Implosão de Flávio à vista: podres poderes
republicanos no bolso da bancocracia
Finalmente, nesta terça-feira (15), o
plenário do STF, convocado pelo seu presidente, ministro Edson Fachin, debaterá
a questão central que está por trás da crise do Poder Judiciário: suas relações
com o sistema financeiro, que também envolvem os poderes Legislativo e
Executivo, no caso das fraudes do ex-banco Master, capitaneadas pelo seu dono,
ora encarcerado na Papuda, Daniel Vorcaro.
Podres poderes manipulados pela bancocracia
especulativa corrupta.
Emerge o fulcro da questão: as manobras
financeiras de um banqueiro corrupto comprovam que a superestrutura jurídica do
país se submeteu à infraestrutura econômica, atualmente dominada pela
financeirização econômica, impulsionada pelo modelo neoliberal, que permite a
multiplicação dos Vorcaros da vida.
A economia, provam mais uma vez os fatos
objetivos, sobrepõe-se à política, pois, afinal, o que está acontecendo no meio
jurídico não se relaciona à tecnicalidade jurisdicional, mas, tão somente, aos
interesses políticos subjugados aos interesses econômicos, comandados pela
corrupção financeira.
A ação dos poderes republicanos, ao fim e ao
cabo, é, essencialmente, político-ideológica, enraizada na luta de classes que
caracteriza o capitalismo.
Nesse sentido, não apenas o Judiciário, mas,
igualmente, o Legislativo e o Executivo, no formato semiparlamentarista,
semipresidencialista inconstitucional, imposto pela maioria conservadora, de
viés fascista, no Congresso, foram envolvidos pelo sistema financeiro no
processo de governabilidade nacional, colocada a serviço do dinheiro,
responsável por detonar o presidencialismo constitucional previsto na
Constituição de 1988.
Demonstram toda a sua podridão, nesse
contexto, os partidos políticos conservadores que dominam o Congresso,
irmanados em torno do Centrão, que, por sua vez, forma o ramo dos interesses
que os ligam entre si, das prefeituras aos governos estaduais, chegando ao
governo central.
Afinal, como mostram os fatos claramente
expostos, até membros do partido governista, o PT, estão relacionados com o
Caso Master, como comprova a participação de membros partidários petistas da
Bahia envolvidos no grande escândalo, o maior da história brasileira, que,
agora, desemboca na fantástica crise do STF.
<><> Causa central do racha
institucional
A Suprema Corte está, irremediavelmente,
dividida diante dos movimentos que a direita bolsonarista fascista promoveu
quando indicou, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, ministros para
cuidar dos seus interesses, explícitos, neste momento, em plena campanha
eleitoral.
Trata-se, no fundamental, do financiamento
bilionário de um filme, que não passa de cortina de fumaça para esconder
recursos direcionados ao financiamento de campanha, mobilizando partidos de
direita e ultradireita, redes sociais, big techs, relações internacionais etc.
Todos, como mostra a crise do STF,
encontram-se engajados na tarefa de golpear a democracia e dar curso ao que se
desenrola no Brasil como parte de um movimento internacional de ampliação da
rede nazifascista global, hoje comandada pelo ex-presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, galopando a Doutrina Monroe, de caráter eminentemente
imperialista.
<><> Despertar de Fachin
Finalmente, o freio de arrumação na crise do
STF, dado pelo presidente Fachin, expõe claramente os fatos: o ministro
fascista André Mendonça, bolsonarista de carteirinha, estava fazendo de tudo
para esconder uma realidade explosiva, para impedir o avanço da Polícia Federal
nas investigações sobre a questão central: o financiamento, pelo Banco Master,
de Daniel Vorcaro, do filme Dark Horse, orçado em 24 milhões de dólares,
realizado nos Estados Unidos.
Produção hollywoodiana sem disfarce!
Como a unanimidade das opiniões é a de que se
trata de uma quantia absurdamente desproporcional para a realização de uma obra
que, no mercado, estaria superdimensionada financeiramente, a conclusão óbvia,
como não poderia deixar de ser, é: o dinheiro serviria a outro objetivo, qual
seja, gastar na campanha eleitoral, comprando Deus e todo mundo, para levar o
candidato Flávio Bolsonaro, do PL, à vitória sobre o presidente Lula.
