolência dedicadas ao ex-prefeito
e dirigente político baiano ACM Neto, em inquéritos idênticos. A
disparidade de ritmo, que acelera severamente quando mira opositores e
desacelera perante aliados, levou a Polícia Federal a registrar internamente
como as convicções e o direcionamento político têm contaminado a condução dos
inquéritos, algo ilegal para o exercício da função de ministro do STF.
No que
diz respeito ao inquérito do Master, a apuração com a fonte da PF
aponta que já há uma espécie de ponto pacífico de que a relatoria sairá
das mãos de Mendonça por não haver mais condições de lisura por parte
do ministro, algo compartilhado inclusive pelos colegas de tribunal. No
entanto, como vem sendo noticiado, a decisão só pode ser tomada por Fachin, que
neste momento atua arbitrando o caos para tentar baixar a temperatura.
Questionado
sobre qual caso, nomeadamente, poderia trazer problemas de maneira mais
imediata para Mendonça, em relação ao seu comportamento alegadamente suspeito
nos inquéritos e processos, o que deve fazer com que o inquérito do Master saia
de suas mão, o agente federal não hesita:
“O
caso do Flávio [Bolsonaro]… Esse é um dos principais, se não for o principal
caso, a ser analisado e a virar alvo por parte da Contrainteligência… A forma
como ele agiu protegendo o Flávio Bolsonaro, o que jamais poderia acontecer, é
nítida para a PF e isso pode ser observado analisando o inquérito e curso do
próprio inquérito… Estamos falando de R$ 61 milhões, depois mais R$ 8,6
milhões, que chegaram ao conhecimento da PF e dele [Mendonça], e que ele e a
turma do gabinete ignoraram… O cara [Flávio] é candidato à Presidência da
República! Meu Deus do céu, ele não pode legalmente agir assim ignorando e
blindando, e isso está nos autos pelas condutas que ele tomou… Ou não tomou… Ao
analisar isso, todo mundo lá [na PF e no STF] já apontou o viés político-eleitoral
do Mendonça, e esse vai ser o caso que terá mais peso para mostrar que ele não
tem condições seguir como ministro do STF… Muita coisa sobre o Flávio virá à
tona quando o que tiver que ser feito for feito”, garantiu.
Ao
analisar o impacto dessas constatações e o teor dos relatórios que vazaram ou
tiveram o sigilo levantado, a fonte da Polícia Federal ressalta que o modus
operandi de Mendonça foi cabalmente escancarado, expondo a manipulação
do devido processo legal: “A situação é a seguinte: mesmo que os relatórios
não sejam provas definitivas de algo errado juridicamente por parte do
Mendonça, pois não foram inseridos em nenhum processo, embora muita coisa
esteja errada, eles mostram como o Mendonça opera. Ou seja, expõem os riscos
que ele trouxe para o inquérito e a sua forma de direcionar as investigações
para tentar interferir no devido processo legal… Isso por si só é um absurdo, e
trará consequências”, explanou a fonte.
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Ataque à cúpula da corporação e ao diretor-geral Andrei Rodrigues
O ápice
do descontentamento da Polícia Federal com o integrante da Suprema Corte foi o
ataque ostensivo direcionado ao próprio topo da instituição. Ao tentar
instrumentalizar vazamentos e ilações para fragilizar a investigação, Mendonça
mirou diretamente a gestão do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Na
avaliação dos quadros técnicos e operacionais da PF em Brasília, a tentativa de
fustigar o comando da corporação teve como objetivo enfraquecer o trabalho
sério de apuração que vem desmantelando esquemas de corrupção, redes de
desinformação e tentativas de golpe de Estado no país.
O
servidor ouvido pela Fórum pontua que a linha vermelha foi cruzada
quando o ministro priorizou o interesse político-partidário em detrimento do
rito institucional: “O devido processo legal e o rito processual da
investigação foram corrompidos por Mendonça por interesse político, em uma
tentativa de atingir figuras de cúpula e decisórias, como o diretor-geral da
Polícia Federal, o Andrei [Rodrigues]”, disparou o servidor.
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Encenação com Vorcaro, a entrega em mãos e o troco da PF
A
engenharia montada em torno das declarações de Daniel Vorcaro perante o juiz
auxiliar de Mendonça é descrita pelo agente federal como uma peça de teatro
político meticulosamente ensaiada para criar um pretexto jurídico contra
Alexandre de Moraes e a própria PF.
A cena
da entrega física, feita em mãos, do pedido de abertura de investigação foi o
gatilho desenhado para forçar o acesso a dados sigilosos e gerar matérias
plantadas na imprensa tradicional com vazamentos seletivos e premeditados. No
entanto, o investigador avisa: o tempo da complacência institucional com
métodos arbitrários acabou. A Polícia Federal de hoje não é a mesma que
assistiu passivamente aos abusos cometidos por parte de seus
quadros durante o ápice da Operação Lava Jato.
