Jorge Folena: Mendonça integra a conspiração
fascista
Ao longo desta semana (com destaque para os
acontecimentos do dia 01/09/2026), o ministro André Mendonça desnudou sua
verdadeira face ao tentar apresentar-se de forma quase messiânica e
colocando-se falsamente acima do bem e do mal, mas acabou deixando nítido o seu
intuito de implodir as instituições republicanas, conforme está sendo
demonstrado nas informações que vieram à tona sobre suas relações empresariais
e conversas mantidas com Daniel Vorcaro, envolvendo seu instituto de direito
privado.
As ações realizadas no Supremo Tribunal
Federal pelo ministro André Mendonça evidenciam atitudes tomadas para promover
o descrédito nas instituições do Estado brasileiro, a fim de favorecer a
candidatura de Flávio Bolsonaro, do mesmo modo que fez Sérgio Moro, na eleição
de 2018, que atuou em favor de Jair Bolsonaro, no curso da operação lava jato.
A crise instalada no Supremo Tribunal Federal
pelas mãos de André Mendonça tem por objetivo criar um cenário de dúvidas no
meio da sociedade, durante a reta final da campanha eleitoral de 2026, em uma
nova tentativa de golpe, que visa impedir a possível reeleição do presidente
Luís Inácio Lula da Silva, a única liderança que restou da Nova República.
Este modelo de implodir as instituições
republicanas pelo emprego do Poder Judiciário e de alguns dos seus integrantes,
por meio de ações conspiratórias para efetivar golpes de estado, teve início
com a operação lava jato, de claro viés fascista, cuja estrutura não foi
desmontada completamente.
As medidas tomadas por André Mendonça, nos
casos sob sua relatoria no STF, assemelham-se às utilizadas por Sérgio Moro na
Vara Federal de Curitiba, onde atuava como um chefe da investigação e, ao
final, era também o acusador e o juiz, perseguindo autoridades de distintos partidos, com a finalidade de
enlamear e criar um ambiente de descrença na atividade política,
apresentando-se como símbolo de combate à corrupção generalizada.
As movimentaçòes da lava jato abriram o
caminho para o fascimo chegar à presidência da República e instalar no Brasil o
caos, a desordem institucional e governamental (que ainda persiste com a crise
entre os poderes constituídos) e promover a desaceleração do processo de
desenvolvimento nacional e o regresso aos níveis de pobreza extrema, uma das
heranças deixadas pelo governo de 2019-2022.
É importante lembrar que Moro desafiou o STF
e seus integrantes, inclusive interceptou ilegalmente o telefone do Palácio do
Planalto e entregou o conteúdo de conversas privadas à TV Globo, para divulgar
no Jornal Nacional e expor a presidenta Dilma Rousseff e o presidente Lula,
que, na noite de 16/03/2016, foram condenados pelo tribunal midiático.
O mesmo fez André Mendonça, em 01/09/2026, ao
retirar o sigilo de uma investigação ilícita, ordenada e conduzida por ele
próprio (o que é inadmissível para um juiz fazer) contra seu colega ministro
Alexandre de Moraes, o Procurador Geral da República e o diretor da Polícia
Federal. Do mesmo modo que na noite de 16/03/2016, no dia primeiro de setembro
de 2026 o país ficou atônito e perplexo com a violência e ilicitude de André
Mendonça, salvo os moralistas ingênuos e os fascistas cínicos de sempre.
Nesta parte, é importante ressaltar que o
fantasma do moralismo de fachada continua a rondar o Brasil. O mesmo moralismo
hipócrita, empregado pela classe dominante para fazer prevalecer seus
interesses entreguistas contra o desenvolvimento nacional, que atua ao longo de
décadas para impedir a distribuição da riqueza para o povo brasileiro; que
levou ao suicídio do presidente Getúlio Vargas; que tentou impedir a posse de
Jucelino Kubistchek; que golpeou o presidente João Goulart e impôs uma
sangrenta ditadura, que durou 21 anos; que fez um impeachment sem comprovação
de delito contra a presidenta Dilma Rousseff; e, em 2018, percebendo que iria
perder mais uma vez a corrida presidencial, prendeu sem provas o presidente
Lula e, ao longo do processo, destruiu boa parte da engenharia e da
infraestrutura industrial do Brasil, no bojo da lava jato.
Na verdade, é o emprego da mesma “técnica”
moralista de sempre, por meio da disseminação de mentiras, factoides e
escândalos, amplificados pelos meios de comunicação social a serviço dos
interesses dessa classe dominante. O velho jornal O Globo, seguido de seus
outros associados FSP e ESP, lidera a campanha de desgaste do Supremo Tribunal
Federal, que, respeitando todas as normas do contraditório e do devido processo
legal, julgou e levou à cadeia os fascistas golpistas do 8 de janeiro.
É preciso deixar claro que o caso do Banco
Master é um fenômeno da gestão Bolsonaro, que abriu as portas para todo tipo de
clandestinidade. O descontrole por parte do Poder Público foi geral, pois
deixou de haver qualquer tipo de regulamentação. Ou seja, as fraudes do Master
e do INSS são consequência do neoliberalismo implantado de forma selvagem entre
2019-2022, com a tal da “liberdade econômica”, em que os detentores do capital
podem fazer o que quiserem.
