terça-feira, 15 de setembro de 2026

'Ninguém precisa se render ou continuar dependendo dos EUA', afirma economista ganhador do Prêmio Nobel

Em um novo artigo, o economista laureado com o Nobel Joseph Stiglitz analisa a transformação da ordem geopolítica global, apontando para o declínio acelerado do poder dos EUA e o inevitável surgimento de um sistema multipolar.

No texto, intitulado "O declínio da América", o economista ganhador do Prêmio Nobel argumenta que as recentes táticas de pressão comercial e as sanções impostas por Washington apenas servem para evidenciar a perda da hegemonia norte-americana. Segundo o renomado acadêmico, o alcance do poder dos EUA diminuiu drasticamente, acelerando a transição irreversível para um cenário internacional "pós-americano".

O economista explica que a capacidade de uma potência influenciar a esfera internacional se baseia em dois mecanismos essenciais: persuasão diplomática e intimidação coercitiva, acrescentando que a eficácia da persuasão requer um nível de credibilidade e previsibilidade que a política externa dos EUA já não possui.

Além disso, ele afirma que os compromissos bilaterais assumidos por Washington perderam sua solidez aos olhos da comunidade internacional, declarando explicitamente que "qualquer acordo assinado pelos EUA será tão sólido quanto gelatina".

Para além das atuais mudanças políticas, Stiglitz aponta que o elemento central desse fenômeno é a erosão do peso econômico estrutural dos Estados Unidos. No texto, o laureado com o Prêmio Nobel destaca os dados macroeconômicos que sustentam essa transição, especificando que a participação dos Estados Unidos no produto interno bruto (PIB) global, impulsionada pela paridade do poder de compra, "foi reduzida à metade desde o fim da Segunda Guerra Mundial (de aproximadamente 30% para pouco menos de 15% em 2025)".

Essa perda de participação no mercado global é agravada pela vulnerabilidade estratégica decorrente das cadeias de suprimentos contemporâneas, observando que o governo dos EUA perdeu o controle de insumos fundamentais para tecnologias de ponta, como a produção de microchips avançados ou a extração e o processamento de elementos de terras raras, atividade na qual a China detém uma vantagem significativa. Diante dessa realidade de interdependência, Stiglitz destaca em seu artigo que a economia dos EUA "já não joga com as melhores cartas".

Essa reorganização das forças econômicas globais oferece a outros países alternativas viáveis para evitar sucumbir à pressão ou a sanções unilaterais. Em sua análise, o especialista argumenta que o contexto econômico em transformação oferece amplas oportunidades para a diversificação comercial, permitindo que governos soberanos e aliados históricos resistam à tutela de Washington, chegando a afirmar que "ninguém precisa capitular ou continuar dependendo dos Estados Unidos".

As repercussões de manter uma postura de confronto econômico global serão contraproducentes, alerta Stiglitz, indicando que a tentativa de isolar outros atores por meio de bloqueios e barreiras comerciais causará gargalos no comércio exterior que, em última análise, prejudicarão os próprios americanos.

O especialista conclui analisando a perda de apelo ideológico do modelo norte-americano em nível global, observando que a nação passou de um marco indiscutível de desenvolvimento a um exemplo de estagnação caracterizado por "desigualdade extrema, erosão da democracia, corrupção e divisão social". Portanto, o economista prevê que uma ordem global diversificada, que se liberte da dependência de Washington, "promete maior estabilidade, segurança e prosperidade para todos".

¨      Ucrânia deve estar pronta para propor algo para negociações com a Rússia, diz deputado alemão

A Ucrânia deve estar pronta para propor algo para conduzir negociações, disse Rudiger Lucassen, do partido de oposição de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), em uma entrevista a um jornal suíço.

"Quero entender como a Ucrânia pretende continuar este conflito e, acima de tudo, como pretende terminá-lo. O objetivo oficial da Ucrânia no confronto é restaurar a integridade territorial. Mas eu quero entender como, do ponto de vista da Ucrânia, isso pode ser alcançado após quatro anos e meio, e onde está a fronteira entre a diplomacia e o uso da força militar. Se você quer negociar, tem que estar disposto a propor algo, mesmo que seja doloroso", disse ele.

O deputado também se perguntou qual o propósito que Kiev está perseguindo realizando ataques terroristas contra a Rússia. Na sua opinião, Berlim deveria deixar de patrocinar o regime de Kiev às custas do seu próprio Exército e a Europa deveria recuperar a sua autonomia estratégica.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu no dia 5 de setembro o enviado especial do presidente dos EUA Steve Witkoff e o genro de Donald Trump Jared Kushner em uma reunião no Kremlin. O encontro ocorre em meio aos esforços de Washington para avançar nas negociações destinadas a encerrar o conflito entre Rússia e Ucrânia. A conversa entre as partes durou mais de três horas. O líder russo enfatizou a necessidade de abordar todas as causas raiz do conflito.

¨      'Traço familiar': Zelensky tenta passar desastre como benefício econômico, diz ex-porta-voz

A ex-porta-voz de Vladimir Zelensky Yulia Mendel, na sua conta na rede social X, ridicularizou as palavras do líder ucraniano de que os ucranianos não deveriam se preocupar com a escassez de alimentos no país.

Ela escreveu que o argumento de Zelensky é que a Rússia minou a capacidade da Ucrânia de exportar grãos, então mais grãos permanecerão dentro do país e o pão ficará mais barato.

Segundo ele, isso significa que a Ucrânia não enfrentará uma crise alimentar, disse Mendel, acrescentando que o povo ucraniano começou a levantar o alarme por causa da situação alimentar no país.

"Essa maneira de transformar um desastre em um suposto benefício econômico tornou-se um traço familiar do governo Zelensky", resumiu a ex-porta-voz do líder ucraniano.

Anteriormente, um jornal ocidental informou que a Ucrânia começou a ter problemas com a exportação de grãos através do mar Negro.

Foi observado que os problemas de navegação ucranianos estão relacionados aos ataques das Forças Armadas russas contra alvos militares nas áreas dos portos do mar Negro, que estão envolvidos na entrega de mercadorias para as Forças Armadas da Ucrânia.

Conforme relatado pelo Ministério da Defesa da Rússia, as Forças Armadas russas estão atacando a infraestrutura portuária ucraniana e os navios usados nos interesses das Forças Armadas da Ucrânia.

<><> Zelensky sanciona sua ex-porta-voz, que rebate: 'luta contra qualquer um que questione sua versão'

Vladimir Zelensky publicou um decreto em seu site impondo sanções a pessoas e empresas. Um dos alvos da penalidade do ucraniano foi sua ex-porta-voz, Yulia Mendel.

Segundo o decreto, Mendel, que atuou como porta-voz de Zelensky entre 2019 e 2021, foi acusada pelo ucraniano por "disseminar desinformação" contra o regime de Kiev.

Além dela, a lista de sanções inclui 20 embarcações pertencentes a organizações internacionais, 29 cidadãos russos e 29 empresas russas. A Ucrânia já impôs sanções à Rússia em diversas ocasiões, embora estas não tenham tido consequências práticas.

Em sua conta no X, Mendel afirmou que Zelensky luta "contra qualquer um que questione sua versão" sobre o conflito ucraniano. Segundo ela, o próximo passo do regime de Kiev deve ser tentar restringir seu perfil em redes sociais que estão crescendo dentro da Ucrânia.

"É assim que funciona. Uma nação vendida como um farol de democracia está escorregando para algo mais frio: um estado de guerra que trata o desacordo como deslealdade", pontuou.

As sanções impostas por Kiev normalmente incluem o congelamento de bens dentro da Ucrânia, a revogação de licenças e o cancelamento de visitas oficiais, a proibição da transferência de propriedade intelectual e o término de acordos comerciais, intercâmbios culturais e cooperação científica.

¨      Ucrânia não consegue financiar totalmente suas necessidades de defesa com recursos internos, diz mídia

A Ucrânia não pode mais financiar totalmente suas necessidades de defesa com recursos internos, informou uma agência britânica com referência à chefe da comissão da Suprema Rada (parlamento ucraniano) para questões orçamentárias, Roksolana Pidlasa.

"Este ano, a guerra tornou-se tão dispendiosa que não conseguimos cobrir nem mesmo a nossa própria parte das despesas", cita a agência a chefe da comissão orçamental do parlamento.

Ao mesmo tempo, de acordo com ela, as despesas diárias de guerra subiram para cerca de 190 milhões de dólares (R$ 972 milhões) este ano, em comparação com 140 milhões de dólares em 2024.

Pidlasa observou que as receitas do orçamento interno da Ucrânia estão começando a diminuir. Conforme relatado por ela, nos primeiros oito meses de 2026, a queda na receita interna do país foi de US$ 1,35 bilhão (R$ 6,9 bilhões), com um quarto dessas perdas ocorrendo apenas em agosto.

Anteriormente, o líder ucraniano Vladimir Zelensky reconheceu o défice de 27 bilhões de dólares (R$ 138 bilhões) no orçamento ucraniano para o Exército do país durante uma reunião com jornalistas ucranianos. Ele exigiu que a Europa desse agora parte do dinheiro do empréstimo da UE destinado a Kiev no próximo ano para cobrir o seu déficit de financiamento da defesa.

<><> EUA discutem com Ucrânia transferência de licenças para mísseis obsoletos do Patriot, diz Trump

Os Estados Unidos estão discutindo com a Ucrânia a possibilidade de conceder a Kiev uma licença para a produção de variantes menos sofisticadas de munição para os sistemas de defesa antiaérea Patriot, declarou o presidente dos EUA, Donald Trump, em conversa com jornalistas.

