Mais um? Na mira da PF, deputado do PL foi
presidente da bancada evangélica e vice-líder de Bolsonaro
Alvo
de mandados de busca e apreensão expedidos em uma operação da Polícia Federal
deflagrada nesta segunda-feira (14), o deputado federal Cezinha de Madureira
(PL-SP) figura como um dos articuladores políticos mais antigos e influentes da
Assembleia de Deus no Congresso Nacional. A ação investiga esquemas de tráfico
de influência em tribunais superiores, exploração de prestígio, corrupção
passiva e lavagem de dinheiro.
Atualmente em seu segundo mandato na Câmara
dos Deputados, após passar pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo
(Alesp) como deputado estadual, Cezinha construiu sua carreira política
fundamentada em sua proximidade com a liderança religiosa. Natural de Ipiaú, na
Bahia, ele se mudou para São Paulo durante a década de 1990 e se consolidou
como uma das principais vozes da Assembleia de Deus Ministério de Madureira,
expressiva denominação pentecostual do país. Próximo do bispo Samuel Ferreira,
presidente executivo da igreja, o parlamentar incorporou o nome do ministério à
sua identidade nas urnas e atribuiu publicamente seu ingresso no Congresso em
2019 ao apoio do grupo religioso.
A influência conquistada no meio evangélico
levou Cezinha à presidência da Frente Parlamentar Evangélica em 2021, durante a
gestão de Jair Bolsonaro (PL). Mesmo após deixar o comando da bancada, ele
continuou atuando como articulador central do grupo, inclusive nas negociações
recentes referentes à disputa pela presidência da frente para o biênio
2025-2026.
<><> Relação com o bolsonarismo e
trocas de partido
Paralelamente à liderança evangélica, Cezinha
estabeleceu uma trajetória de alinhamento com o bolsonarismo. Durante a gestão
anterior, integrou a base aliada no Congresso e assumiu a vice-liderança do
governo na Câmara dos Deputados em 2022. Naquele mesmo período, engajou-se na
campanha de reeleição de Bolsonaro e participou das articulações políticas para
apoiar a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São
Paulo.
Embora tenha desempenhado esses papéis
estando filiado ao PSD — legenda comandada por Gilberto Kassab, pela qual se
elegeu em seus dois mandatos federais —, o parlamentar trocou de partido este
ano e se filiou ao PL, passando a integrar formalmente a sigla de Jair e Flávio
Bolsonaro.
No entanto, a mudança partidária trouxe
desgastes. O deputado acabou preterido na formação do palanque de Flávio
Bolsonaro em São Paulo, onde pleiteava uma vaga para o Senado. A escolha
contrariou um acordo firmado previamente por Jair Bolsonaro com o bispo Samuel
Ferreira, que garantia espaço majoritário para o Ministério de Madureira na
disputa, indicando Cezinha ou o deputado Marco Feliciano. A vaga na chapa
acabou sendo entregue ao presidente da Alesp, André do Prado, apoiado pelo
presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
O episódio gerou forte insatisfação entre
lideranças evangélicas e afastou Cezinha da pré-campanha de Flávio. Marco
Feliciano chegou a expor o descontentamento publicamente durante um culto,
cobrando maior “reciprocidade” da família Bolsonaro com o segmento evangélico.
Apesar do histórico com a direita, Cezinha abriu canais de diálogo com o
governo do presidente Lula (PT) durante a transição, buscando se posicionar
como ponte de interlocução.
A operação deflagrada pela Polícia Federal
apura a negociação de valores expressivos com terceiros em troca da promessa de
influenciar o resultado de processos judiciais em andamento em tribunais
superiores.
<><> Aliado de André Mendonça
O parlamentar é conhecido por ser amigo e
aliado próximo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça,
informa Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.
A ação foi autorizada pelo ministro do STF
Flávio Dino e visa apurar a possível prática dos crimes de exploração de
prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ao
todo, os policiais federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão no
Distrito Federal e no estado de São Paulo, todos expedidos pela Suprema Corte.
De acordo com a Polícia Federal, a operação
deflagrada nesta segunda-feira é um desdobramento de uma investigação iniciada
em dezembro de 2025, cujo objetivo original era apurar irregularidades na
destinação e alocação de emendas parlamentares.
Com o avanço das apurações, os investigadores
identificaram novos indícios de irregularidades envolvendo o grupo investigado.
As apurações apontam que integrantes do esquema teriam negociado com terceiros
o pagamento de quantias expressivas de dinheiro. Essas cifras estariam
condicionadas ao resultado favorável de processos em andamento, sob o pretexto
de influenciar diretamente o teor de decisões judiciais no tribunal.
Apesar da gravidade das suspeitas relativas à
promessa de interferência nos julgamentos, a Polícia Federal ressaltou
expressamente que, até o momento, não existem elementos ou indícios que apontem
para a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados
durante a investigação.
• Cezinha
de Madureira intermediou reunião entre Vorcaro e André Mendonça
A Polícia Federal deflagrou, nesta
segunda-feira (14), a terceira fase da Operação Transparência, tendo como um de
seus principais alvos o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), em uma
ação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar esquemas de
corrupção e negociação de decisões judiciais.