Os meios de comunicação empresarial continuam
a esconder que o Banco Master e as fraudes do INSS são reflexos de um governo
fascista neoliberal a serviço do imperialismo, do latifúndio e do crime
organizado, que começou a ser enfrentado, com clareza, a partir da operação
carbono oculto, conduzida pela Polícia Federal do governo Lula, o que tem
incomodado a muito gente do andar de cima.
Conforme manifestou o professor Lincoln
Penna, no prefácio do meu livro “A luta contra o fascismo”, essa ideologia “não
é mera fantasia nem muito menos um adjetivo que tenha por finalidade
desqualificar as forças da regressão, mas sua manifestação acontece de tempos
em tempos de acordo com o temor das grandes transformações movidas pelas
classes subalternas do mundo do trabalho. O grande surto que o projetou no
período entre as guerras mundiais tem sido gestado nesse primeiro quarto do
século XXI, mantendo, contudo, as características de seu primeiro surto. Só
isso demonstra o perigo de minimizá-lo.”
Portanto, compreender o funcionamento do
ideário fascista e de que modo seus agentes manipulam a percepção da sociedade
nos permite verificar que as movimentações provocadas pelo ministro André
Mendonça não foram desprovidas de intenção ideológica; muito pelo contrário,
elas estão marcadas com os sinais do que o fascismo é capaz de produzir, a
começar pela desordem institucional, promovida com a finalidade de favorecer os
interesses de uma classe dominante descompromissada com o país e seu povo, que
joga de acordo com os interesses mais atrasados da sociedade e ameaça o Brasil
com a perda da soberania e a retirada de qualquer resquício de dignidade.
• Crise
entre Moraes e Mendonça põe legitimidade do STF em risco em meio a eleição
acirrada, diz cientista política
A crise envolvendo os ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF) pode fazer com que a corte perca legitimidade pública
para exercer seu papel de contrapeso a instituições no Brasil — sobretudo perto
de eleições que podem ter um resultado muito apertado nas urnas, como apontam
as pesquisas.
A avaliação é de Mariana Llanos, cientista
política e pesquisadora sênior do German Institute for Global and Area Studies
(GIGA), centro de pesquisas em ciências sociais sediado em Hamburgo, na
Alemanha.
Na noite de quinta-feira (3/9), a crise no
STF ganhou novos contornos.
O ministro Alexandre de Moraes usou
relatórios da inteligência da Polícia Federal para acusar André Mendonça no
âmbito do Inquérito das Fakes News, do qual é relator, de, "em tese",
ter cometido improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso
de autoridade, com quebra da "imparcialidade judicial" e
"favorecimento a determinados grupos políticos" ao atuar como relator
dos casos do escândalo do INSS ("Operações Sem Desconto") e do Banco
Master ("Operação Compliance Zero").
O contra-ataque de Moraes acontece dois dias
depois de Mendonça pedir ao presidente da Corte, Edson Fachin, que leve ao
plenário um pedido de investigação contra Moraes, indicando possíveis
irregularidades na relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do
Banco Master, também com base em material da PF.
Na noite de quinta-feira, Fachin solicitou
formalmente esclarecimentos aos colegas Alexandre de Moraes e André Mendonça,
além do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da
Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, sobre a crise.
Em despacho, Fachin deu prazo de cinco dias
para que todos se manifestem sobre a crise aberta até então.
Já na sexta-feira (4/9), o ministro retirou a
análise do caso do Inquérito das Fake News e disse em evento ao lado do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que a crise atual no tribunal reforça
a necessidade de encerrar a investigação.
Para Llanos, o principal risco enfrentado
agora pelo STF é de haver erosão ainda maior da credibilidade institucional e
da confiança pública no Tribunal.
"O STF tem sido, há muito tempo, uma
instituição que gera polarização no Brasil, e muitas de suas decisões e
intervenções dividiram a opinião pública. Uma grande maioria também acredita
que o STF detém poder excessivo."
Para ela, essa percepção crítica coexistia
com um reconhecimento relativamente amplo de que o Tribunal é uma instituição
importante para a proteção da democracia.
"O que parece diferente agora —
particularmente desde que o caso Banco Master veio à tona — é que as pesquisas
indicam uma desconfiança em relação ao Supremo Tribunal Federal maior do que
anteriormente. Se esse capital de legitimidade for corroído, o STF perderá a
legitimidade pública de que necessita para exercer seu papel de contrapeso a
outras instituições", afirma Llanos.
<><> Eleição acirrada
Outro agravante da crise institucional,
segundo a cientista política, é que ela acontece em um momento em que o Brasil
passa por uma eleição muito disputada para a Presidência da República entre o
presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Neste momento, Lula tem 38% de intenção de
votos no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 33%
da preferência do eleitorado, de acordo com o Agregador de Pesquisas da BBC
News Brasil. No entanto, em um cenário de segundo turno entre os dois, Lula e
Flávio Bolsonaro aparecem empatados, ambos com 44%.
