quinta-feira, 10 de setembro de 2026

 

O Irã desnudou o rei

A outrora magnífica, imponente e imperial águia americana, cujas asas cobriam todos os continentes para impor seus insaciáveis interesses, hoje se vê perdendo suas penas, e suas garras luzem desafiadas. A Europa, que procurava sua união e segurança debaixo daquelas asas, observa desamparada a inimaginável fuga da águia para se recolher no seu desarrumado ninho. A truta, que imaginava pegar facilmente no Golfo Pérsico, resultou um tubarão do qual não consegue fugir sem perder mais algumas penas. Nem a vergonhosa revoada no Afeganistão, em agosto de 2021, permitia predizer um desenlace tão fugaz e desastroso. Mas o que poucos imaginavam ver tão cedo começou bem antes. 

Findada a Guerra Fria e surdos às reiteradas mensagens de Putin, os estrategistas ocidentais continuaram a criar a imagem de uma Rússia ameaçadora (não obstante entre 1992 e 1998 tenha sofrido uma retração econômica do 50% do seu PIB) que devia ser detida na sua voracidade territorial. Assim, de uma imagem criada de ameaça, o ocidente ideológico foi se constituindo numa verdadeira ameaça para Rússia, que foi alterando sua doutrina de emprego nuclear a cada onda ofensiva da OTAN para o leste. 

Nem a enérgica resposta de Putin na Ossétia do Sul em 2008 foi suficiente para acordar a Europa do pesadelo embrutecedor que a levava resignada ao precipício nuclear. Obstinadamente, desde 2009 começaram a erodir politicamente a Ucrânia. Sob a batuta de Victoria Nuland, acordaram o nazismo ucraniano reivindicando “heróis” das SS como Stepan Bandera, treinaram, financiaram e armaram os grupos de choque que ensanguentariam a Praça Maidan em 2014, no golpe que derrubou o governo democraticamente eleito de Viktor Yanukovych e instalou o governo dócil ao império americano que ordenou a guerra civil contra o Donbass culturalmente russo.

Depois de 15 mil civis assassinados pelas forças de Kiev e de declarações imprudentes de Zelensky solicitando o ingresso na OTAN e renunciando ao tratado de Budapeste, no qual Ucrânia abdicava de possuir armamento nuclear no seu território, em janeiro de 2022 a Duma em Moscou reconheceu a independência das províncias do Donbass (contra a posição de Putin, que defendia apenas sua autonomia). Finalmente, e não sem antes fazer reiteradas advertências e claros movimentos de tropa na fronteira, Putin dá a ordem de iniciar a chamada “Operação Militar Especial” com o ingresso de tropas russas até o coração da Ucrânia, em uma estratégia de guerra relâmpago.

A velocidade e contundência do ataque russo levou Zelensky a negociar a paz em Belarus em março. Tratava-se de uma negociação que apenas reiterava o que tinha sido negociado em 2015 no Acordo de Minsk 2: integridade territorial da Ucrânia, independência das províncias de Donbass e o não-ingresso na OTAN. Essa, consideramos, foi a primeira negativa bélica à expansão territorial da OTAN e aos interesses estratégicos da Águia Imperial e sua pretora da OTAN. Negativa bélica enfatizada com a conversão da estratégia de guerra relâmpago para uma estratégia de guerra defensiva de desgaste depois que o presidente americano Joe Biden e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson convenceram Zelensky a entregar até o último ucraniano numa guerra por procuração para desgastar a Rússia e isolar a República Popular da China. A disposição das peças no tabuleiro bélico indicava claramente que a guerra era entre a Rússia e as forças atlantistas, o que a mídia se ocupou de ocultar reiterando a “agressão não provocada” da Rússia.    

