Cuba enfrenta apagões e falta de medicamentos
sob agravamento do bloqueio dos EUA
Cuba vive um dos
momentos mais desafiadores de sua história, marcado pelo agravamento do
bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, pelo
recrudescimento das políticas do governo Donald Trump e pelos
impactos das sanções sobre o abastecimento de combustíveis e insumos básicos
para a população.
A
denúncia e o apelo à solidariedade internacional foram o tom central do debate
promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, na
quinta-feira (3), em seu canal no YouTube.
Mediada
pelo jornalista Felipe Bianchi, o encontro reuniu brasileiros que estiveram
recentemente na ilha para analisar a gravidade da conjuntura e relatar o que testemunharam no país caribenho.
<><> O cerco econômico e a
tentativa de asfixia social
Para a analista internacional Ana Prestes, a
escalada estadunidense visa asfixiar o país para provocar uma convulsão
interna. Ela apontou como o endurecimento do bloqueio busca sufocar qualquer
margem de manobra da economia cubana.
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“A cada solução que os cubanos encontram, os
EUA buscam interdita-la. Estive lá em agosto e eu senti isso: eles estão
cavando um implosão social mesmo, criando o ambiente para uma revolta, uma
insurgência”, disse Ana Prestes.
A intensificação do embargo atinge
diretamente a infraestrutura energética, provocando sistemáticos e severos
apagões que afetam a conectividade, a mobilidade e a rotina do povo cubano.
<><> Os impactos humanos de um
bloqueio genocida
Os jornalistas Eleonora e Rodolfo de Lucena,
do portal Tutaméia, relataram a dura realidade vivenciada durante duas semanas
de permanência na ilha. Eleonora trouxe números estarrecedores apresentados
durante seminários internacionais em Havana, ressaltando o custo humano e
sanitário do bloqueio.
“São 67.000 crianças que não conseguem fazer
o sistema de imunização, vacinação, por conta do bloqueio; 98.500 cirurgias que
estão na espera porque falta equipamento, falta eletricidade, falta medicamento
(…). É o imperialismo genocida atuando aqui do nosso lado, mas ao mesmo tempo
há uma resistência que tenta enfrentar essa situação”, destacou a jornalista.
Por sua vez, Rodolfo de Lucena reforçou a
dimensão do cotidiano na ilha, traçando um paralelo com as quedas de
eletricidade que ocorrem em metrópoles brasileiras para dimensionar a força da
população cubana perante a falta contínua de energia e recursos.
“Lá [em Cuba] esses são apagões de dias,
apagões de muitas horas no dia (…). A melhor inspiração para isso é exatamente
a reação do povo cubano, do governo cubano”, destacou.
<><> Resistência popular e o
chamado à ação internacional
Neste cenário, a ação das organizações, das
redes de apoio e do povo cubano são fundamentais para manter os serviços
essenciais de educação, esporte e cultura em funcionamento.
Representando os movimentos populares,
Giovani Del Prete, conselheiro do Barão, dirigente da Escola Nacional Paulo
Freire e membro da coordenação do Movimento Brasil Popular, ressaltou a
urgência de combater o estigma e a desinformação veiculada pela mídia
hegemônica sobre Cuba.
“Quanto mais a gente puder falar sobre Cuba,
mais falaremos, porque tem tanta estigmatização, tanta campanha de difamação.
Acho que depende bastante de nós trazer essa visão de quem esteve lá: não é
alguém que nos contou, a gente viu, conheceu gente, conhece famílias cubanas”,
avaliou.
Os debatedores ressaltaram a necessidade de
fortalecer as brigadas de solidariedade e apoiar iniciativas de envio de
doações emergenciais, como insumos médicos e painéis solares.
<><> Solidariedade
O Barão de Itararé reafirma seu apoio ao povo
cubano e à luta contra o bloqueio e promove, na próxima terça-feira (8), às 18
horas (horário de Brasília), uma entrevista exclusiva com o Cônsul-geral de
Cuba em São Paulo, Benigno Pérez. A conversa reunirá jornalistas da TV 247,
Brasil de Fato, Diálogos do Sul-Global, Revista Fórum, Opera Mundi, TVT News e
A Voz Trabalhadora.
