sexta-feira, 11 de setembro de 2026

BANCO MASTER: O evangelho segundo Vorcaro

Há palavras que, de tanto atravessarem os séculos, parecem adquirir uma imunidade particular ao desgaste. Evangelho é uma delas. Do grego euangélion, a boa-nova, designa aquilo que chega para anunciar uma verdade capaz de reorganizar a compreensão dos acontecimentos. No Brasil contemporâneo, porém, a palavra talvez comporte uma ironia adicional: algumas revelações não anunciam exatamente a salvação, mas ajudam a iluminar os subterrâneos do poder. O caso do Banco Master redige, a cada novo capítulo, o seu próprio evangelho – não de boas-novas como no livro cristão, mas de notícias suficientemente explosivas para alterar a leitura do que até ontem parecia apenas mais uma controvérsia do sistema financeiro. Essas denúncias portariam o mesmo sentido de “bons anúncios”?

Daniel Vorcaro tornou-se, nesse enredo, o personagem maior de maior destaque, o centro das narrativas, o elo que ligação entre extremos, o ponto em comum entre opostos. Não era um “simples” banqueiro que comandava uma instituição submetida a investigações que estava ali, mas o personagem central que detinha a própria árvore do Jardim do Éden, da “ciência do bem e do mal”, e oferecia a todos o fruto proibido. Assim como no enredo bíblico, os envolvidos degustam, apreciam seu sabor, mas diferentemente da crônica da Torá hebraica, eles não sentem remorso pela desobediência, como Adão e Eva, mas retornam para nova rodada de apreciação do fruto. Esse hábito criou uma rede colaborativa em que todos os envolvidos se tornavam cúmplices mutuamente, uma teia de areia sob a égide de Vorcaro. 

À medida que mensagens, documentos e relações vêm a público, emerge também o retrato de um personagem que circulava com desenvoltura por ambientes nos quais dinheiro e poder político se encontram. As conexões reveladas atravessam fronteiras partidárias e alcançam diferentes centros de decisão da República. O problema deixa, então, de caber confortavelmente na contabilidade de um banco: passa a dizer respeito à própria arquitetura das relações entre poder econômico e poder público.

Mais delicada é a entrada do Judiciário nessa narrativa. Quando relações privadas, encontros, contratos ou comunicações envolvendo personagens submetidos ao escrutínio estatal alcançam autoridades responsáveis, direta ou indiretamente, por instituições encarregadas de investigar e julgar, surge uma questão anterior até mesmo à responsabilidade jurídica individual: a confiança pública. Uma República não se sustenta apenas pela legalidade formal de seus atos, todavia pela certeza de que aqueles incumbidos de aplicar as regras não habitam um universo de relações inacessível às mesmas exigências impostas aos demais cidadãos. A máxima romana “dura Lex, sed lex”, na prática, é impraticável aos comparsas e poderosos, que na maioria das vezes nem são conhecidos pelos cidadãos (apenas após escândalos).

Talvez seja esse o verdadeiro “Evangelho segundo Vorcaro”. Não uma escritura produzida pelo banqueiro, evidentemente, mas uma espécie de narrativa involuntária do poder brasileiro, revelada por suas relações mais obscuras. O que o antropólogo brasileiro Roberto DaMatta teceu em seu Carnavais, Malandros e Heróis, sob o prisma desses três personagens, observamos na prática política ao apresentar as figuras do Político, do Juíz e do Banqueiro. Não que cada um represente condicionalmente um dos três abordados por DaMatta, mas personificam conforme à necessidade tanto o Malandro (o sem escrúpulos), quanto o Caxias (a ordem) ou o Renunciador (o meio termo, o conciliador). 

Cada mensagem exposta, cada encontro narrado e investigado, cada nova conexão descoberta pela quebra do sigilo telefônico, acrescenta um versículo a uma história ainda inconclusa – muito longe do contrário. E aquilo que começou como (mais) um caso de corrupção envolvendo uma parcela da grande cúpula governamental, ameaça converter-se em algo politicamente muito maior: uma radiografia das zonas de contato entre riqueza, influência e instituições no Brasil.

