“Os efeitos dominó do 11 de Setembro explicam
o mundo de hoje”, garante historiador
Os
quase 17 minutos que se passaram entre o primeiro avião atingir a Torre Norte
do World Trade Center e o segundo atingir a Torre Sul marcaram o fim
de uma era e o início de outra. O historiador Garrett Graff argumenta
que, nesse intervalo, o “otimismo inocente” que definiu a segunda metade do
século XX em seu país desapareceu e que, 25 anos depois, vivemos em um mundo
moldado pelo medo e pela incerteza desencadeados naquela
época. O historiador passou uma década investigando o 11 de Setembro e suas
consequências, que ele relatou em palestras, podcasts, artigos e em seu livro
publicado em 2019 e agora relançado, The Only Plane in the Sky (O
Único Avião no Céu). O título se refere ao Air Force One, no qual o
presidente George W. Bush e membros de
seu gabinete voaram por horas, com poucas informações sobre o caos e a tragédia
em terra, enquanto todos os outros aviões haviam recebido ordens para pousar ou
seriam abatidos.
O livro
de Graff é o relato oral mais completo daquele dia, compilado a
partir de 500 depoimentos dentre os milhares que ele examinou, de
sobreviventes, vítimas, bombeiros, policiais, políticos e cidadãos comuns. Ele
queria registrar o que acredita ser frequentemente perdido daquelas horas: o
relato cru, direto e emocional de como tudo foi vivenciado. Mesmo hoje, é
difícil ler as transcrições das ligações dos aviões e das torres sem sentir
angústia. As despedidas nas secretárias eletrônicas e as histórias das
comissárias de bordo sequestradas são impressionantes, assim como a sensação de
impotência naqueles primeiros momentos em que ninguém entendia o que estava por
vir.
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Eis a entrevista.
- Considerando as guerras, a pandemia e o
trauma vivenciado, ou mais recentemente, através das redes sociais, o 11
de Setembro teve o mesmo impacto para aqueles que não eram nascidos na
época ou eram muito jovens para se lembrarem, quanto teve para nós que o
vivenciamos? Éramos mais inocentes há 25 anos?
Nos Estados
Unidos, 40% da população é jovem demais para se lembrar do 11 de Setembro. Não sei a porcentagem na Espanha, mas
provavelmente é semelhante. Em muitas partes do mundo, é ainda maior. Para a
geração que cresceu à sombra do mundo criado pelo 11 de Setembro, é
difícil entender o quão diferente e inocente os Estados Unidos eram em 2001. Nós,
americanos, somos muito ruins em entender nossa história e nosso lugar no
mundo. Há uma longa tradição na política americana de imaginar que
os Estados Unidos são excepcionais e imunes à história ou às coisas
ruins que acontecem no resto do mundo. Isso ficou muito claro em 11 de
Setembro, quando fomos surpreendidos pelo ataque da Al-Qaeda aqui, em
nossos símbolos mais emblemáticos de poder financeiro e militar. Nos 17 minutos
entre o primeiro e o segundo impacto, pouquíssimas pessoas imaginaram que se
tratava de um ataque: nesses 17 minutos, perdemos nossa inocência.
- E depois?
A falta
de compreensão das forças da história foi um fator determinante em tudo o que
se seguiu. Os Estados Unidos embarcaram na invasão do Iraque em
2003 com
uma enorme falta de conhecimento sobre o Oriente Médio, sua história e sua
política. Vinte e cinco anos depois, o mesmo pode ser dito sobre a forma como
os Estados Unidos
iniciaram a guerra no Irã. As pessoas no resto do mundo entendem melhor do que as
pessoas nos Estados Unidos o quanto tudo isso faz parte da mesma história dos
ataques de 11 de Setembro: a guerra no Iraque e a guerra atual no Irã são
consequências dos efeitos do 11 de Setembro.
- Será que o 11 de Setembro explica tudo
isso e o que estamos vivenciando agora?