Essa contundente negativa bélica à liberdade de ação estratégica do império, que desgastava mais ao atlantismo que à própria Federação Russa, levou os Estados Unidos a refletir criticamente sobre sua capacidade bélica de impor e até de defender seus interesses no mundo. O resultado dessa preocupação foi o Relatório Final da Comissão sobre Estratégia de Segurança Nacional. Nele, apontavam três vulnerabilidades nacionais dos EUA que tornavam impossível a vitória na próxima guerra mundial, que nesse documento consideravam inexorável para manter a hegemonia global. Eram elas 1) a estrutura militar inadequada para as guerras atuais; 2) o complexo industrial-militar obsoleto; 3) a estratégia diplomática que perdia terreno para a República Popular da China. Se neste momento não tinham condições para enfrentar com êxito uma guerra contra o “quadrilátero do mal”, composto pela China, Coreia do Norte, Rússia e Irã, defendiam que deveria ser recolhida a estrutura militar projetada no mundo para concentrá-la e reformulá-la. Até 2026 deveriam concluir as atualizações para eliminar essas vulnerabilidades e enfrentar essa guerra mundial. 

Chegou-se a 2026, ano em que o império devia mostrar sua renovada musculatura para enfrentar vitoriosamente os inimigos da sua hegemonia global. O presidente Donald Trump, no comando do império, deu a impressão de levar a cabo as sugestões daquele Relatório Final. Tanto pelas novas edições dos documentos de defesa[1] quanto pelas ações, já que começou a retirar as forças estacionadas pelo mundo e manifestou seu desejo de se concentrar no continente americano. Os assassinatos ilegais com o bombardeio de barcos no Caribe, a agressão brutal à Venezuela, o bem-sucedido sequestro do presidente Maduro, a ingerência indisfarçada nos processos eleitorais do continente e a aplicação autocrática da transnacionalização da lei estadunidense pareciam indicar o propósito de assegurar seu domínio sobre a região para discutir o futuro do sistema internacional em termos de política de zonas de poder. 

Talvez engulosinado pelo sucesso na Venezuela ou convencido pelo genocida Benjamin Netanyahu[2] e o lobby sionista, ignorou as advertências dos estrategistas e se lançou no que considerou uma vitória fácil contra o Irã. Traindo os iranianos pela segunda vez no transcorrer das negociações de paz, atacaram ilegal e criminalmente o Irã, cometendo um inaceitável magnicídio ante o silêncio cúmplice da sociedade internacional. Trump decapitou a cúpula religiosa, política e militar do Irã imaginando que a estrutura de poder cairia como um castelo de cartas. Mas, milênios de anos de cultura política e estratégica não passam em vão, e a resposta não demorou mais do que quinze minutos em manifestar sua violência. O comando das forças armadas iranianas tinha adotado uma estrutura de comando e controle em rede, uma estrutura de defesa em mosaico que distribuiu as decisões estratégico-operacionais em 36 unidades móveis por todo o território, desde onde foram atingidos as bases militares estadunidenses, incluída a Base da Quinta Frota no Bahrein, principal base naval americana na região; o que quebrou as pernas logísticas, necessárias para uma guerra prolongada e à distância, e também destruiu importantes radares, cegando operacionalmente os agressores. Em poucos minutos o Irã tinha vencido a guerra que Trump e Netanyahu imaginaram relâmpago, empantanando-os numa guerra de desgaste, administrada político-estrategicamente na sua modalidade, duração e intensidade pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC). 

Aquela truta esgotada, depois da desova na cabeceira do rio, presa fácil da feroz águia americana, tinha resultado em um experto tubarão que mostrou os limites do império americano. Mais que qualquer outra derrota das forças armadas americanas, esta mostrou que as vulnerabilidades apontadas no citado Relatório Final de 2024 não apenas não tinham sido diminuídas, mas continuavam aumentando o abismo com as necessidades das guerras contemporâneas. A ver: 1) a estrutura militar absolutamente inadequada e desmoralizada; 2) o Complexo Industrial-Militar comparativamente aumentou sua obsolescência com produtos sofisticados, caros e ineficientes; 3) Trump foi exemplar em mostrar todo o que não se deve fazer em diplomacia, deixando os europeus desamparados, seus aliados desarmados e os neutros furiosos por sofrerem com a arbitrária guerra tarifária. A derrota que o Irã, como um dos vértices do “quadrilátero do mal”, tinha propiciado ao império, não foi inadvertida pelos atentos outros vértices que anotaram vulnerabilidades e potencialidades que serão aproveitadas como lições para a próxima guerra.

O Irã não apenas ganhou uma guerra improvável com a outrora magnífica águia americana; foi mais longe e gritou para o mundo que o Rei está nu e que o sistema internacional terá que encontrar sua nova forma a partir de uma imparável multipolaridade. 

