Artigo
expõe contato de André Mendonça com rede de ação político-religiosa dos EUA
Os
pesquisadores Luciana Bauer, Gisele Agnelli
e Pedro da Costa Junior relatam em artigo a circulação de figuras como
Deltan Dallagnol e André Mendonça no Acton Institute, ambiente que permite
identificar uma dimensão transnacional da formação de elites jurídicas,
políticas e religiosas. Ressalvam que essa circunstância, por si só, não
autoriza concluir pela existência de identidade ideológica integral,
coordenação política ou vínculo partidário entre os participantes.
Mas
argumentam que o Acton não pode ser classificado simplesmente como organização
de extrema direita, mas ocupa uma posição relevante no ecossistema intelectual
conservador cristão-liberal norte-americano e mantém interlocução com setores
da chamada New Right.
“Nesse
contexto, a participação de Deltan Dallagnol em 2019 e de André Mendonça em
2020 assume significado que ultrapassa a mera participação episódica em
conferências estrangeiras. Ela revela o filme do golpismo que se infiltra nas
instituição e quebra a cadeia constitucional que deve reger todo agente
público”, diz o texto. “O fato documental não determina a posição política de
Mendonça, mas constitui elemento objetivo para compreender os ambientes
intelectuais e institucionais nos quais determinadas lideranças brasileiras
circularam antes e durante sua ascensão aos mais altos cargos do Estado”.
E
observa: “Principalmente quando Mendonça esta semana se torna o autor do maior
ataque institucional ao Supremo Tribunal Federal ao olvidar as regras da
Constituição de jurou cumprir fielmente. E conforme o vídeo que ele mesmo
veiculou na sequência, fez tudo isso em nome de Deus”.
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Acton Institute, direita americana e a internacionalização de redes
político-religiosas: a conexão com André Mendonça e Deltan Dallagno. Por
Luciana Bauer, Gisele Agnelli e Pedro da Costa Junior
“Estivemos recente tratando de segurança
pública com o embaixador dos Estados Unidos …” André Mendonça AGU em 2020
palestra da Acton minuto 7
A
compreensão das novas direitas contemporâneas exige deslocar o olhar das
estruturas partidárias tradicionais para uma arquitetura mais ampla de produção
e circulação de ideias. Think tanks, universidades, fundações privadas,
organizações religiosas, associações jurídicas, conferências internacionais e
programas de formação de lideranças passaram a constituir espaços importantes
de socialização intelectual e construção de redes.
Na obra
Os demônios descem do Norte, de Délcio Monteiro de Lima, publicada
originalmente em 1987, o autor investiga a expansão de movimentos religiosos de
origem estado-unidense na América Latina e sustenta que, para além de sua
dimensão propriamente espiritual, determinadas organizações religiosas passaram
a operar em um ambiente marcado por interesses econômicos, políticos e
geopolíticos. A obra dedica especial atenção à influência norte-americana sobre
o protestantismo brasileiro, à utilização do discurso religioso no contexto da
Guerra Fria e à aproximação entre determinadas forças religiosas, interesses
econômicos e movimentos anticomunistas (LIMA, 1987). Catálogos bibliográficos
confirmam que a obra tem como temas centrais a influência americana, religião,
política, fundamentalismo e a atuação de organizações religiosas estadunidenses
na América Latina. Nessa perspectiva histórica, pode-se formular uma hipótese
para a análise contemporânea: se durante a Guerra Fria determinados segmentos
religiosos foram incorporados a disputas geopolíticas anticomunistas, o século
XXI apresenta novas formas de circulação transnacional de valores, instituições
e discursos religiosos, que podem ser examinadas à luz do conceito de guerra
híbrida. Não se trata de afirmar que as igrejas norte-americanas ou
organizações religiosas atuem necessariamente como instrumentos de uma
estratégia estatal dos Estados Unidos, conclusão que exigiria prova documental
específica, mas de investigar de que maneira redes religiosas, think tanks,
organizações jurídicas e instituições de formação política podem funcionar como
vetores não estatais de influência, produzindo convergências ideológicas e
culturais entre os Estados Unidos e grupos políticos brasileiros. É nesse ponto
que a trajetória histórica descrita por Lima pode ser colocada em diálogo com
organizações contemporâneas como o Acton Institute: enquanto Os demônios descem
do Norte analisava a expansão religiosa norte-americana no contexto da Guerra
Fria, a investigação atual pergunta se determinadas redes cristãs e
liberal-conservadoras passaram a constituir, no pós-Guerra Fria, novos canais
de circulação de ideias sobre mercado, liberdade, Estado, religião e –
principalmente- influencia e poder político. A hipótese, portanto, não é de
continuidade automática entre os dois períodos, mas de transformação dos
mecanismos de influência, que passaram da disputa anticomunista para formas
mais complexas de disputa cultural, jurídica e política num contexto da
Doutrina Donroe.