Com um
tom incisivo, o experiente agente detalha a sequência de fatos e decreta que
Mendonça arrumou um impasse institucional do qual dificilmente sairá ileso: “Ele
vai levar várias emparedadas daqui para frente, isso está claro… O depoimento
do Vorcaro para o juiz auxiliar e toda aquela encenação já fazem parte desse
desvio do Mendonça. A entrega física, em mãos, do pedido de investigação, ou de
inclusão do Moraes, foi feita para ele ter acesso aos pontos que supostamente
vinculavam o Moraes ao Vorcaro. E aí vêm os vazamentos premeditados… E o
‘corre’ da PF é esse, investigar certo, com o devido processo legal. Mas o
Mendonça vai lá e faz isso aí, tenta intimidar a PF e age desse jeito gângster.
Ele está com um problemão agora. Isso a PF não vai engolir, como fizeram lá na
Lava Jato. E ele ainda expôs a instituição ao atacar o Andrei [Rodrigues,
diretor-geral]”, revelou o agente da PF.
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O vídeo e a incitação às ruas
Após
uma longa entrevista, o servidor da Polícia Federal retomou o contato e disse
que havia algo que precisava de um aparte. André Mendonça havia publicado um
vídeo nas redes, em tom quase messiânico, agradecendo orações e o apoio
recebido, uma atitude estranha e até certo ponto inexplicável para um
magistrado da Suprema Corte, que deve apenas tomar decisões justas segundo a
Constituição e o ordenamento jurídico nacional. Para o agente, assim como para
a PF, porque os grupos de WhatsApp de integrantes da corporação fervilhavam
àquela altura, segundo o entrevistado, a atitude foi uma iniciativa concreta e
uma convocação, mas também uma confissão de quem sabe que agora “tem um
problemão”. “Mendonça gravou esse vídeo aí, que vimos agorinha de noite,
para os irmãos evangélicos dele, e é sintomático o que ele está fazendo:
campanha para levar gente da extrema direita para a Paulista e para as ruas do
país criando esse clima de ‘manifestação paralela’ do 7 de Setembro. Aí vai
Malafaia, vai todo mundo, e você já sabe como é, né? Quer se converter, não só
de forma simbólica, na figura do mundo jurídico da extrema direita. E quer se
salvar… Isso é papel de ministro do STF? Alguém já viu isso na vida? Ele assume
que quer ‘ressignificar’ a República, e por via judicial… Todo mundo está de
olho nesses movimentos”, acrescentou a fonte.
Sobre
esse movimento novo, o policial federal contextualizou que isso foi tão
planejado que, mesmo após a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso
Master e o sorteio que designou Mendonça, o ministro evangélico esperou o auge
do período eleitoral para acender a chama que incendiaria o “espantalho”
predileto dos bolsonaristas, o “colega” Alexandre de Moraes, que colocou
Bolsonaro na cadeia. “Ele ficou dois anos ‘pianinho’ [quieto] até que aquele
sorteio fez cair nele a relatoria do Master, depois que o Toffoli abandonou o
caso por pressão… Agora, seis meses depois, simplesmente escolhe todos aqueles
que vão fazer ou não delação e direciona tudo apenas para quem ele quer… E tudo
justamente agora, calculando e cavando interferência eleitoral em favor do
Flávio Bolsonaro”, disse.
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Cálculo político raso para salvar a extrema direita
O
desfecho da entrevista exclusiva com a fonte da Polícia Federal aponta para o
colapso da estratégia política de André Mendonça. Ao tentar se cacifar como o
principal contraponto a Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal
Federal, assumindo o papel de paladino e “salvador” do bolsonarismo,
o ministro atropelou preceitos básicos da inteligência e da prudência da
magistratura.
Ao
personificar o ataque contra Moraes, figura vista pela
extrema direita e por Jair Bolsonaro (o padrinho que o indicou à vaga
“terrivelmente evangélica”) como seu grande “carrasco” judiciário,
Mendonça acabou por isolar a si próprio, mobilizando a reação unificada da
Polícia Federal, da Contrainteligência da corporação e da própria maioria do
STF. “Mendonça agiu com pouca inteligência, muito pouca… Botou o Vorcaro
para falar o que ele queria ouvir. Em resumo, o Mendonça agiu de forma
circunstancial para contrapor. Ele queria ser o salvador da
extrema direita, uma vez que o Moraes é o ‘carrasco’ do seu padrinho
de indicação ao STF… Mas agora tem um preço alto aí”, finalizou a fonte da
PF.
Fonte: Brasil 247/Fórum

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