¨      A guerra contra o Irã fracassou em reordenar a Ásia Ocidental. Por Sayid Marcos Tenório

Seis meses depois de Estados Unidos e Israel iniciarem sua guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro, é possível avaliar o conflito não apenas pelos danos provocados ou pelo número de mísseis disparados, mas pela constatação objetiva de que Washington e Tel Aviv não alcançaram seus objetivos estratégicos.

O projeto era muito mais ambicioso do que atingir instalações militares e nucleares iranianas. Pretendiam quebrar a capacidade de dissuasão da República Islâmica, provocar sua desestabilização interna, enfraquecer definitivamente o Eixo da Resistência e abrir caminho para uma nova arquitetura regional sob hegemonia israelense e proteção militar norte-americana.

Nada disso ocorreu como planejado.

O governo iraniano não caiu, o Estado não entrou em colapso e o Irã preservou capacidade suficiente para continuar impondo elevados custos militares, econômicos e estratégicos aos seus adversários.

A guerra que deveria demonstrar a supremacia dos Estados Unidos e Israel transformou-se numa prolongada guerra de desgaste.

E o mais importante nessa equação é que o próprio sistema regional que a guerra pretendia consolidar começou a mostrar suas fragilidades.

Durante décadas, as monarquias do Golfo organizaram parte importante de sua segurança em torno do guarda-chuva militar norte-americano. A guerra demonstrou os limites dessa garantia. Bases, instalações estratégicas, infraestrutura energética e rotas marítimas tornaram-se vulneráveis justamente quando os EUA mobilizaram enorme poder militar para a região.

O Estreito de Ormuz sintetiza essa inversão estratégica. A passagem por onde historicamente transita um quinto do petróleo mundial tornou-se um dos centros da confrontação. Se o objetivo era demonstrar a capacidade dos EUA de controlar militarmente as rotas energéticas da região, o resultado revelou que o Irã possui instrumentos para transformar sua geografia em poder estratégico.

As consequências já ultrapassaram o campo militar. Exportações de petróleo, derivados e gás natural liquefeito foram afetadas. Investimentos em rotas alternativas foram acelerados. O turismo, aviação e atividades industriais sofreram impactos.

Os governos do Golfo são obrigados a gastar bilhões para reduzir sua dependência de Ormuz justamente quando enfrentam maiores pressões sobre defesa, inflação e seus ambiciosos projetos de diversificação econômica.

Isso ajuda a compreender porquê a guerra contra o Irã não pode ser analisada apenas como um confronto bilateral. Ela colocou em questão o modelo de ordem regional construído pelos Estados Unidos durante décadas.

Há também uma transformação interna na doutrina estratégica iraniana.

Como argumentei anteriormente ao definir este período como uma terceira fase da Revolução Islâmica, o Irã parece ter ultrapassado a lógica da chamada “paciência estratégica”.

Dissuasão já não significa simplesmente absorver ataques, evitar uma guerra maior e responder de maneira calculada. Significa também preservar a iniciativa e impor ao adversário custos suficientemente elevados para alterar seus cálculos.

Isso não significa que o Irã tenha abandonado a dimensão regional de sua estratégia. Muito pelo contrário. 

A Palestina continua ocupando posição central, enquanto o Eixo da Resistência atravessa um processo de adaptação às condições criadas pelo confronto direto entre Irã, Estados Unidos e Israel.

É precisamente aqui que aparece outra contradição fundamental da guerra.

Estados Unidos e Israel pretendiam separar o Irã de sua profundidade regional. Entretanto, seis meses de conflito mostraram que a resistência não depende exclusivamente de uma estrutura vertical comandada do Irã.

Líbano, Palestina, Iêmen e outras frentes possuem dinâmicas próprias, ainda que integradas a uma confrontação regional mais ampla.

O memorando firmado em junho tampouco representou uma capitulação iraniana.

Ao contrário, sua própria existência demonstrou que, depois de meses de operações militares, os Estados Unidos teve de negociar com o Estado que pretendia submeter.

As dificuldades posteriores para transformar o entendimento numa solução definitiva, apenas confirmam que nenhuma das questões fundamentais da guerra foi resolvida.

