Diabetes e menopausa: os nutrientes e
cuidados que pedem atenção redobrada
Fogachos, oscilações de humor, noites
maldormidas: os sintomas da menopausa costumam roubar a cena no consultório.
Mas, segundo a nutricionista Mônica Calderari, especializada em nutrição da
mulher 40+, é nos detalhes da alimentação que mora grande parte do suporte
necessário. É o que a mulher com diabetes ou pré-diabetes precisa nessa fase.
Isso inclui nutrientes específicos, suplementação bem indicada e cuidados com o
coração e os ossos.
<><> Os nutrientes que merecem
atenção redobrada
Segundo Mônica, quatro nutrientes concentram
a maior atenção nessa fase: proteínas, fibras, cálcio e vitamina D. A proteína
ganha relevância pela preservação da massa muscular. As fibras, por sua vez,
contribuem para o controle glicêmico, a saciedade, o funcionamento intestinal e
a saúde cardiovascular. Cálcio e vitamina D merecem atenção redobrada pela
importância direta para a saúde óssea.
Outro ponto de atenção, segundo a
especialista, é a vitamina B12, principalmente entre pacientes que utilizam
metformina há bastante tempo. As diretrizes da Associação Americana de Diabetes
(ADA) reforçam essa recomendação. Quem usa o medicamento por longos períodos
deve passar por avaliação periódica dessa vitamina, sobretudo diante de sinais
como anemia ou neuropatia periférica.
Dependendo da alimentação, dos exames e da
história clínica de cada paciente, o magnésio e outros micronutrientes também
podem entrar na avaliação. Ainda assim, Calderari é categórica: ter diabetes e
estar na menopausa não significa, automaticamente, precisar de uma lista de
suplementos.
<><> Soja e linhaça ajudam de
verdade contra os sintomas
Soja, tofu, edamame (vagem da soja) e linhaça
costumam surgir como possíveis aliados nessa fase, e a nutricionista confirma
que existem dados científicos sobre o tema. Mas faz questão de separar um
alimento nutricionalmente interessante da ideia de tratamento milagroso.
“Existem estudos sobre isoflavonas, sintomas
da menopausa e metabolismo da glicose, mas os resultados ainda não justificam
tratar esses alimentos como terapia isolada”, explica Calderari.
Segundo a especialista é possível incluir
soja e linhaça quando fazem sentido para a rotina e as preferências de cada
paciente. O que ela evita é indicar esses alimentos como substituto de
reposição hormonal ou como tratamento isolado para diabetes ou menopausa. Essa
visão, segundo ela, está alinhada à abordagem atual da ADA. A recomendação é
olhar para o padrão alimentar como um todo, com maior presença de fontes
vegetais de proteína, como leguminosas, castanhas e sementes.
<><> O que a alimentação muda em
fogachos, sono e humor
Calderari evita dizer que determinado
alimento ou dieta vai eliminar os fogachos. Para ela, a ideia é avaliar a
mulher de forma ampla, considerando alimentação, composição corporal, sono,
consumo de álcool e cafeína e atividade física.
Assim, é possível entender o que pode estar
relacionado à percepção dos sintomas. Quando há excesso de peso, por exemplo,
uma redução conduzida com acompanhamento pode trazer benefícios. Isso é bem
diferente, no entanto, de apontar um único alimento como solução.
O mesmo cuidado vale para insônia, ansiedade
e oscilações de humor. Cafeína em excesso ou consumida tarde, álcool e
refeições grandes próximos ao horário de dormir, podem prejudicar o sono em
pessoas sensíveis. Ainda assim, a resposta varia bastante de mulher para
mulher. Por isso, a especialista prefere observar o padrão de cada paciente.
Ela faz ajustes pontuais, em vez de criar listas extensas de alimentos
proibidos.
<><> Saúde cardiovascular ganha
peso na avaliação
Quando a paciente já tem diabetes, Calderari
amplia o olhar para além da glicemia e da hemoglobina glicada. Pressão
arterial, perfil lipídico, peso e circunferência abdominal entram na avaliação.
A qualidade das gorduras da alimentação também é considerada, já que esses
fatores estão relacionados ao risco cardiovascular.
Nesse ponto, a especialista recorre aos
princípios do padrão mediterrâneo. A orientação envolve maior presença de
vegetais, frutas inteiras, leguminosas, castanhas, sementes, azeite, peixes e
grãos integrais. Ao mesmo tempo, orienta menor quantidade de ultraprocessados,
bebidas açucaradas e carnes processadas.
Segundo Calderari, esses princípios podem ser
aplicados à realidade brasileira com feijão, verduras, legumes, sardinha e
outros alimentos in natura. A própria ADA recomenda esse padrão para pessoas
com diabetes ou risco de diabetes, pelos benefícios cardiovasculares e pelos
efeitos favoráveis sobre a glicemia.
<><> Saúde óssea sem abrir mão do
controle glicêmico
Para Calderari, cuidar dos ossos e controlar
a glicemia não são objetivos concorrentes. Na menopausa, vale ficar atenta à
ingestão de cálcio, proteína e vitamina D, recorrendo a alimentos fortificados
quando necessário. Ao mesmo tempo, vegetais, leguminosas e proteínas adequadas
seguem fazendo parte da estratégia voltada ao controle glicêmico. Um objetivo
não precisa ser sacrificado em nome do outro. A musculação e outros exercícios
de força completam esse cuidado, já que contribuem tanto para a massa muscular
quanto para a saúde óssea.
“Eu não penso em uma dieta para controle
glicêmico e outra para os ossos. O papel do planejamento individualizado é
justamente integrar essas necessidades e construir uma alimentação que faça
sentido para o conjunto da saúde daquela mulher.” Mônica Calderari |
Nutricionista especializada em nutrição da mulher 40+
<><> Suplementação exige
avaliação, não um kit pronto
Diante da quantidade de suplementos
divulgados especificamente para a menopausa, Mônica reforça que a indicação não
é automática. Antes de qualquer suplemento, vale avaliar alimentação, exames,
sintomas, medicamentos e histórico clínico. Segundo a especialista, a própria
ADA não recomenda suplementação universal de vitamina D na ausência de
deficiência.
As evidências também são consideradas
insuficientes para o uso rotineiro de vários micronutrientes com o objetivo de
melhorar a glicemia. Por isso, duas mulheres da mesma idade, ambas na menopausa
e ambas com diabetes, podem ter necessidades de suplementação completamente
diferentes. É exatamente essa diferença que uma avaliação nutricional
individual permite identificar.
<><> Insulina e medicamentos
pedem cautela extra
Para quem usa insulina ou outros medicamentos
para diabetes, Calderari é enfática. Mudanças na alimentação não devem ser
feitas por conta própria ao entrar na menopausa. Reduções importantes na
quantidade de carboidratos, jejuns prolongados ou restrições muito grandes
podem alterar a glicemia. Dependendo do medicamento, isso também pode aumentar
o risco de hipoglicemia.
A ADA recomenda que pessoas em doses fixas de
insulina recebam orientação sobre consistência na quantidade e nos horários dos
carboidratos. Esse cuidado considera o tempo de ação do medicamento, o que pode
melhorar o controle glicêmico e reduzir o risco de hipoglicemia. Segundo
Calderari, esse é um bom exemplo de porque uma orientação genérica encontrada
na internet não substitui uma avaliação individual.
“Alimentação, glicemia, medicamentos, rotina
e objetivos precisam ser considerados em conjunto” finaliza.
Fonte: Um Diabético
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