O acordo petrolífero de Trump representa um
retorno ao passado colonial da Venezuela
Na
noite de sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou — por meio
de uma publicação na Truth Social — o
“maior acordo petrolífero da história
mundial”, que faria com que os Estados Unidos assumissem o controle parcial de
impressionantes sessenta e cinco bilhões de barris de petróleo venezuelano,
mais que dobrando as reservas atuais dos Estados Unidos.
O
secretário de Estado Marco Rubio, que negociou o acordo com a presidente
interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, saudou o acordo como
“uma grande vitória tanto para o povo estadunidense quanto para o venezuelano”,
acenando com a perspectiva empolgante de “quase US$ 100 bilhões em
investimentos privados” para a Venezuela e a criação de “milhares de empregos
bem remunerados”.
Detalhes
do acordo já vazavam na tarde de quinta-feira, com fontes sugerindo que se
trataria de um arrendamento de cem anos
para dezessete campos de petróleo — incluindo áreas de petróleo pesado ainda
não exploradas na Faixa do Orinoco, bem como áreas de petróleo leve já
exploradas no Lago Maracaibo. O acordo também foi anunciado em meio a rumores
de que a Venezuela poderia estar deixando a Organização
dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
As
reações ao acordo foram imediatas. Os institucionalistas, tanto neoconservadores quanto liberais, uniram-se na
incredulidade e na raiva pelo fato de Rubio ter feito um acordo de longo prazo
com Delcy. A esquerda de todas as tendências nos Estados Unidos, em sua
maioria, opôs-se ao acordo por seus objetivos claramente imperialistas e por
macular ainda mais o legado de Hugo Chávez.
O Wall
Street Journal comparou o acordo
a O poderoso chefão: Parte II, e especialistas em energia e
negócios se mostraram céticos quanto ao seu potencial impacto nos mercados —
apontando, com razão, que os detalhes eram obscuros. A percepção pública também
foi prejudicada quando surgiram notícias de que o oligarca venezuelano do
petróleo, Alejandro
Betancourt, estaria
no comando das operações sob o acordo.
Mas
talvez o mais chocante seja que o acordo inclui uma cláusula, sem precedentes
na história dos EUA, que permite ao Escritório de Capital Estratégico do
Pentágono adquirir uma participação de 35% na
recém-formada entidade privada de extração, juntamente com o direito de comprar
20% da produção a preço de custo.
Os
linha-dura de Miami, o centro da política externa estadunidense em relação à
Venezuela, não sabiam o que pensar. Durante anos, defenderam políticas de
“pressão máxima”, prevendo que o colapso do governo venezuelano abriria caminho
para que o lobby dos exilados nos EUA gerenciasse a privatização do país. Em
vez disso, Rubio, o linha-dura de Miami mais poderoso do mundo, os ignorou
completamente. Em um episódio notável, a
congressista Maria Elvira Salazar apagou sua resposta negativa inicial ao
acordo no X e a substituiu por uma avaliação extremamente positiva.
Na
noite de sábado, Delcy Rodríguez explicou o acordo em um breve pronunciamento
televisionado, destacando seus “inúmeros benefícios” para o povo
venezuelano e reiterando a premissa central de sua presidência: apesar das
aparências em contrário, o governo venezuelano permanece soberano.
Crucialmente, Rodríguez mencionou um arrendamento de 25 anos, contradizendo
relatos anteriores de uma concessão de 100 anos. Seu cálculo de royalties
também assumiu um preço base de US$ 65 por barril de petróleo, o que alguns
consideraram severamente subvalorizado. Longe de esclarecer qualquer coisa, o
pronunciamento aumentou a confusão em torno do acordo.
“Não
temos documentos escritos”, observa o economista político Antulio Rosales.
“Temos publicações da Truth Social e um discurso de cinco minutos de Delcy
Rodríguez. Isso é uma aula magistral de governança autoritária; falta
transparência, falta legitimidade política e não houve debate no parlamento
venezuelano nem no Congresso estadunidense.”
“O
consenso nacionalista em torno dos recursos naturais na Venezuela foi
construído ao longo de décadas por meio de amplos movimentos políticos que
transcendiam ideologias.”
Na
Venezuela, o acordo resultou em um desfecho político impensável meses atrás: os
conservadores estão furiosos com o governo Trump. “Este acordo ofende os
direitistas que presumiam ter um papel intermediário na gestão de recursos”,
explica o historiador Miguel Tinker Salas. “Agora, eles não têm papel nenhum.”
Isso
está criando um pequeno consenso em um país amplamente percebido como
politicamente disfuncional e polarizado. “Há uma indignação maior na Venezuela
tanto por parte da direita quanto da esquerda, que sentem que o país foi
vendido”, acrescentou Salas. “Ironicamente, isso os uniu.”
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As raízes profundas do nacionalismo petrolífero venezuelano
No
início do século XX, o ditador venezuelano Juan Vicente Gómez concedeu amplas e
vantajosas concessões a conglomerados petrolíferos estrangeiros para garantir
apoio internacional ao seu regime autocrático. Tinker Salas traça um paralelo
direto entre o acordo de Trump e essa época: “O contrato anunciado por Trump
nos leva de volta à época em que o petróleo foi descoberto. Uma época em que
ditadores como Juan Vicente Gómez tomavam decisões em nome do país.”
Uma
ideia equivocada e bastante difundida sobre a política de recursos naturais da
Venezuela — perpetuada por Washington e pela imprensa internacional — é a de
que o nacionalismo de recursos naturais na Venezuela foi uma invenção
ideológica de Hugo Chávez. Na realidade, esse consenso foi construído ao longo
de décadas por meio de amplos movimentos políticos que transcendiam ideologias.
“O
nacionalismo petrolífero evoluiu desde o início do século XX e atingiu o seu
auge na década de 1960 e quando a indústria foi nacionalizada na década de
1970”, explica Rosales. “Baseava-se na ideia de que era necessário controlar
tanto o recurso no subsolo (rendas e royalties), como a indústria na superfície
(através do monopólio da extração com uma empresa nacional).”
Desde a
promulgação da Lei de Hidrocarbonetos em 1943 até a histórica nacionalização de
1976 sob o governo do social-democrata Carlos Andrés Pérez, os princípios da política
energética venezuelana moderna permaneceram consistentes. A Constituição de
1999, documento fundamental da Quinta República Bolivariana, os codificou
explicitamente. “A Constituição venezuelana é clara: o petróleo pertence ao
povo venezuelano”, enfatiza Tinker Salas. “Este acordo contraria todos os
processos normativos, legais e políticos pelos quais a Venezuela passou nos
últimos setenta anos.”
Isso
ajuda a explicar por que a reação a esse acordo tem sido tão uniformemente
negativa em todo o espectro político. Durante anos, o Partido Socialista Unido
da Venezuela (PSUV), no poder, alertou que, se figuras da oposição de direita,
como María Corina Machado, chegassem ao poder, elas entregariam a riqueza
petrolífera da Venezuela para os estadunidenses. “Muitos venezuelanos temiam
que MCM voltasse e concordasse com o mesmo acordo que Delcy acabou de assinar”,
observa Salas.
“Há um
descontentamento latente na Venezuela, como um vulcão”, alerta Salas. “O
petróleo já não gera a expectativa de mudança social e política.”
Na
sequência do anúncio, um discurso político pequeno, mas notável, emergiu nas
redes sociais latino-americanas, sugerindo que este acordo marca o fim da
Quinta República. O contrato social que definiu a Venezuela moderna, a promessa
de que as rendas e a produção de petróleo serviriam como motor para o
desenvolvimento nacional e a redistribuição social, foi fundamentalmente
rompido.
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Negócios desonestos
Sabemos
que o próprio acordo será regido por “contratos de participação produtiva”, um
modelo de concessão recente e opaco no qual entidades privadas, apoiadas pelos
EUA, assumem o controle operacional total. Como explica Ricardo Vaz, editor
da Venezuelanalysis, esse arranjo priva a Petróleos de Venezuela, a
companhia petrolífera nacional, de sua função principal. Ele “transfere campos
de petróleo promissores e de primeira linha, consolidando ainda mais o status
da Venezuela como mera proprietária de recursos petrolíferos, em vez de
produtora de petróleo”.
O PSUV
está fazendo todo o possível para contradizer essa caracterização. “Delcy está
tentando dizer que seu acordo é compatível com os princípios básicos do
nacionalismo petrolífero, e a renda mínima de 16% é um detalhe importante”,
observa Rosales. “É o mínimo que qualquer nacionalista petrolífero consideraria
suficiente. Esse número simboliza uma longa luta contra autocratas, como o
déspota Juan Vicente Gómez, que concedeu vantagens com base nesse valor.”
“A
Venezuela esteve na vanguarda da ascensão da indústria de hidrocarbonetos.
Agora, está na vanguarda de seu declínio.”
Embora
seja verdade que este acordo não teria sido possível no âmbito constitucional
vigente até janeiro de 2026, o terreno já havia
sido preparado por meio de uma reestruturação interna do aparelho estatal. “A
atual dinâmica do petróleo é uma crise prolongada que tem suas raízes na má
gestão, na corrupção e na crise da economia venezuelana — que levou os trabalhadores
petrolíferos venezuelanos a deixarem o país — bem como nas prolongadas sanções
estadunidenses”, detalha Rosales. Essas sanções são cruciais, pois privaram a
Venezuela de investimentos estrangeiros e levaram à aprovação da Lei Antibloqueio de 2020, na
qual os contratos de participação produtiva foram concebidos pela primeira vez.
Para
facilitar o investimento estrangeiro, o governo venezuelano retirou do poder
legislativo sua função de fiscalização e transferiu a aprovação e o controle
regulatório para o executivo. Embora o governo Trump tenha exigido novas
mudanças em nome das corporações dos EUA, Rosales observa que o terreno já
estava preparado internamente: “Seria um erro dizer que isso era desejado
apenas pelos Estados Unidos. A elite política venezuelana também queria mudar o
foco da aprovação, da fiscalização e do controle do parlamento para o
executivo. Eles deram sinal verde para uma abordagem mais autoritária na gestão
do petróleo.”
“Eu não
necessariamente chamaria isso de ‘comércio de petróleo’, porque sugere uma
relação entre iguais”, observa Vaz. “O que temos agora, em meio a condições
muito obscuras, é um setor energético venezuelano completamente subordinado aos
interesses dos EUA… As receitas petrolíferas da Venezuela estão atualmente sob
controle da Casa Branca. Os fundos são depositados em uma conta do Tesouro dos
EUA antes que as autoridades estadunidenses decidam os prazos e os valores a
serem repassados a Caracas.”
Outra
profunda tragédia do acordo reside em suas implicações para o meio ambiente e
para o desenvolvimento futuro tanto dos Estados Unidos quanto da Venezuela,
prendendo ambos os países à economia do petróleo justamente no momento em que
ambos deveriam estar investindo em alternativas renováveis.
“A
Venezuela esteve na vanguarda da ascensão da indústria de hidrocarbonetos.
Agora está na vanguarda de seu declínio, mas desta vez sem o consentimento da
sociedade venezuelana”, reflete Rosales. “Os Estados Unidos e a Venezuela estão
intimamente ligados. E estão intimamente ligados à indústria de combustíveis
fósseis em um mundo que precisa desesperadamente de alternativas de energia
limpa. […] A diversificação energética é a única coisa que faz sentido para o
desenvolvimento contínuo da economia global, e ambos os países estão lhe dando
as costas.”
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Uma privatização que decepcionará todas as partes
Na
Venezuela, o legado da Revolução Bolivariana é agora contestado não apenas por
movimentos sociais populares, mas também pelas forças governamentais. “O que
temos visto até agora é uma notável disciplina [partidária], mesmo com o
projeto se afastando drasticamente de seus princípios fundamentais”, explica
Vaz. “No caso da Assembleia Nacional, não houve nenhuma dissidência em termos
de aprovação de novas leis que desmantelam diretamente os avanços conquistados
sob Chávez.”
Nos
últimos meses, ficou cada vez mais claro que o abandono dos princípios
internacionalistas de longa data pelo PSUV faz parte de uma tentativa
desesperada de garantir a sobrevivência do regime. “Não há como suavizar isso.
Neste momento, a Venezuela está totalmente subordinada aos interesses dos EUA,
tanto em sua política interna quanto externa”, afirma Vaz. “Em resumo,
Rodríguez e a liderança chegaram à conclusão de que a melhor maneira de se
manterem no poder é atender integralmente à agenda de Trump.”
O
consenso imposto pelo governo de cima para baixo não conseguiu suprimir
completamente o descontentamento. Figuras de destaque, incluindo o
ex-vice-presidente Elías Jaua, condenaram
abertamente o acordo, defendendo a recuperação da soberania nacional ao lado da
Frente Popular Anti-Imperialista e de organizações de esquerda não chavistas.
Por
ora, o governo venezuelano conseguiu conter uma revolta mais ampla. “Quando se
trata dos movimentos populares dentro do chavismo, a maioria deles,
infelizmente, permaneceu em silêncio ou ofereceu algum apoio vago e acrítico a
Rodríguez”, observa Vaz.
No
entanto, à medida que as condições de vida se deterioram devido à estagnação
salarial, ao sucateamento dos serviços sociais, às respostas inadequadas a
desastres e aos apagões crônicos, esse modelo de clientelismo enfrentará
crescentes dificuldades financeiras. “Minha expectativa geral é que grandes
acordos como este acabem sendo incorporados ao processo de reestruturação da
dívida”, alerta Vaz. “Como todos sabemos, a dívida é o principal mecanismo para
manter os países do Sul Global atolados na dependência e no
subdesenvolvimento.”
“Do
ponto de vista da esquerda, certamente há muitas discussões necessárias sobre
por onde a Revolução Bolivariana poderia ter tomado um rumo diferente, para
tornar as conquistas mais irreversíveis”, reflete Vaz. “Acho que foi um caminho
concreto rumo ao socialismo que, sob a pressão e a agressão imperialistas, foi
gradual e, depois, completamente abandonado.”
“Ao
confiscar sessenta e cinco bilhões de barris de petróleo como parte de um
acordo secreto, Trump e Rubio destituíram os venezuelanos de quaisquer ilusões
remanescente em relação ao império estadunidense.”
Mas
talvez o maior choque tenha sido sentido pela direita tradicional venezuelana.
Durante anos, a oposição alinhada aos EUA considerou a privatização como
domínio político exclusivo dela. “O que é um grande choque para a oposição na
sociedade venezuelana é que, em sua mente, isso era algo que só eles podiam
fazer”, explica Rosales. “Eles entregaram sua autonomia a um país estrangeiro
pensando que seu poder político seria devolvido.” Em vez disso, agora percebem
que a demanda do império estadunidense por recursos sempre se sobreporá aos
seus compromissos retóricos com a democracia liberal.
“Pela
reação da oposição venezuelana, há clara incredulidade, ilusões desfeitas sobre
o que eles consideravam o papel do império estadunidense na Venezuela”, explica
Vaz. “Em sua visão de mundo, era natural que a Venezuela fosse incorporada aos
interesses dos EUA, mas eles não esperavam que isso acontecesse a tal ponto, e
certamente não esperavam que fosse feito com outras pessoas no poder.”
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Revisitando o neocolonialismo
Oacordo
desfez as ficções polidas da política externa dos EUA. Durante décadas, o
consenso neoliberal insistiu que a Guerra Fria nas Américas havia terminado e
que o envolvimento dos EUA no hemisfério ocidental era impulsionado por um
compromisso com os direitos humanos, mercados baseados em regras específicas e
a promoção da democracia. Mas, ao confiscar sessenta e cinco bilhões de barris
de petróleo como parte de um acordo secreto com um presidente autoritário
odiado tanto pela esquerda quanto pela direita, Trump e Rubio destituíram os
venezuelanos, tanto dentro do país quanto na diáspora, de quaisquer ilusões
remanescentes em relação ao império estadunidense.
É
evidente que o governo Trump considera este acordo um triunfo diplomático e
econômico. “A Venezuela foi, sem dúvida, um dos primeiros sucessos da ‘Doutrina
Donroe’”, observa Vaz. “Trump conseguiu atropelar o direito internacional,
agora tem uma poderosa alavanca para a segurança energética, um mercado para
exportar produtos estadunidenses… e um aliado complacente em assuntos
internacionais. E isso, por sua vez, significou afastar rivais geopolíticos —
China, Irã e Rússia — que tinham na Venezuela seu parceiro mais importante no
hemisfério ocidental.”
Contudo,
o caminho a seguir para os Estados Unidos está repleto de perigos. Na noite em
que Nicolás Maduro foi capturado pelas forças estadunidenses, Trump e Rubio,
juntamente com Pete Hegseth, estavam tão absortos no triunfalismo que não
perceberam que haviam estabelecido um novo status quo. Cada novo fracasso do
governo venezuelano deixaria de ser uma consequência abstrata da má gestão;
passaria a ser, em parte, de responsabilidade dos Estados Unidos.
Quando
os serviços sociais são desmantelados para alimentar as margens de lucro de
operadores estrangeiros, quando o Estado falha em fornecer ajuda após
terremotos devastadores, quando a rede elétrica nacional entra em colapso e
mergulha milhões na escuridão, e quando a economia doméstica é dilapidada por
importações de alimentos e salários suprimidos, o público venezuelano não
olhará mais apenas para o PSUV. Olhará também para as contas do Tesouro dos EUA
que mantêm suas receitas petrolíferas em custódia, e para as empresas
estrangeiras que extraem sua riqueza sob ameaça de intervenção militar.
“Se
isso é sustentável a médio e longo prazo é uma questão mais complexa”,
argumenta Vaz. “Certamente, retornar a relações neocoloniais com os Estados
Unidos não resultará em melhores condições de vida para a maioria, e há um
limite para o que os EUA e as elites locais podem conter com presidentes
fantoches, repressão e fraude eleitoral. Essa ofensiva neocolonial aberta e
desenfreada certamente criará novas ondas de nacionalismo latino-americano.”
Os
Estados Unidos operam sob a premissa de que uma população venezuelana oprimida
suportará silenciosamente um século de humilhação como preço da sobrevivência.
Mas tais condições não podem ser impostas permanentemente a um povo que provou,
ainda que brevemente, os frutos do socialismo.
As indignidades diárias e excruciantes dos apagões, da inflação galopante e da
escassez de alimentos, à medida que se agravam, corroerão lentamente o Estado
cliente. São precisamente essas as condições materiais que alimentam as revoluções.
Fonte: Por Logan McMillen - Tradução Pedro
Silva

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