Naturalmente, seria equivocado concluir que o Irã saiu ileso. A República Islâmica sofreu perdas humanas, militares, econômicas e de infraestrutura importantes. Uma guerra de desgaste também impõe enormes sacrifícios à sociedade iraniana.

Mas sobrevivência estratégica importa. E, numa guerra concebida para provocar mudança de regime e redesenhar a correlação de forças da Ásia Ocidental, sobreviver preservando capacidade de dissuasão constitui por si só um resultado político relevante.

Seis meses depois, portanto, a pergunta talvez deva ser invertida.

Não é apenas quanto dano os Estados Unidos e “Israel” conseguiram causar ao Irã, mas quanto a guerra modificou a região em direção oposta àquela imaginada por seus arquitetos.

O Irã permanece de pé. Ormuz tornou-se demonstração concreta dos limites do poder norte-americano. As monarquias do Golfo reconsideram suas vulnerabilidades e parcerias de segurança. O Eixo da Resistência não desapareceu. E a prometida supremacia regional israelense continua distante.

A guerra destinada a produzir uma nova Ásia Ocidental pode estar produzindo outra, mas não aquela que Estados Unidos e Israel planejaram.

¨      ‘Fantoche dos EUA ou presidente da Coreia do Sul?’: ativistas e partidos pressionam Lee Jae Myung a não aderir à guerra contra Irã

Organizações sociais, ativistas, partidos e grupos progressistas contrários às políticas intervencionistas dos Estados Unidos se reuniram em frente à sede presidencial, em Seul, nesta segunda-feira (07/09), em protesto contra o possível envio de tropas sul-coreanas ao Estreito de Ormuz.

A movimentação ocorre em meio às especulações recentemente levantadas pela mídia local, que sugerem uma possível adesão da Coreia do Sul na guerra perpetrada por Washington e Tel Aviv contra o Irã – informação que tentou ser amenizada, mas não foi desmentida, até o momento, pelo governo de Lee Jae Myung.
De acordo com os relatos iniciais das emissoras JTBC e SBS, o destacamento consistiria em “aeronaves de patrulha marítima P-8 Poseidon, navios de apoio logístico da Marinha e unidades de desativação de explosivos (EODs)”. Além disso, a Casa Azul, segundo a imprensa, já estaria articulando uma proposta a ser apresentada à Assembleia Nacional para aprovação neste mês.

“Se tal envio de fato ocorrer, ficará registrado como um capítulo vergonhoso na história coreana”, afirmou Hwang Jeong Eun, secretária-geral do Centro de Estratégia Internacional, ao reiterar que o povo iraniano, já ameaçado por sanções, bloqueios e guerras, tem o direito à autodeterminação.

Os grupos criticaram a contradição do presidente Lee, que em discursos públicos defende paz e estabilidade, porém, agora, em apoio aos interesses de Washington, insere-se em uma guerra que “nada tem a ver com Seul”. Alertam também para as ameaças à segurança nacional: no domingo (06/09), um alto funcionário iraniano citado pela rede libanesa Al Mayadeen alertou que “qualquer envolvimento sul-coreano” na rota marítima seria “equivalente à participação militar direta na agressão” contra o país persa.

“Não podemos permitir que os jovens deste país se tornem peões descartáveis e sacrifícios para a hegemonia dos Estados Unidos. Não podemos permitir que a segurança e a vida dos nossos cidadãos sejam ameaçadas”, apontou Kim Jin Eok, representante permanente da organização do Partido Progressista ‘Neomeo’. “O interesse nacional não reside em ceder às exigências dos Estados Unidos, mas sim em escolher uma solução diplomática e pacífica como nação soberana”.

“O Presidente Lee Jae Myung deve escolher se será o presidente da República da Coreia ou um fantoche a serviço das exigências do presidente dos Estados Unidos. Se agir como fantoche, enfrentará a resistência dos cidadãos”, advertiu.

Entre as exposições, chamou a atenção a presença da ativista Azar Brookins, que nasceu no Irã e cresceu na Alemanha em condição de refugiada. Ela, que hoje reside em Seul, iniciou o seu discurso se autoafirmando não defender o atual governo iraniano, mas que primordialmente se opõe a qualquer intervenção militar contra a sua nação de origem.