É nesse
universo que se encontra o Acton Institute for the Study of Religion and
Liberty, organização norte-americana sediada em Grand Rapids, Michigan, fundada
em 1990 pelo padre Robert A. Sirico e dedicada à relação entre religião,
liberdade econômica e ordem social. O instituto apresenta como uma de suas
preocupações centrais a defesa moral da economia de mercado, da liberdade
individual, da propriedade privada e da responsabilidade pessoal. Sua atuação,
portanto, situa-se em uma zona peculiar: não se trata de um partido político,
mas de uma instituição de produção intelectual que procura disputar os
fundamentos morais e religiosos da organização econômica e social.
Essa
característica torna o Acton especialmente relevante para o estudo das novas
direitas. O instituto não apenas recebe economistas ou pesquisadores liberais;
seus eventos reúnem religiosos, juristas, políticos, jornalistas e agentes
públicos provenientes de diferentes países e tradições religiosas. A própria
Acton University é apresentada como espaço destinado à exploração dos
fundamentos intelectuais de uma sociedade livre e reúne centenas de
participantes internacionais.
A
questão que se coloca, portanto, não é simplesmente saber se o Acton “é de
direita” ou “é de extrema direita”. A pergunta cientificamente mais adequada é
qual posição o Acton ocupa dentro do ecossistema intelectual conservador
norte-americano e de que maneira esse ecossistema se conecta com atores
políticos e jurídicos estrangeiros.
Essa
pergunta ganha especial importância no caso brasileiro porque dois personagens
de grande relevância na história recente do direito e da política brasileira
aparecem vinculados ao circuito institucional do Acton: Deltan Dallagnol e
André Mendonça.
A
primeira conexão já foi objeto de investigação da autora em artigo publicado no
Instituto Conhecimento Liberta (ICL), intitulado Think tank cristão-liberal
conecta a formação de lideranças da direita nos EUA e no Brasil. Naquele
estudo, foi analisada a participação de Dallagnol na Acton University de 2019 e
sua inserção em uma rede internacional de pensamento político, religioso e
econômico. O presente artigo aprofunda aquela investigação, acrescentando a
participação de André Mendonça no Poverty Cure Summit de 2020.
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O Acton e o campo conservador norte-americano
O
posicionamento ideológico da Acton precisa ser compreendido a partir de sua
própria produção intelectual. O instituto não esconde sua preocupação com o
futuro do conservadorismo americano e, em diferentes publicações, discute
abertamente as transformações ocorridas na direita dos Estados Unidos.
Um
exemplo particularmente relevante é o artigo publicado pelo Acton em 2023,
intitulado Is the New Right Fascist?, de James M. Patterson. O próprio título
revela que o instituto participa diretamente do debate sobre a chamada New
Right. Patterson descreve a transformação da direita norte-americana a partir
da emergência da Alt-Right na década de 2010 e contrapõe o conservadorismo
tradicional a correntes que passaram a defender protecionismo econômico, não
intervenção externa e utilização mais agressiva do poder estatal.
A
descrição feita pelo autor é particularmente significativa porque identifica o
conservadorismo tradicional americano a quatro princípios: mercados livres,
antitotalitarismo, valores religiosos e governo limitado. Em seguida, o texto
sustenta que setores da chamada New Right passaram a defender princípios
diferentes, incluindo nacionalismo econômico e maior utilização do poder
estatal. O artigo do Acton menciona expressamente figuras associadas à nova
direita, entre elas Patrick Deneen, Adrian Vermeule, Gladden Pappin, Oren Cass,
Julius Krein, Michael Anton e John Eastman. O texto também discute a
aproximação de algumas dessas correntes com ideias nacionalistas, integralistas
e antiliberais. Contudo, o próprio Acton estabelece uma ressalva importante:
Patterson conclui que a New Right não é, propriamente, fascista, embora
considere preocupantes determinadas aproximações intelectuais e políticas.
O
artigo afirma que a nova direita compartilha alguns elementos com tradições
fascistas, especialmente determinadas concepções de declínio nacional,
vitimização e unidade política, mas ressalta que isso não permite transformar
automaticamente todos os seus integrantes em fascistas.Essa posição é relevante
metodologicamente. Em vez de classificar o Acton de maneira indiscriminada como
“extrema direita”, é mais rigoroso situá-lo no ecossistema conservador
cristão-liberal norte-americano, com interlocução documentada com setores da
direita tradicional e com o debate contemporâneo sobre a New Right. Essa
diferenciação permite compreender melhor a importância de sua atuação
internacional.
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Religião, economia e formação de elites
A
peculiaridade do Acton está na combinação de duas dimensões que frequentemente
aparecem separadas na literatura política: religião e economia. O instituto
sustenta que a defesa do mercado não deve ser apenas econômica, mas moral. A
liberdade econômica é apresentada como compatível com uma concepção cristã de
dignidade humana, responsabilidade individual, propriedade e subsidiariedade. A
pobreza, nesse modelo, não é analisada exclusivamente como resultado de
desigualdade estrutural ou de políticas públicas, mas também a partir da
capacidade de indivíduos e comunidades de criarem instituições econômicas e
sociais autônomas.
O
Poverty Cure Summit representa talvez o exemplo mais claro dessa metodologia. O
evento reúne especialistas para discutir pobreza e desenvolvimento a partir de
uma perspectiva que articula liberdade econômica, sociedade civil e tradição
religiosa. É nesse contexto que aparece André Mendonça.
A
participação de André Mendonça possui uma característica documental
particularmente importante: ela pode ser comprovada diretamente pelo acervo do
próprio Acton Institute. O Acton On-Demand mantém uma página dedicada a “Rev.
Dr. Andre Mendonca” e disponibiliza a palestra intitulada “How Society Can
Partner with the State to Promote Justice”. A palestra está vinculada ao
Poverty Cure Summit 2020. O título escolhido pelo Acton é significativo: How
Society Can Partner with the State to Promote Justice. A formulação revela uma
concepção na qual sociedade e Estado são apresentados como atores distintos que
podem cooperar na promoção da justiça, em vez de uma concepção na qual o Estado
aparece necessariamente como principal agente de transformação social.
A
palestra foi realizada em um momento particularmente relevante da trajetória de
Mendonça. Ele ocupava então o cargo de Advogado Geral da Uniao do Brasil do
governo Bolsonaro. Assim, a participação não ocorreu simplesmente como
atividade acadêmica de um professor ou religioso brasileiro, mas como
intervenção de um membro do primeiro escalão do governo brasileiro em um evento
internacional promovido por uma organização norte-americana que atua na
intersecção entre religião, economia e política. E a palestra não se
circunscreveu a pobreza, mas o link dela com a corrupção. Um tema sensível para
o alcance das leis extraterritoriais anticorrupção dos próprios EUA. No minuto
seis de sua palestra na acton o ministro cita o problema da corrupção e que o
combate deve ser irrestrito à mesma. Vamos lembrar o desmonte da indústria
nacional pesada de engenharia pela lava jato por discursos parecidos. Quando o
combate irrestrito da corrupção (sem o respeito as garantias e liberdades que a
Lava a jato operou, atrasou o Brasil em
décadas.
Esse
dado merece atenção porque o Acton não funciona apenas como um fórum de
conferências acadêmicas. O próprio instituto descreve suas iniciativas como
instrumentos de formação internacional. Em 2019, por exemplo, o Acton informou
que sua universidade reunia mais de mil participantes provenientes de dezenas
de países e oferecia mais de 110 cursos ministrados por especialistas.
A
participação de Mendonça deve, portanto, ser compreendida dentro desse ambiente
de circulação internacional de ideias de direita e de direita intervencionista
transnacional. Aqui lembramos que a Acton tem como sua maior financiadora a
Atlas Network.
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Atlas Network, MBL e a disputa hegemônica no Brasil na guerra hibrida dos EUA
A
investigação torna-se ainda mais ampla quando se considera a relação histórica
entre Acton Institute e Atlas Network. Alejandro A. Chafuen, atualmente
Distinguished Executive Fellow do Acton Institute, foi presidente e CEO da
Atlas Network entre 1991 e 2018. O próprio Acton registra essa trajetória. Mais
importante: o Acton informou, quando Chafuen ingressou formalmente na
organização, que ele havia sido um dos membros fundadores do conselho e um dos
primeiros apoiadores do instituto desde sua criação. Portanto, a conexão não se
limita à existência de organizações ideologicamente próximas. Existe uma ponte
humana e institucional concreta: Atlas Network → Alejandro Chafuen → Acton Institute. O
próprio Acton informa ainda que Chafuen atuou durante décadas
na promoção internacional de think tanks de livre
mercado e que passou posteriormente a conduzir a expansão
internacional do Acton.
Essa
informação é relevante para compreender o caráter transnacional da rede.
A Atlas
Network, criada em 1981 por Antony Fisher, constitui uma rede internacional de
think tanks voltados à promoção de ideias associadas ao livre mercado, à
propriedade privada, à liberdade individual, ao empreendedorismo e à limitação
do poder estatal. A literatura produzida pela professora Camila Feix Vidal, em
colaboração com Jahde Lopez e Luan Brum, oferece uma das análises acadêmicas
mais sistemáticas sobre a presença dessa rede no Brasil. Em pesquisa sobre o
Fórum da Liberdade, Vidal, Lopez e Brum demonstram que o evento, organizado
pelo Instituto de Estudos Empresariais, parceiro da Atlas Network, funcionou
como espaço de circulação de ideias neoliberais e de aproximação entre
empresários, políticos e organizações vinculadas à rede transnacional. Os
autores concluem que o Fórum contribuiu para a construção de plataformas
políticas e para a difusão de uma agenda neoliberal de matriz norte-americana,
inclusive por meio da presença de representantes estrangeiros e do apoio
financeiro de empresários (VIDAL; LOPEZ; BRUM, 2020).
Em
pesquisa posterior, Vidal e Lopez aprofundaram a investigação sobre a Atlas e
seus institutos parceiros no Brasil, descrevendo a organização como uma espécie
de “organização guarda-chuva” destinada a orientar e facilitar a criação e
manutenção de institutos neoliberais parceiros em diferentes países. A pesquisa
examinou dados financeiros da Atlas, seus repasses internacionais, a rede de
institutos brasileiros e a trajetória de seus dirigentes, identificando
conexões entre organizações parceiras e integrantes do governo Jair Bolsonaro
(VIDAL; LOPEZ, 2022). Particularmente relevante para a análise do processo
político brasileiro é a afirmação, registrada no estudo, de que a crise
política de 2016 criou uma oportunidade para atores já treinados e inseridos
nessa rede pressionarem por determinadas políticas.
O
trabalho cita declaração atribuída a Alejandro Chafuen, então presidente da
Atlas, segundo a qual “surgiu uma abertura – uma crise – e uma demanda por
mudanças, e nós tínhamos pessoas treinadas para pressionar por certas
políticas” (CHAFUEN apud VIDAL; LOPEZ, 2022, p. 28). No mesmo campo de
investigação, estudos derivados dessa agenda acadêmica identificam o Movimento
Brasil Livre (MBL) como parceiro da Atlas Network e discutem sua atuação no
processo de mobilização que culminou no impeachment de Dilma Rousseff em 2016.
A relevância dessa constatação não está em estabelecer, sem documentação
adicional, que a Atlas tenha simplesmente “financiado o golpe de 2016”, mas em
demonstrar empiricamente a existência de relações transnacionais entre
organizações de pensamento econômico, formação de lideranças, financiamento
institucional, circulação de ideias e mobilização política.
A
própria pesquisa de Vidal e Lopez busca compreender a Atlas como instrumento de
manutenção de uma determinada forma de hegemonia intelectual e de
institucionalização do projeto neoliberal no Brasil (VIDAL; LOPEZ, 2022). Essa
abordagem permite recolocar o impeachment de 2016 em uma perspectiva mais
ampla: além da disputa parlamentar e das mobilizações sociais internas, é
possível investigar a existência de uma infraestrutura internacional de
produção e difusão de ideias que contribuiu para formar atores, linguagens
políticas e propostas econômicas posteriormente incorporadas ao debate público
brasileiro.
Nesse
sentido, o MBL, os institutos liberais brasileiros, a Atlas Network e
organizações internacionais correlatas podem ser estudados não como elementos
isolados, mas como nós de uma rede transnacional de disputa pela hegemonia no
campo das ideias e das políticas públicas. Tal perspectiva é particularmente
relevante quando colocada em diálogo com a atuação do Acton Institute, pois
permite investigar uma possível convergência entre redes de liberdade
econômica, organizações religiosas e conservadoras e formação de lideranças
políticas e jurídicas brasileiras.
É nessa
infraestrutura intelectual que se deve analisar a presença de brasileiros como
Dallagnol e Mendonça.
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Mendonça como agente da Guerra Hibrida?
Do
ponto de vista científico, talvez seja mais adequado falar em rede
transnacional de circulação intelectual do que em uma estrutura centralizada.
Think tanks não precisam compartilhar integralmente todas as posições políticas
para estabelecer relações de cooperação. Pessoas podem participar de eventos,
receber prêmios, ministrar cursos ou publicar artigos sem aderir integralmente
à agenda de uma organização. Por isso, a presença de Mendonça no Acton não
permite concluir automaticamente que ele seja integrante da extrema direita
americana, tampouco que tenha aderido a todas as posições da chamada New Right.
O que
pode ser demonstrado é diferente e mais interessante: um ministro da Justiça do
Brasil participou de uma conferência internacional organizada por uma
instituição situada no campo conservador cristão-liberal americano;
anteriormente, um procurador que se tornaria posteriormente liderança política
da direita brasileira havia sido escolhido pelo mesmo instituto como
palestrante principal de sua universidade internacional.
A
coincidência institucional torna-se especialmente relevante quando considerada
conjuntamente com a ponte Acton–Atlas e com os demais atores brasileiros que
circularam por esse ambiente. E com redes hoje diante da quebra de
institucionalidade e graves ilegalidades que relatórios apócrifos da Policia
federal imputam a Mendonca na condução dos dois maiores casos de repercussão de
corrupção na sociedade brasileira: Master e INSS.
A
Policia Federal por meio de relatórios de inteligência que vazaram (porque tudo
vaza em um ambiente de instituições conflagradas) coloca que Mendonça coloca em
risco provas de ambas as operações, faz uma atuação suspeita de parcialidade e
também perseguição de agentes e ainda age como juiz que conduz integralmente a
produção de provas e delações, quebrando o principio acusatório, base do estado
de direito processual.
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Considerações finais
A
análise documental realizada permite formular uma hipótese científica mais
precisa sobre o papel do Acton Institute.
O
instituto não deve ser simplesmente reduzido à categoria de organização de
extrema direita. Sua própria produção intelectual distingue o conservadorismo
tradicional da New Right e discute criticamente a possibilidade de aproximações
desta última com o fascismo.
Entretanto,
o Acton ocupa inequivocamente um espaço importante do ecossistema conservador
cristão-liberal norte-americano e brasileiro e esta interface sem qualquer
filtro de soberania é assustador para a saúde das instituições brasileiras. Não
podemos ter a normalização de que políticos e ministros de nossa República
sejam doutrinados numa atuação que combina religião, liberdade econômica,
propriedade, responsabilidade individual, sociedade civil e crítica à expansão
do poder estatal, principalmente quando o Brasil é o alvo de Donald Trump Jr.
Nesse
contexto, a participação de Deltan Dallagnol em 2019 e de André Mendonça em
2020 assume significado que ultrapassa a mera participação episódica em
conferências estrangeiras. Ela revela o filme do golpismo que se infiltra nas
instituição e quebra a cadeia constitucional que deve reger todo agente
público. É nessa perspectiva que a participação de André Mendonça no Acton
adquire relevância para o estudo do Supremo Tribunal Federal e da formação das
elites jurídicas brasileiras. O fato documental não determina a posição
política de Mendonça, mas constitui elemento objetivo para compreender os
ambientes intelectuais e institucionais nos quais determinadas lideranças
brasileiras circularam antes e durante sua ascensão aos mais altos cargos do
Estado.
Principalmente
quando Mendonça esta semana se torna o autor do maior ataque institucional ao
Supremo Tribunal Federal ao olvidar as regras da Constituição de jurou cumprir
fielmente. E conforme o vídeo que ele mesmo veiculou na sequência, fez tudo
isso em nome de Deus.
Fonte:
ICL Notícias

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