Consumo de chá e café ‘muito quente’ triplica
risco de câncer, diz estudo
O hábito de consumir bebidas quentes logo
após o preparo pode trazer graves prejuízos à saúde. Um estudo conduzido por
pesquisadores da Unidade de Epidemiologia do Câncer da Universidade de Oxford,
publicado no periódico científico International Journal of Cancer, revelou que
ingerir chá ou café em temperaturas classificadas como “muito quentes” pode
triplicar o risco de desenvolvimento do carcinoma de células escamosas do
esôfago (SCC), um dos subtipos mais agressivos de câncer no sistema digestivo.
A pesquisa acompanhou quase 1 milhão de
participantes (977.282 pessoas) e diagnosticou 2.348 casos de câncer de esôfago
durante o período de monitoramento. Os dados mostraram que voluntários que
preferiam consumir os líquidos muito quentes apresentaram um risco 3,17 vezes
maior de desenvolver a doença em comparação com aqueles que ingeriam as bebidas
em temperatura morna. Além disso, o volume diário também se mostrou um fator
agravante: quem consome seis ou mais xícaras diárias de líquidos quentes apresenta
um risco 71% maior de desenvolver a doença.
A explicação científica para a associação
está no dano físico direto causado pelo calor. Bebidas servidas acima de 65°C
provocam lesões térmicas contínuas na mucosa da camada interna do esôfago. A
queimadura recorrente compromete a integridade do tecido e favorece a ação de
agentes nocivos capazes de estimular a proliferação celular e o surgimento de
tumores.
<><> Com se prevenir
Os autores da pesquisa assinalam que pequenas
mudanças de hábito poderiam reduzir significativamente os diagnósticos da
doença. A recomendação médica é aguardar alguns minutos após o preparo da
bebida para que o líquido esfrie antes da ingestão.
Com base nos padrões observados na população
analisada, os pesquisadores estimam que cerca de 14% dos casos de carcinoma
escamoso de esôfago poderiam ser evitados simplesmente se os consumidores
passassem a tomar as bebidas em temperaturas apenas moderadas.
• Casos
de câncer no mundo devem quase dobrar até 2050, alerta OMS
O
número de novos casos de câncer no mundo pode chegar a 35 milhões por ano até
2050, quase o dobro dos 20,6 milhões estimados atualmente, segundo relatório
divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
A doença, que mata 26 mil pessoas por dia, já
é a segunda maior causa de morte no mundo, atrás apenas das doenças
cardiovasculares. A cada ano são quase 10 milhões de mortos pelo câncer.
Os dados são do Relatório Global sobre a
Situação do Câncer de 2026, feito pela OMS em parceria com a Iarc (Agência
Internacional para Pesquisa sobre o Câncer). O documento mostra que o avanço da
doença tem sido acompanhado por desigualdades crescentes no acesso a prevenção,
diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos.
Reverter esse cenário, segundo a OMS, exige
olhar não apenas para os indicadores clínicos, mas colocar a experiência de
pacientes, familiares e cuidadores no centro das políticas de combate ao
câncer. O relatório recomenda reforçar a proteção social, investir na formação
de profissionais de saúde e garantir que os avanços em pesquisa e tratamento
cheguem de forma equitativa a todos os países, independentemente da renda.
A diferença entre países ricos e pobres
aparece nos indicadores de câncer de mama, por exemplo. Em países de alta
renda, 87% das mulheres sobrevivem por pelo menos cinco anos após o
diagnóstico, ante 42% nos de baixa renda.
O levantamento também aponta que em menos de
um terço dos países o tratamento do câncer está incluído nos pacotes básicos de
saúde garantidos pelo Estado —ou seja, na maior parte do mundo o paciente
depende de plano privado ou de gastos do próprio bolso para custear o
tratamento.
Pelo menos 45% dos pacientes com câncer
enfrentam dificuldades financeiras devido à doença, de acordo com a OMS, sendo
que mais da metade cita problemas de saúde mental e quase a totalidade dos
cuidadores relata sobrecarga e isolamento social.
A OMS afirma ainda que cerca de 4 em cada 10
casos de câncer estão associados a fatores de risco evitáveis, como HPV e
hepatites B e C, além de consumo de álcool e tabagismo. A organização diz
também que o perfil da doença vem mudando devido a fatores como obesidade,
sedentarismo, má alimentação e poluição do ar.
O câncer de pulmão segue como a principal
causa de morte pela doença no mundo. Entre os homens, os tipos mais frequentes
são tumores de pulmão, próstata e colorretal; entre as mulheres, incidência
maior de cânceres de mama, pulmão e colorretal.
Quanto ao câncer infantil, a organização
destaca a falta de medicamentos essenciais para o tratamento. Nos países de
baixa e média baixa renda, a disponibilidade de 20 remédios prioritários varia
de 9% a 54%. Já nos países de alta renda, o índice fica entre 68% e 94%.
• Vacina
experimental reduz risco de retorno do melanoma, aponta estudo preliminar
Uma vacina experimental personalizada contra
o câncer reduziu o risco de retorno do melanoma após a cirurgia, segundo
resultados preliminares de um estudo de fase final divulgado pela Moderna e
pela Merck.
Pacientes que receberam a vacina junto com o
Keytruda tiveram melhores resultados de sobrevida livre de recorrência e de
metástase à distância do que aqueles tratados apenas com o imunoterápico.
A vacina, chamada intismeran autogene, é
produzida de acordo com as mutações genéticas específicas do tumor de cada
paciente. No estudo, 1.137 pessoas com melanoma cutâneo que haviam passado por
cirurgia participaram da pesquisa. Dois terços receberam a combinação com
Keytruda, enquanto um terço recebeu apenas o imunoterápico.
Na análise preliminar, o grupo que recebeu os
dois tratamentos apresentou resultados estatisticamente superiores na sobrevida
livre de recorrência e na sobrevida livre de metástase à distância. Os
percentuais exatos de redução de risco ainda não foram divulgados, e o estudo
continua em andamento.
A tecnologia usa uma molécula de mRNA para
estimular o sistema imunológico a reconhecer características específicas do
tumor. O Keytruda, por sua vez, atua bloqueando uma proteína que ajuda o câncer
a escapar da ação do sistema imune.
Segundo as empresas, não foram identificados
novos sinais de risco no tratamento combinado. A mesma tecnologia também está
sendo estudada para outros tipos de câncer, incluindo tumores de pulmão, bexiga
e rim.
Fonte: ICL Notícias

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