Flávio Bolsonaro é investigado por lavagem de
dinheiro, evasão de divisas e corrupção no caso 'Dark Horse'
O
ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a
investigação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) por
suposta lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes no financiamento do filme Dark
Horse junto
ao Banco Master.
A
determinação de Mendonça está na petição 16369, de 22 de julho, e tornou-se pública com o fim do
sigilo de
parte do caso Master, determinado nesta quinta-feira (10/9) pelo presidente do
Supremo, Edson Fachin. O inquérito referente a Bolsonaro, no entanto, permanece
em sigilo.
Flávio
nega qualquer irregularidade sobre o financiamento do filme sobre seu pai, e já
disse, em sabatina ao Jornal Nacional, que o tema está "mais que
esclarecido" e é um "livro fechado, ressignificado e na
prateleira".
Nesta
sexta, em uma agenda de campanha no Amazonas, o candidato do PL disse estar com
"muita tranquilidade" em relação à quebra do sigilo no inquérito e
afirmou que "transparência total nesse assunto foi a melhor coisa que
poderia acontecer".
"Estamos
numa eleição presidencial e não é novidade para ninguém que vão tentar fazer de
tudo para desestabilizar e inventar coisas onde não tem", afirmou.
"Sempre
disse que a relação com o filme foi privada, um patrocínio privado em relação
ao filme do presidente Bolsonaro. É muito positivo para confirmar o que sempre
falei."
Ele
também defendeu a atuação de Mendonça. "Eu queria muito que todos do
Supremo fossem iguais ao Mendonça, não pesassem para lado nenhum. Investiga
tudo, todo mundo, com transparência; mostra pra imprensa, mostra pro povo.
Vamos ver quem é que está certo", afirmou o senador.
Nesta
quinta, a Polícia Federal deflagrou uma operação relacionada ao longa, por
decisão do ministro Flávio Dino, em outra investigação sobre o caso, que apura
possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares.
Os
alvos foram o deputado estadual Mário Frias, roteirista e produtor executivo do
filme, e Karina Ferreira da Gama, dona de um instituto ligado a projetos
sociais que teria recebido emendas de Frias e também da GoUp Entertainment,
produtora responsável pelo longa-metragem.
O
gabinete de André Mendonça foi procurado pela reportagem para comentar a
manutenção do sigilo da investigação sobre Flávio Bolsonaro, mas não se
manifestou até o momento.
Em
maio, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio teria pedido a Vorcaro US$
24 milhões, o equivalente a R$ 134 milhões, para financiar a produção do filme.
O banqueiro, que está preso desde março, é suspeito de fraudar R$ 12 bilhões do
sistema financeiro.
Em
agosto, Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, fechou acordo de
delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi homologado pelo
ministro André Mendonça, relator da investigação do Caso Master.
Mineiro
é dono da Entre Investimentos e Participações e apontado como principal
operador financeiro de Vorcaro.
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Fachin dá 24 horas para que Mendonça libere documentos do
caso Master em meio a críticas sobre 'seletividade'
O
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson
Fachin, deu um prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça levante o
sigilo de mais documentos vinculados ao caso do Banco Master.
A
decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta
sexta-feira (11/9) e ocorre em meio a uma pressão crescente para que todo o
sigilo do caso seja retirado, além de críticas à suposta
"seletividade" de Mendonça na divulgação do material.
Segundo
a PGR, os documentos tornados públicos por Mendonça na
quinta-feira (10/9)
não incluíam grande parte dos procedimentos relacionados à investigação mais
ampla da Operação Compliance Zero — o que poderia acabar comprometendo o
objetivo de transparência buscado por Fachin ao pedir o levantamento do sigilo.
Fachin
também determinou que Mendonça envie aos outros ministros todos os
procedimentos vinculados à petição15.556.
A pet
15.556 é a raiz da investigação do Master e consiste no núcleo original da
Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras e
lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro.
Sua
importância decorre do fato de envolver acusações contra parlamentares e o
ministro Alexandre de Moraes. Mendonça é o relator do caso no STF.
