BRICS: 20 anos em prol da paz, do
desenvolvimento e do futuro compartilhado
Reunidos em Nova Déli neste fim de semana, 12
e 13 de setembro, os líderes do bloco discutem como converter a crescente
influência do Sul Global em capacidade efetiva de decisão, financiamento e
coordenação internacional.
A 18ª Cúpula ocorre sob o tema “Construindo
resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade”. Segundo a Declaração de
Nova Déli, aprovada no sábado (12), os países reafirmaram o compromisso com uma
ordem internacional mais representativa, a reforma do sistema multilateral e o
aprofundamento das relações políticas, econômicas, financeiras e culturais.
A reunião também marca uma mudança de escala.
Formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia e China, com a posterior entrada
da África do Sul, o BRICS deixou de ser apenas um fórum de grandes economias
emergentes e passou a reunir um conjunto mais amplo de países, interesses
regionais e prioridades de desenvolvimento.
Essa ampliação trouxe maior peso econômico,
demográfico, territorial, energético e diplomático. Ao mesmo tempo, aumentou a
complexidade das negociações internas. O futuro do grupo dependerá, em larga
medida, de sua capacidade de conciliar diferenças políticas sem deixar de
proporcionar benefícios para todos os seus membros.
O próprio tema da reunião expressa uma
necessidade concreta: criar instrumentos capazes de proteger os países em
desenvolvimento contra crises, guerras comerciais, chantagens financeiras e
interrupções deliberadas nas cadeias de suprimento.
O avanço do grupo demonstra que muitos países
não aceitam mais escolher entre isolamento e submissão. Eles procuram
diversificar parceiros, ampliar sua autonomia e participar da elaboração das
regras que afetam suas economias, seus recursos naturais e suas populações.
<><> Do lado certo da história,
Xi Jinping defende BRICS como eixo de reforma da ordem global
No discurso proferido durante a primeira
sessão da 18ª Cúpula do BRICS, em Nova Déli, o presidente chinês propôs o BRICS
como vanguarda em quatro áreas: desenvolvimento inovador, manutenção da paz e
da estabilidade, aprendizagem mútua entre civilizações, bem como reforma e
aperfeiçoamento da governança global.
Xi afirmou que os integrantes do grupo
precisam permanecer do lado certo da história e conduzir o sistema
internacional em direção a maior justiça e equidade. Ele também definiu o BRICS
como a plataforma de cooperação mais influente entre mercados emergentes e
países em desenvolvimento.
A formulação usada por Xi coloca o bloco
diante de desafios que ultrapassam a coordenação econômica. Na visão
apresentada pelo presidente chinês, o BRICS deve participar diretamente da
reorganização das instituições internacionais, da construção de mecanismos de
segurança e da definição de regras para tecnologias e espaços ainda pouco
regulados.
Suas propostas apontam para a tentativa de
consolidar o BRICS como um polo de articulação do Sul Global em um cenário
marcado pela disputa entre grandes potências e pelo enfraquecimento dos
consensos multilaterais.
Segundo o presidente chinês, o BRICS se
consolidou como a plataforma mais influente do mundo para a cooperação entre
mercados emergentes e países em desenvolvimento. Esta afirmação não constitui
apenas um diagnóstico preciso da geopolítica atual, mas reflete uma jornada de
duas décadas de sucessos expressivos.
O BRICS transformou-se em uma força
geopolítica viva, demonstrando notável vitalidade e dinamismo. O acerto das
teses de Xi Jinping reside na capacidade de alinhar as metas dos membros às
aspirações de justiça e equidade de todo o Sul Global, estabelecendo um novo
paradigma para a governança mundial.
<><> Duas décadas de
solidariedade e resiliência
Os últimos 20 anos foram marcados por aquilo
que o presidente Xi definiu como um período de autossuficiência, fortalecimento
individual e união em todos os momentos, bons e ruins. Diante de severas crises
globais — desde a instabilidade financeira e os impactos macroeconômicos da
pandemia até os desafios urgentes das mudanças climáticas —, o BRICS manteve-se
firme.