Os
efeitos dominó do 11 de Setembro foram tremendos. E sim, acredito que
eles explicam o mundo atual, se observarmos as consequências da guerra
no Iraque, como ela contribuiu para o surgimento do Estado Islâmico e seus efeitos,
a revolução na Síria e como isso desencadeou uma crise de refugiados em lugares
como Grécia e Turquia, e como isso, por sua vez, ajudou na ascensão da
extrema-direita,
incluindo novos partidos na Europa, e como contribuiu para
o Brexit... Se analisarmos a fundo, posso argumentar que o 11 de Setembro
mudou completamente quase todos os aspectos da política nacional e
internacional. Donald Trump é um produto dos sentimentos anti-muçulmanos e
anti-imigrantes que ganharam destaque na política republicana após o 11 de
Setembro. Ser anti-muçulmano e anti-imigrante é uma das poucas posições
políticas que Donald Trump manteve consistentemente ao longo de sua carreira.
No contexto da política interna, sejam as batidas do ICE ou o
destacamento da polícia de fronteira nas ruas de Los
Angeles, Minneapolis e Chicago, ou as restrições a estudantes
estrangeiros nos Estados Unidos: tudo isso é consequência do impacto do 11
de Setembro.
- No livro de 2019, não há menção a Trump
nos relatos orais daquele dia. Ele era um incorporador imobiliário na
época, mas também uma figura proeminente em Nova York… Ele estava presente
nos depoimentos que você analisou?
Sim,
acabei de gravar um episódio bônus para o podcast Long Shadow, em 2021,
sobre as perguntas sem resposta do 11 de Setembro. Ele é uma parte
importante disso. Daquele dia, há a entrevista bizarra que ele deu a uma
emissora de televisão de Nova Jersey naquela tarde, onde falou sobre
como seu prédio era o mais alto do sul de Manhattan depois do colapso
das Torres Gêmeas.
- O que não era verdade…
Exatamente.
Naquela mesma tarde, ele fez um discurso sobre como reagiria ao 11 de
Setembro como presidente e qual seria sua abordagem em relação aos
muçulmanos. Na campanha de 2015-2016, ele causou polêmica ao dizer que havia
muçulmanos dançando nas ruas de Jersey City comemorando os
ataques, o que não aconteceu. Isso fazia parte da campanha dele.
- Há alguma questão em aberto ou área que
necessite de investigação adicional em relação aos ataques?
Existem
duas áreas que nunca exploramos completamente. Uma delas é a ligação
da Arábia Saudita com os ataques de 11 de Setembro e
até que ponto funcionários ou representantes do governo saudita auxiliaram os
sequestradores ou tinham conhecimento prévio dos ataques. Essas questões
permanecem sem resposta, e há processos judiciais em andamento relacionados ao
envolvimento da Arábia Saudita. O governo dos EUA tem sido
bastante reservado quanto à divulgação de alguns documentos ainda classificados
relacionados a esse assunto. Há outra questão que me interessa pessoalmente:
não creio que tenhamos chegado ao fundo da questão sobre o que
a CIA sabia a respeito de dois dos sequestradores do 11 de
Setembro que estavam nos Estados Unidos antes do ataque. A CIA sabia que
dois sequestradores, Nawaf al-Hazmi e Khalid al-Mihdhar,
haviam chegado aos Estados Unidos. Essa informação nunca chegou
ao FBI, e não foi totalmente esclarecido o que a CIA fez com ela.
- E quanto ao voo 93, que caiu na
Pensilvânia? Ele recebeu muita atenção devido à história dos passageiros e
da tripulação lutando contra os terroristas e à ordem do vice-presidente
Cheney para abater aviões sequestrados. Há algo ainda a esclarecer?
Não.
Temos um quadro bastante completo. Em alguns aspectos, temos uma compreensão
melhor do que aconteceu no voo 93 da United Airlines do que
em outros voos sequestrados, porque temos tanto extensas gravações de
telefonemas daquele avião quanto a gravação da caixa-preta. Parece bastante
claro que o alvo era a Casa Branca ou o Capitólio, dependendo de
qual fosse mais acessível. A resposta mais provável é o Capitólio.
- Será que o choque com o ocorrido também
se deveu à falta de imaginação das autoridades? É impressionante que
Robert Mueller, o diretor do FBI, não tenha pensado em terrorismo, mas sim
em como um avião poderia ter se chocado contra um prédio em um dia tão
claro.