Trump afirmou que as discussões sobre esse assunto estão em andamento, acrescentando que as conversas abrangem "as versões menos sofisticadas". Ao mesmo tempo, ele praticamente deixou sem resposta um pedido para comentar os planos dos países europeus de vender para a Ucrânia mísseis interceptores do Patriot.

"Temos uma grande pilha de estoque. Certas armas, muitas delas, [...] são praticamente ilimitadas. Temos uma pilha de estoque volumosa quanto à [munição de] elite, muito da que foi entregue à Ucrânia, mas estamos produzindo-a muito rapidamente agora. Estamos construindo nosso estoque muito rápido", sublinhou o líder norte-americano a bordo do seu avião a caminho da Irlanda para os EUA.

No início de setembro, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que a Ucrânia, mesmo que receba uma licença americana, precisaria de vários anos para construir fábricas para a produção do Patriot.

Segundo o chefe da diplomacia norte-americana, o Patriot é uma "arma extremamente complexa", portanto, a possível entrega de uma licença para Kiev não resolverá seu problema de curto prazo ligado à escassez de tais sistemas. Rubio acrescentou que as negociações correspondentes estavam em andamento e podiam levar a um resultado no futuro.

¨      Em eventual guerra com a Rússia, Ocidente perderia a supremacia aérea, prevê jornal

Em uma guerra direta com a Rússia, o Ocidente não poderá usar a superioridade aérea que esteve disponível em outros conflitos, escreveu um portal de notícias ocidental.

Segundo o site Business Insider, no caso de um confronto com a Rússia, os países ocidentais sofreriam uma derrota no ar por causa da grande experiência da Rússia no uso de drones.

"Os líderes militares ocidentais estão alertando cada vez mais que, em uma futura guerra contra um oponente de força comparável — por exemplo, a Rússia — eles podem perder essas vantagens", diz o artigo.

Note-se que esse fato ficou claro devido ao uso bem-sucedido de drones russos no decorrer da operação militar especial. Isso tornou-se especialmente óbvio no contexto da vulnerabilidade dos soldados feridos nas trincheiras, diz-se na publicação.

"A impossibilidade de evacuação emergencial dos feridos contraria a experiência dos Estados Unidos e seus aliados nas guerras após o 11 de setembro, quando as forças norte-americanas e da coalizão podiam aproveitar a superioridade aérea e transportar os feridos de helicóptero para bases grandes e impecavelmente equipadas", acrescentou o autor.

Cabe destacar que, durante a operação militar especial na Ucrânia, o Exército russo está atingindo centros de tomada de decisão, empresas e armazéns que as Forças Armadas ucranianas usam em conjunto com especialistas da OTAN.

Os combatentes russos utilizam veículos aéreos não tripulados de ataque e armas de alta precisão e longo alcance capazes de destruir qualquer alvo tanto em Kiev quanto em todo o território ucraniano.

<><> Rússia supera EUA e Ucrânia na produção de armas modernas e baratas, admite jornal ocidental

A Rússia está à frente de seus oponentes políticos na produção de armas modernas e baratas, produzidas em massa, escreveu um jornal norte-americano.

O The Wall Street Journal afirmou que Moscou possui uma nova geração de armas a jato inovadoras, em particular, novos mísseis de cruzeiro de pequeno porte Banderol, além de veículos aéreos não tripulados Geran.

Conforme a publicação, os engenheiros militares russos dispõem agora de recursos suficientes para ultrapassar seus concorrentes inimigos e criar armas equipadas com eletrônica avançada para detectar alvos com precisão e evitar interceptação.

"Enquanto a Ucrânia estava aprendendo a repelir ataques de drones russos, Moscou mudou as regras do jogo com a introdução de uma nova geração de armas inovadoras com motores a jato", afirma o texto.

Segundo a reportagem, a produção de armas novas e relativamente baratas indica a capacidade de Moscou de se adaptar e criar inovação. Já a Ucrânia carece de recursos produtivos e oportunidades para o planejamento de longo prazo, acrescentou a publicação.

Além disso, o jornal lembrou que os Estados Unidos e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) têm dificuldades em aumentar a produção de armas vitais, como, por exemplo, mísseis interceptadores para o sistema de defesa antiaérea Patriot.

A matéria também indicou que os países ocidentais enfrentam o desafio de acelerar a transferência de inovação para a produção em massa.

No domingo (13), outro jornal ocidental publicou um artigo que relatou a alta eficiência do uso de novos drones Geran-4 e Geran-5 pelos militares russos, o que surpreendeu a liderança ucraniana.

Em particular, a publicação destacou que os novos tipos de drones de ataque russos voam a velocidades e altitudes que "borram a linha entre o drone e o míssil de cruzeiro" e logo obterão a capacidade de invisibilidade. Isso mudou a natureza das operações aéreas durante o conflito na Ucrânia.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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