A vida “messiânica” do banqueiro Daniel Vorcaro conquista novos apóstolos, seus “milagres” ultrapassam a experiência particular e anuncia novos adeptos (que possam retribuir favores, de preferência) e sua liturgia particular. A particularidade desse fenômeno dionisíaco é que ela não desce dos céus ou é anunciada por profetas: emerge de celulares apreendidos, contratos, encontros e mensagens agora submetidos ao escrutínio público. O relatório da Polícia Federal sobre o aparelho de Daniel Vorcaro expôs uma rede de relações que alcança personagens do Judiciário, da política e de instituições centrais da República. O banqueiro aparece em meio a pedidos de ajuda, conversas reservadas e articulações envolvendo autoridades. É nesse primeiro sentido que a alegoria do evangelho ganha força: Vorcaro parece ser procurado não para multiplicar pães, mas possibilidades; não para realizar curas, mas para encontrar soluções onde os caminhos institucionais aparentemente se estreitam. O “milagre”, aqui, seria justamente a capacidade de converter proximidade em acesso e acesso em influência.

Há, contudo, uma segunda característica curiosa nesse evangelho profano: seu protagonista aparentemente necessitou de pouco esforço para fazer seu nome circular. Vorcaro tornou-se uma espécie de centro gravitacional de Brasília. Os Três Poderes são colocados contra a parede: as relações com o banqueiro e autoridades incluíam encontros e interlocuções que atravessavam diferentes interesses, desde a contratos milionários que favoreceriam empresas privadas de parentes até patrocínios para custear um certo filme. Não estamos diante de uma sociabilidade confinada à esquerda ou à direita, ao governo ou à oposição. Talvez resida nesse imbróglio uma das dimensões mais perturbadoras do caso: seus melhores propagandistas parecem ter sido aqueles que reconheceram no banqueiro alguém cuja proximidade valia a pena cultivar. Como discípulos involuntários, ajudaram a multiplicar o nome do “mestre”, fazendo da influência uma mercadoria cujo valor aumentava à medida que novos personagens importantes se aproximavam.

É quando chegamos aos vínculos com o Judiciário que a parábola deixa de ser apenas espirituosa e passa a produzir perguntas institucionais difíceis. Documentos divulgados pelo STF registram conversas atribuídas a Vorcaro e Alexandre de Moraes, referências a encontros entre ambos e contratos envolvendo o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes. Segundo a Polícia Federal, o primeiro contrato previa R$ 131,3 milhões brutos em três anos; outro negócio, de R$ 50 milhões, envolvia a possibilidade de transferência de ativos, embora o escritório sustente que essa segunda proposta não foi aceita nem assinada. As mensagens divulgadas também registram pedidos de Vorcaro relacionados a Paulo Gonet e Andrei Rodrigues. Nada disso autoriza, por si só, uma sentença antecipada sobre responsabilidades individuais. Mas é suficiente para colocar no centro do debate algo maior: até que ponto relações privadas entre agentes econômicos e autoridades podem se aproximar antes que a aparência de independência das instituições comece a desaparecer?

Todo evangelho possui também sua comunhão. No universo de Vorcaro, ela parece assumir uma forma mundana: encontros, viagens, aeronaves, eventos e ambientes exclusivos aparecem nos documentos e reportagens que reconstituem sua rede de relações. Segundo relatório da PF, noticiado pela Folha de São Paulo, entre os elementos investigados estão ofertas relacionadas a jato e helicóptero, contratos de honorários e eventos de luxo. É precisamente aí que a “ceia” adquire importância política. O luxo é menos interessante pelo seu caráter extravagante do que por sua função social: compartilhar espaços inacessíveis à maioria cria intimidade, pertencimento e reciprocidade. Não é necessário imaginar uma conspiração formal em torno de uma mesa. Redes de influência são frequentemente mais eficientes justamente quando ninguém precisa pronunciar aquilo que todos aprenderam a compreender. A comunhão cria vínculos; os vínculos produzem obrigações; e a memória dessas obrigações pode valer mais do que qualquer contrato. Se Leonardo da Vinci, famoso mestre renascentista, que reproduziu a famosa obra A Útima Ceia, fosse cooptado para registrar tal cena à luz do caso Master, certamente deixaria espaço para outros “discípulos” que nem foram expostos ainda. Certamente seria necessário mais que uma parede do refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, em Milão, onde a obra clássica está pintada.