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O Instituto Cultivar está arrecadando doações
para apoiar as ações de solidariedade a Cuba. As contribuições podem ser
realizadas via PIX, utilizando o CNPJ 11.586.301/0001-65. Também é possível
fazer depósitos diretamente na conta da entidade:
>>> Instituto Cultivar
Caixa Econômica Federal
Agência: 1231 | Operação: 1292
Conta-corrente: 000577559399-1
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Bloqueio dos EUA: 12 mil
crianças em Cuba esperam cirurgia e 1.200 estão sem tratamento adequado contra
câncer
Fernando Cerimedo, criador de notícias
falsas, articulador de mentiras, gerente de negócios sujos e agressor de
mulheres, posa ao lado de Marco Rubio dos EUA na reunião do
Escudo das Américas. É a exposição da desfaçatez, e isso acontece porque Marco
Rubio e Donald Trump, representantes de
um poder ilegítimo e criminoso, utilizam os serviços de administradores de
bots, analistas, pseudoanalistas e comentaristas à venda para se apresentarem
como amigos dos povos. Com esse disfarce,
cobrem o rosto dos algozes!
Neste momento, das declarações de
solidariedade a Cuba é preciso passar a exigir ação dos organismos
internacionais e a reivindicar, com firmeza e com os recursos que será
necessário criar, fortalecer ou readaptar, que os genocidas sejam punidos.
Donald Trump, da Casa Branca, e Marco Rubio,
da sede do Departamento de Estado, declaram preocupação com o povo cubano e, ao
mesmo tempo, aplicam os ditames do poder criminoso, utilizando a fome e as
carências como armas letais.
No ano de 2016, a mortalidade infantil
registrada em Cuba foi de 4,3 por mil, inferior à média da região, que superava
15 por mil. Atualmente, o Sistema das Nações Unidas adverte que “a atual crise
energética impacta de maneira sensível as infâncias”.
Em seguida, afirma: “Os indicadores
demográficos mostram um aumento da mortalidade infantil em Havana (14,2), na
Ilha da Juventude (12,9) e em Camagüey (12,4)”.
Não se trata de números frios; são centenas
de crianças morrendo por carências criadas por meio de um bloqueio econômico
imposto pela potência econômica, militar e política mais poderosa do mundo.
Essa política de agressão já dura mais de seis décadas e foi recrudescida nos
últimos meses, tornando-se genocida.
A cifra coincide com o fato de que 67 mil
menores nascidos recentemente não possuem o esquema de imunização atualizado.
Por outro lado, mais de 12 mil crianças aguardam cirurgias que o competente
pessoal de saúde dos hospitais cubanos, por falta de recursos, não conseguiu
realizar.
O total de pacientes que aguardam cirurgias
supera 98.500; 117 mil adultos e 1.200 crianças com câncer não têm os
tratamentos primários adequados. É preocupante o fato de que 16 mil pacientes
têm dificuldades com os serviços de radioterapia, 12.400 com os de
quimioterapia e 3 mil com os de hemodiálise.
Isso ocorre em um país que, em junho passado,
formou quase 2 mil médicos, 580 dos quais eram estrangeiros provenientes de 73
países. Apesar da precariedade, continua o trabalho de criação de vacinas e
medicamentos contra diversos tipos de câncer. Erguendo a bandeira do
internacionalismo, Cuba ajudou a combater, em diferentes lugares do planeta,
males como o ebola e a cólera… De solidariedade se fala.
Analistas que privilegiam o recebimento de
dinheiro e o favor dos setores dominantes proclamam, de tribunas transformadas
em esterqueiros, que não existe o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba. Que
nome tem, então, essa política criminosa? Por que a ordem internacional não
pode aplicar sanções aos genocidas? Acaso se desconhece a consequência de
impedir a entrada de petróleo em um país e se ignora que a proporção de
combustível que entrou em Cuba nos últimos meses foi ínfima em relação às
necessidades e que o bloqueio impediu, durante anos, a manutenção das
estruturas de distribuição e geração de energia?
A indignação e a raiva precisam ser
transformadas em ação consciente.
Em 1996, perante a Organização das Nações
Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Fidel Castro declarou:
“Por que a produção de armas cada vez mais
sofisticadas depois que terminou a Guerra Fria? Para que se querem essas armas,
se não para dominar o mundo? Para que a feroz competição para vender armamentos
a países subdesenvolvidos, que não se tornarão mais poderosos para defender sua
independência e onde o que é preciso matar é a fome? Por que somar a tudo isso
políticas criminosas, bloqueios absurdos que incluem alimentos e medicamentos
para matar de fome e doenças povos inteiros? Onde está a ética, a justificativa,
o respeito aos direitos humanos mais elementares, o sentido de tais políticas?”