Essa resiliência decorre do respeito mútuo e
do incentivo para que cada nação explore caminhos de desenvolvimento adequados
às suas próprias condições nacionais. O bloco passou por uma expansão
histórica, estruturou mecanismos abrangentes de cooperação multilateral e
inaugurou uma nova etapa de desenvolvimento de alta qualidade. Em um mundo onde
o Sul Global se fortalece rapidamente e a marcha em direção à multipolaridade é
imparável, o BRICS ergue-se como um bastião de estabilidade.
Uma das propostas mais lúcidas de Xi Jinping
estabelece que o BRICS deve ser o pioneiro no avanço do desenvolvimento
impulsionado pela inovação. Em uma era de transformação acelerada, assumir a
iniciativa tecnológica não é uma opção, mas uma necessidade soberana.
A China, estando na vanguarda da revolução
digital, apresentou propostas concretas para o bloco: fortalecimento da
cooperação em Inteligência Artificial (IA), incentivando o desenvolvimento de
código aberto, a abertura e o compartilhamento de dados e tecnologias; criação
da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, um convite
aberto à participação ativa de todos os membros do grupo; iniciativa para
promover a nova industrialização por meio da IA, visando estreitar os laços nas
cadeias industriais e de suprimentos globais.
Essa abordagem chinesa contrasta com o
isolacionismo tecnológico de certas potências ocidentais. O foco de Beijing é a
democratização do conhecimento e a aplicação prática da tecnologia para
solucionar problemas reais de desenvolvimento.
<><> Defesa inabalável da paz e
da segurança coletiva
Enquanto correntes contrárias de
unilateralismo, protecionismo e jogos de poder de soma zero ganham força, a
China propõe que o BRICS seja o pioneiro na promoção da paz e da estabilidade.
Xi Jinping instou o grupo a rejeitar firmemente a mentalidade da Guerra Fria, o
confronto entre blocos e qualquer forma de interferência nos assuntos internos
ou violação da soberania de outros Estados.
O acerto dessa visão reside em combater tanto
os sintomas quanto as causas profundas dos conflitos. O compromisso explícito
da China em trabalhar com os demais membros para desempenhar um papel
fundamental na promoção da paz e da tranquilidade em regiões historicamente
tensionadas, como o Oriente Médio e a região do Golfo, demonstra o peso
diplomático que o BRICS adquiriu. O bloco não é apenas uma aliança econômica; é
uma força geopolítica construtiva voltada para a paz, o desenvolvimento
compartilhado, a nova governança global e o multilateralismo.
O déficit em paz, desenvolvimento, segurança
e governança exige respostas firmes. Por isso, Xi Jinping conclamou o BRICS a
liderar a reforma e o aprimoramento da governança global. A proposta chinesa
defende de forma inequívoca a autoridade das Nações Unidas e a democratização
das relações internacionais; um sistema multilateral de comércio, com rejeição
absoluta ao protecionismo; a liderança na governança de domínios emergentes,
como o ciberespaço, o espaço sideral e as profundezas do oceano.
Ao amplificar a voz do Sul Global nesses
fóruns, o BRICS conduz a ordem internacional rumo a uma maior justiça e
equidade, posicionando-se firmemente do lado certo da história.
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Rumo à terceira “Década
de Ouro”
Ao longo de uma jornada extraordinária de
duas décadas, a solidariedade permaneceu como a grande força motriz dos BRICS.
A exortação de Xi Jinping para que os membros se mantenham sinceros, busquem
pontos em comum respeitando as diferenças e lidem adequadamente com as
divergências através do diálogo é o bom caminho para consolidar a confiança
mútua.
Com o anúncio de que a China assumirá a
presidência rotativa do BRICS e sediará a próxima cúpula, após as cúpulas do
Brasil (2025) e da Índia (2026), abre-se uma perspectiva promissora.
Com as propostas de Xi Jinping e o peso
político e econômico da China, o grupo se capacita a construir novos consensos
e embarcar em sua terceira “década de ouro”.