“Esse posicionamento não é nada contraditório. As bombas não distinguem um regime do seu povo. Elas não perguntam para a pessoa se ela apoia ou se opõe ao governo. E a história nos ensinou incansavelmente que guerras nunca levam à libertação. Lembrem do que aconteceu no Iraque, no Afeganistão, no Vietnã”, afirmou. “Governos estrangeiros agem de acordo com seus interesses mais estratégicos. A vida dos iranianos ou dos coreanos não deve ser prejudicada pela agenda geopolítica de alguém”.

Por sua vez, a ativista Hong Bo Ram, da Ação de Emergência da Sociedade Civil Coreana em Solidariedade com a Palestina, levantou as preocupações a respeito do prolongamento da guerra no Irã, uma vez que o conflito tem se tornado agenda central da política internacional e o genocídio contra os palestinos “perdeu relevância”.
Desde que o Estado de Israel e o grupo de resistência palestino Hamas assinaram o alegado acordo de “cessar-fogo” planificado por Washington, em outubro passado, o regime sionista matou pelo menos 1.344 palestinos. Além disso, imediatamente após o início das hostilidades contra Teerã, em 28 de fevereiro, o Exército israelense reforçou o bloqueio à ajuda humanitária com destino à Faixa de Gaza, agravando a crise humanitária vivida pelos cidadãos.

“Durante o período de escalada da guerra [dos Estados Unidos e de Israel] com o Irã, a violência contra colonos e o desapossamento de terras na Cisjordânia palestina também aumentaram. A nova guerra funciona como uma condição que facilita o genocídio e o colonialismo de assentamento já existentes”, pontuou Bo Ram.

Ainda sobre a Palestina, a Opera Mundi, a ativista Myoung Sook, da Rede de Direitos Humanos ‘Baram’, lembrou que durante a Assembleia Geral das Nações Unidas de 2024, em Nova York, a Coreia do Sul pediu o fim da ocupação israelense e instruiu os Estados-membros do organismo internacional a não comercializarem não somente armas, como também recursos que podem ser usados para genocídio. No entanto, o próprio país não cumpre a sua própria exigência.

“As empresas [sul-coreanas] continuam exportando armas. As empresas sul-coreanas violam continuamente padrões internacionais, como ao comprar títulos do governo israelense. E o governo se omite”, afirmou.

De acordo com ela, a gestão de Lee Jae Myung tende a adotar posturas com base na “tendência” que predomina entre as nações do mundo e “surfa na onda” delas. Myoung Sook citou como exemplo o Reino Unido e a França, que recentemente declararam esforços para a desminagem de Ormuz.

“O destacamento para Ormuz desta vez é, francamente, porque havia uma tendência entre o Reino Unido e a França de remover minas terrestres em Ormuz. Ou seja, na época em que a Coreia do Sul rejeitou o genocídio contra os palestinos, as vozes que condenavam Israel em relação à repressão de civis em Gaza estavam se tornando cada vez mais fortes”, explicou.

Na declaração final, os grupos presentes reafirmaram a necessidade do governo de Lee Jae Myung buscar se engajar na diplomacia em busca da paz, em vez de se alinhar aos interesses norte-americanos de Trump, que fomentam o aumento de tensões militares. Portanto, manifestam para que a gestão presidencial demande publicamente a cessação imediata das ações militares em torno do Golfo, promovidas por Washington, e se pronuncie em prol de um cessar-fogo imediato.

O documento também apontou para o fato de que a maior parte dos assentos da Assembleia Nacional conta com o Partido Democrático da Coreia, sigla governista. Sendo assim, as chances de uma proposta apresentada pelo Executivo ser consentida e obter aval do Legislativo seriam maiores.

“Se prosseguir com o envio, contando com a maioria dos assentos do Partido Democrata, a flecha da resistência do povo que levou este governo ao poder se voltará contra o próprio governo. Nós, reunidos aqui, lutaremos ferozmente até que o governo de Lee Jae Myung retire as tropas sul-coreanas do Estreito de Ormuz e impediremos a guerra ilegal e desumana de Trump por meio do poder da solidariedade internacional”, concluíram as entidades.

 

Fonte: Por Héctor Luis Saint-Pierre, em Opera Mundi

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