O ghosting
O presente texto tem como objetivo discorrer
sobre os diferentes aspectos da performance do sujeito atual, com ênfase nos
relacionamentos amorosos e fazer uma ghostinglogia – isto é, uma análise
fenomenológica e afetiva do ghosting. Além disso, busco adicionar mais um
elemento contemporâneo que contribui para a neoalienação: os medicamentos.
Tratar dos medicamentos envolve olhar criticamente a dinâmica da psiquiatria na
atualidade e não pensar de forma isolada suas substâncias químicas.
A célebre sentença aristotélica de que o
homem é um animal racional deve ser reformulada e atualizada. Não que o ser
humano tenha deixado de exercer a razão. Mas o principal elemento que
caracteriza o sujeito contemporâneo é o quão exposto e vulnerável está ao
condicionamento-alienante, o conjunto de fatores e discursos que nos
condicionam à perda do eu e se incorporam a nossa constituição psíquica. Fomos
do animal racional ao rato skinneriano.
Os fatores denominados “fenômenos excessivos”
caracterizam nossa sociedade contemporânea e nos condicionam à neoalienação, a
uma perda de contato com o eu e estão diretas ou indiretamente relacionados com
o ato de performar. Fazer a si mesmo, seus atos e sua imagem de mercadoria
agradável. Parecer ser e ter são mais imperativos do que de fato ser. Além da
saturação de consumismo, estímulos e informação, o sujeito contemporâneo é
assombrado pela necessidade de performar. Não basta apenas ser competente. É necessário
ser competente em vender a própria competência. Performamos não apenas para
conseguir emprego, como é o caso das entrevistas de trabalho e nossos perfis
nas redes digitais, que devem estar sempre impecáveis. Mas também para manter
esse mesmo emprego e conseguir promoções.
A performance contemporânea transcende o
ganho monetário ao fazer parte das outras esferas da vida do sujeito
contemporâneo. Digital, intelectual e amorosa. A exposição que faz de si mesmo
e o olhar do outro digital que o valida nessas esferas é requisito para se
perceber como sujeito. Não é apenas uma máscara ou condição de sobrevivência
mas de existência como ser. O ato de performar é parte constitutiva do homem
atual.
O que resulta na patologia-performática ou
pathos-desempenho. A ânsia de vender o eu-que-produzo e sua imagem feliz e
idealizada ultrapassa a fronteira do saudável e adentra no terreno patológico,
resultando nas categorias psiquiátricas que assolam nosso século, como burnout
e ansiedade. Disso decorre o consumo de medicamentos, que nada mais é do que o
paliativo farmacológico que incide na manutenção do
trabalhador-engrenagem-eficiente. O problema é estrutural. A dinâmica da
sociedade contemporânea que é caracterizada pela pressão por produção e
desempenho leva o sujeito em direção à patologia-performática.
Existe um excesso de medicamentos na
contemporaneidade. Não é questão de negar a existência dos transtornos mentais
e de sua base orgânica. Na Sociedade do Excesso tais substâncias químicas não
raramente são usadas para lidar com males cuja gênese não é orgânica ou
puramente orgânica. Mas existencial e psíquica. Ansiedade e depressão tendem a
ser vistas apenas como desregulação química no sistema nervoso. E não
consequência da falta de sentido na vida ou problemas internos mal resolvidos.
A urgência e a pressão por resultados não abrem margem para a reflexão de si
mesmo. Simplesmente não há tempo para tal. A psiquiatria e a indústria
farmacêutica, que deveriam trabalhar em prol da saúde dos seres humanos, também
nos oferecem recursos paliativos que impulsionam o ser-de-e-para-produção a
continuar sendo uma engrenagem excitada. Na medida em que sabe que há uma forma
de lidar com seu desgaste após o uso e continuar na sua jornada diária, o
sujeito saturado fica mais tranquilo para cumprir seu papel existencial. Quando
a engrenagem quebra e não há nada que as substâncias químicas possam fazer,
basta substituir por outra. Quando lubrificar para espremer daí mais trabalho e
produção não é viável, basta trocar por outra ferramenta.
No que tange aos medicamentos e substâncias
químicas, existem dois grandes grupos que merecem nossa atenção. O primeiro é o
das drogas paliativas. Remédios para lidar com depressão, ansiedade e afins.
Paliativo capitalista para os males que a própria dinâmica capitalista causa. O
segundo grupo é o das drogas performáticas, relacionadas diretamente à
produtividade e à estética. O que nos interessa por agora é uma parcela
específica do segundo. Isto é, o grupo de pessoas no qual a estética e
produtividade se integram em uníssono, aqueles que compõem a comunidade fitness
de alto rendimento. Influencers fitness, coaches e fisiculturistas. Seu sucesso
depende não apenas da capacidade e habilidade para venderem sua rotina e seus
corpos nas redes. Mas da capacidade de tomar veneno. E torcer para que seu
organismo tenha uma certa reação. Não positiva, mas que seja a menos negativa
possível. Eles compram sucesso com força vital e parte essencial do seu
trabalho é jogar uma roleta russa venenosa. O indivíduo toma veneno, posta e é
aplaudido. Aprendemos a glorificar o suicídio fitness. Pode ser lento e sutil,
mas mata do mesmo jeito. Mais do que isso, o atleta aprendeu a extrair dinheiro
e gozo desses aplausos. Há vários casos de atletas fitness, boa parte deles bem
jovens, que acabam falecendo cedo na sua empreitada profissional. Não são
acidentes. Mas sintomas de uma cultura que alegremente celebra o abrir mão da
saúde pelo narcisismo do corpo.