Justificam-se, portanto, as expectativas
positivas no mundo quanto ao futuro compartilhado, em que a prosperidade e o
progresso não sejam privilégios de poucos, mas um direito de todos os povos.
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China pede que Sul
Global enfrente ameaças à segurança
A China pede aos países do Sul Global que
enfrentem conjuntamente as ameaças tradicionais e não tradicionais à segurança,
afirmou o presidente chinês Xi Jinping durante a sessão do BRICS+ neste domingo
(13), em Nova Déli.
“É necessário promover conjuntamente a
governança da segurança e enfrentar coletivamente tanto as ameaças tradicionais
quanto as não tradicionais à segurança”, afirmou Xi Jinping, conforme as
declarações divulgadas pela China Central Television.
Durante a sessão, Xi também afirmou que o Sul
Global deve defender conjuntamente a ordem jurídica internacional.
“Os países do Sul Global precisam defender
conjuntamente a ordem jurídica internacional e respeitar princípios
fundamentais das relações internacionais, como igualdade soberana, não
interferência nos assuntos internos e resolução pacífica de disputas”, afirmou.
<><> Cinco iniciativas
O presidente da China apresentou cinco
iniciativas para aprofundar a cooperação em inteligência artificial (IA),
comércio e investimentos, economia digital, manufatura inteligente e formação
de profissionais científicos e técnicos.
A primeira iniciativa trata de uma IA aberta
e acessível. Xi afirmou que a China pretende construir uma plataforma aberta de
IA para os países-membros, apoiar a cooperação no desenvolvimento de grandes
modelos de linguagem e promover um ecossistema aberto de IA.
A segunda iniciativa busca facilitar o
comércio e os investimentos.
“A China propõe construir uma parceria do
BRICS em zonas econômicas especiais, lançar um portal inteligente e coordenar
políticas relevantes”, afirmou Xi Jinping.
Xi também apresentou uma iniciativa de
cooperação nas indústrias digitais. Ele afirmou que a China promoverá a criação
de uma plataforma em nuvem para a indústria digital destinada aos países
parceiros, além de organizar treinamentos em habilidades digitais, intercâmbios
técnicos e interações empresariais.
A quarta iniciativa é voltada à cooperação em
manufatura inteligente.
“A China está pronta para ajudar os países do
BRICS a construir fábricas inteligentes e desenvolver um sistema de padrões e
normas”, afirmou o presidente.
A quinta iniciativa trata do desenvolvimento
de profissionais das áreas científica e de engenharia. Xi propôs a criação de
uma aliança de formação para engenheiros, a realização de treinamentos
conjuntos, o estabelecimento de reconhecimento mútuo de padrões de qualificação
e o lançamento de um programa de intercâmbio de jovens com foco em ciência e
inovação.
<><> Segurança financeira
Xi Jinping pediu aos países do Sul Global que
reformem e aprimorem a arquitetura financeira internacional.
“Os países do Sul Global precisam […]
reformar e aprimorar a arquitetura financeira internacional”, afirmou Xi.
Durante a sessão, Xi também pediu a
aceleração da criação de um sistema global de governança da inteligência
artificial baseado em amplo consenso internacional.
“[É necessário] acelerar a formação de um
sistema de governança da inteligência artificial acordado globalmente e
garantir que as novas tecnologias iluminem o caminho para a prosperidade
compartilhada”, afirmou o presidente chinês.
<><> Nova Presidência Chinesa do
BRICS
A cúpula do BRICS foi realizada em Nova Déli
nos dias 12 e 13 de setembro.
A 18ª Cúpula do BRICS foi realizada em Nova
Déli nos dias 12 e 13 de setembro, sob a presidência da Índia. Após o encontro,
os líderes adotaram a Declaração de Nova Déli, que estabelece as diretrizes
para a futura cooperação entre os países-membros.
O BRICS é uma associação intergovernamental
criada em 2006 por Brasil, Rússia, Índia e China, com a entrada da África do
Sul em 2011. Vários outros países ingressaram no BRICS desde 2024. A Índia
exerce a presidência rotativa do BRICS neste ano. A 19ª Cúpula do BRICS
acontecerá na China em 2027.
