sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Consumo de chá e café ‘muito quente’ triplica risco de câncer, diz estudo

O hábito de consumir bebidas quentes logo após o preparo pode trazer graves prejuízos à saúde. Um estudo conduzido por pesquisadores da Unidade de Epidemiologia do Câncer da Universidade de Oxford, publicado no periódico científico International Journal of Cancer, revelou que ingerir chá ou café em temperaturas classificadas como “muito quentes” pode triplicar o risco de desenvolvimento do carcinoma de células escamosas do esôfago (SCC), um dos subtipos mais agressivos de câncer no sistema digestivo.

A pesquisa acompanhou quase 1 milhão de participantes (977.282 pessoas) e diagnosticou 2.348 casos de câncer de esôfago durante o período de monitoramento. Os dados mostraram que voluntários que preferiam consumir os líquidos muito quentes apresentaram um risco 3,17 vezes maior de desenvolver a doença em comparação com aqueles que ingeriam as bebidas em temperatura morna. Além disso, o volume diário também se mostrou um fator agravante: quem consome seis ou mais xícaras diárias de líquidos quentes apresenta um risco 71% maior de desenvolver a doença.

A explicação científica para a associação está no dano físico direto causado pelo calor. Bebidas servidas acima de 65°C provocam lesões térmicas contínuas na mucosa da camada interna do esôfago. A queimadura recorrente compromete a integridade do tecido e favorece a ação de agentes nocivos capazes de estimular a proliferação celular e o surgimento de tumores.

<><> Com se prevenir

Os autores da pesquisa assinalam que pequenas mudanças de hábito poderiam reduzir significativamente os diagnósticos da doença. A recomendação médica é aguardar alguns minutos após o preparo da bebida para que o líquido esfrie antes da ingestão.

Com base nos padrões observados na população analisada, os pesquisadores estimam que cerca de 14% dos casos de carcinoma escamoso de esôfago poderiam ser evitados simplesmente se os consumidores passassem a tomar as bebidas em temperaturas apenas moderadas.

•        Casos de câncer no mundo devem quase dobrar até 2050, alerta OMS

 O número de novos casos de câncer no mundo pode chegar a 35 milhões por ano até 2050, quase o dobro dos 20,6 milhões estimados atualmente, segundo relatório divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

A doença, que mata 26 mil pessoas por dia, já é a segunda maior causa de morte no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares. A cada ano são quase 10 milhões de mortos pelo câncer.

Os dados são do Relatório Global sobre a Situação do Câncer de 2026, feito pela OMS em parceria com a Iarc (Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer). O documento mostra que o avanço da doença tem sido acompanhado por desigualdades crescentes no acesso a prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos.

Reverter esse cenário, segundo a OMS, exige olhar não apenas para os indicadores clínicos, mas colocar a experiência de pacientes, familiares e cuidadores no centro das políticas de combate ao câncer. O relatório recomenda reforçar a proteção social, investir na formação de profissionais de saúde e garantir que os avanços em pesquisa e tratamento cheguem de forma equitativa a todos os países, independentemente da renda.

A diferença entre países ricos e pobres aparece nos indicadores de câncer de mama, por exemplo. Em países de alta renda, 87% das mulheres sobrevivem por pelo menos cinco anos após o diagnóstico, ante 42% nos de baixa renda.

O levantamento também aponta que em menos de um terço dos países o tratamento do câncer está incluído nos pacotes básicos de saúde garantidos pelo Estado —ou seja, na maior parte do mundo o paciente depende de plano privado ou de gastos do próprio bolso para custear o tratamento.

Pelo menos 45% dos pacientes com câncer enfrentam dificuldades financeiras devido à doença, de acordo com a OMS, sendo que mais da metade cita problemas de saúde mental e quase a totalidade dos cuidadores relata sobrecarga e isolamento social.

A OMS afirma ainda que cerca de 4 em cada 10 casos de câncer estão associados a fatores de risco evitáveis, como HPV e hepatites B e C, além de consumo de álcool e tabagismo. A organização diz também que o perfil da doença vem mudando devido a fatores como obesidade, sedentarismo, má alimentação e poluição do ar.

O câncer de pulmão segue como a principal causa de morte pela doença no mundo. Entre os homens, os tipos mais frequentes são tumores de pulmão, próstata e colorretal; entre as mulheres, incidência maior de cânceres de mama, pulmão e colorretal.

Quanto ao câncer infantil, a organização destaca a falta de medicamentos essenciais para o tratamento. Nos países de baixa e média baixa renda, a disponibilidade de 20 remédios prioritários varia de 9% a 54%. Já nos países de alta renda, o índice fica entre 68% e 94%.

•        Vacina experimental reduz risco de retorno do melanoma, aponta estudo preliminar

Uma vacina experimental personalizada contra o câncer reduziu o risco de retorno do melanoma após a cirurgia, segundo resultados preliminares de um estudo de fase final divulgado pela Moderna e pela Merck.

Pacientes que receberam a vacina junto com o Keytruda tiveram melhores resultados de sobrevida livre de recorrência e de metástase à distância do que aqueles tratados apenas com o imunoterápico.

A vacina, chamada intismeran autogene, é produzida de acordo com as mutações genéticas específicas do tumor de cada paciente. No estudo, 1.137 pessoas com melanoma cutâneo que haviam passado por cirurgia participaram da pesquisa. Dois terços receberam a combinação com Keytruda, enquanto um terço recebeu apenas o imunoterápico.

Na análise preliminar, o grupo que recebeu os dois tratamentos apresentou resultados estatisticamente superiores na sobrevida livre de recorrência e na sobrevida livre de metástase à distância. Os percentuais exatos de redução de risco ainda não foram divulgados, e o estudo continua em andamento.

A tecnologia usa uma molécula de mRNA para estimular o sistema imunológico a reconhecer características específicas do tumor. O Keytruda, por sua vez, atua bloqueando uma proteína que ajuda o câncer a escapar da ação do sistema imune.

Segundo as empresas, não foram identificados novos sinais de risco no tratamento combinado. A mesma tecnologia também está sendo estudada para outros tipos de câncer, incluindo tumores de pulmão, bexiga e rim.

 

Fonte: ICL Notícias

 

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