Porém esse tópico merece um texto só para si
e não devemos nos prolongar mais nele.
Explicitado esse fator excessivo que
condiciona ou faz parte do processo de estranhamento de si, é errôneo dizer que
o sujeito do excesso só tem valor como sujeito enquanto performa. A questão é
que ele só é sujeito por causa da performance. Curiosamente tenho que performar
para criticar a performance contemporânea, a começar pelo título do ensaio. O
presente autor não se exime do corte que faz. Se for para cortar, que eu sangre
junto. Que graça teria se assim não fosse? Minha escrita é essencialmente masoquista.
Dito isso, em primeira e última instância, escrevo para cortar.
<><> Vamos analisar a
performatividade dos relacionamentos atuais.
O fenômeno da selfie pós-sexo, na qual o
casal (ou trisal) tira uma selfie de si depois de realizar o ato sexual para
compartilhar nas redes digitais é característico da hiperconectividade de nossa
época. Tal fenômeno se distingue da pornografia por não estar relacionado com
ganho monetário. A intimidade sexual virou selo de felicidade e saúde a ser
consumido pelo olhar digital na Sociedade Erótica. Discorrer sobre o arquétipo
do ´´casal perfeito´´ nas plataformas digitais seria improdutivo, visto que ele
já foi amplamente dissecado por outros autores atuais. Evitemos quebrar o
Mandamento da Produtividade outra vez. O que nos interessa é o fenômeno do
ghosting, a covardia contemporânea.
Ghosting é o ato de cortar contato com o
outro sem mais explicações ou satisfações. Trataremos dele no âmbito amoroso e
usaremos o termo “desconectividade” como sinônimo, já que o ghosting é
essencialmente o ato de se desconectar. Não iremos discorrer sobre o
´´ghosting-light´´, aquele que é dado nos primeiros encontros e interações, mas sim o ´´ghosting-hard´´, que
é quando há conexão emocional substancial envolvida ou até mesmo um
relacionamento sério entre ambos. Evitaremos o ´´ghosting-middle-ground´´, no
qual há conexão emocional e intimidade mínima entre os parceiros e um possível
relacionamento, mas nada tão expressivo quanto seria no caso do ghosting-hard.
Nem mesmo iremos analisar o
´´ghosting-self-defensive´´, a desconectividade abrupta e ´´legítima´´ por causa do parceiro tóxico ou de ações tóxicas
do outro como mecanismo de defesa e higiene mental.
A Sociedade Líquida descrita por Bauman
também pode ser nomeada de Sociedade Performática, pois o ato de performar na
contemporaneidade foi além do âmbito do trabalho e penetrou profundamente em
outras esferas de nossas vidas. Inclusive na amorosa. Em maior ou menor grau
nossa dinâmica socioeconômica nos obriga a performar. Absorvemos e reproduzimos
sem nos darmos conta dessa dinâmica a tal ponto que o superego do sujeito
contemporâneo não apenas o ordena que performe. Mas que goze performando e
exiba seu gozo, mesmo que seja consumido no processo de vender a si mesmo
incessantemente. Performo, logo sou. A performance é um dos poucos fatores
sólidos na Sociedade da Liquidez. Nosso contato com o real e com o outro é cada
vez mais mediado pelo virtual e digital. Nesse cenário a desconectividade é um
mecanismo de defesa contra a desperformance diante do próximo. Na medida em que
acabamos performando até no amor, o ghosting é uma saída natural e segura na
dinâmica atual dos relacionamentos. Não há necessidade de cortar formalmente e
oficialmente laços e contato com o outro, mas o agredimos ao lhe conceder o
silêncio do block. Como se ele não fosse digno e merecedor o bastante de um
término direto e franco, mas algo descartável e sem valor.
A violência do block desestabiliza e deixa o
outro remoendo o peso do silêncio. Ao indagar a si mesmo o que teria feito de
errado, a ´´vítima´´ acaba por não compreender que a súbita desconexão é
sintoma estrutural de nossos relacionamentos liquidamente hiperconectados e
performáticos. Não tanto culpa sua. Da parte de quem concede a honra do block
há o alívio de ter que lidar com a noção digitalizada do outro e evitar o seu
olhar carregado de sentimentos.
<><>O ghosting é resultado da
desumanização do outro.