Nesta quinta-feira, a PF, que o ministro
Mendonça tentou calar a fim de atender aos interesses do bolsonarismo fascista,
parte para a colocação dos pingos nos is: desencadear operação policial para
investigar o escândalo financeiro da campanha bolsonarista, escondida por trás
do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, visando levar seu filho
à Presidência da República, em 2026.
O bolsonarismo treme de alto a baixo diante
do tsunami político à vista.
<><> Candidatura de Flávio pode
implodir
O desfecho é imprevisível, sabendo que, se
ficarem comprovadas as suspeitas generalizadas de corrupção financeira,
bancadas pelo banqueiro do ex-banco Master, a candidatura de Flávio Bolsonaro,
de viés fascista, pode ser, literalmente, implodida.
É nesta altura do campeonato eleitoral que
fica exposta a evidência segundo a qual a realidade política, jurídica e
econômica nacional encontra-se sob o tacão do poder maior que domina a nação: a
financeirização, desta vez fantasiada de obra de arte cinematográfica no
cenário da campanha eleitoral.
Fica comprovado, como já previu Marx em O
Capital, que a superestrutura jurídica sucumbe à infraestrutura econômica
dominada pela especulação financeira, empenhada, no exemplo do cenário
brasileiro do século 21, em controlar todo o poder republicano na condução dos
assuntos públicos.
Está com a razão, portanto, o presidente Lula
ao defender, no calor dos acontecimentos, a suspensão do sigilo sobre todos os
processos que o bolsonarismo, por intermédio do seu pupilo no STF, ministro
André Mendonça, esconde, quais sejam, o do Banco Master — e, também, o do INSS
— para não expor a cara do fascismo, que anseia chegar à Presidência da
República por meio de Flávio Bolsonaro.
Para os bolsonaristas em desespero, chegou a
hora de a onça beber água.
• ‘Interlocutor
direto’: o que a PF aponta sobre Flávio Bolsonaro e Vorcaro
Documentos da Polícia Federal (PF) tornados
públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apontam o candidato à presidência
e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como “interlocutor direto” do empresário
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, nas negociações para o financiamento
do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A apuração sobre a atuação de Flávio
Bolsonaro integra um inquérito instaurado em julho no STF, sob relatoria do
ministro André Mendonça, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da
República (PGR).
A investigação apura a suspeita dos crimes de
lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. O foco nesta linha de
apuração é o fluxo de recursos privados e do sistema financeiro negociados com
Vorcaro.
Segundo o relatório encaminhado pela PF ao
STF, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não figura apenas como um terceiro
citado por intermediários, mas atuou diretamente na cobrança de repasses, no
agendamento de reuniões presenciais e no acompanhamento das gravações.
As negociações envolviam a promessa de
repasses de até R$ 131 milhões (US$ 24 milhões), dos quais cerca de R$ 60
milhões foram efetivamente transferidos por meio de um fundo sediado nos
Estados Unidos.
<><> Cronologia dos pagamentos
A análise do material apreendido detalha a
cronologia do contato entre o candidato e o ex-banqueiro. Registros de
mensagens do publicitário Thiago Miranda de dezembro de 2024 indicam o
agendamento de encontros entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro para tratar da
produção audiovisual.
Em setembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou
áudio a Vorcaro cobrando os pagamentos em atraso, alegando preocupação com
prazos e compromissos assumidos com o ator principal e o diretor do
longa-metragem.
No mês seguinte, em outubro de 2025, Flávio
Bolsonaro informou em nova mensagem que o filme estava no terceiro dia de
filmagens e pediu que Vorcaro avisasse caso não conseguisse fazer os aportes,
para que pudesse buscar alternativas urgentes. Na mesma data, o candidato do PL
convidou o empresário para um jantar em São Paulo (SP) com a equipe do filme.
Em novembro de 2025, no dia 7, Flávio
Bolsonaro enviou um vídeo ao ex-banqueiro afirmando que a gravação ocorria em
razão da ajuda dele. Em 16 de novembro, véspera da prisão de Vorcaro na
Operação Compliance Zero, o candidato à Presidência tentou contato telefônico e
enviou a mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia
conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.
Além da interlocução direta de Flávio, a
investigação aponta que seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, orientou a
estrutura de remessas internacionais enviadas ao fundo Havengate, no Texas
(EUA), utilizado para operacionalizar a transferência dos recursos.
Em declarações públicas, defesa do candidato
diz que não houve aplicação de verba pública na produção do filme e nega a
prática de qualquer irregularidade.
• Gonet
diz que Vorcaro obteve ‘promessa de apoio ou interferências’ de Flávio
Bolsonaro
O procurador-geral da República, Paulo Gonet,
afirmou que Daniel Vorcaro obteve uma “promessa de apoio ou interferências” do
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) às vésperas da prisão do controlador do Banco
Master. A avaliação aparece em manifestação na qual a PGR apontou “indícios
consistentes” de crimes no financiamento do filme Dark Horse e pediu que a
Polícia Federal investigasse se os repasses milionários ao projeto tiveram como
contrapartida alguma atuação parlamentar de interesse de Vorcaro.
Gonet fez a afirmação ao analisar uma
mensagem enviada por Flávio ao banqueiro em 16 de novembro de 2025. Naquele
dia, o senador tentou telefonar para Vorcaro e, depois, escreveu: “Irmão, estou
e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que
me dê uma luz! Abs!”
Vorcaro foi preso no dia seguinte, quando
tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai. A primeira fase da
Operação Compliance Zero foi deflagrada em seguida.
Na manifestação, Gonet atribui um significado
direto à mensagem. Ao mencionar que Vorcaro havia classificado o financiamento
do filme como “o mais importante disparado”, o procurador-geral afirma que o
banqueiro: “obteve, às vésperas da deflagração da fase ostensiva da Operação
Compliance Zero, promessa de apoio ou interferências do próprio Senador”
A frase aparece no trecho em que a PGR
sustenta haver elementos suficientes para aprofundar a investigação. Gonet
afirma que existem “indícios consistentes da prática das condutas ilícitas
narradas” e cita como hipóteses os crimes de corrupção passiva, corrupção
ativa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
O procurador-geral também destaca a forma
como o dinheiro chegou ao projeto. Segundo ele, houve: “repasse de montante
expressivo, sem contrapartida financeira conhecida, mediante sofisticada
blindagem patrimonial e atuação de interpostas pessoas”
A investigação identificou US$ 12,33 milhões
remetidos em 2025 pela Entre Investimentos e Participações, ligada a Antônio
Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, para o fundo Havengate
Development Fund, nos Estados Unidos. A PF encontrou ainda no celular de
Vorcaro um acordo que previa US$ 24 milhões para financiar o filme. Os valores
das parcelas previstas no documento eram praticamente os mesmos das remessas
posteriormente identificadas.
<><> Flávio cobrou Vorcaro por
pagamentos
A mensagem que Gonet classificou como uma
possível promessa de “apoio ou interferências” veio depois de meses de contatos
entre Flávio e Vorcaro relacionados ao financiamento.
A PF afirma que Flávio não aparece apenas
como alguém mencionado por terceiros, mas como “interlocutor direto” do
banqueiro em tratativas que envolveram “cobranças de pagamentos, reuniões
presenciais e acompanhamento do andamento das gravações”.
Em 8 de setembro de 2025, Flávio enviou um
áudio cobrando os pagamentos. Segundo a PF, o senador demonstrou preocupação
com o risco de inadimplência perante o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus
Nowrasteh. Vorcaro pediu desculpas e afirmou que tentaria resolver a situação.
Uma semana depois, em 15 de setembro, Thiago
Miranda avisou Vorcaro de que Flávio queria encontrá-lo pessoalmente para
mostrar o que estava sendo gravado. No dia seguinte, houve uma ligação entre
Flávio e Vorcaro.
A PGR registra que essa ligação ocorreu no
mesmo dia da última remessa da Entre Investimentos para a Havengate
identificada no relatório do Coaf: “No dia seguinte, há registro de ligação
entre DANIEL VORCARO e FLÁVIO BOLSONARO, coincidindo temporalmente com a última
remessa da ENTRE INVESTIMENTOS para a HAVENGATE DEVELOPMENT FUND LP”
Em 22 de outubro, Flávio voltou a procurar
Vorcaro. Disse que o filme já estava no terceiro dia de gravação e que a
produção estava “no limite”. Pediu que o banqueiro avisasse caso não
conseguisse fazer o aporte para que ele pudesse “encontrar outro caminho com
urgência”. Vorcaro respondeu que resolveria.
Em 7 de novembro, Flávio enviou um vídeo a
Vorcaro e afirmou, segundo a PF, que aquilo “somente estaria acontecendo em
razão da ajuda dele”. Nove dias depois, enviou a mensagem dizendo que estaria
“sempre” com o banqueiro, interpretada posteriormente por Gonet como “promessa
de apoio ou interferências”.
<><> PGR mandou procurar eventual
contrapartida
A PGR não afirma que tenha sido comprovada
uma interferência de Flávio em favor de Vorcaro. Ao contrário: Gonet deixa
claro que ainda faltava descobrir se o financiamento do filme teve alguma
contrapartida relacionada ao exercício do mandato do senador.
Segundo o procurador-geral, a investigação
precisava avançar principalmente na identificação de eventual: “ato típico da
função parlamentar que possa ser atribuída, numa lógica de causa e efeito, ao
negócio cinematográfico mencionado”
Gonet diz, em seguida, exatamente o que
deveria ser procurado: “elementos complementares da contrapartida financeira
dos repasses, que vincule o financiamento à atuação parlamentar em pautas de
interesse de Daniel Bueno Vorcaro.”
Para tentar encontrar essa conexão, a PGR
pediu um levantamento das proposições legislativas apresentadas ou endossadas
por Flávio e pelo deputado Mario Frias (PL-SP) que pudessem ser de interesse do
Banco Master, de empresas vinculadas ao banco ou de seus controladores, “em
especial Daniel Bueno Vorcaro”.
Gonet também pediu um “relatório de busca
completa” nos celulares, computadores e demais aparelhos já apreendidos pela PF
no Inquérito 5.026 e em investigações relacionadas para localizar referências
aos parlamentares.
A manifestação foi assinada por Gonet em 21
de julho. Ao final, o procurador-geral não se opôs à abertura de um inquérito
específico para investigar o financiamento de Dark Horse. O objetivo das
diligências passou a incluir justamente a busca pela peça que ainda faltava:
saber se os milhões destinados ao projeto tiveram alguma contrapartida
relacionada à atuação parlamentar de Flávio.
• Eduardo
Bolsonaro orientou envio de dinheiro de ‘Dark Horse’ aos EUA, aponta PGR
Uma mensagem atribuída ao ex-deputado Eduardo
Bolsonaro indica que ele discutiu formas de viabilizar o envio de recursos aos
Estados Unidos para financiar “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair
Bolsonaro.
A conversa aparece em documento da
Procuradoria-Geral da República (PGR), elaborado com base nas investigações da
Polícia Federal. O parecer, assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet em
julho, deu aval à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF)
para investigar o financiamento internacional do filme.
Os investigadores obtiveram uma captura de
tela da conversa, mas o documento não identifica quem recebeu a mensagem
atribuída a Eduardo. No diálogo, o ex-deputado afirma que o cenário mais
conveniente seria que o dinheiro já estivesse nos Estados Unidos e alerta para
dificuldades caso os valores partissem de uma empresa brasileira.
“O ideal seria haver os recursos já nos EUA.
Que dos EUA para os EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA
não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será
problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria
cerca de 6 meses, calculamos”, diz a mensagem.
Na sequência, Eduardo teria sugerido que
fosse enviado “o máximo possível” pelo sistema que já vinha sendo utilizado e
citado Altieris Santana como alguém disponível para participar pessoalmente de
reuniões.
Santana é apontado na investigação como
diretor do Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas que administrava
valores e fazia repasses à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo
projeto.
<><> US$ 12,3 milhões enviados
aos EUA
A investigação também analisa a origem e o
destino de milhões de dólares movimentados para o projeto. Em dezembro de 2024,
o publicitário Thiago Miranda enviou ao banqueiro Daniel Vorcaro uma minuta de
financiamento da produção, então chamada “Capitão do Povo”, que previa
investimento de US$ 24 milhões em 14 parcelas.
Em 2025, a Entre Investimentos, empresa de
Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, realizou remessas que somaram US$
12,3 milhões ao exterior. Mineiro fechou acordo de colaboração premiada com a
PGR, homologado pelo ministro André Mendonça, do STF.
Segundo a apuração, o empresário detalhou
pagamentos ao fundo ligado ao filme e relatou outras operações financeiras
realizadas a mando de Vorcaro.
A PF considera que os valores previstos para
“Dark Horse” destoam dos parâmetros do mercado audiovisual e afirma ser
necessário esclarecer a origem, os beneficiários finais e a efetiva destinação
do dinheiro.
Fonte: César Fonseca, em Brasil 247/ICL
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