"As acusações são bem fundamentadas,
Netanyahu corre o risco de ser preso", diz ex-chefe do Shin Bet
O
ex-chefe do Shin Bet, Ayalon, afirmou: "Os alertas anteriores a 7 de
outubro deveriam ter sido compartilhados com os serviços de inteligência e as
forças armadas."
Ami
Ayalon conhece todos os segredos de Israel. Ex-general, ex-comandante da
Marinha e, sobretudo, ex-chefe do Shin Bet — o serviço de inteligência
israelense — entre 1996 e 2000, e posteriormente deputado pelo Partido
Trabalhista, ele conhece os protocolos de segurança e comunicação que Netanyahu supostamente
violou — segundo uma investigação publicada há dois dias
pelo Haaretz — ao não repassar aos serviços de inteligência e
às Forças Armadas a informação sobre um possível ataque do Hamas, recebida alguns
dias antes de 7 de outubro de 2023, do líder dos Emirados Árabes
Unidos, Mohammed bin Zayed.
>>>> Eis a entrevista.
·
General, quão plausível
é a reconstrução do Haaretz? Um primeiro-ministro pode realmente guardar esse
tipo de informação para si?
Na
maioria das democracias liberais, isso é ilegal: as informações devem ser
compartilhadas para garantir que todas as partes envolvidas — neste caso, os
serviços de segurança — participem do processo de tomada de decisão.
Mas Israel hoje não é uma democracia liberal perfeita. Há dez ou
quinze anos, o primeiro-ministro toma decisões sozinho, porque acredita ser o
próprio Estado, como Luís XIV. Se me perguntarem se é possível que
ele tenha sido avisado com antecedência sobre um risco antes de 7 de outubro, eu
diria que sim, sem dúvida. Se me perguntarem se acho isso verdade, eu diria que
é muito plausível. Não tenho informações confidenciais, mas posso interpretar o
que vejo: ontem, o gabinete de Netanyahu pediu
aos Emirados Árabes Unidos que negassem o que
o Haaretz estava dizendo. Quando li as palavras vindas de Dubai,
percebi que aconteceu exatamente como descrito no artigo.
·
Israel não é um reino,
mas um Estado com um sistema de freios e contrapesos entre os vários poderes,
semelhante ao de muitos países ocidentais. E, no entanto: por que ninguém disse
nada até agora? E por que não houve nenhuma investigação sobre as ações dos
diversos ramos da segurança?
O único
contrapeso possível no momento são as eleições. Israel não tem uma
constituição escrita: o trabalho de equilibrar o governo deveria ser feito
pelo Parlamento, mas está inteiramente nas mãos da maioria, que por sua
vez está inteiramente nas mãos do primeiro-ministro. Qualquer um que se
manifeste contra ele perde o emprego. Israel hoje não é mais
uma democracia liberal.
·
Será que votar pode
mudar as coisas?
Quero
ter esperança de que Netanyahu não seja reeleito, mas mesmo que isso
acontecesse, as pesquisas mostram que a oposição não conseguirá formar um
governo sem o apoio dos partidos árabes. E a maioria dos políticos, mesmo os da
oposição, rejeita a ideia de uma aliança com nossos cidadãos árabes. É uma
realidade terrível, mas aceitá-la — hoje — é a única maneira de se eleger.
Desde 7 de outubro de 2023, a
sociedade israelense mudou profundamente: a forma como as pessoas se veem, seus
medos, seus comportamentos. Levará anos, gerações, para superar isso.
Netanyahu, apesar de tudo o que fez, se beneficia disso.
·
Ele não me respondeu
sobre a Comissão de Inquérito: poderia revelar coisas fundamentais, por que ela
não foi instaurada em três anos?
A
maioria dos israelenses, incluindo aqueles que votam em Netanyahu, quer
uma investigação oficial sobre o dia 7 de outubro de 2023. Mas é o
primeiro-ministro quem decide: ele fala sobre isso, mas nunca realiza nada. O
motivo é óbvio: se houvesse uma investigação de verdade, ele seria forçado a
renunciar. E acabaria na prisão: não podemos esquecer que ele está sendo
julgado por corrupção. Então, ele fará de tudo para evitar isso.
·
A última vez que você
falou com a Repubblica — em maio de 2024 — você era uma das poucas vozes
críticas dentro do aparato de segurança. Hoje, 200 generais, oficiais de
inteligência e autoridades da defesa assinaram uma carta condenando as ações do
governo: o que está acontecendo?
Veja
bem, como soldado, você consegue entender — embora não necessariamente aprovar
— o que estamos fazendo em Gaza, no Irã, no Líbano e
na Síria. Mas você não pode concordar com o que o terrorismo judaico está
fazendo na Cisjordânia: estamos falando de
terrorismo puro, apoiado, promovido e financiado pelo governo. O exército não
faz nada, e o Shin Bet também não: a polícia não existe. Nada disso é
aceitável.
·
Você confia nos serviços de segurança israelenses hoje em
dia?
Não, e
dói-me dizer isso. Eu era general e entendo como é difícil enviar um comandante
para o campo de batalha com ordens para destruir e matar. Mas há limites para o
que se pode e se deve fazer, mesmo sob ordens de um primeiro-ministro ou de um
ministro da defesa: eu já não vejo esse limite.
¨
Irã não negociará com os EUA até que seus termos sejam
cumpridos, diz parlamentar iraniano
Teerã
não negociará com Washington até que os termos do Irã sejam aceitos, disse o
chefe da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento
iraniano, Ebrahim Azizi.
"Sem
negociações. Até que os termos do Irã sejam cumpridos, as negociações serão
inúteis", escreveu Azizi
em seu perfil na rede social X.
Em 28
de fevereiro, os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã, o lado iraniano respondeu aos ataques e o
conflito foi se arrastando. Em meados de junho, Teerã e Washington assinaram um
memorando visando a cessação das hostilidades, mas, pouco depois, voltaram a
trocar ataques.
O
conflito permanece sem solução, com retomadas esporádicas de hostilidades.
Washington, no entanto, optou por aumentar a pressão econômica contra a
República Islâmica, numa tentativa de pôr fim ao conflito por meio da criação
de dificuldades financeiras adicionais para Teerã.
<><>
Irã retoma produção de mísseis apesar da pressão militar dos EUA e de Israel,
diz mídia
O país
retomou a produção de mísseis balísticos, utilizando componentes acumulados e
operando em instalações subterrâneas, contrariando as declarações de Israel e
dos EUA de que a produção havia sido totalmente interrompida, escreve um jornal
norte-americano.
O
jornal elabora que, apesar dos ataques a bases de mísseis e a instalações industriais no início do
conflito, o país continua produzindo ativamente mísseis movidos a combustível
líquido e sólido.
"Quando
não há bombardeios, é possível substituir a infraestrutura danificada e
adquirir novos componentes em outros países para armazená-los nessas
instalações [...]. Seria preciso ser extremamente ingênuo para acreditar
que o Irã não está reconstruindo sua capacidade de produção de mísseis",
ressalta a publicação.
Segundo
a matéria, as informações de inteligência indicam atividades em várias instalações subterrâneas, incluindo o complexo Khojir, no
sudeste do Irã, bem como tentativas de criação de novos centros de
montagem subterrâneos para evitar novos ataques.
Conforme
acrescenta o artigo, atualmente, os mísseis são montados principalmente a
partir de componentes já disponíveis, em volumes menores do que antes da
guerra.
Ao
mesmo tempo, os Estados Unidos e Israel danificaram parte das instalações
de produção e o bloqueio marítimo dificultou a importação de peças e
ingredientes para o combustível sólido, observa o texto.
No
entanto, é apontado que a retomada da produção mostra quão difícil é
desmantelar completamente o programa de mísseis de Teerã, um dos objetivos dos
EUA e de Israel ao iniciarem a guerra em 28 de fevereiro de 2026.
Tal
fato também evidencia a capacidade do Irã de resistir a uma guerra de desgaste,
em que seus estoques de mísseis se contrapõem aos cada vez menores estoques de
mísseis interceptores dos EUA e dos países do Golfo, conclui a reportagem.
Anteriormente,
uma mídia britânica relatou que o Irã lançou pela primeira vez mísseis
eletro‑ópticos contra navios dos EUA. Segundo o texto, os EUA disseram que
nenhum militar foi ferido e que todas as tentativas iranianas fracassaram.
¨
Houthis consolidam controle sobre costa do Iêmen no mar
Vermelho, diz fonte
Grupo
tomou controle de cidades e ilhas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb e na
costa oeste do mar Vermelho, informou nesta sexta-feira (11) uma fonte militar
do movimento à Sputnik.
O grupo
iemenita Ansar Allah, conhecido como houthi, aumentou seu controle do
território do país graças a uma nova ofensiva, afirmou uma fonte militar à
Sputnik.
"Os
houthis tomaram a ilha estrategicamente importante de Perim [também chamada de
Mayyun], na parte mais estreita da região, após a retirada das tropas
governamentais. A ilha pertence ao distrito de Dubab, assim como a praia de
Az-Zaafur, de onde é possível avistar a ilha", detalhou a fonte.
Assim
como Ormuz, o estreito de Bab el-Mandeb é considerado um dos pontos mais
estratégicos do comércio global, por onde passam cerca de 12% do tráfego
marítimo do mundo e aproximadamente 9 milhões de barris de petróleo por
dia.
Atualmente
o grupo realiza um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, não permitindo a
passagem de navios em direção aos portos sauditas. Segundo o Ansar Allah, a
ação ocorre em resposta ao bloqueio aéreo e naval imposto por Riad
continuamente nos últimos anos.
Além
disso, segundo a fonte, embarcações dos houthis desembarcaram tropas no
arquipélago de Hanish, que inclui as ilhas Grande Hanish, Pequena Hanish e
Jabal Zuqar. O arquipélago pertence à província de Hodeidah e fica próximo
às rotas marítimas no
sul do mar Vermelho.
"Foi
confirmado que as forças navais do Ansar Allah assumiram o controle do
arquipélago, localizado a cerca de 25 milhas náuticas da costa do Iêmen, e
capturaram sua guarnição, composta por 260 oficiais e soldados. Os prisioneiros
foram levados para a costa de Hodeidah após horas de negociações por rádio para
que se rendessem", relatou a fonte.
No
início da semana o Ansar Allah iniciou uma ofensiva sobre a porção oeste do
país, capturando cidades importantes como Hays, Al-Khawkhah, Al-Mokha,
culimando na capturad de Dhubab nesta sexta-feira (11). Durante a ofensiva,
nove drones sauditas teriam sido abatidos e centenas de soldados apoiados por
Riad foram capturados.
As
operações militares contra as forças governamentais reconhecidas
internacionalmente do Iêmen, apoiadas pela Arábia
Saudita, intensificaram
em meados de julho após uma pausa de quase quatro anos.
A
retomada ocorreu depois de ataques da Força Aérea saudita ao aeroporto de Sanaa
no momento em que um avião iraniano com uma delegação houthi a bordo pousava no
local.
¨ Arábia Saudita fecha
oleoduto após ataques em instalações de bombeamento
Sistema
East-West Pipeline foi alvo de múltiplos ataques na região de Riad e Medina;
oleoduto é rota estratégica para exportação de petróleo em meio à guerra entre
EUA e Irã.
A
Arábia Saudita suspendeu preventivamente as operações do oleoduto
East-West Pipeline após o sistema ser alvo de múltiplos ataques nesta
quinta-feira (10). Segundo o Ministério da Energia saudita, os ataques deixaram
feridos e equipes de emergência e técnicos foram mobilizadas para avaliar as
condições da estrutura.
De
acordo com autoridades dos Estados Unidos citadas pela imprensa estadunidense,
instalações de bombeamento localizadas próximas ao oleoduto foram atingidas por
projéteis. Imagens de satélite registraram incêndios e danos em pelo menos uma
das estações.
Ainda
não está claro se houve danos diretamente à tubulação ou quanto tempo será
necessário para os reparos.
A
autoria dos ataques não foi oficialmente confirmada. Um funcionário
estadunidense afirmou que o sistema teria sido atingido por drones
lançados a partir do Iraque. Grupos de milícias alinhados ao Irã no país já
realizaram ataques com drones contra instalações sauditas no passado.
O
East-West Pipeline ganhou importância estratégica desde o início da guerra
entre Estados Unidos e Irã, após o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz
reduzir as alternativas para o transporte de petróleo saudita. Cerca de 5
milhões de barris de petróleo por dia, que seriam embarcados no Golfo Pérsico,
passaram a ser direcionados pelo oleoduto até o porto de Yanbu, no Mar
Vermelho.
A rota
também enfrenta riscos no Mar Vermelho, com combatentes houthis afirmando que
podem atacar navios sauditas que tentem atravessar o estreito de Bab al-Mandeb,
o que poderia comprometer outra das principais vias de exportação de
petróleo do reino.
Relacionado
ao ataque, os preços do petróleo ultrapassaram US$ 100 por barril nesta
semana em meio à escalada das
tensões no Oriente Médio. A Arábia Saudita também informou à Organização dos
Países Exportadores de Petróleo (Opep) que sua produção de petróleo bruto
caiu no mês passado ao menor nível desde 1990.
¨ Trump diz não ao
apelo da Arábia Saudita sobre ataques contra os houthis, segundo mídia
O
presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou o pedido do príncipe herdeiro da
Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, que lhe ligou duas vezes na quinta-feira
(10) para instá-lo a lançar ataques contra os houthis, comunicou um veículo de
comunicação da mídia norte-americana.
De
acordo com fontes dos EUA, Washington está cada vez mais preocupado com a
rápida escalada do conflito no Iêmen e quer
intensificar o apoio à Arábia Saudita, embora procure evitar o envolvimento
militar direto.
Nesse
contexto, o comandante do Comando Central dos EUA, Brad Cooper, viajou à Arábia
Saudita para realizar negociações urgentes de coordenação sobre o assunto.
Nas
últimas semanas, Washington também tem dito a seus colegas sauditas que a
diretiva de Trump era manter as forças norte-americanas focadas no Irã e na
salvaguarda do estreito de Ormuz, evitando a abertura de outra frente
militar.
Recentemente,
os rebeldes apoiados pelo Irã no Iêmen capturaram a estratégica ilha de
Perim, no estreito de Bab el-Mandeb, potencialmente expandindo a
influência de Teerã sobre outra importante rota marítima global. Antes disso, os houthis capturaram a
cidade portuária de Moca, enquanto procuravam tomar o controle da costa
iemenita do mar Vermelho.
Esses
relatos causaram um forte impacto em todo o mundo, ao alertarem para o
possível aumento dos preços globais do
petróleo e do transporte marítimo, bem como para o risco de abertura de
uma nova frente na guerra dos EUA com o Irã.
Atualmente, Bab el-Mandeb é um ponto
crucial que liga a Ásia e a Europa através do mar Vermelho e do canal de
Suez. Essa hidrovia é usada para transportar bens essenciais, embora seja menos
crítica para o comércio de petróleo do que o estreito de Ormuz.
Depois
de anos de impasse, os combates no Iêmen entre as forças apoiadas pela Arábia
Saudita e os houthis respaldados pelo Irã foram retomados nos últimos
meses, como resultado das tensões causadas pelo conflito entre o Irã e os
EUA.
Fonte:
Entrevista com Ami Ayalon, ex-chefe do Serviço de Inteligência de Israel, para
Francesca Caferri, no La Repubblica/Sputnik Brasil

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