sábado, 12 de setembro de 2026

Flávio Bolsonaro é investigado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no caso 'Dark Horse'

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a investigação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) por suposta lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes no financiamento do filme Dark Horse junto ao Banco Master.

A determinação de Mendonça está na petição 16369, de 22 de julho, e tornou-se pública com o fim do sigilo de parte do caso Master, determinado nesta quinta-feira (10/9) pelo presidente do Supremo, Edson Fachin. O inquérito referente a Bolsonaro, no entanto, permanece em sigilo.

Flávio nega qualquer irregularidade sobre o financiamento do filme sobre seu pai, e já disse, em sabatina ao Jornal Nacional, que o tema está "mais que esclarecido" e é um "livro fechado, ressignificado e na prateleira".

Nesta sexta, em uma agenda de campanha no Amazonas, o candidato do PL disse estar com "muita tranquilidade" em relação à quebra do sigilo no inquérito e afirmou que "transparência total nesse assunto foi a melhor coisa que poderia acontecer".

"Estamos numa eleição presidencial e não é novidade para ninguém que vão tentar fazer de tudo para desestabilizar e inventar coisas onde não tem", afirmou.

"Sempre disse que a relação com o filme foi privada, um patrocínio privado em relação ao filme do presidente Bolsonaro. É muito positivo para confirmar o que sempre falei."

Ele também defendeu a atuação de Mendonça. "Eu queria muito que todos do Supremo fossem iguais ao Mendonça, não pesassem para lado nenhum. Investiga tudo, todo mundo, com transparência; mostra pra imprensa, mostra pro povo. Vamos ver quem é que está certo", afirmou o senador.

Nesta quinta, a Polícia Federal deflagrou uma operação relacionada ao longa, por decisão do ministro Flávio Dino, em outra investigação sobre o caso, que apura possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

Os alvos foram o deputado estadual Mário Frias, roteirista e produtor executivo do filme, e Karina Ferreira da Gama, dona de um instituto ligado a projetos sociais que teria recebido emendas de Frias e também da GoUp Entertainment, produtora responsável pelo longa-metragem.

O gabinete de André Mendonça foi procurado pela reportagem para comentar a manutenção do sigilo da investigação sobre Flávio Bolsonaro, mas não se manifestou até o momento.

Em maio, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio teria pedido a Vorcaro US$ 24 milhões, o equivalente a R$ 134 milhões, para financiar a produção do filme. O banqueiro, que está preso desde março, é suspeito de fraudar R$ 12 bilhões do sistema financeiro.

Em agosto, Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, fechou acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi homologado pelo ministro André Mendonça, relator da investigação do Caso Master.

Mineiro é dono da Entre Investimentos e Participações e apontado como principal operador financeiro de Vorcaro.

¨      Fachin dá 24 horas para que Mendonça libere documentos do caso Master em meio a críticas sobre 'seletividade'

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deu um prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça levante o sigilo de mais documentos vinculados ao caso do Banco Master.

A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta sexta-feira (11/9) e ocorre em meio a uma pressão crescente para que todo o sigilo do caso seja retirado, além de críticas à suposta "seletividade" de Mendonça na divulgação do material.

Segundo a PGR, os documentos tornados públicos por Mendonça na quinta-feira (10/9) não incluíam grande parte dos procedimentos relacionados à investigação mais ampla da Operação Compliance Zero — o que poderia acabar comprometendo o objetivo de transparência buscado por Fachin ao pedir o levantamento do sigilo.

Fachin também determinou que Mendonça envie aos outros ministros todos os procedimentos vinculados à petição15.556.

A pet 15.556 é a raiz da investigação do Master e consiste no núcleo original da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro.

Sua importância decorre do fato de envolver acusações contra parlamentares e o ministro Alexandre de Moraes. Mendonça é o relator do caso no STF.

"Acolho o pedido feito pelo Vice-Procurador-Geral da República, titular da ação penal, para solicitar que o e. Ministro André Mendonça promova, em até 24h, a remessa, em HD próprio, a esta Presidência e aos Gabinetes dos eminentes Ministros, de todos os procedimentos contidos ou relacionados à Pet 15.556 e à denominada "Operação Compliance Zero" (Inq 5026), bem como o levantamento do sigilo da Pet 15.556 (e dos procedimentos nela contidos ou a ela relacionados), ressalvadas exclusivamente as diligências em andamento ou a serem realizadas, para os quais se pudesse antever possíveis prejuízos à sua efetividade", determinou o presidente do STF.

Em outro despacho também nesta sexta, Fachin determinou que Mendonça se manifeste sobre o pedido do ministro Cristiano Zanin, que solicitou acesso à íntegra dos dados apreendidos no celular de Daniel Vorcaro para permitir apreciação "completa e necessária".

Mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes havia enviado um ofício a Fachin pedindo que todos os documentos e procedimentos ligados à investigação fossem tornados públicos.

Ele afirmou que o ministro André Mendonça fez uma "escolha seletiva" na retirada do sigilo de documentos do caso Master.

Moraes também solicitou o julgamento conjunto da petição que trata das mensagens supostamente trocadas entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro com o procedimento que aponta supostas irregularidades na atuação de Mendonça em casos no STF.

Na quinta-feira, Fachin pediu que Mendonça retirasse o sigilo de documentos relacionados ao Banco Master. No pedido, ele fez a ressalva de que dados cujo sigilo fosse considerado "imprescindível" para as investigações não precisariam ser divulgados. Com isso, Mendonça poderia manter parte dos documentos em sigilo.

Moraes alega, contudo, que Mendonça "selecionou subjetivamente o levantamento do sigilo, tornando público somente o que entendeu conveniente".

Segundo ele, das 4.514 peças que constam no sistema para os 15 procedimentos relacionados ao caso, apenas 4.334 foram tornadas públicas.

"Houve o levantamento do sigilo de 15 (quinze) procedimentos, o que não corresponde a totalidade dos procedimentos contidos ou relacionados à PET 15.556", escreveu Moraes.

"A seletividade, entretanto, foi ainda maior, pois nesses 15 (quinze) procedimentos contidos ou relacionados à PET 15.556 o sigilo levantado foi parcial, excluindo 180 (cento e oitenta) documentos e, consequentemente, dificultando a análise probatória", acrescentou.

Moraes também questionou o fato de apenas a petição 16.662 ter sido incluída na pauta do STF em sessão convocada por Fachin para a próxima terça-feira (15/9) — deixando de fora a petição 16.704 — e solicitou julgamento conjunto dos dois procedimentos.

A PET 16.662, que teve origem na petição 15.556, se refere as trocas de mensagens entre Moraes e o Vorcaro. Já a PET 16.704 envolve relatórios que apontam supostas irregularidades de Mendonça na condução de casos no STF, entre eles o do Banco Master.

Citando uma decisão anterior de Fachin, Moraes afirma que as duas petições "evidenciam relação de conexão e continência" e que a análise separada poderia gerar "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual".

"O julgamento fracionado das PETs 16.704 e 16.662, cuja relação de conexão e continência foi reconhecida em decisão de Vossa Excelência, somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos de cada PET deverão ser entregues aos Ministros julgadores, com a supressão de 180 (cento e oitenta) documentos, obstaculiza gravemente a análise probatória", destaca Moraes.

Foi solicitado por Moraes:

  • julgamento conjunto das PET 16.704 e PET 16.662 "para evitar "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual";
  • levantamento de todo e qualquer sigilo, sem exceção, dos procedimentos contidos ou relacionados à PET 15.556, evitando-se escolha seletiva e direcionamento subjetivo e garantindo-se total isonomia e o respeito ao Devido Processo Legal, devendo a Diretoria de TI certificar quantos procedimento efetivamente existem;
  • a intimação de todos os membros da magistratura citados, para que possam prestar informações e garantir as medidas necessárias para a defesa das prerrogativas do Poder Judiciário.

<><> Zanin pede acesso à íntegra do celular de Vorcaro

Após Moraes apontar "seletividade" no levantamento do sigilo do caso Master, o ministro Cristiano Zanin enviou um ofício ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, pedindo acesso à íntegra dos dados apreendidos no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.

Zanin pediu que o material seja disponibilizado em um HD específico, "para otimizar a análise", e argumentou que os dados já estão abrangidos pela decisão que determinou o levantamento do sigilo de informações e procedimentos relacionados à PET 15.556.

Segundo o ministro, o acesso ao material é necessário para permitir a "apreciação completa e necessária" do parecer emitido pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PGR pediu a nulidade do relatório e da investigação da Polícia Federal, solicitada por Mendonça, que apontaram uma suposta relação e a existência de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.

O caso será analisado pelo STF na próxima semana.

<><> O embate entre Moraes e Mendonça

Na semana passada, Mendonça protagonizou um embate com Moraes no âmbito dessas investigações.

Em 1º de setembro, através da petição 16.662, Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) com indícios de que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria pedido conselhos e trocado informações com Moraes.

Dois dias depois, Moraes rebateu e retirou o sigilo de relatórios da inteligência da PF sobre supostas condutas irregulares de Mendonça, o qual teria agido contra Moraes e outros colegas de tribunal.

Até então relator do polêmico Inquérito das Fake News, Moraes também havia pedido a inclusão de Mendonça nesta investigação.

Na quarta-feira (9/09), Fachin decidiu tirar de Moraes a relatória deste inquérito e agendar para 15 de setembro uma sessão plenária para tratar do caso Master.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, elogiou a decisão de Fachin.