É por isso que o “Evangelho segundo Vorcaro” talvez não seja, no fim das contas, uma história exclusivamente sobre Daniel Vorcaro. Assim como nos Evangelhos Canônicos, escritos pelos evangelistas, cada um deixa sua particularidade e ótica subjetiva sobre os fatos. O banqueiro pode ser apenas um personagem central das narrativas, mas o verdadeiro objeto recai sobre um ecossistema no qual dinheiro compra proximidade, proximidade produz prestígio (e prestígio abre portas que deveriam permanecer submetidas às mesmas regras para todos). Nesse evangelho às avessas, os discípulos não abandonam seus bens para seguir o mestre; aproximam-se justamente porque há bens, influência e possibilidades circulando ao redor dele. Os milagres são favores, a evangelização é o networking do poder e a comunhão é a intimidade que transforma relações institucionais em relações pessoais. Os “evangelistas” e “apóstolos”, ou seja, aqueles que contarão suas versões sobre os fatos e suas relações com o banqueiro, dirão mais sobre si mesmos do que sobre o “mestre”. Sem contar a possibilidade que poderão surgir novos “evangelhos”, ainda apócrifos. 

Acredito que seja nessa eventual possibilidade que o Evangelho segundo Vorcaro encontre seu capítulo, ou até mesmo versículo, mais perturbador. Durante anos, a “boa-nova” circulou pela boca de outrem: políticos, empresários, intermediários e personagens, indivíduos que gozavam do poder e influência e alçavam seu nome aos gabinetes, tribunais e salões. Vorcaro não precisou anunciar a própria importância: seus discípulos fizeram isso por ele. Cada aproximação ampliava seu prestígio e criava mais tentáculos; cada porta aberta legitimava a seguinte, ou possibilitava a abertura da próxima. Cada autoridade adicionada à sua rede tornava mais difícil distinguir onde terminavam as relações privadas e começava o poder que delas podia ser extraído. Interesses públicos foram invertidos aos interesses privados. 

Uma eventual delação exporia a curiosa construção e solidificação dessa lógica. Já não seriam os investigadores reconstruindo fatos, narrativas e a organicidade anatômica dessas relações, sejam através de mensagens, descobertas ou movimentações financeiras, mas o próprio Vorcaro seria o homem situado no centro delas oferecendo sua própria versão do mapa – nomes, circunstâncias, pedidos, interesses e, sobretudo, aquilo que pudesse ser comprovado. Naturalmente, delação não é sentença, e acusação não substitui prova. Mas há uma diferença política decisiva entre suspeitar da existência de uma engrenagem e ouvir alguém que esteve dentro dela explicar como as peças se encaixavam. Se Vorcaro possuir as provas que até agora não apresentou, sua maior moeda talvez já não seja o dinheiro que movimentou, mas aquilo que sabe sobre quem se aproximou dele.

Nesse momento, o Evangelho deixaria de ser escrito pelos discípulos. Não seriam mais eles a propagar a boa-nova do banqueiro capaz de abrir portas, aproximar interesses e realizar os pequenos “milagres” do poder brasileiro. Seria o próprio Vorcaro a tomar a palavra. E, se resolver contar tudo o que sabe – e puder provar o que conta –, talvez descubramos que o escândalo do Banco Master nunca tenha sido apenas a história de um banqueiro excessivamente próximo do poder, mas a história de um poder que também decidiu ficar excessivamente próximo de um banqueiro. O Evangelho segundo Vorcaro, então, deixaria de ser uma metáfora. Seria uma lista de personagens. E o juízo final, desta vez, caberia às provas.