"Acolho
o pedido feito pelo Vice-Procurador-Geral da República, titular da ação penal,
para solicitar que o e. Ministro André Mendonça promova, em até 24h, a remessa,
em HD próprio, a esta Presidência e aos Gabinetes dos eminentes Ministros, de
todos os procedimentos contidos ou relacionados à Pet 15.556 e à denominada
"Operação Compliance Zero" (Inq 5026), bem como o levantamento do
sigilo da Pet 15.556 (e dos procedimentos nela contidos ou a ela relacionados),
ressalvadas exclusivamente as diligências em andamento ou a serem realizadas,
para os quais se pudesse antever possíveis prejuízos à sua efetividade",
determinou o presidente do STF.
Em
outro despacho também nesta sexta, Fachin determinou que Mendonça se manifeste
sobre o pedido do ministro Cristiano Zanin, que solicitou acesso à íntegra dos
dados apreendidos no celular de Daniel Vorcaro para permitir apreciação
"completa e necessária".
Mais
cedo, o ministro Alexandre de Moraes havia enviado
um ofício a Fachin pedindo que todos os documentos e procedimentos ligados à
investigação fossem tornados públicos.
Ele
afirmou que o ministro André Mendonça fez uma "escolha seletiva"
na retirada do sigilo de documentos do
caso Master.
Moraes
também solicitou o julgamento conjunto da petição que trata das mensagens
supostamente trocadas entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro com o procedimento
que aponta supostas irregularidades na atuação de Mendonça em casos no STF.
Na
quinta-feira, Fachin pediu que Mendonça retirasse o sigilo de documentos
relacionados ao Banco Master. No pedido, ele fez a ressalva de que dados cujo
sigilo fosse considerado "imprescindível" para as investigações não
precisariam ser divulgados. Com isso, Mendonça poderia manter parte dos
documentos em sigilo.
Moraes
alega, contudo, que Mendonça "selecionou subjetivamente o levantamento do
sigilo, tornando público somente o que entendeu conveniente".
Segundo
ele, das 4.514 peças que constam no sistema para os 15 procedimentos
relacionados ao caso, apenas 4.334 foram tornadas públicas.
"Houve
o levantamento do sigilo de 15 (quinze) procedimentos, o que não corresponde a
totalidade dos procedimentos contidos ou relacionados à PET 15.556",
escreveu Moraes.
"A
seletividade, entretanto, foi ainda maior, pois nesses 15 (quinze)
procedimentos contidos ou relacionados à PET 15.556 o sigilo levantado foi
parcial, excluindo 180 (cento e oitenta) documentos e, consequentemente,
dificultando a análise probatória", acrescentou.
Moraes
também questionou o fato de apenas a petição 16.662 ter sido incluída na pauta
do STF em sessão convocada por Fachin para a próxima terça-feira (15/9) —
deixando de fora a petição 16.704 — e solicitou julgamento conjunto dos dois
procedimentos.
A PET
16.662, que teve origem na petição 15.556, se refere as trocas de mensagens
entre Moraes e o Vorcaro. Já a PET 16.704 envolve relatórios que apontam
supostas irregularidades de Mendonça na condução de casos no STF, entre eles o
do Banco Master.
Citando
uma decisão anterior de Fachin, Moraes afirma que as duas petições
"evidenciam relação de conexão e continência" e que a análise
separada poderia gerar "risco concreto de decisões contraditórias e de
tumulto processual".
"O
julgamento fracionado das PETs 16.704 e 16.662, cuja relação de conexão e
continência foi reconhecida em decisão de Vossa Excelência, somado à escolha
seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento
subjetivo de um dos interessados de quais documentos de cada PET deverão ser
entregues aos Ministros julgadores, com a supressão de 180 (cento e oitenta)
documentos, obstaculiza gravemente a análise probatória", destaca Moraes.
Foi
solicitado por Moraes:
- julgamento
conjunto das PET 16.704 e PET 16.662 "para evitar "risco
concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual";
- levantamento de
todo e qualquer sigilo, sem exceção, dos procedimentos contidos ou
relacionados à PET 15.556, evitando-se escolha seletiva e direcionamento
subjetivo e garantindo-se total isonomia e o respeito ao Devido Processo
Legal, devendo a Diretoria de TI certificar quantos procedimento
efetivamente existem;
- a intimação de
todos os membros da magistratura citados, para que possam prestar
informações e garantir as medidas necessárias para a defesa das
prerrogativas do Poder Judiciário.