"A publicidade é a regra da República. A transparência protege as instituições, assegura igualdade de tratamento aos envolvidos, clareia as escolhas dos cidadãos e permite que a sociedade conheça os fatos sem recortes, versões ou seletividades", afirmou Messias em suas redes sociais, citando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia pedido a retirada do sigilo.

¨      PGR pediu para apurar se Flávio Bolsonaro atuou no Senado para beneficiar Vorcaro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu um levantamento da relação de todas as propostas legislativas do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e do deputado Mário Frias (PL-SP) que poderiam ser de interesse do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro.

De acordo com documento expedido em julho, a PGR pediu que fossem realizadas diligências com relação às "proposições legislativas apresentadas ou endossadas por Flávio ou Mário Frias no Congresso Nacional "que possam ser de interesse do Banco Master ou de empresas a ele vinculadas, bem como aos seus controladores, em especial Daniel Bueno Vorcaro."

A PGR diz querer entender se a atuação parlamentar de Flávio e Frias poderiam estar relacionadas ao repasse milionário feito por Vorcaro ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio.

O texto diz que as investigações neste sentido estavam muito iniciais "carecendo de aprofundamento, igualmente e sobretudo, no que toca à prática de ato típico da função parlamentar que possa ser atribuída, numa lógica de causa e efeito, ao negócio cinematográfico mencionado."

O Ministério Público chama atenção para o alto volume do financiamento do filme sem expectativa de retorno financeiro de mesma grandeza.

O documento teve o sigilo levantado na quinta-feira (10/9) à noite, juntamente com uma parte do inquérito relativo ao caso Banco Master, a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin.

Com a quebra de sigilo também veio a público que, ainda em julho, o ministro André Mendonça determinou a investigação de Flávio Bolsonaro por suposta lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes no financiamento do filme Dark Horse.

O inquérito referente ao caso de Flávio, no entanto, permanece em sigilo. Não está claro se o levantamento da atividade parlamentar do candidato foi feito ou não.

Na tarde desta sexta-feira (11/9), Fachin acolheu novo pedido da PGR e determinou que Mendonça suspenda o sigilo de mais documentos do inquérito do Master em até 24 horas.

Sobre as informações, Flávio afirmou, durante evento de campanha em Manaus (AM), que vê com "muita tranquilidade" a quebra de sigilo, "pois será sempre mais do mesmo".

"Sempre disse que a relação com o filme foi privada, um patrocínio privado em relação ao filme do presidente Bolsonaro. É muito positivo para confirmar o que sempre falei."

Ele também defendeu a "transparência para tudo" nas investigações envolvendo o Master.

<><> Flávio como 'interlocutor direto' de Vorcaro

Por ora, os documentos que vieram a público também mostram que Flávio manteve contato com Daniel Vorcaro ao menos desde 2024. E encontrou o banqueiro, segundo os investigadores apontam por meio de mensagens trocadas, diversas vezes ao longo de 2025.

A cronologia detalhada pela PF mostra que Vorcaro teve agendada uma reunião com Flávio em 11 de dezembro de 2024 para tratar do "filme do presidente". Na véspera, o banqueiro foi informado de que o deputado Mário Frias participaria do encontro, por ser o idealizador do projeto.

Em janeiro do ano seguinte, por meio do interlocutor Thiago Miranda da Silva, Flávio cobrou o primeiro aporte para o filme. Dois meses depois, em março, Miranda enviou a Vorcaro uma mensagem na qual ele diz que "Flavio B e Eduardo" — que os investigadores dizer ser Eduardo Bolsonaro — pretendiam marcar uma reunião para discutir o longa.

O relatório diz que Flávio e Vorcaro "trocaram mensagens que indicam novo encontro presencial" em agosto. Em setembro, "foram registradas outras mensagens e ligações entre ambos para tentativa de agendamento de novo encontro".

Depois, teria convidado Vorcaro para jantar com o ator e o diretor de Dark Horse no início de novembro.

O senador também teria tentado contato telefônico com Vorcaro, inclusive um dia antes do banqueiro ser preso pela primeira vez, em 17 de novembro do ano passado. E enviou a seguinte mensagem:

"Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!"

<><> Flávio foi 'interlocutor direto' de Vorcaro, diz PF

O relatório da PF tornado público agora diz que Flávio foi um "interlocutor direto" de Vorcaro em tratativas relacionadas ao financiamento da produção, inclusive com cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações.

Os investigadores também levantam a hipótese de que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, "orientou a gestão dos recursos [do filme] em solo estrangeiro".

Nos documentos, a PF sustenta que mensagens e arquivos extraídos do celular de Vorcaro, somados a um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf, indicam uma rota financeira internacional possivelmente ligada à produção de Dark Horse.