Outra parte desse discurso foi citada no mês
passado pelo Representante Permanente de Cuba junto às Nações Unidas, Ernesto
Soberón Guzmán, que advertiu que, “a apenas quatro anos do prazo estabelecido
para cumprir a Agenda 2030, o mundo continua longe de alcançar o Objetivo de
Desenvolvimento Sustentável Fome Zero. Lembrou que cerca de 645 milhões de
pessoas sofriam de desnutrição crônica em 2025, enquanto diminui a ajuda
oficial ao desenvolvimento e os gastos militares mundiais atingiram a cifra
recorde de 2,9 trilhões de dólares”.
Como é possível que, trinta anos depois do
discurso de Fidel Castro perante a FAO, continue sendo necessário chamar a
atenção para a fome sofrida por milhões de pessoas e para o impedimento, por
parte de Israel, da entrada de ajuda humanitária em Gaza? Como é possível que,
impunemente, Marco Rubio, Donald Trump e outros genocidas confessos apliquem
medidas de isolamento e asfixia econômica contra Cuba?
<><> A mentira ao seu redor
A detenção de Cerimedo ocorreu em 18 de
agosto, na Bolívia, e revelou sua colaboração com Rodrigo Paz, o presidente de
extrema-direita daquele país. Marco Rubio trocou mensagens com ele, e isso
prova que seus delitos foram cometidos em benefício da extrema-direita. Somente
a relação com a mulher que o acusa de atentar contra ela é pessoal. Os delitos
de disseminação de informação falsa e montagem de campanhas sujas, como
denunciou o Ministério das Relações Exteriores de Cuba, são atividades de uma
rede que envolve certas instâncias do poder estadunidense.
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Com as falácias assim fabricadas, busca-se
também favorecer os governos de extrema-direita que o poder hegemônico semeou
na América Latina e os governos servis que dão aparência de legalidade ao saque
dos recursos naturais, mantêm as instalações militares nacionais a serviço do
poder imperialista e colaboram sem ressalvas com os projetos contra o avanço
político. Não é preciso enumerá-los. Basta dizer que estão na lista de
participantes da reunião do chamado Escudo das Américas e na assinatura de uma
infame declaração de apoio a Israel, porque chegaram ao cúmulo de ignorar que
se trata de um Estado genocida.
O ato de mentir e mobilizar recursos para
impor uma narrativa mentirosa faz parte de uma velha prática do poder
imperialista mundial. Um antecedente é a criação, pelo Pentágono, em outubro de
2001, de um escritório encarregado de disseminar mentiras.
Naquele momento, como agora, a mentira e a
criação de uma narrativa enganosa foram elementos de apoio à agressão.
Em 1960, quando Lester Mallory propôs
asfixiar economicamente Cuba com o objetivo de fazer com que o povo deixasse de
apoiar a Revolução, indicou que deveria ser aplicada “uma linha de ação que,
sendo o mais habilidosa e discreta possível, consiga os maiores avanços na
privação de Cuba de dinheiro e suprimentos, para reduzir seus recursos
financeiros e os salários reais, provocar fome, desespero e a derrubada do
Governo”.
Hoje, Marco Rubio, com uma posição superior à
que Mallory ocupava no gabinete de Dwight Eisenhower — era subsecretário
adjunto, e não secretário de Estado, como é Marco Rubio —, age com a mesma
intenção criminosa. O poder representado por Donald Trump endureceu um bloqueio
que já havia sido fortalecido em 2024 com diversas medidas e, como se fosse o
dono do mundo, os Estados Unidos impedem a entrada em Cuba de materiais básicos
para a sobrevivência. Rubio e seu chefe carecem de consciência para sequer tentar
responder à pergunta de Fidel Castro, uma pergunta que é preciso repetir: “Onde
está a ética, a justificativa, o respeito aos direitos humanos mais
elementares, o sentido de tais políticas?”.
É preciso apontar com o dedo acusador para
uma ordem mundial incapaz de deter uma ação genocida. A agressão contra Cuba
não pode ficar impune, e será necessário desfazer a recolonização da Venezuela.
São crimes da mesma magnitude que os bombardeios abusivos contra o Irã e o
assassinato de milhares de crianças em vários pontos do planeta… Mais cedo ou
mais tarde, os genocidas terão que prestar contas.
Fonte: Barão de Itararé/Diálogos do Sul
Global

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