"Minha principal preocupação seria um
cenário em que o resultado da eleição fosse muito apertado e os tribunais
precisassem assumir um papel mais relevante como árbitros da decisão
final", diz Llanos.
"O que pode acontecer se a reputação do
Judiciário estiver tão desgastada?"
Sobre a repercussão do escândalo do Banco
Master na eleição, a cientista política analisa que todos os grupos políticos
no Brasil estão se comportando da forma esperada.
"Os grupos políticos estão reagindo mais
ou menos da forma esperada: silêncio, ou a mensagem de que 'ninguém está acima
da lei', por parte do campo de Lula; e novos ataques a Moraes por parte dos
bolsonaristas", diz.
"Eu acho lamentável que, por meio desse
escândalo, uma instituição tão importante para a democracia seja
instrumentalizada na campanha eleitoral, especialmente considerando o papel
fundamental que os tribunais desempenham nos processos eleitorais e que
historicamente desempenharam no Brasil, tanto a Justiça Eleitoral quanto o
próprio STF."
Apesar de a crise atingir Alexandre de
Moraes, que foi o ministro relator no julgamento do ano passado que levou à
condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, a cientista
política não acredita que as decisões daquele caso seriam afetadas caso ocorra
uma eventual investigação ou punição ao magistrado.
"A decisão envolvendo Bolsonaro já era
extremamente polarizadora, e as reações públicas a ela refletiam, em grande
medida, as posições prévias das pessoas em relação ao ex-presidente",
afirma.
"O escândalo atual pode reforçar ou
aprofundar opiniões que já existiam. Bolsonaro foi condenado por um colegiado
de ministros do Supremo, com uma maioria clara apoiando a decisão. Portanto,
mesmo que o escândalo prejudique a credibilidade desse ministro específico,
trata-se de uma decisão institucional da Corte."
<><> A escalada da tensão entre
Moraes e Mendonça
A tensão entre os dois ministros do STF
escalou na quinta-feira, quando Moraes retirou o sigilo dos relatórios da
inteligência da PF que detalham supostas condutas irregulares de Mendonça, que
teria agido contra o próprio Moraes e outros colegas de tribunal.
Segundo o despacho, o ministro André Mendonça
também atuou incorretamente nas investigações ligadas ao INSS. Nos relatórios
da PF tornados públicos por Moraes, os agentes também refletem se a polícia
teria sido dura demais com Roberta Luchisinger, lobista investigada no caso.
O papel de Luchisinger é importante porque
ela é ligada ao filho do presidente, Fábio Lula da Silva. Conhecido como
Lulinha, ele também é mencionado brevemente no relatório, que aponta imputação
de sua participação sem "lastro documental ou probatório direto".
Na decisão, Moraes acusa Mendonça de diversas
condutas irregulares, como "usurpação da direção das investigações das
autoridades policiais", "condução irregular das tratativas de
eventual colaboração premiada" e "direcionamento de determinados
alvos para investigação (ministro Alexandre de Moraes e senador Davi
Alcolumbre), por motivos pessoais e políticos (...)".
Entre as situações, o despacho acusa Mendonça
de ter ordenado "diligência investigatória policial para a produção ilegal
de provas contra o ministro Alexandre de Moraes".
Dois dias antes, Mendonça havia retirado o
sigilo de outro relatório da Polícia Federal com mensagens extraídas do celular
do banqueiro Daniel Vorcaro. Essas mensagens revelam uma série de interações
com um contato de Vorcaro salvo com o nome de Alexandre de Moraes.
Os diálogos mostram que o banqueiro cobrava
atenção especial aos pagamentos do contrato de R$ 131 milhões firmado entre o
Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de
Moraes, mulher do ministro.
A partir da análise dos metadados do arquivo
do contrato entre o escritório Barci de Moraes e o Master, as investigações
apontaram que o documento foi editado pelo ministro do STF.
Em nota, o escritório Barci de Moraes
confirmou que, diante da abrangência do pedido de contratação de serviços
advocatícios feito pelo Banco Master, seu setor de compliance consultou
Alexandre de Moraes sobre a eventual existência de impedimentos legais para a
celebração do contrato.
As mensagens obtidas pela investigação também
indicam que Vorcaro teria pedido a Moraes que interferisse em seu favor junto
ao diretor da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo
Gonet.
Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de
sua prisão pela operação Compliance Zero, o banqueiro teria perguntado a Moraes
via mensagem de celular: "Acha que segunda já tenho que estar fora?"
Instada por Mendonça a se manifestar, a
Procuradoria-Geral da República (PGR), por meio de decisão de Gonet, pediu a
nulidade da investigação da PF e criticou os procedimentos adotados por
Mendonça.
O presidente do STF, Edson Fachin, deu prazo
de cinco dias para que todos se manifestem sobre a crise e apontou que os fatos
devem ser apurados para que o plenário da Casa possa tomar uma decisão a
respeito do pedido feito pela PGR pela anulação da validade do relatório.
Fonte: Brasil 247/BBC News Brasil

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