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Zanin pede acesso à íntegra do celular de Vorcaro
Após
Moraes apontar "seletividade" no levantamento do sigilo do caso
Master, o ministro Cristiano Zanin enviou um ofício ao presidente do STF, Luiz
Edson Fachin, pedindo acesso à íntegra dos dados apreendidos no celular do
banqueiro Daniel Vorcaro.
Zanin
pediu que o material seja disponibilizado em um HD específico, "para
otimizar a análise", e argumentou que os dados já estão abrangidos pela
decisão que determinou o levantamento do sigilo de informações e procedimentos
relacionados à PET 15.556.
Segundo
o ministro, o acesso ao material é necessário para permitir a "apreciação
completa e necessária" do parecer emitido pela Procuradoria-Geral da
República (PGR).
A PGR
pediu a nulidade do relatório e da investigação da Polícia Federal, solicitada
por Mendonça, que apontaram uma suposta relação e a existência de mensagens
entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.
O caso
será analisado pelo STF na próxima semana.
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O embate entre Moraes e Mendonça
Na
semana passada, Mendonça protagonizou um embate com Moraes no âmbito dessas
investigações.
Em 1º
de setembro, através da petição 16.662, Mendonça levantou o sigilo de um
relatório da Polícia Federal (PF) com indícios de que Daniel Vorcaro, dono do
Banco Master, teria pedido conselhos e trocado informações com Moraes.
Dois
dias depois, Moraes rebateu e retirou o sigilo de relatórios da inteligência da
PF sobre supostas condutas irregulares de Mendonça, o qual teria agido contra
Moraes e outros colegas de tribunal.
Até
então relator do polêmico Inquérito das Fake News, Moraes também havia pedido a
inclusão de Mendonça nesta investigação.
Na
quarta-feira (9/09), Fachin decidiu tirar de Moraes a relatória deste inquérito
e agendar para 15 de setembro uma sessão plenária para tratar do caso Master.
O
advogado-geral da União, Jorge Messias, elogiou a decisão de Fachin.
"A
publicidade é a regra da República. A transparência protege as instituições,
assegura igualdade de tratamento aos envolvidos, clareia as escolhas dos
cidadãos e permite que a sociedade conheça os fatos sem recortes, versões ou
seletividades", afirmou Messias em suas redes sociais, citando que o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia pedido a retirada do sigilo.
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PGR pediu para apurar se Flávio Bolsonaro atuou no Senado
para beneficiar Vorcaro
A
Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu um levantamento da relação de todas
as propostas legislativas do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e do deputado Mário Frias (PL-SP) que poderiam
ser de interesse do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro.
De
acordo com documento expedido em julho, a PGR pediu que fossem realizadas
diligências com relação às "proposições legislativas apresentadas ou
endossadas por Flávio ou Mário Frias no Congresso Nacional "que possam ser
de interesse do Banco Master ou de empresas a ele
vinculadas, bem como aos seus controladores, em especial Daniel Bueno
Vorcaro."
A PGR
diz querer entender se a atuação parlamentar de Flávio e Frias poderiam estar
relacionadas ao repasse milionário feito por Vorcaro ao filme Dark
Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
O texto
diz que as investigações neste sentido estavam muito iniciais "carecendo
de aprofundamento, igualmente e sobretudo, no que toca à prática de ato típico
da função parlamentar que possa ser atribuída, numa lógica de causa e efeito,
ao negócio cinematográfico mencionado."
O
Ministério Público chama atenção para o alto volume do financiamento do filme
sem expectativa de retorno financeiro de mesma grandeza.
O
documento teve o sigilo levantado na
quinta-feira (10/9) à
noite, juntamente com uma parte do inquérito relativo ao caso Banco Master, a
pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin.
Com a
quebra de sigilo também veio a público que, ainda em julho, o ministro André
Mendonça determinou a investigação de
Flávio Bolsonaro por
suposta lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes no
financiamento do filme Dark Horse.
O
inquérito referente ao caso de Flávio, no entanto, permanece em sigilo. Não
está claro se o levantamento da atividade parlamentar do candidato foi feito ou
não.
Na
tarde desta sexta-feira (11/9), Fachin acolheu novo pedido da PGR e determinou
que Mendonça suspenda o sigilo de mais documentos do inquérito do Master em até 24 horas.
Sobre
as informações, Flávio afirmou, durante evento de campanha em Manaus (AM), que
vê com "muita tranquilidade" a quebra de sigilo, "pois será
sempre mais do mesmo".
"Sempre
disse que a relação com o filme foi privada, um patrocínio privado em relação
ao filme do presidente Bolsonaro. É muito positivo para confirmar o que sempre
falei."
Ele
também defendeu a "transparência para tudo" nas investigações
envolvendo o Master.
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Flávio como 'interlocutor direto' de Vorcaro
Por
ora, os documentos que vieram a público também mostram que Flávio manteve
contato com Daniel Vorcaro ao menos desde 2024. E encontrou o banqueiro,
segundo os investigadores apontam por meio de mensagens trocadas, diversas
vezes ao longo de 2025.
A
cronologia detalhada pela PF mostra que Vorcaro teve agendada uma reunião com
Flávio em 11 de dezembro de 2024 para tratar do "filme do
presidente". Na véspera, o banqueiro foi informado de que o deputado Mário
Frias participaria do encontro, por ser o idealizador do projeto.
Em
janeiro do ano seguinte, por meio do interlocutor Thiago Miranda da Silva,
Flávio cobrou o primeiro aporte para o filme. Dois meses depois, em março,
Miranda enviou a Vorcaro uma mensagem na qual ele diz que "Flavio B e
Eduardo" — que os investigadores dizer ser Eduardo Bolsonaro — pretendiam
marcar uma reunião para discutir o longa.
O
relatório diz que Flávio e Vorcaro "trocaram mensagens que indicam novo
encontro presencial" em agosto. Em setembro, "foram registradas
outras mensagens e ligações entre ambos para tentativa de agendamento de novo
encontro".
Depois,
teria convidado Vorcaro para jantar com o ator e o diretor de Dark Horse no
início de novembro.
O
senador também teria tentado contato telefônico com Vorcaro, inclusive um dia
antes do banqueiro ser preso pela primeira vez, em 17 de novembro do ano
passado. E enviou a seguinte mensagem:
"Irmão,
estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso
que me dê uma luz! Abs!"
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Flávio foi 'interlocutor direto' de Vorcaro, diz PF
O
relatório da PF tornado público agora diz que Flávio foi um "interlocutor
direto" de
Vorcaro em tratativas relacionadas ao financiamento da produção, inclusive com
cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das
gravações.
Os
investigadores também levantam a hipótese de que o ex-deputado federal Eduardo
Bolsonaro, irmão de Flávio, "orientou a gestão dos recursos [do filme] em
solo estrangeiro".
Nos
documentos, a PF sustenta que mensagens e arquivos extraídos do celular de
Vorcaro, somados a um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf, indicam uma
rota financeira internacional possivelmente ligada à produção de Dark
Horse.
Segundo
a PF, a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Antônio Carlos
Freixo Júnior, enviou US$ 12.333.335 ao Havengate Development Fund LP, nos
Estados Unidos, entre fevereiro e setembro de 2025.
No
telefone de Vorcaro, os investigadores localizaram um contrato para o filme que
previa investimento de US$ 24 milhões em 14 parcelas. A PF diz que os valores e
o calendário das remessas se aproximam daqueles previstos no contrato.
Ainda
de acordo com o inquérito, a PF levanta a hipótese de que Eduardo Bolsonaro
"orientou a gestão dos recursos em solo estrangeiro".
E que
"as coincidências entre os valores previstos no contrato de financiamento
e as remessas internacionais identificadas na análise financeira, somadas às
comunicações extraídas do aparelho celular de Daniel Vorcaro, constituem
indícios relevantes de que as pessoas jurídicas referidas foram utilizadas para
operacionalizar aportes ilícitos destinados ao filme."
