segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Implosão de Flávio à vista: podres poderes republicanos no bolso da bancocracia

Finalmente, nesta terça-feira (15), o plenário do STF, convocado pelo seu presidente, ministro Edson Fachin, debaterá a questão central que está por trás da crise do Poder Judiciário: suas relações com o sistema financeiro, que também envolvem os poderes Legislativo e Executivo, no caso das fraudes do ex-banco Master, capitaneadas pelo seu dono, ora encarcerado na Papuda, Daniel Vorcaro.

Podres poderes manipulados pela bancocracia especulativa corrupta.

Emerge o fulcro da questão: as manobras financeiras de um banqueiro corrupto comprovam que a superestrutura jurídica do país se submeteu à infraestrutura econômica, atualmente dominada pela financeirização econômica, impulsionada pelo modelo neoliberal, que permite a multiplicação dos Vorcaros da vida.

A economia, provam mais uma vez os fatos objetivos, sobrepõe-se à política, pois, afinal, o que está acontecendo no meio jurídico não se relaciona à tecnicalidade jurisdicional, mas, tão somente, aos interesses políticos subjugados aos interesses econômicos, comandados pela corrupção financeira.

A ação dos poderes republicanos, ao fim e ao cabo, é, essencialmente, político-ideológica, enraizada na luta de classes que caracteriza o capitalismo.

Nesse sentido, não apenas o Judiciário, mas, igualmente, o Legislativo e o Executivo, no formato semiparlamentarista, semipresidencialista inconstitucional, imposto pela maioria conservadora, de viés fascista, no Congresso, foram envolvidos pelo sistema financeiro no processo de governabilidade nacional, colocada a serviço do dinheiro, responsável por detonar o presidencialismo constitucional previsto na Constituição de 1988.

Demonstram toda a sua podridão, nesse contexto, os partidos políticos conservadores que dominam o Congresso, irmanados em torno do Centrão, que, por sua vez, forma o ramo dos interesses que os ligam entre si, das prefeituras aos governos estaduais, chegando ao governo central.

Afinal, como mostram os fatos claramente expostos, até membros do partido governista, o PT, estão relacionados com o Caso Master, como comprova a participação de membros partidários petistas da Bahia envolvidos no grande escândalo, o maior da história brasileira, que, agora, desemboca na fantástica crise do STF.

<><> Causa central do racha institucional

A Suprema Corte está, irremediavelmente, dividida diante dos movimentos que a direita bolsonarista fascista promoveu quando indicou, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, ministros para cuidar dos seus interesses, explícitos, neste momento, em plena campanha eleitoral.

Trata-se, no fundamental, do financiamento bilionário de um filme, que não passa de cortina de fumaça para esconder recursos direcionados ao financiamento de campanha, mobilizando partidos de direita e ultradireita, redes sociais, big techs, relações internacionais etc.

Todos, como mostra a crise do STF, encontram-se engajados na tarefa de golpear a democracia e dar curso ao que se desenrola no Brasil como parte de um movimento internacional de ampliação da rede nazifascista global, hoje comandada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, galopando a Doutrina Monroe, de caráter eminentemente imperialista.

<><> Despertar de Fachin

Finalmente, o freio de arrumação na crise do STF, dado pelo presidente Fachin, expõe claramente os fatos: o ministro fascista André Mendonça, bolsonarista de carteirinha, estava fazendo de tudo para esconder uma realidade explosiva, para impedir o avanço da Polícia Federal nas investigações sobre a questão central: o financiamento, pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, do filme Dark Horse, orçado em 24 milhões de dólares, realizado nos Estados Unidos.

Produção hollywoodiana sem disfarce!

Como a unanimidade das opiniões é a de que se trata de uma quantia absurdamente desproporcional para a realização de uma obra que, no mercado, estaria superdimensionada financeiramente, a conclusão óbvia, como não poderia deixar de ser, é: o dinheiro serviria a outro objetivo, qual seja, gastar na campanha eleitoral, comprando Deus e todo mundo, para levar o candidato Flávio Bolsonaro, do PL, à vitória sobre o presidente Lula.