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BRICS participa
ativamente da construção de uma ordem mundial mais justa e multipolar, diz
Putin
Os países do BRICS participam ativamente da
construção de uma ordem mundial mais justa e multipolar, afirmou neste domingo
(13) o presidente russo Vladimir Putin.
“Hoje, o BRICS é uma poderosa força motriz
por trás do fortalecimento das relações internacionais e do verdadeiro
multilateralismo, e participa ativamente do processo de construção de uma nova
ordem mundial mais justa e multipolar”, afirmou Putin durante a sessão do
BRICS+ realizada no âmbito da Cúpula do BRICS em Nova Déli, conforme as
declarações divulgadas pela agência Sputnik.
O BRICS defende que todos os países tenham
oportunidades iguais e irrestritas de crescimento econômico e social,
preservando suas culturas e tradições nacionais únicas, afirmou Putin.
“A associação BRICS sempre defendeu e
continua defendendo que todos os países, sem exceção, tenham oportunidades
iguais e irrestritas para um crescimento econômico e social estável e
equilibrado e para garantir o bem-estar de suas populações, preservando
simultaneamente suas culturas e tradições nacionais únicas e seguindo seus
próprios modelos soberanos de desenvolvimento”, afirmou Putin durante a sessão
do BRICS+, realizada no âmbito da cúpula.
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Presidente da Indonésia
diz que país não se submeterá às imposições das potências mundiais
A Indonésia não quer se submeter às
imposições de uma ou duas potências mundiais e defende o fortalecimento da
independência dos países em desenvolvimento, afirmou neste domingo (13) o
presidente da Indonésia, Prabowo Subianto.
“Não gostamos de receber ordens de uma ou
duas potências. Precisamos ser resilientes e, então, nos tornaremos realmente
independentes”, afirmou Prabowo Subianto durante uma sessão da Cúpula do BRICS+
em Nova Déli, conforme as declarações divulgadas pela agência Sputnik.
A base da independência é a capacidade do
Estado de garantir as necessidades básicas da população, incluindo alimentação,
energia, educação e oportunidades para melhorar o bem-estar, observou.
Prabowo Subianto pediu aos participantes do
BRICS que unam suas capacidades nacionais para fortalecer a segurança alimentar
e energética. O presidente destacou que os países da associação representam
cerca de metade da humanidade e que cada um deles possui suas próprias forças.
O presidente indonésio defendeu o
fortalecimento do papel do Sul Global na formação da ordem internacional e a
criação de um sistema multilateral que leve em consideração os interesses tanto
dos Estados fortes quanto dos mais vulneráveis.
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Presidente do Egito diz
que país está pronto para aproveitar seu potencial em projetos conjuntos do
BRICS
O Egito está pronto para aproveitar seu
potencial e sua localização estratégica privilegiada para lançar projetos
conjuntos com os países do BRICS nas áreas de energia, alimentação, transporte,
tecnologia e investimentos, afirmou neste domingo (13) o presidente egípcio,
Abdel Fattah Sisi.
“O Egito reafirma sua disposição de continuar
trabalhando com os membros e parceiros do BRICS, bem como de utilizar seu
potencial e sua posição estratégica para ampliar a cooperação em energia,
alimentos, transporte e logística, tecnologia e investimentos”, afirmou Sisi
durante a sessão da Cúpula do BRICS+ em Nova Déli, conforme as declarações
divulgadas pela agência Sputnik.
Sisi pediu aos países do BRICS que passem do
alinhamento de prioridades comuns para a implementação de projetos concretos.
“O sucesso de nossa parceria não se limita à
definição de prioridades, mas exige a implementação de projetos e investimentos
específicos”, afirmou.
O BRICS é uma associação intergovernamental
criada em 2006 por Brasil, Rússia, Índia e China, com a entrada da África do
Sul em 2011. Vários outros países ingressaram no BRICS desde 2024. A Índia
exerceu a presidência rotativa do BRICS neste ano.
Fonte: Por José Reinaldo Carvalho, em Brasil
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