terça-feira, 15 de setembro de 2026

Mais um? Na mira da PF, deputado do PL foi presidente da bancada evangélica e vice-líder de Bolsonaro

 Alvo de mandados de busca e apreensão expedidos em uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta segunda-feira (14), o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) figura como um dos articuladores políticos mais antigos e influentes da Assembleia de Deus no Congresso Nacional. A ação investiga esquemas de tráfico de influência em tribunais superiores, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Atualmente em seu segundo mandato na Câmara dos Deputados, após passar pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) como deputado estadual, Cezinha construiu sua carreira política fundamentada em sua proximidade com a liderança religiosa. Natural de Ipiaú, na Bahia, ele se mudou para São Paulo durante a década de 1990 e se consolidou como uma das principais vozes da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, expressiva denominação pentecostual do país. Próximo do bispo Samuel Ferreira, presidente executivo da igreja, o parlamentar incorporou o nome do ministério à sua identidade nas urnas e atribuiu publicamente seu ingresso no Congresso em 2019 ao apoio do grupo religioso.

A influência conquistada no meio evangélico levou Cezinha à presidência da Frente Parlamentar Evangélica em 2021, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Mesmo após deixar o comando da bancada, ele continuou atuando como articulador central do grupo, inclusive nas negociações recentes referentes à disputa pela presidência da frente para o biênio 2025-2026.

<><> Relação com o bolsonarismo e trocas de partido

Paralelamente à liderança evangélica, Cezinha estabeleceu uma trajetória de alinhamento com o bolsonarismo. Durante a gestão anterior, integrou a base aliada no Congresso e assumiu a vice-liderança do governo na Câmara dos Deputados em 2022. Naquele mesmo período, engajou-se na campanha de reeleição de Bolsonaro e participou das articulações políticas para apoiar a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo.

Embora tenha desempenhado esses papéis estando filiado ao PSD — legenda comandada por Gilberto Kassab, pela qual se elegeu em seus dois mandatos federais —, o parlamentar trocou de partido este ano e se filiou ao PL, passando a integrar formalmente a sigla de Jair e Flávio Bolsonaro.

No entanto, a mudança partidária trouxe desgastes. O deputado acabou preterido na formação do palanque de Flávio Bolsonaro em São Paulo, onde pleiteava uma vaga para o Senado. A escolha contrariou um acordo firmado previamente por Jair Bolsonaro com o bispo Samuel Ferreira, que garantia espaço majoritário para o Ministério de Madureira na disputa, indicando Cezinha ou o deputado Marco Feliciano. A vaga na chapa acabou sendo entregue ao presidente da Alesp, André do Prado, apoiado pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

O episódio gerou forte insatisfação entre lideranças evangélicas e afastou Cezinha da pré-campanha de Flávio. Marco Feliciano chegou a expor o descontentamento publicamente durante um culto, cobrando maior “reciprocidade” da família Bolsonaro com o segmento evangélico. Apesar do histórico com a direita, Cezinha abriu canais de diálogo com o governo do presidente Lula (PT) durante a transição, buscando se posicionar como ponte de interlocução.

A operação deflagrada pela Polícia Federal apura a negociação de valores expressivos com terceiros em troca da promessa de influenciar o resultado de processos judiciais em andamento em tribunais superiores.

<><> Aliado de André Mendonça

O parlamentar é conhecido por ser amigo e aliado próximo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, informa Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

A ação foi autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino e visa apurar a possível prática dos crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ao todo, os policiais federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no estado de São Paulo, todos expedidos pela Suprema Corte.

De acordo com a Polícia Federal, a operação deflagrada nesta segunda-feira é um desdobramento de uma investigação iniciada em dezembro de 2025, cujo objetivo original era apurar irregularidades na destinação e alocação de emendas parlamentares.

Com o avanço das apurações, os investigadores identificaram novos indícios de irregularidades envolvendo o grupo investigado. As apurações apontam que integrantes do esquema teriam negociado com terceiros o pagamento de quantias expressivas de dinheiro. Essas cifras estariam condicionadas ao resultado favorável de processos em andamento, sob o pretexto de influenciar diretamente o teor de decisões judiciais no tribunal.

Apesar da gravidade das suspeitas relativas à promessa de interferência nos julgamentos, a Polícia Federal ressaltou expressamente que, até o momento, não existem elementos ou indícios que apontem para a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados durante a investigação.

•        Cezinha de Madureira intermediou reunião entre Vorcaro e André Mendonça

A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (14), a terceira fase da Operação Transparência, tendo como um de seus principais alvos o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), em uma ação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar esquemas de corrupção e negociação de decisões judiciais.

A decisão que autorizou a ofensiva policial foi proferida pelo ministro Flávio Dino, com o objetivo de investigar a possível prática dos crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ao todo, agentes da Polícia Federal cumprem quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no estado de São Paulo.

Segundo a PF, esta etapa da operação é um desdobramento direto de investigações iniciadas em dezembro de 2025 para apurar irregularidades na alocação de emendas parlamentares. No decorrer da apuração, os investigadores identificaram que integrantes do grupo negociaram com terceiros o pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado favorável de processos em andamento, sob o pretexto de influir em decisões judiciais. A Polícia Federal fez questão de ressaltar que, até o momento, não há elementos que apontem para a participação de magistrados ou integrantes do Poder Judiciário nos fatos investigados.

Cezinha de Madureira, que é amigo e aliado próximo do ministro André Mendonça, do STF, é o mesmo parlamentar que atuou diretamente como ponte para viabilizar um encontro secreto entre o dono do Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, e o próprio magistrado da Corte.

Mensagens, áudios e registros de deslocamento obtidos no dispositivo móvel de Vorcaro comprovam que a articulação conduzida por Cezinha culminou em uma reunião presencial realizada no dia 14 de março de 2025, na capital paulista. As tratativas foram intensificadas na véspera, em 13 de março, quando o deputado enviou uma mensagem ao banqueiro confirmando o compromisso com o magistrado: “Amanhã sexta-feira 17:00 com ministro André em São Paulo”. Logo na sequência, o parlamentar indicou o endereço exato: Alameda Santos, número 647, 16º andar. Vorcaro respondeu com “Show” e “Marcado”, ao passo que Cezinha reforçou sua presença: “Estarei lá para te receber”, reiterando o horário: “Amanhã sexta-feira 14 às 17:00”.

Liderança destacada da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira e figura influente na Frente Parlamentar Evangélica, Cezinha de Madureira mantém forte proximidade política e religiosa com André Mendonça. O ministro, que é pastor presbiteriano, teve sua indicação ao STF promovida durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro sob a premissa de indicar um nome “terrivelmente evangélico” ao tribunal. Os dados extraídos do celular mostram que a atuação do deputado foi além da ponte de contatos: envolveu o relato prévio ao ministro sobre as dificuldades enfrentadas pelo Banco Master perante o Banco Central, além do planejamento logístico detalhado do encontro em São Paulo.

No dia da reunião, 14 de março de 2025, o deslocamento de Vorcaro ocorreu com monitoramento em tempo real entre as partes. Às 16h37, o banqueiro escreveu ao parlamentar: “Fala amigo”, informando três segundos depois: “Estou a caminho”. Após uma chamada telefônica de 20 segundos entre ambos, Cezinha enviou mensagem às 16h43 confirmando a chegada do magistrado: “Ministro já está te esperando”.

As instruções repassadas por Vorcaro ao seu motorista particular corroboram integralmente a cronologia do trajeto. Às 16h30, minutos antes de comunicar ao deputado que estava saindo, o banqueiro encaminhou ao funcionário o endereço fornecido por Cezinha: Alameda Santos, 647, 16º andar, ordenando: “Descendo” e “Vamos nesse endereço”, obtendo o ciente do motorista (“Ok dr”). Às 18h40, Vorcaro voltou a acionar o motorista informando que estava “Saindo”. O cruzamento dos horários confirma que o empresário permaneceu no local por cerca de duas horas.

O local escolhido para a audiência privada não foi o edifício-sede do STF, em Brasília, tampouco o gabinete parlamentar do deputado ou o escritório corporativo do Banco Master. No endereço indicado funciona o Instituto ITER, instituição de ensino focada em cursos de aperfeiçoamento profissional fundada pelo ministro André Mendonça em 2023.

A realização de um compromisso de duas horas em um espaço privado levanta questionamentos sobre a transparência da agenda oficial do magistrado, uma vez que a reunião com o banqueiro não constava em seus registros públicos, assim como não foram divulgadas atas, gravações ou a lista de presença dos participantes.

Apesar de os documentos comprovarem a intermediação exercida por Cezinha de Madureira, o relato das pendências junto ao Banco Central e a efetiva realização do encontro privado em São Paulo, o material obtido até o momento não traz indícios de pedidos de favores ilícitos ou de que o ministro André Mendonça tenha intervindo formalmente junto ao Banco Central ou proferido decisões judiciais para favorecer o Banco Master.

¨      Quem é Cezinha de Madureira

Cezinha de Madureira é o nome político de Antônio Cezar Correia Freire. Nascido na Bahia, ele começou a carreira como radialista e entrou na política em São Paulo.

Foi eleito deputado estadual em 2014, para um mandato entre 2015 e 2019. No mesmo ano em que deixou a Assembleia Legislativa, foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Deputados. Desde então, exerce o mandato de deputado federal e foi reeleito em 2022.

O apelido pelo qual ficou conhecido está ligado à sua atuação na Assembleia de Deus Ministério de Madureira, uma das maiores comunidades evangélicas do país.

Cezinha é próximo da cúpula da igreja, liderada pelo bispo Samuel Ferreira, e construiu parte de sua trajetória política a partir dessa rede de influência no meio evangélico.

Na Câmara, Cezinha se tornou um dos representantes da bancada evangélica e passou a atuar em pautas de interesse do segmento.

•        Família de missionários usava acesso a presídios para atuar em parceria com o Comando Vermelho

 Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso aponta que a missionária Rhavenna Barcelos de Almeida e seus pais teriam usado o acesso a unidades prisionais para manter vínculos com integrantes do Comando Vermelho, transmitir mensagens e auxiliar na movimentação de recursos ligados à organização criminosa. O caso envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

As informações foram reveladas pelo Fantástico, da TV Globo. Segundo a reportagem, Rhavenna e os pais, Nivaldo de Almeida e Orminda de Almeida, integravam um grupo autorizado pelo governo de Mato Grosso a prestar assistência religiosa em presídios. A investigação começou após uma denúncia indicar uma possível relação da família com integrantes da facção.

De acordo com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), os suspeitos teriam se aproveitado das visitas religiosas para se aproximar de lideranças criminosas que cumpriam pena na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá. A polícia afirma que o grupo transmitia recados, cedia contas bancárias e colaborava para ocultar dinheiro que teria origem no tráfico de drogas.

Mensagens, fotografias, vídeos e gravações obtidos com autorização judicial passaram a integrar o inquérito. Segundo os investigadores, o material demonstra a proximidade de Rhavenna com integrantes da facção. Entre os registros analisados aparecem imagens da investigada com armas, grandes quantias de dinheiro, joias e veículos de alto valor.

Um dos personagens centrais da investigação é Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman e apontado pela polícia como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele cumpria pena na mesma unidade prisional visitada pela família durante as atividades religiosas.

Batman obteve autorização para passar ao regime semiaberto em setembro de 2024, mas, segundo a polícia, rompeu a tornozeleira eletrônica poucos dias depois e fugiu para o Rio de Janeiro. Os investigadores afirmam que Rhavenna mantinha contato frequente com ele e conhecia o local onde estava escondido. Conversas obtidas pela polícia incluem compartilhamento de localização e referências a operações policiais no Complexo do Alemão.

A investigação também aponta que Rhavenna e Batman mantinham um relacionamento amoroso. De acordo com a polícia, ela viajava com frequência ao Rio de Janeiro para encontrá-lo e participava de viagens e momentos de lazer que teriam sido custeados pelo grupo criminoso.

Os investigadores também passaram a analisar a origem de bens e objetos exibidos pela missionária. Segundo a Draco, registros apreendidos mostram carros de luxo, joias, festas e viagens. Um Porsche avaliado em aproximadamente R$ 600 mil, que aparecia em publicações da investigada nas redes sociais, pertenceria a Batman.

Outras mulheres que frequentavam presídios como missionárias também entraram no radar da polícia. A investigação afirma que algumas delas mantinham relacionamentos com traficantes e teriam apresentado versões falsas em depoimentos, o que levou a indiciamentos por falso testemunho.

Além da ligação com Batman, a polícia identificou uma relação de Rhavenna com Renildo Silva Rios, apontado pelos investigadores como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele está preso há mais de duas décadas por crimes como homicídio, tráfico de drogas e participação em organização criminosa.

Segundo o inquérito, Rhavenna também mantinha um relacionamento amoroso com Renildo. A polícia afirma que o preso enviava presentes à missionária, entre eles joias e um veículo. As conversas analisadas pelos investigadores indicariam ainda que ela conhecia a posição ocupada por Renildo dentro da facção.

Rhavenna, Orminda e Nivaldo de Almeida foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o Ministério Público denunciou Rhavenna, Orminda e Renildo pelos mesmos crimes.

A Justiça de Mato Grosso também proibiu os investigados e outras quatro pessoas citadas no inquérito de realizar atividades de assistência religiosa dentro de unidades prisionais. A Secretaria de Justiça informou que reforçou a fiscalização para combater o uso de telefones celulares dentro da Penitenciária Central de Cuiabá.

Em nota, a defesa de Rhavenna negou as acusações e afirmou que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo. A defesa de Orminda também rejeitou qualquer participação da investigada em organização criminosa.

Nivaldo de Almeida morreu nesta semana em decorrência de um câncer. A apuração sobre os demais investigados prossegue sob responsabilidade das autoridades de Mato Grosso.

 

Fonte: Brasil 247

 

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