Nesta quinta-feira, a PF, que o ministro Mendonça tentou calar a fim de atender aos interesses do bolsonarismo fascista, parte para a colocação dos pingos nos is: desencadear operação policial para investigar o escândalo financeiro da campanha bolsonarista, escondida por trás do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, visando levar seu filho à Presidência da República, em 2026.

O bolsonarismo treme de alto a baixo diante do tsunami político à vista.

<><> Candidatura de Flávio pode implodir

O desfecho é imprevisível, sabendo que, se ficarem comprovadas as suspeitas generalizadas de corrupção financeira, bancadas pelo banqueiro do ex-banco Master, a candidatura de Flávio Bolsonaro, de viés fascista, pode ser, literalmente, implodida.

É nesta altura do campeonato eleitoral que fica exposta a evidência segundo a qual a realidade política, jurídica e econômica nacional encontra-se sob o tacão do poder maior que domina a nação: a financeirização, desta vez fantasiada de obra de arte cinematográfica no cenário da campanha eleitoral.

Fica comprovado, como já previu Marx em O Capital, que a superestrutura jurídica sucumbe à infraestrutura econômica dominada pela especulação financeira, empenhada, no exemplo do cenário brasileiro do século 21, em controlar todo o poder republicano na condução dos assuntos públicos.

Está com a razão, portanto, o presidente Lula ao defender, no calor dos acontecimentos, a suspensão do sigilo sobre todos os processos que o bolsonarismo, por intermédio do seu pupilo no STF, ministro André Mendonça, esconde, quais sejam, o do Banco Master — e, também, o do INSS — para não expor a cara do fascismo, que anseia chegar à Presidência da República por meio de Flávio Bolsonaro.

Para os bolsonaristas em desespero, chegou a hora de a onça beber água.

•        ‘Interlocutor direto’: o que a PF aponta sobre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Documentos da Polícia Federal (PF) tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apontam o candidato à presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como “interlocutor direto” do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, nas negociações para o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A apuração sobre a atuação de Flávio Bolsonaro integra um inquérito instaurado em julho no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A investigação apura a suspeita dos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. O foco nesta linha de apuração é o fluxo de recursos privados e do sistema financeiro negociados com Vorcaro.

Segundo o relatório encaminhado pela PF ao STF, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não figura apenas como um terceiro citado por intermediários, mas atuou diretamente na cobrança de repasses, no agendamento de reuniões presenciais e no acompanhamento das gravações.

As negociações envolviam a promessa de repasses de até R$ 131 milhões (US$ 24 milhões), dos quais cerca de R$ 60 milhões foram efetivamente transferidos por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos.

<><> Cronologia dos pagamentos

A análise do material apreendido detalha a cronologia do contato entre o candidato e o ex-banqueiro. Registros de mensagens do publicitário Thiago Miranda de dezembro de 2024 indicam o agendamento de encontros entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro para tratar da produção audiovisual.

Em setembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou áudio a Vorcaro cobrando os pagamentos em atraso, alegando preocupação com prazos e compromissos assumidos com o ator principal e o diretor do longa-metragem.

No mês seguinte, em outubro de 2025, Flávio Bolsonaro informou em nova mensagem que o filme estava no terceiro dia de filmagens e pediu que Vorcaro avisasse caso não conseguisse fazer os aportes, para que pudesse buscar alternativas urgentes. Na mesma data, o candidato do PL convidou o empresário para um jantar em São Paulo (SP) com a equipe do filme.

Em novembro de 2025, no dia 7, Flávio Bolsonaro enviou um vídeo ao ex-banqueiro afirmando que a gravação ocorria em razão da ajuda dele. Em 16 de novembro, véspera da prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero, o candidato à Presidência tentou contato telefônico e enviou a mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.

Além da interlocução direta de Flávio, a investigação aponta que seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, orientou a estrutura de remessas internacionais enviadas ao fundo Havengate, no Texas (EUA), utilizado para operacionalizar a transferência dos recursos.

Em declarações públicas, defesa do candidato diz que não houve aplicação de verba pública na produção do filme e nega a prática de qualquer irregularidade.

•        Gonet diz que Vorcaro obteve ‘promessa de apoio ou interferências’ de Flávio Bolsonaro

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Daniel Vorcaro obteve uma “promessa de apoio ou interferências” do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) às vésperas da prisão do controlador do Banco Master. A avaliação aparece em manifestação na qual a PGR apontou “indícios consistentes” de crimes no financiamento do filme Dark Horse e pediu que a Polícia Federal investigasse se os repasses milionários ao projeto tiveram como contrapartida alguma atuação parlamentar de interesse de Vorcaro.

Gonet fez a afirmação ao analisar uma mensagem enviada por Flávio ao banqueiro em 16 de novembro de 2025. Naquele dia, o senador tentou telefonar para Vorcaro e, depois, escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”

Vorcaro foi preso no dia seguinte, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai. A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em seguida.

Na manifestação, Gonet atribui um significado direto à mensagem. Ao mencionar que Vorcaro havia classificado o financiamento do filme como “o mais importante disparado”, o procurador-geral afirma que o banqueiro: “obteve, às vésperas da deflagração da fase ostensiva da Operação Compliance Zero, promessa de apoio ou interferências do próprio Senador”

A frase aparece no trecho em que a PGR sustenta haver elementos suficientes para aprofundar a investigação. Gonet afirma que existem “indícios consistentes da prática das condutas ilícitas narradas” e cita como hipóteses os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

O procurador-geral também destaca a forma como o dinheiro chegou ao projeto. Segundo ele, houve: “repasse de montante expressivo, sem contrapartida financeira conhecida, mediante sofisticada blindagem patrimonial e atuação de interpostas pessoas”

A investigação identificou US$ 12,33 milhões remetidos em 2025 pela Entre Investimentos e Participações, ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, para o fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. A PF encontrou ainda no celular de Vorcaro um acordo que previa US$ 24 milhões para financiar o filme. Os valores das parcelas previstas no documento eram praticamente os mesmos das remessas posteriormente identificadas.

<><> Flávio cobrou Vorcaro por pagamentos

A mensagem que Gonet classificou como uma possível promessa de “apoio ou interferências” veio depois de meses de contatos entre Flávio e Vorcaro relacionados ao financiamento.

A PF afirma que Flávio não aparece apenas como alguém mencionado por terceiros, mas como “interlocutor direto” do banqueiro em tratativas que envolveram “cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações”.

Em 8 de setembro de 2025, Flávio enviou um áudio cobrando os pagamentos. Segundo a PF, o senador demonstrou preocupação com o risco de inadimplência perante o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro pediu desculpas e afirmou que tentaria resolver a situação.

Uma semana depois, em 15 de setembro, Thiago Miranda avisou Vorcaro de que Flávio queria encontrá-lo pessoalmente para mostrar o que estava sendo gravado. No dia seguinte, houve uma ligação entre Flávio e Vorcaro.

A PGR registra que essa ligação ocorreu no mesmo dia da última remessa da Entre Investimentos para a Havengate identificada no relatório do Coaf: “No dia seguinte, há registro de ligação entre DANIEL VORCARO e FLÁVIO BOLSONARO, coincidindo temporalmente com a última remessa da ENTRE INVESTIMENTOS para a HAVENGATE DEVELOPMENT FUND LP”

Em 22 de outubro, Flávio voltou a procurar Vorcaro. Disse que o filme já estava no terceiro dia de gravação e que a produção estava “no limite”. Pediu que o banqueiro avisasse caso não conseguisse fazer o aporte para que ele pudesse “encontrar outro caminho com urgência”. Vorcaro respondeu que resolveria.

Em 7 de novembro, Flávio enviou um vídeo a Vorcaro e afirmou, segundo a PF, que aquilo “somente estaria acontecendo em razão da ajuda dele”. Nove dias depois, enviou a mensagem dizendo que estaria “sempre” com o banqueiro, interpretada posteriormente por Gonet como “promessa de apoio ou interferências”.

<><> PGR mandou procurar eventual contrapartida

A PGR não afirma que tenha sido comprovada uma interferência de Flávio em favor de Vorcaro. Ao contrário: Gonet deixa claro que ainda faltava descobrir se o financiamento do filme teve alguma contrapartida relacionada ao exercício do mandato do senador.

Segundo o procurador-geral, a investigação precisava avançar principalmente na identificação de eventual: “ato típico da função parlamentar que possa ser atribuída, numa lógica de causa e efeito, ao negócio cinematográfico mencionado”

Gonet diz, em seguida, exatamente o que deveria ser procurado: “elementos complementares da contrapartida financeira dos repasses, que vincule o financiamento à atuação parlamentar em pautas de interesse de Daniel Bueno Vorcaro.”

Para tentar encontrar essa conexão, a PGR pediu um levantamento das proposições legislativas apresentadas ou endossadas por Flávio e pelo deputado Mario Frias (PL-SP) que pudessem ser de interesse do Banco Master, de empresas vinculadas ao banco ou de seus controladores, “em especial Daniel Bueno Vorcaro”.

Gonet também pediu um “relatório de busca completa” nos celulares, computadores e demais aparelhos já apreendidos pela PF no Inquérito 5.026 e em investigações relacionadas para localizar referências aos parlamentares.

A manifestação foi assinada por Gonet em 21 de julho. Ao final, o procurador-geral não se opôs à abertura de um inquérito específico para investigar o financiamento de Dark Horse. O objetivo das diligências passou a incluir justamente a busca pela peça que ainda faltava: saber se os milhões destinados ao projeto tiveram alguma contrapartida relacionada à atuação parlamentar de Flávio.

•        Eduardo Bolsonaro orientou envio de dinheiro de ‘Dark Horse’ aos EUA, aponta PGR

Uma mensagem atribuída ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro indica que ele discutiu formas de viabilizar o envio de recursos aos Estados Unidos para financiar “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A conversa aparece em documento da Procuradoria-Geral da República (PGR), elaborado com base nas investigações da Polícia Federal. O parecer, assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet em julho, deu aval à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o financiamento internacional do filme.

Os investigadores obtiveram uma captura de tela da conversa, mas o documento não identifica quem recebeu a mensagem atribuída a Eduardo. No diálogo, o ex-deputado afirma que o cenário mais conveniente seria que o dinheiro já estivesse nos Estados Unidos e alerta para dificuldades caso os valores partissem de uma empresa brasileira.

“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”, diz a mensagem.

Na sequência, Eduardo teria sugerido que fosse enviado “o máximo possível” pelo sistema que já vinha sendo utilizado e citado Altieris Santana como alguém disponível para participar pessoalmente de reuniões.

Santana é apontado na investigação como diretor do Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas que administrava valores e fazia repasses à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo projeto.

<><> US$ 12,3 milhões enviados aos EUA

A investigação também analisa a origem e o destino de milhões de dólares movimentados para o projeto. Em dezembro de 2024, o publicitário Thiago Miranda enviou ao banqueiro Daniel Vorcaro uma minuta de financiamento da produção, então chamada “Capitão do Povo”, que previa investimento de US$ 24 milhões em 14 parcelas.

Em 2025, a Entre Investimentos, empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, realizou remessas que somaram US$ 12,3 milhões ao exterior. Mineiro fechou acordo de colaboração premiada com a PGR, homologado pelo ministro André Mendonça, do STF.

Segundo a apuração, o empresário detalhou pagamentos ao fundo ligado ao filme e relatou outras operações financeiras realizadas a mando de Vorcaro.

A PF considera que os valores previstos para “Dark Horse” destoam dos parâmetros do mercado audiovisual e afirma ser necessário esclarecer a origem, os beneficiários finais e a efetiva destinação do dinheiro.

 

Fonte: César Fonseca, em Brasil 247/ICL Notícias

 

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