Palavra da Salvação.

•        Banco Master: a investigação silenciada. Por David Deccache

O caso Master nos coloca diante desse impasse político. O bolsonarismo procura dar à indignação uma direção golpista, a serviço de um imperialismo interessado em submeter o Brasil e se apropriar de suas riquezas. Uma parte da esquerda, diante desse perigo histórico, assume a defesa das instituições que alimentaram a revolta e passa a tratar o descontentamento popular como uma ameaça a ser contida. Por esse caminho, ajuda a entregar à extrema-direita a direção da revolta popular que deveria disputar.

É justamente nessa disputa pela direção da revolta que André Mendonça cumpre seu papel. Sua encenação moralizadora convive com uma condução seletiva do caso que favorece politicamente Flávio Bolsonaro e protege o campo bolsonarista do desgaste de suas relações orgânicas com Vorcaro e com os interesses mais corruptos e abjetos do sistema financeiro expostos no escândalo. A manutenção do sigilo sobre a investigação do financiamento do filme de Bolsonaro, questionada por parlamentares no STF, é um exemplo dessa seletividade. O sentido político dessa atuação é canalizar a revolta popular contra adversários selecionados e colocá-la a serviço de uma recomposição autoritária do poder, preservando as estruturas que sustentam os próprios esquemas que ele afirma combater.

A indignação que poderia alcançar outros banqueiros e ameaçar seus mecanismos de blindagem passa, assim, a fortalecer um projeto que amplia essa proteção e reprime a organização dos trabalhadores. A atuação de Mendonça contribui para que essa revolta fortaleça uma saída autoritária, capaz de destruir as condições democráticas necessárias para enfrentar os próprios abusos que a alimentaram, abrindo caminho para intensificar a exploração do povo, a subordinação do país ao imperialismo e o saque das riquezas nacionais.

Enfrentar essa operação exige também denunciar com dureza a promiscuidade que alimenta a revolta e cobrar que Alexandre de Moraes responda por suas relações com Vorcaro expostas no caso. O escândalo revela a podridão das relações entre dinheiro e poder, e a esquerda precisa abandonar de vez a prática de relativizar suspeitas de corrupção e dar cobertura política à promiscuidade entre banqueiros e autoridades para proteger aliados de ocasião. Nenhuma conveniência tática justifica tamanho erro estratégico.

É preciso lembrar ao povo que Moraes é um homem de direita, com uma trajetória de defesa da ordem, repressão às lutas populares e ataques aos direitos trabalhistas. Ainda assim, encontrou em parte da esquerda uma disposição absurda de apagar sua história e justificar seus atos por ter enfrentado a tentativa de golpe que culminou no 8 de Janeiro. O cumprimento de sua obrigação mais elementar como ministro do Supremo lhe rendeu um cheque em branco de quem deveria preservar a independência política e a capacidade de crítica.

Reduzir a posição da esquerda à escolha entre Moraes e Mendonça significa subordiná-la à disputa entre frações e forças das classes dominantes, preservando as relações de propriedade e de poder que produziram a crise e sustentam a dominação do capital sobre a vida social. A revolta popular expressa, ainda que de forma difusa e contraditória, o repúdio à promiscuidade e ao poder de uma minoria que submete o Estado e a vida da maioria aos seus interesses.

Portanto, a esquerda precisa construir uma política própria, capaz de reconhecer as razões mais do que legítimas da revolta popular, enfrentar sua apropriação reacionária e organizar a luta contra as relações de poder que o escândalo expôs. Isso exige independência diante das frações dominantes em conflito e disposição para levar o combate à corrupção até suas bases materiais.

Para isso, um primeiro passo é romper os limites do debate moralista em que a cobertura dos escândalos costuma nos aprisionar. As mensagens, os encontros, os favores e as relações pessoais precisam ser investigados, com a responsabilização de todos os envolvidos. Mas cada revelação também deve servir para mostrar como a acumulação privada de riqueza, especialmente no setor financeiro, se converte em poder sobre as instituições e as mais altas autoridades do país. O confinamento dos escândalos à moralidade e à conduta dos indivíduos cumpre uma função política: permite que a sucessão de personagens e denúncias alimente indefinidamente o noticiário enquanto protege de qualquer questionamento a estrutura que produz essa promiscuidade. A grande imprensa participa das relações de propriedade e de poder que esse debate precisa expor. Cabe à esquerda avançar sobre esse terreno, revelar as entranhas do sistema e transformar a indignação contra seus personagens em força organizada contra as bases de sua dominação.

O próprio tamanho do Master oferece um ponto de partida. Vorcaro comandava um banco pequeno diante dos gigantes do setor. Se um banqueiro dessa dimensão conseguiu estabelecer uma rede tão extensa de acesso ao poder, de quais meios dispõem os grandes bancos para fazer prevalecer seus interesses? A pergunta permite avançar da investigação de um esquema para o exame de uma estrutura de dominação. É preciso investigar tanto os crimes quanto os mecanismos legais pelos quais o dinheiro concentrado influencia a elaboração das leis, a definição das políticas públicas e os limites do que se admite discutir.

Quanto mais riqueza se concentra, maior a capacidade de seus proprietários de interferir nas decisões do Estado. E quanto mais conseguem orientar essas decisões, melhores as condições para ampliar sua riqueza e reproduzir seu poder. A brutalidade da acumulação capitalista tem aí uma de suas bases políticas: uma minoria dispõe de meios permanentes para subordinar decisões que afetam milhões de pessoas aos interesses de seus negócios.

Em uma economia financeirizada como a brasileira, bancos, fundos e grandes detentores de patrimônio financeiro ocupam uma posição central na dominação de classe pelo poder que exercem sobre o crédito, o investimento e a apropriação da renda produzida pela sociedade. O endividamento das famílias, a dependência financeira das empresas e a disputa pelo orçamento público ampliam os meios pelos quais o capital rentista se apropria dessa riqueza e impõe suas exigências.

Sua força política permite pressionar por juros elevados e políticas de austeridade que deterioram os serviços públicos e abrem novas oportunidades de mercantilização e financeirização dos direitos sociais. Na educação, a insuficiência da oferta pública favorece PPPs e conglomerados privados. Na previdência, reformas que ampliam a capitalização transformam recursos destinados às aposentadorias em fonte de financiamento para bancos e fundos, como ocorreu nas aplicações do Rioprevidência em papéis do Master. O enfraquecimento da proteção pública e a reorganização de seu financiamento alimentam negócios privados e ampliam o poder financeiro sobre a vida dos trabalhadores.

O capital financeiro encontra oportunidades de acumulação na própria destruição das garantias coletivas que deveriam proteger a população. A captura das instituições integra esse processo: influenciar leis, orientar políticas públicas e obter proteção junto às autoridades permite abrir mercados, assegurar receitas e preservar negócios. A promiscuidade exposta pelo caso Master precisa ser compreendida dentro dessa relação entre acumulação de riqueza e exercício do poder.

Levar essa discussão ao povo abre perguntas que deveriam estar no centro da atuação da esquerda. Por que uma atividade capaz de exercer tamanho poder sobre a sociedade deve permanecer sob controle privado? Por que deixar nas mãos de poucos banqueiros decisões sobre o crédito, o investimento e o destino da riqueza social? A estatização do sistema financeiro, acompanhada de controle democrático e participação dos trabalhadores, precisa entrar nesse debate. O mesmo vale para a democratização do Judiciário: quem fiscaliza os ministros, como se apuram seus conflitos de interesse, quais limites devem existir para suas relações com o poder econômico e como submeter suas prerrogativas ao controle da sociedade?

A esquerda precisa organizar essa revolta para que os trabalhadores possam acertar contas com a ordem que os explora, antes que seus inimigos façam dela a força de um novo golpe.

 

Fonte: Por Railson Barboza, no Le Monde/Outras Palavras 

 

Nenhum comentário: