sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Cuba enfrenta apagões e falta de medicamentos sob agravamento do bloqueio dos EUA

Cuba vive um dos momentos mais desafiadores de sua história, marcado pelo agravamento do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, pelo recrudescimento das políticas do governo Donald Trump e pelos impactos das sanções sobre o abastecimento de combustíveis e insumos básicos para a população.

A denúncia e o apelo à solidariedade internacional foram o tom central do debate promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, na quinta-feira (3), em seu canal no YouTube.

Mediada pelo jornalista Felipe Bianchi, o encontro reuniu brasileiros que estiveram recentemente na ilha para analisar a gravidade da conjuntura e relatar o que testemunharam no país caribenho.

<><> O cerco econômico e a tentativa de asfixia social

Para a analista internacional Ana Prestes, a escalada estadunidense visa asfixiar o país para provocar uma convulsão interna. Ela apontou como o endurecimento do bloqueio busca sufocar qualquer margem de manobra da economia cubana.

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“A cada solução que os cubanos encontram, os EUA buscam interdita-la. Estive lá em agosto e eu senti isso: eles estão cavando um implosão social mesmo, criando o ambiente para uma revolta, uma insurgência”, disse Ana Prestes.

A intensificação do embargo atinge diretamente a infraestrutura energética, provocando sistemáticos e severos apagões que afetam a conectividade, a mobilidade e a rotina do povo cubano.

<><> Os impactos humanos de um bloqueio genocida

Os jornalistas Eleonora e Rodolfo de Lucena, do portal Tutaméia, relataram a dura realidade vivenciada durante duas semanas de permanência na ilha. Eleonora trouxe números estarrecedores apresentados durante seminários internacionais em Havana, ressaltando o custo humano e sanitário do bloqueio.

“São 67.000 crianças que não conseguem fazer o sistema de imunização, vacinação, por conta do bloqueio; 98.500 cirurgias que estão na espera porque falta equipamento, falta eletricidade, falta medicamento (…). É o imperialismo genocida atuando aqui do nosso lado, mas ao mesmo tempo há uma resistência que tenta enfrentar essa situação”, destacou a jornalista.

Por sua vez, Rodolfo de Lucena reforçou a dimensão do cotidiano na ilha, traçando um paralelo com as quedas de eletricidade que ocorrem em metrópoles brasileiras para dimensionar a força da população cubana perante a falta contínua de energia e recursos.

“Lá [em Cuba] esses são apagões de dias, apagões de muitas horas no dia (…). A melhor inspiração para isso é exatamente a reação do povo cubano, do governo cubano”, destacou.

<><> Resistência popular e o chamado à ação internacional

Neste cenário, a ação das organizações, das redes de apoio e do povo cubano são fundamentais para manter os serviços essenciais de educação, esporte e cultura em funcionamento.

Representando os movimentos populares, Giovani Del Prete, conselheiro do Barão, dirigente da Escola Nacional Paulo Freire e membro da coordenação do Movimento Brasil Popular, ressaltou a urgência de combater o estigma e a desinformação veiculada pela mídia hegemônica sobre Cuba.

“Quanto mais a gente puder falar sobre Cuba, mais falaremos, porque tem tanta estigmatização, tanta campanha de difamação. Acho que depende bastante de nós trazer essa visão de quem esteve lá: não é alguém que nos contou, a gente viu, conheceu gente, conhece famílias cubanas”, avaliou.

Os debatedores ressaltaram a necessidade de fortalecer as brigadas de solidariedade e apoiar iniciativas de envio de doações emergenciais, como insumos médicos e painéis solares.

<><> Solidariedade

O Barão de Itararé reafirma seu apoio ao povo cubano e à luta contra o bloqueio e promove, na próxima terça-feira (8), às 18 horas (horário de Brasília), uma entrevista exclusiva com o Cônsul-geral de Cuba em São Paulo, Benigno Pérez. A conversa reunirá jornalistas da TV 247, Brasil de Fato, Diálogos do Sul-Global, Revista Fórum, Opera Mundi, TVT News e A Voz Trabalhadora.

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O Instituto Cultivar está arrecadando doações para apoiar as ações de solidariedade a Cuba. As contribuições podem ser realizadas via PIX, utilizando o CNPJ 11.586.301/0001-65. Também é possível fazer depósitos diretamente na conta da entidade:

>>> Instituto Cultivar
Caixa Econômica Federal
Agência: 1231 | Operação: 1292
Conta-corrente: 000577559399-1

¨      Bloqueio dos EUA: 12 mil crianças em Cuba esperam cirurgia e 1.200 estão sem tratamento adequado contra câncer

Fernando Cerimedo, criador de notícias falsas, articulador de mentiras, gerente de negócios sujos e agressor de mulheres, posa ao lado de Marco Rubio dos EUA na reunião do Escudo das Américas. É a exposição da desfaçatez, e isso acontece porque Marco Rubio e Donald Trump, representantes de um poder ilegítimo e criminoso, utilizam os serviços de administradores de bots, analistas, pseudoanalistas e comentaristas à venda para se apresentarem como amigos dos povos. Com esse disfarce, cobrem o rosto dos algozes!

Neste momento, das declarações de solidariedade a Cuba é preciso passar a exigir ação dos organismos internacionais e a reivindicar, com firmeza e com os recursos que será necessário criar, fortalecer ou readaptar, que os genocidas sejam punidos.

Donald Trump, da Casa Branca, e Marco Rubio, da sede do Departamento de Estado, declaram preocupação com o povo cubano e, ao mesmo tempo, aplicam os ditames do poder criminoso, utilizando a fome e as carências como armas letais.

No ano de 2016, a mortalidade infantil registrada em Cuba foi de 4,3 por mil, inferior à média da região, que superava 15 por mil. Atualmente, o Sistema das Nações Unidas adverte que “a atual crise energética impacta de maneira sensível as infâncias”.

Em seguida, afirma: “Os indicadores demográficos mostram um aumento da mortalidade infantil em Havana (14,2), na Ilha da Juventude (12,9) e em Camagüey (12,4)”.

Não se trata de números frios; são centenas de crianças morrendo por carências criadas por meio de um bloqueio econômico imposto pela potência econômica, militar e política mais poderosa do mundo. Essa política de agressão já dura mais de seis décadas e foi recrudescida nos últimos meses, tornando-se genocida.

A cifra coincide com o fato de que 67 mil menores nascidos recentemente não possuem o esquema de imunização atualizado. Por outro lado, mais de 12 mil crianças aguardam cirurgias que o competente pessoal de saúde dos hospitais cubanos, por falta de recursos, não conseguiu realizar.

O total de pacientes que aguardam cirurgias supera 98.500; 117 mil adultos e 1.200 crianças com câncer não têm os tratamentos primários adequados. É preocupante o fato de que 16 mil pacientes têm dificuldades com os serviços de radioterapia, 12.400 com os de quimioterapia e 3 mil com os de hemodiálise.

Isso ocorre em um país que, em junho passado, formou quase 2 mil médicos, 580 dos quais eram estrangeiros provenientes de 73 países. Apesar da precariedade, continua o trabalho de criação de vacinas e medicamentos contra diversos tipos de câncer. Erguendo a bandeira do internacionalismo, Cuba ajudou a combater, em diferentes lugares do planeta, males como o ebola e a cólera… De solidariedade se fala.

Analistas que privilegiam o recebimento de dinheiro e o favor dos setores dominantes proclamam, de tribunas transformadas em esterqueiros, que não existe o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba. Que nome tem, então, essa política criminosa? Por que a ordem internacional não pode aplicar sanções aos genocidas? Acaso se desconhece a consequência de impedir a entrada de petróleo em um país e se ignora que a proporção de combustível que entrou em Cuba nos últimos meses foi ínfima em relação às necessidades e que o bloqueio impediu, durante anos, a manutenção das estruturas de distribuição e geração de energia?

A indignação e a raiva precisam ser transformadas em ação consciente.

Em 1996, perante a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Fidel Castro declarou:

“Por que a produção de armas cada vez mais sofisticadas depois que terminou a Guerra Fria? Para que se querem essas armas, se não para dominar o mundo? Para que a feroz competição para vender armamentos a países subdesenvolvidos, que não se tornarão mais poderosos para defender sua independência e onde o que é preciso matar é a fome? Por que somar a tudo isso políticas criminosas, bloqueios absurdos que incluem alimentos e medicamentos para matar de fome e doenças povos inteiros? Onde está a ética, a justificativa, o respeito aos direitos humanos mais elementares, o sentido de tais políticas?”

Outra parte desse discurso foi citada no mês passado pelo Representante Permanente de Cuba junto às Nações Unidas, Ernesto Soberón Guzmán, que advertiu que, “a apenas quatro anos do prazo estabelecido para cumprir a Agenda 2030, o mundo continua longe de alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável Fome Zero. Lembrou que cerca de 645 milhões de pessoas sofriam de desnutrição crônica em 2025, enquanto diminui a ajuda oficial ao desenvolvimento e os gastos militares mundiais atingiram a cifra recorde de 2,9 trilhões de dólares”.

Como é possível que, trinta anos depois do discurso de Fidel Castro perante a FAO, continue sendo necessário chamar a atenção para a fome sofrida por milhões de pessoas e para o impedimento, por parte de Israel, da entrada de ajuda humanitária em Gaza? Como é possível que, impunemente, Marco Rubio, Donald Trump e outros genocidas confessos apliquem medidas de isolamento e asfixia econômica contra Cuba?

<><> A mentira ao seu redor

A detenção de Cerimedo ocorreu em 18 de agosto, na Bolívia, e revelou sua colaboração com Rodrigo Paz, o presidente de extrema-direita daquele país. Marco Rubio trocou mensagens com ele, e isso prova que seus delitos foram cometidos em benefício da extrema-direita. Somente a relação com a mulher que o acusa de atentar contra ela é pessoal. Os delitos de disseminação de informação falsa e montagem de campanhas sujas, como denunciou o Ministério das Relações Exteriores de Cuba, são atividades de uma rede que envolve certas instâncias do poder estadunidense.

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Com as falácias assim fabricadas, busca-se também favorecer os governos de extrema-direita que o poder hegemônico semeou na América Latina e os governos servis que dão aparência de legalidade ao saque dos recursos naturais, mantêm as instalações militares nacionais a serviço do poder imperialista e colaboram sem ressalvas com os projetos contra o avanço político. Não é preciso enumerá-los. Basta dizer que estão na lista de participantes da reunião do chamado Escudo das Américas e na assinatura de uma infame declaração de apoio a Israel, porque chegaram ao cúmulo de ignorar que se trata de um Estado genocida.

O ato de mentir e mobilizar recursos para impor uma narrativa mentirosa faz parte de uma velha prática do poder imperialista mundial. Um antecedente é a criação, pelo Pentágono, em outubro de 2001, de um escritório encarregado de disseminar mentiras.

Naquele momento, como agora, a mentira e a criação de uma narrativa enganosa foram elementos de apoio à agressão.

Em 1960, quando Lester Mallory propôs asfixiar economicamente Cuba com o objetivo de fazer com que o povo deixasse de apoiar a Revolução, indicou que deveria ser aplicada “uma linha de ação que, sendo o mais habilidosa e discreta possível, consiga os maiores avanços na privação de Cuba de dinheiro e suprimentos, para reduzir seus recursos financeiros e os salários reais, provocar fome, desespero e a derrubada do Governo”.

Hoje, Marco Rubio, com uma posição superior à que Mallory ocupava no gabinete de Dwight Eisenhower — era subsecretário adjunto, e não secretário de Estado, como é Marco Rubio —, age com a mesma intenção criminosa. O poder representado por Donald Trump endureceu um bloqueio que já havia sido fortalecido em 2024 com diversas medidas e, como se fosse o dono do mundo, os Estados Unidos impedem a entrada em Cuba de materiais básicos para a sobrevivência. Rubio e seu chefe carecem de consciência para sequer tentar responder à pergunta de Fidel Castro, uma pergunta que é preciso repetir: “Onde está a ética, a justificativa, o respeito aos direitos humanos mais elementares, o sentido de tais políticas?”.

É preciso apontar com o dedo acusador para uma ordem mundial incapaz de deter uma ação genocida. A agressão contra Cuba não pode ficar impune, e será necessário desfazer a recolonização da Venezuela. São crimes da mesma magnitude que os bombardeios abusivos contra o Irã e o assassinato de milhares de crianças em vários pontos do planeta… Mais cedo ou mais tarde, os genocidas terão que prestar contas.

 

Fonte: Barão de Itararé/Diálogos do Sul Global

 

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