Isso
demonstra a ingenuidade dos Estados Unidos. A reação dos líderes do país
naquele dia foi muito semelhante à dos americanos comuns: "Ah, um avião
caiu no World Trade Center. Deve ter sido um avião pequeno, um acidente,
talvez o piloto tenha tido um ataque cardíaco." Só depois do segundo avião
atingir o prédio é que houve uma percepção real de que se tratava de um ataque.
Foi o momento em que os Estados Unidos perceberam que não eram
intocáveis e que as coisas que
aconteciam no resto do mundo também poderiam acontecer
aqui.
- É extraordinário ver, da perspectiva de
2026, que naquele dia houve um exercício militar simulando um ataque
nuclear russo.
Sim,
isso ajuda a ressaltar o quão diferente era nossa visão de mundo. O governo
dos EUA acreditava, naquela época, que sua maior ameaça era
a Rússia.
- O que você gostaria que as gerações mais
jovens entendessem sobre aquele dia e suas consequências?
Isso
tem muito a ver com o motivo pelo qual escrevi meu livro como uma história
oral. O poder da história oral reside em garantir que as pessoas que não
vivenciaram o 11 de Setembro entendam como foi vivenciá-lo. Contamos
a história de que os ataques começaram às 8h46 e terminaram 102 minutos depois.
Foram quatro aviões, quatro ataques, 3.000 mortes. Tudo isso é factual, mas não
representa como foi viver o 11
de Setembro.
Voltando àqueles 17 minutos, os americanos não sabiam quando os ataques haviam
começado nem quando haviam terminado. Durante a maior parte do dia, não
sabíamos quantos ataques haviam ocorrido. Por quase toda a manhã, houve relatos
de um carro-bomba no Departamento de Estado. O governo americano acreditava,
até as 13h, que ainda havia uma dúzia de voos sequestrados no ar. Não havia a
sensação de que os ataques estavam limitados
a Nova York, Washington e Pensilvânia. Arranha-céus foram
evacuados por todos os Estados Unidos,
a Disney World fechou na Flórida, o metrô
de Toronto foi paralisado no Canadá. Onde quer que você
estivesse, sentia que o terrorismo poderia te alcançar. Minha história tenta
relembrar às pessoas como nos sentimos, porque se você conhece apenas os fatos
do 11 de Setembro, perde a reação emocional, o medo, o caos,
a confusão e o trauma. Esse medo, caos, confusão e trauma, juntamente
com a incerteza, explicam por que os Estados Unidos reagem da
maneira que reagem. Não se pode entender a invasão do Iraque sem
compreender essa sensação de medo, trauma e incerteza.
- Há alguma história que ainda lhe vem à
mente?
Há
muitas. Sempre conto a história de Peter Johansen, um dos capitães da
balsa de Nova York. Ele e os passageiros viram o primeiro impacto no
porto de Nova York quando atravessaram de Nova
Jersey e atracaram no terminal de Wall Street, na ponta sul
de Manhattan. Papéis e destroços flutuavam ao redor deles quando
desembarcaram. Mesmo assim, todos desceram e caminharam em direção à área.
Ninguém disse naquele momento: “Parece que algo terrível está acontecendo; eu
deveria dar meia-volta e ir para casa”. Todos pensavam que iriam seguir com
suas vidas, mesmo ali mesmo, no sul de Manhattan.
- Será que as histórias orais, com sua
maneira crua e emocional de contar a história, têm um valor especial
nestes tempos em que é tão difícil chegar a um consenso básico sobre os
fatos?
Penso
muito em como as coisas seriam diferentes hoje se vivenciássemos
uma crise ou catástrofe semelhante. Houve um período de
grande união e patriotismo após o 11 de Setembro.
O lance
em que George W. Bush lança a primeira bola no Jogo 3 da Série
Mundial no Yankee Stadium sempre foi um momento icônico de
patriotismo e união nos Estados Unidos. É completamente impensável
imaginar isso acontecendo hoje. Estamos mais polarizados, mas o fluxo de
teorias da conspiração e desinformação desde os primeiros minutos do ataque
também seria avassalador: se o 11 de Setembro acontecesse hoje,
seríamos instantaneamente inundados por informações falsas.
- Seu próximo livro, que será publicado em
novembro, trata de como os Estados Unidos evoluíram ao longo de seus 250
anos de história. Então, você continua otimista?
Acredito
que sim. Os Estados Unidos têm capítulos sombrios — às vezes, longos
capítulos sombrios —, mas, quando se analisa o país não em termos de anos, e
sim de gerações, vê-se que ele sempre se esforçou para ser melhor, mais forte,
mais justo e mais igualitário internamente. Isso não significa que tenhamos
feito tudo certo, mas, sem dúvida, é um momento em que os americanos precisam
de esperança e otimismo.
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As teorias de conspiração sobre 11/09 que circulam até
hoje
Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 entraram para a
história como os mais graves já registrados. Após 25 anos, muitos continuam
acreditando em teorias da conspiração que surgiram sobre o episódio.
O
atentado suicida teve início com o sequestro de quatro aviões de passageiros
pela rede terrorista islamista Al Qaeda. Dois deles foram lançados contra as Torres
Gêmeas do World Trade Center, em Nova York; outro atingiu o Pentágono, em
Washington D.C., sede do Departamento de Defesa dos EUA. O quarto avião tinha
como alvo, supostamente, o Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos. No entanto, caiu na
Pensilvânia depois que passageiros detiveram os sequestradores.
Os
atentados suicidas mataram quase 3 mil pessoas e deixaram milhares de feridos.
Imagens e vídeos dos ataques circularam pelo mundo inteiro.
O 11 de
Setembro foi um acontecimento que transformou o mundo, tanto em relação ao
terrorismo quanto às teorias da conspiração. "Foi um ponto de gatilho
que desencadeou muita coisa: debates sociais que antes não existiam, problemas
de segurança até então desconhecidos", resume o historiador Claus
Oberhauser em entrevista ao programa de checagem de fatos alemão
BR-Faktenfuchs.
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Envolvimento do governo americano?
Eventos
como o 11 de Setembro são um prato cheio para teorias conspiratórias, aponta
Daniel Jolley, professor de psicologia social e pesquisador do tema na
Universidade de Nottingham.
Não à
toa: até hoje há quem questione como o país mais poderoso do mundo pode ser
pego de surpresa dessa forma. Alguns encontram respostas em narrativas
conspiratórias.
Segundo
uma pesquisa do YouGov realizada em 2023, um em cada cinco americanos
acreditava que o governo dos Estados Unidos esteve por trás dos atentados. Essa
crença, que circula há décadas, demonstra que muitas pessoas desconfiam das
instituições e dos "poderosos", explica Jolley.
Uma das
teorias que alimenta a crença de envolvimento do governo americano nos
atentados é que as Torres Gêmeas e outros edifícios do World Trade Center não
teriam sido destruídos pelos impactos dos aviões, mas sim por implosões
controladas. Ou que os aviões seriam responsáveis por apenas parte do
dano.
Essa
narrativa não é alimentada somente nas redes sociais, mas também se baseia em
afirmações de alguns indivíduos da comunidade científica. Um dos argumentos
frequentemente citado é que as nuvens horizontais de fumaça observadas durante
o colapso das torres indicariam explosões controladas nos andares inferiores.
No entanto, não há qualquer evidência de que explosivos ou bombas tenham sido
encontrados no local.
Além
disso, investigações como as conduzidas pelo Instituto Nacional de Padrões e
Tecnologia dos Estados Unidos (NIST, na sigla em inglês) explicam como o
impacto dos aviões levou ao incêndio das torres e, consequentemente, ao seu
colapso. Segundo o órgão governamental, isso foi corroborado pelas gravações em
vídeo dos ataques.
Outras
análises, como as realizadas pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts
(MIT) e pela empresa de consultoria Weidlinger Associates, chegaram à mesma
conclusão.
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Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração?