A decisão que autorizou a ofensiva policial
foi proferida pelo ministro Flávio Dino, com o objetivo de investigar a
possível prática dos crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência,
corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ao todo, agentes da Polícia Federal
cumprem quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no estado de
São Paulo.
Segundo a PF, esta etapa da operação é um
desdobramento direto de investigações iniciadas em dezembro de 2025 para apurar
irregularidades na alocação de emendas parlamentares. No decorrer da apuração,
os investigadores identificaram que integrantes do grupo negociaram com
terceiros o pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado
favorável de processos em andamento, sob o pretexto de influir em decisões
judiciais. A Polícia Federal fez questão de ressaltar que, até o momento, não
há elementos que apontem para a participação de magistrados ou integrantes do
Poder Judiciário nos fatos investigados.
Cezinha de Madureira, que é amigo e aliado
próximo do ministro André Mendonça, do STF, é o mesmo parlamentar que atuou
diretamente como ponte para viabilizar um encontro secreto entre o dono do
Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, e o próprio magistrado da Corte.
Mensagens, áudios e registros de deslocamento
obtidos no dispositivo móvel de Vorcaro comprovam que a articulação conduzida
por Cezinha culminou em uma reunião presencial realizada no dia 14 de março de
2025, na capital paulista. As tratativas foram intensificadas na véspera, em 13
de março, quando o deputado enviou uma mensagem ao banqueiro confirmando o
compromisso com o magistrado: “Amanhã sexta-feira 17:00 com ministro André em
São Paulo”. Logo na sequência, o parlamentar indicou o endereço exato: Alameda
Santos, número 647, 16º andar. Vorcaro respondeu com “Show” e “Marcado”, ao
passo que Cezinha reforçou sua presença: “Estarei lá para te receber”,
reiterando o horário: “Amanhã sexta-feira 14 às 17:00”.
Liderança destacada da Assembleia de Deus do
Ministério de Madureira e figura influente na Frente Parlamentar Evangélica,
Cezinha de Madureira mantém forte proximidade política e religiosa com André
Mendonça. O ministro, que é pastor presbiteriano, teve sua indicação ao STF
promovida durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro sob a premissa de
indicar um nome “terrivelmente evangélico” ao tribunal. Os dados extraídos do
celular mostram que a atuação do deputado foi além da ponte de contatos: envolveu
o relato prévio ao ministro sobre as dificuldades enfrentadas pelo Banco Master
perante o Banco Central, além do planejamento logístico detalhado do encontro
em São Paulo.
No dia da reunião, 14 de março de 2025, o
deslocamento de Vorcaro ocorreu com monitoramento em tempo real entre as
partes. Às 16h37, o banqueiro escreveu ao parlamentar: “Fala amigo”, informando
três segundos depois: “Estou a caminho”. Após uma chamada telefônica de 20
segundos entre ambos, Cezinha enviou mensagem às 16h43 confirmando a chegada do
magistrado: “Ministro já está te esperando”.
As instruções repassadas por Vorcaro ao seu
motorista particular corroboram integralmente a cronologia do trajeto. Às
16h30, minutos antes de comunicar ao deputado que estava saindo, o banqueiro
encaminhou ao funcionário o endereço fornecido por Cezinha: Alameda Santos,
647, 16º andar, ordenando: “Descendo” e “Vamos nesse endereço”, obtendo o
ciente do motorista (“Ok dr”). Às 18h40, Vorcaro voltou a acionar o motorista
informando que estava “Saindo”. O cruzamento dos horários confirma que o
empresário permaneceu no local por cerca de duas horas.
O local escolhido para a audiência privada
não foi o edifício-sede do STF, em Brasília, tampouco o gabinete parlamentar do
deputado ou o escritório corporativo do Banco Master. No endereço indicado
funciona o Instituto ITER, instituição de ensino focada em cursos de
aperfeiçoamento profissional fundada pelo ministro André Mendonça em 2023.
A realização de um compromisso de duas horas
em um espaço privado levanta questionamentos sobre a transparência da agenda
oficial do magistrado, uma vez que a reunião com o banqueiro não constava em
seus registros públicos, assim como não foram divulgadas atas, gravações ou a
lista de presença dos participantes.
Apesar de os documentos comprovarem a
intermediação exercida por Cezinha de Madureira, o relato das pendências junto
ao Banco Central e a efetiva realização do encontro privado em São Paulo, o
material obtido até o momento não traz indícios de pedidos de favores ilícitos
ou de que o ministro André Mendonça tenha intervindo formalmente junto ao Banco
Central ou proferido decisões judiciais para favorecer o Banco Master.
¨
Quem é Cezinha de Madureira
Cezinha
de Madureira é o nome político de Antônio Cezar Correia Freire. Nascido na
Bahia, ele começou a carreira como radialista e entrou na política em São
Paulo.
Foi
eleito deputado estadual em 2014, para um mandato entre 2015 e 2019. No mesmo
ano em que deixou a Assembleia Legislativa, foi eleito pela primeira vez para a
Câmara dos Deputados. Desde então, exerce o mandato de deputado federal e foi
reeleito em 2022.
O
apelido pelo qual ficou conhecido está ligado à sua atuação na Assembleia de
Deus Ministério de Madureira, uma das maiores comunidades evangélicas do país.
Cezinha
é próximo da cúpula da igreja, liderada pelo bispo Samuel Ferreira, e construiu
parte de sua trajetória política a partir dessa rede de influência no meio
evangélico.
Na
Câmara, Cezinha se tornou um dos representantes da bancada evangélica e passou
a atuar em pautas de interesse do segmento.
• Família
de missionários usava acesso a presídios para atuar em parceria com o Comando
Vermelho
Uma
investigação da Polícia Civil de Mato Grosso aponta que a missionária Rhavenna
Barcelos de Almeida e seus pais teriam usado o acesso a unidades prisionais
para manter vínculos com integrantes do Comando Vermelho, transmitir mensagens
e auxiliar na movimentação de recursos ligados à organização criminosa. O caso
envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e participação em organização
criminosa.
As informações foram reveladas pelo
Fantástico, da TV Globo. Segundo a reportagem, Rhavenna e os pais, Nivaldo de
Almeida e Orminda de Almeida, integravam um grupo autorizado pelo governo de
Mato Grosso a prestar assistência religiosa em presídios. A investigação
começou após uma denúncia indicar uma possível relação da família com
integrantes da facção.
De acordo com a Delegacia de Repressão ao
Crime Organizado (Draco), os suspeitos teriam se aproveitado das visitas
religiosas para se aproximar de lideranças criminosas que cumpriam pena na
Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá. A polícia afirma que o grupo
transmitia recados, cedia contas bancárias e colaborava para ocultar dinheiro
que teria origem no tráfico de drogas.
Mensagens, fotografias, vídeos e gravações
obtidos com autorização judicial passaram a integrar o inquérito. Segundo os
investigadores, o material demonstra a proximidade de Rhavenna com integrantes
da facção. Entre os registros analisados aparecem imagens da investigada com
armas, grandes quantias de dinheiro, joias e veículos de alto valor.
Um dos personagens centrais da investigação é
Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman e apontado pela polícia
como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele cumpria pena na
mesma unidade prisional visitada pela família durante as atividades religiosas.
Batman obteve autorização para passar ao
regime semiaberto em setembro de 2024, mas, segundo a polícia, rompeu a
tornozeleira eletrônica poucos dias depois e fugiu para o Rio de Janeiro. Os
investigadores afirmam que Rhavenna mantinha contato frequente com ele e
conhecia o local onde estava escondido. Conversas obtidas pela polícia incluem
compartilhamento de localização e referências a operações policiais no Complexo
do Alemão.
A investigação também aponta que Rhavenna e
Batman mantinham um relacionamento amoroso. De acordo com a polícia, ela
viajava com frequência ao Rio de Janeiro para encontrá-lo e participava de
viagens e momentos de lazer que teriam sido custeados pelo grupo criminoso.
Os investigadores também passaram a analisar
a origem de bens e objetos exibidos pela missionária. Segundo a Draco,
registros apreendidos mostram carros de luxo, joias, festas e viagens. Um
Porsche avaliado em aproximadamente R$ 600 mil, que aparecia em publicações da
investigada nas redes sociais, pertenceria a Batman.
Outras mulheres que frequentavam presídios
como missionárias também entraram no radar da polícia. A investigação afirma
que algumas delas mantinham relacionamentos com traficantes e teriam
apresentado versões falsas em depoimentos, o que levou a indiciamentos por
falso testemunho.
Além da ligação com Batman, a polícia
identificou uma relação de Rhavenna com Renildo Silva Rios, apontado pelos
investigadores como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele
está preso há mais de duas décadas por crimes como homicídio, tráfico de drogas
e participação em organização criminosa.
Segundo o inquérito, Rhavenna também mantinha
um relacionamento amoroso com Renildo. A polícia afirma que o preso enviava
presentes à missionária, entre eles joias e um veículo. As conversas analisadas
pelos investigadores indicariam ainda que ela conhecia a posição ocupada por
Renildo dentro da facção.
Rhavenna, Orminda e Nivaldo de Almeida foram
indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o
Ministério Público denunciou Rhavenna, Orminda e Renildo pelos mesmos crimes.
A Justiça de Mato Grosso também proibiu os
investigados e outras quatro pessoas citadas no inquérito de realizar
atividades de assistência religiosa dentro de unidades prisionais. A Secretaria
de Justiça informou que reforçou a fiscalização para combater o uso de
telefones celulares dentro da Penitenciária Central de Cuiabá.
Em nota, a defesa de Rhavenna negou as
acusações e afirmou que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo. A
defesa de Orminda também rejeitou qualquer participação da investigada em
organização criminosa.
Nivaldo de Almeida morreu nesta semana em
decorrência de um câncer. A apuração sobre os demais investigados prossegue sob
responsabilidade das autoridades de Mato Grosso.
Fonte: Brasil 247

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