Segundo a PF, a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, enviou US$ 12.333.335 ao Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, entre fevereiro e setembro de 2025.

No telefone de Vorcaro, os investigadores localizaram um contrato para o filme que previa investimento de US$ 24 milhões em 14 parcelas. A PF diz que os valores e o calendário das remessas se aproximam daqueles previstos no contrato.

Ainda de acordo com o inquérito, a PF levanta a hipótese de que Eduardo Bolsonaro "orientou a gestão dos recursos em solo estrangeiro".

E que "as coincidências entre os valores previstos no contrato de financiamento e as remessas internacionais identificadas na análise financeira, somadas às comunicações extraídas do aparelho celular de Daniel Vorcaro, constituem indícios relevantes de que as pessoas jurídicas referidas foram utilizadas para operacionalizar aportes ilícitos destinados ao filme."

Flávio, no entanto, nega qualquer irregularidade sobre o financiamento do filme sobre seu pai, e já disse, em sabatina ao Jornal Nacional, que o tema está "mais que esclarecido" e é um "livro fechado, ressignificado e na prateleira".

Nesta sexta, em uma agenda de campanha no Amazonas, o candidato do PL disse estar com "muita tranquilidade" em relação à quebra do sigilo no inquérito e afirmou que "transparência total nesse assunto foi a melhor coisa que poderia acontecer".

"Estamos numa eleição presidencial e não é novidade para ninguém que vão tentar fazer de tudo para desestabilizar e inventar coisas onde não tem", afirmou.

Eduardo Bolsonaro ainda não se manifestou sobre as investigações que vieram a público na sexta-feira. Em maio, o ex-deputado afirmou que alegações anteriores de que ele teria recebido dinheiro de Vorcaro seriam parte de "uma tentativa tosca de assassinato de reputação".

A BBC News Brasil ainda busca contato com os citados e atualizará esta reportagem assim que se manifestarem.

<><> Expectativa 'hollywoodiana' de bilheteria

Os investigadores também chamam a atenção para a expectativa "hollywoodiana" de bilheteria do filme. O material apresenta projeções de receita bruta de bilheteria em três cenários: pessimista de US$ 45 milhões, conservador de US$ 70 milhões e otimista de US$ 100 milhões.

E fazem uma comparação da previsão de bilheteria de Dark Horse com o maior resultado de bilheteria da história do cinema nacional, que, segundo o documento, foi obtido por Minha Mãe é uma Peça 3 (2019), com aproximadamente R$ 120 milhões — "equivalente, à época, a cerca de US$ 30 milhões".

"O cenário otimista projetado para Dark Horse superaria esse recorde histórico nacional em mais de três vezes, situando-se na faixa de desempenho de grandes produções hollywoodianas de bilheteria global", dizem os investigadores.

Eles ainda afirmam que "a discrepância entre as projeções do plano de negócios e qualquer parâmetro realista do mercado cinematográfico nacional constitui elemento que reforça a necessidade de apuração quanto à viabilidade econômica e à verdadeira finalidade da operação."

<><. O que Flávio já disse sobre o caso

Depois que as primeiras informações sobre a relação do banqueiro com Flávio foram publicadas pelo site The Intercept Brasil, em maio, o senador admitiu ter negociado com o banqueiro pagamentos para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Até então, Flávio afirmava que só havia associação entre o escândalo envolvendo o Master e o PT e a esquerda. Poucos dias antes da reportagem do The Intercept ser publicada, ele usou uma camiseta com a inscrição "O Pix é do Bolsonaro; o Master é do Lula", em um evento em Santa Catarina.

Ainda em março, quando foi noticiado que o cunhado de Vorcaro – o pastor Fabiano Zettel, também preso – havia feito uma doação de R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio disse à CNN que isso aconteceu "sem nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive".

"Essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita", afirmou o senador na ocasião.

Quando as investigações começaram a vir à tona, ele acabou admitindo a relação com o banqueiro.

"Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme", afirmou Flávio na ocasião.

O senador ainda afirmou que não se encontrou com o banqueiro. "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem."

Depois, admitiu o encontro, mas disse que rompeu com Vorcaro depois que ele foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado. O banqueiro ficou 12 dias detido e foi solto usando tornozeleira eletrônica.

Vorcaro foi preso em novembro e solto 12 dias depois com o uso de tornozeleira eletrônica. No início, Flávio admitiu que pediu dinheiro ao banqueiro, mas que deixou de falar com ele depois da prisão.

No entanto, em maio, após novas informações serem publicadas, ele acabou confirmando que esteve com Vorcaro após a soltura, dizendo que o encontro foi para "dar um ponto final nisso".

 

Fonte: BBC News Brasil

 

Nenhum comentário: