segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Derrame cerebral: Como identificar os primeiros sintomas de um AVC

A ajuda médica imediata é fundamental para limitar os danos ao cérebro, muitas vezes devastadores, de pacientes que sofrem um Acidente Vascular Cerebral (AVC) - conhecido também como derrame cerebral.

Tal intervenção pode, de fato, marcar a diferença entre ter uma lesão cerebral leve ou uma grave incapacidade ou até morte.

No entanto, a maioria das pessoas que sofre deste mal não identifica o que está acontecendo no momento de um derrame e deixa de buscar ajuda mesmo várias horas depois dos primeiros sintomas.

Com frequência, os pacientes minimizam estes sintomas, acreditando que são temporários e vão desaparecer. Mas, após poucos minutos em que a circulação de sangue no cérebro é interrompida, as células começam a morrer.

<><> Sintomas de alarme

O sintoma mais comum de um derrame é a fraqueza repentina no rosto, no braço ou na perna, quase sempre em um lado do corpo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com o serviço de saúde pública do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês), é preciso chamar imediatamente os serviços de emergência caso seja notado algum dos seguintes sintomas:

•        Paralisação no rosto: Uma parte do rosto pode parecer "pendurada". O paciente pode não sorrir, ou a boca e o olho podem parecer flácidos.

•        Fraqueza nos braços: Uma pessoa que está sofrendo um AVC pode não ser capaz de levantar os dois braços e mantê-los suspensos. Ela pode, por exemplo, sentir-se fraca ao levantar um copo. Outro sinal de alerta é a dormência no braço.

•        Dificuldade na fala: O paciente pode perceber sua fala lenta, articular mal as palavras ou dizer coisas confusas e incoerentes. Algumas pessoas podem ficar totalmente incapazes de falar, apesar de estarem acordadas.

Outros sintomas que precisam de atenção são problemas súbitos com um ou ambos os olhos; dificuldade repentina em andar; tonturas; perda de equilíbrio ou falta de coordenação; dor de cabeça súbita e severa; confusão e problemas de percepção.

<><> O que ocorre durante um derrame?

Como todos os órgãos, para funcionar corretamente, o cérebro precisa do oxigênio e dos nutrientes que o sangue carrega. O Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorre quando esse fluxo sanguíneo é interrompido.

Isso pode acontecer devido a um coágulo que bloqueia a passagem do sangue ou a ruptura de um vaso sanguíneo no cérebro.

O NHS estima que uma em cada quatro pessoas que sofrem um derrame cerebral morre - e aqueles que sobrevivem muitas vezes adquirem sérios problemas de longo prazo como resultado de danos cerebrais.

Pessoas mais velhas correm maior risco de ter um AVC, embora eles possam acontecer a qualquer idade, incluindo entre crianças.

Mas, de acordo com a médica e apresentadora da BBC Saleyha Ahsan, a probabilidade de sofrer um derrame cerebral dobra a cada década após os 55 anos.

Ainda assim, em 2015, um relatório da organização britânica Stroke Association alertou para um crescimento "preocupante" da incidência de AVCs entre homens e mulheres mais jovens, com idade entre 40 e 54 anos. No Reino Unido, foram registrados, em 2014, 6.221 homens vítimas de AVC nesta faixa etária - um aumento de 1.961 casos em comparação a 2000. Entre as mulheres, foram 1.075 casos a mais.

Segundo especialistas, o aumento se deve a hábitos de vida menos saudáveis - como o aumento da obesidade, sedentarismo e dietas pobres -, além do crescimento populacional e mudanças nos hospitais.

<><> Recomendações chave

Ahsan também recomenda monitorar a taxa de batimentos cardíacos por minuto.

A fibrilação atrial, um distúrbio do ritmo cardíaco que gera batimentos irregulares, pode multiplicar o risco de AVC em cinco vezes.

Além disso, é importante estar atento e pedir ajuda médica se houver um miniderrame, conhecido na medicina como acidente isquêmico transitório (AIT).

Neste caso, os sintomas são os mesmos, mas temporários, e desaparecem antes das 24 horas. Às vezes, podem durar apenas alguns minutos.

Mas ignorá-los é perigoso: de acordo com Ahsan, uma em cada 12 pessoas que tem um miniderrame sofre um grande AVC em menos de uma semana.

Muitos especialistas alertam que, além da hipertensão, colesterol, diabetes e fibrilação atrial existem outros fatores que aumentam o risco de sofrer um AVC, como tabagismo, obesidade, falta de atividade física e dieta pobre.

•        'O que aprendi ao ter um AVC aos 26 anos'

Aos 26 anos, Niamh Foster jamais imaginou que sofreria um Acidente Vascular Cerebral (AVC) — também conhecido como derrame cerebral.

Sem histórico familiar da doença, a corredora assídua e ex-nadadora competitiva atribuiu um mês de dores de cabeça e fadiga ao estresse da mudança de casa e da preparação para seu período agitado no trabalho, a Semana de Moda de Londres.

Mas em 28 de agosto de 2024, após uma noite de sono interrompido, ela olhou seu reflexo no espelho do banheiro e viu que metade de seu rosto estava caída.

"Eu tive todos os sintomas de um AVC", disse o jovem, agora com 28 anos.

Mais tarde, os médicos lhe disseram que ela havia sofrido um grande AVC isquêmico e 10 ataques isquêmicos transitórios, também conhecidos como mini-AVCs, nas semanas anteriores.

Foster, que mora em um bairro no sul de Londres, disse que ficou internada por 10 dias, acompanhada por seus pais e por seu namorado, Reece.

"Foi uma curva de aprendizado enorme para todos nós", disse ela. "A recuperação de um AVC tem muitos efeitos ocultos."

"Ainda convivo com fadiga, dificuldades de memória e afasia."

A afasia é um distúrbio complexo da linguagem e da comunicação resultante de danos aos centros da linguagem no cérebro, podendo ser causada por acidente vascular cerebral (AVC), traumatismo craniano, tumor cerebral e outras doenças neurológicas.

Foster explicou como, nos dias e meses que se seguiram, ela reaprendeu a andar, a falar como antes e, eventualmente, a correr.

Descobriu-se que a causa do AVC era um buraco no coração, e ela foi submetida a uma cirurgia cardíaca aproximadamente sete meses depois.

Oito meses após o AVC e semanas após a cirurgia, ela correu a Maratona de Manchester com o apoio da irmã, depois de receber autorização médica. No próximo ano, ela planeja participar da Maratona de Londres com o namorado como seu corredor de apoio.

Foster não trabalha mais no mundo do design de moda. Depois de passar um ano focada em sua recuperação, ela começou a trabalhar na Associação de AVC (Stroke Association).

"O AVC me deu mais propósito", explicou ela. "Me importo muito mais com as coisas que importam e muito menos com as que não importam."

"Agora trabalho com pessoas que sofreram um AVC, mas têm dificuldades de

Ao refletir sobre sua experiência de recuperação, ela disse que não se tratava de voltar ao normal ou "ter uma aparência melhor".

"O maior efeito para mim foi a fadiga", disse ela. "Você pode dormir oito horas e meia e acordar ainda cansada. O cérebro precisa de tempo para se recuperar."

Além da recuperação física, Foster disse que, como jovem paciente de AVC, o mais difícil foi "ver todos seguindo com suas vidas enquanto você se recupera".

"Os 20 anos deveriam ser a época em que você vive intensamente. Parece que tudo parou por um tempo", disse ela.

Foster se descreveu como uma pessoa sociável que agora considera situações "avassaladoras" que não teria considerado no passado.

Mas era tudo sobre adaptação, disse ela.

"Ser jovem não significa que a recuperação seja fácil e que você se recupere rapidamente", disse ela.

"A recuperação não é linear, é realmente tediosa."

Foster disse que continuou recebendo apoio para melhorar sua memória e os movimentos de seu braço e mão, e explicou que o trabalho terapêutico ajudou a "reensinar ao cérebro" o que ele costumava saber.

"O AVC pode acontecer em qualquer idade", disse ela. "Descobrir por que aconteceu é tão importante para a compreensão quanto para a recuperação."

A organização beneficente Different Strokes, que apoia jovens sobreviventes de AVC, afirma que mais de 100.000 pessoas no Reino Unido sofrem um AVC ou mini-AVC todos os anos.

O estudo afirma que a maioria das pessoas que sofrem AVC tem mais de 65 anos, mas um em cada quatro AVCs ocorre em pessoas mais jovens, o que equivale a quase 40.000 pessoas por ano, incluindo várias centenas de crianças.

Já o Brasil registra em torno de 400.000 novos casos de AVC por ano, segundo estimativas do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de AVC.

 

Fonte: BBC News

 

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