Flávio,
no entanto, nega qualquer irregularidade sobre o financiamento do filme sobre
seu pai, e já disse, em sabatina ao Jornal Nacional, que o tema está "mais
que esclarecido" e é um "livro fechado, ressignificado e na
prateleira".
Nesta
sexta, em uma agenda de campanha no Amazonas, o candidato do PL disse estar com
"muita tranquilidade" em relação à quebra do sigilo no inquérito e
afirmou que "transparência total nesse assunto foi a melhor coisa que
poderia acontecer".
"Estamos
numa eleição presidencial e não é novidade para ninguém que vão tentar fazer de
tudo para desestabilizar e inventar coisas onde não tem", afirmou.
Eduardo
Bolsonaro ainda não se manifestou sobre as investigações que vieram a público
na sexta-feira. Em maio, o ex-deputado afirmou que alegações anteriores de que
ele teria recebido dinheiro de Vorcaro seriam parte de "uma tentativa
tosca de assassinato de reputação".
A BBC
News Brasil ainda busca contato com os citados e atualizará esta reportagem
assim que se manifestarem.
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Expectativa 'hollywoodiana' de bilheteria
Os
investigadores também chamam a atenção para a expectativa
"hollywoodiana" de bilheteria do filme. O material apresenta
projeções de receita bruta de bilheteria em três cenários: pessimista de US$ 45
milhões, conservador de US$ 70 milhões e otimista de US$ 100 milhões.
E fazem
uma comparação da previsão de bilheteria de Dark Horse com o
maior resultado de bilheteria da história do cinema nacional, que, segundo o
documento, foi obtido por Minha Mãe é uma Peça 3 (2019), com aproximadamente R$
120 milhões — "equivalente, à época, a cerca de US$ 30 milhões".
"O
cenário otimista projetado para Dark Horse superaria esse
recorde histórico nacional em mais de três vezes, situando-se na faixa de
desempenho de grandes produções hollywoodianas de bilheteria global",
dizem os investigadores.
Eles
ainda afirmam que "a discrepância entre as projeções do plano de negócios
e qualquer parâmetro realista do mercado cinematográfico nacional constitui
elemento que reforça a necessidade de apuração quanto à viabilidade econômica e
à verdadeira finalidade da operação."
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O que Flávio já disse sobre o caso
Depois
que as primeiras informações sobre a relação do banqueiro com Flávio foram
publicadas pelo site The Intercept Brasil, em maio, o senador admitiu ter negociado
com o banqueiro pagamentos
para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Até então, Flávio afirmava que só havia
associação entre o escândalo envolvendo o Master e o PT e a esquerda. Poucos
dias antes da reportagem do The Intercept ser publicada, ele usou uma camiseta
com a inscrição "O Pix é do Bolsonaro; o Master é do Lula", em um evento
em Santa Catarina.
Ainda
em março, quando foi noticiado que o cunhado de Vorcaro – o pastor Fabiano
Zettel, também preso – havia feito uma doação de R$ 3 milhões para a campanha
presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio disse à CNN que isso aconteceu "sem
nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal,
inclusive".
"Essa
conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita", afirmou o
senador na ocasião.
Quando
as investigações começaram a vir à tona, ele acabou admitindo a relação com o
banqueiro.
"Conheci
Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia
acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o
banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de
patrocínio necessárias para a conclusão do filme", afirmou Flávio na
ocasião.
O
senador ainda afirmou que não se encontrou com o banqueiro. "Não ofereci
vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não
intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer
vantagem."
Depois,
admitiu o encontro, mas disse que rompeu com Vorcaro depois que ele foi preso
pela primeira vez, em novembro do ano passado. O banqueiro ficou 12 dias detido
e foi solto usando tornozeleira eletrônica.
Vorcaro
foi preso em novembro e solto 12 dias depois com o uso de tornozeleira
eletrônica. No início, Flávio admitiu que pediu dinheiro ao banqueiro, mas que
deixou de falar com ele depois da prisão.
No
entanto, em maio, após novas informações serem publicadas, ele acabou
confirmando que esteve com Vorcaro após a soltura, dizendo que o encontro foi
para "dar um ponto final nisso".
Fonte: BBC News Brasil

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