Segundo
Jolley, eventos repentinos e inesperados como o 11 de Setembro podem fazer com
que determinadas necessidades psicológicas não sejam satisfeitas, especialmente
"a necessidade de manter o controle, ter certeza sobre o que acontece e
evitar o medo".
É
nessas horas que surgem muitas perguntas sem resposta: Como ocorreu o ataque?
Quem está por trás dele? "São justamente essas lacunas que fazem as
teorias da conspiração florescerem", explica o historiador Oberhauser. É
aí que, segundo ele, algumas pessoas passam a considerar a possibilidade uma
grande conspiração.
"Qualquer
pessoa pode acabar acreditando em teorias da conspiração",
acrescenta Karen Douglas, professora de psicologia social da Universidade
de Kent.
Ainda
assim, Jolley ressalta que ninguém simplesmente acorda um dia desconfiando de
tudo e de todos. "É mais provável que isso seja uma jornada moldada pelas
experiências de vida, por exemplo pelas adversidades que uma pessoa
enfrentou." Segundo ele, a forma como alguém lida com crises também
influencia. Quem é mais ansioso pode ser mais suscetível a
acreditar nessas teorias, pontua.
As
redes sociais desempenham um papel importante na rápida disseminação desses
mitos. Embora elas já existissem antes do 11 de Setembro, sua expansão global
só ganhou força a partir de 2004, com o Facebook.
Hoje,
bilhões de pessoas utilizam aplicativos como Instagram, WhatsApp, Telegram e YouTube. Nesses ambientes circulam tanto informações
verdadeiras quanto desinformação e teorias da conspiração, e nem todo conteúdo
falso é removido rapidamente pelas plataformas.
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Por que as teorias da conspiração são problemáticas?
Os
especialistas consultados pela DW citam três principais razões pelas quais as
narrativas conspiratórias são consideradas perigosas:
- Embora elas
prometam reduzir o medo e aumentar a sensação de segurança, o que acontece
geralmente é o oposto: mais desconfiança em relação ao governo e à
sociedade, contribuindo para o isolamento social.
- Mistura de fatos
com informações falsas: diferentemente da desinformação explícita, muitas
teorias da conspiração não podem ser facilmente desmentidas porque não se
baseiam em afirmações claramente verificáveis ou refutáveis. Sua essência
é justamente a ideia de que um grupo de conspiradores atua em segredo e
que a população em geral não deve saber disso.
- Consequências
reais e influência sobre o comportamento das pessoas: ao longo da
história, teorias da conspiração alimentaram preconceito, genocídio,
desinformação médica (a exemplo da covid) e negacionismo
climático.
No caso
do 11 de Setembro, teorias conspiratórias frequentemente responsabilizam um
grupo: judeus. Um mito amplamente compartilhado nas redes sociais afirma
que o atentando teria sido organizado por judeus. Essa narrativa deriva de uma
antiga mentira antissemita, sem base em
qualquer evidência, de que os judeus formariam um coletivo empenhado em dominar
ou controlar o mundo.
Grupos
específicos, como judeus, muçulmanos e pessoas LGBTQ+, são frequentemente responsabilizados por
atos que não cometeram, aponta Jolley.
Os
judeus, em particular, foram repetidamente alvo de mitos conspiratórios ao
longo da história, e continuam sendo até hoje, afirma ele. Um exemplo na
Alemanha é o caso do extremista de direita que
tentou invadir uma sinagoga na cidade de
Halle em 2019 e que compartilhava teorias conspiratórias
antissemitas na internet.
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Como reagir às teorias da conspiração?
Na
Alemanha, organizações não governamentais e instituições públicas, como a
Agência Federal de Educação Política, oferecem orientações sobre como lidar com
amigos ou familiares que acreditam em teorias da conspiração.
Entre
as recomendações estão dialogar de forma respeitosa e em pé de igualdade, e
buscar juntos informações confiáveis. Também é importante identificar
claramente manifestações de antissemitismo, racismo e outras posições
extremistas e se posicionar contra elas. Outro fator importante, segundo o
historiador Oberhauser, é restaurar a confiança na ciência e nos fatos.
Fonte: Entrevista com Garrett Graff, para
María Ramírez, em elDiario.es/IHU/DW Brasil

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