Façamos uma distinção entre cortar contato de
forma súbita e a demora intencional para responder o parceiro, nomeada aqui de
“violin string”, uma desconexão contínua e lenta, que pode ou não resultar no
ghosting. Quando a corda de violino é tensionada e cortada parcialmente, aos
poucos se vai rompendo. De forma análoga, dar sumiços intencionais e demorados
quando se poderia responder em um espaço de tempo menor é tensionar a relação.
Ao se iniciar o violin string o corte já foi feito. Aos poucos, a corda que une
o casal vai se romper. Notar o investimento emocional e psicológico do parceiro
e torturar seu afeto com um silêncio deliberado e respostas curtas e secas é
sadismo.
Dizer apenas que não tem mais interesse no
outro é um golpe de misericórdia. É mais maduro. Porém o desejo desse outro
alimenta e satisfaz o ego narcisista e, de qualquer forma, nos tempos das
relações líquidas pode-se facilmente raciocinar que convém deixar alguém de
´´reserva´´.
Lacan dizia que o desejo vem de uma falta.
Como expressou na sentença “soubessem vocês que amor e fome são a mesma coisa”,
o psicanalista parte do princípio de que o amor e o desejo sexual advêm daquilo
que não se tem. Levando em conta a perspectiva lacaniana, há de se fazer uma
distinção entre violin string e o ato de se distanciar do outro conscientemente
para aumentar o desejo e a paixão entre ambos.
O violin string é uma forma de sadismo,
provavelmente vinculada a uma inclinação narcisista. É torturar lentamente o
outro com o silêncio deliberado. Esse brincar com os sentimentos alheios, se
deliciando com a sensação de ser alvo do erotismo investido do outro e do poder
que exerce sobre ele é uma das crueldades implícitas de nosso século. O segundo
é um meio de alimentar o calor da paixão ao fazer com que os parceiros sintam
falta um do outro. Que também pode ter o efeito contrário. Ou ser uma forma de
tirar tempo para si.
Nossa Era da Conectividade, na qual nos salta
aos olhos a ascensão das conexões virtuais, pode paradoxalmente ser chamada de
Era da Desconectividade. Nunca foi tão fácil iniciar contato e nunca foi tão
fácil descartar o outro. A descartabilidade deixa de ser um acontecimento
isolado e passa a se aproximar do status de regra. Consumimos e descartamos o
outro com a mesma facilidade com que fazemos com qualquer produto. Sem hesitar,
buscamos uma versão melhor, uma pessoa melhor nas grandes vitrines de carne humana
que são os aplicativos de relacionamento. Como é possível que tantas
possibilidades de Eros resultem na sua liquidez e morte?
Evito dizer ao outro sim ou não, evito me
relacionar ou continuar a relação com esse outro e mostrar minhas fraquezas e
vulnerabilidades, pois isso seria a morte da performance. E a vida da
performance é a morte do amor. Ele é ao mesmo tempo um mecanismo de defesa
contra a desperformance e um ato performático na medida em que afirma que o eu
está além da responsabilidade afetiva com o outro. Tal defesa é um sintoma da
liquidez e fragilidade nos relacionamentos atuais e forma de proteção do eu
contra essa mesma liquidez. Para que arriscar me relacionar com o outro em
tempos de fragilidade do amor? Expor suas vulnerabilidades ao outro te deixa
inseguro em tempos do fácil compartilhamento de informações. Apesar da vida do
ser humano atual ser um livro aberto, ser um Facebook, há o receio de se abrir
demais para o outro. Há a necessidade de erguer barreiras psíquicas que
protegem o sujeito performático. Mas que sufocam o Eros e contribuem para seu
mal-estar e solidão. Seus próprios muros e defesas mentais que lhe dão a
sensação de proteção afetiva na era dos relacionamentos líquidos corroboram com
sua infelicidade. O beaver dam interno protege, mas também freia o sentir. O
rato skinneriano pode ser um roedor, mas ainda assim é um animal social e
necessita do outro. Ademais, o sujeito saturado julga que é melhor nem começar
algo tão improdutivo e potencialmente desperformático.
<><> Matar qualquer possibilidade
de uma relação sólida é proteção do ego.
A desconexão contemporânea deve ser analisada
sob o prisma das possibilidades de relacionamento e facilidades que temos para
iniciar o contato com o potencial parceiro amoroso. Existem tantas
possibilidades de nos relacionarmos com os outros via aplicativos e plataformas
digitais que ficar preso a uma pessoa só resulta em angústia. O abrir mão de
muitos é renunciar a experiências prazerosas. E prazer é o paliativo do
trabalhador-engrenagem. Outro fator que contribui para o ghosting é o maior
controle que temos nos relacionamentos amorosos. Podemos visualizar a mensagem
e não responder, assim como apagar a mensagem que enviamos e alguns até vão ao
ponto de rastrear o aparelho do parceiro. Essa mediação do Eros pelo virtual
aumenta nosso controle, mas torna o contato com o outro mais frio. Quase
impessoal. A mensagem e sua notificação, mesmo que seja por voz, não se
comparam ao calor humano que temos na interação face a face. Por trás da imagem
de perfil e mensagens de texto acabamos nos esquecendo que existe um ser de
carne e ossos.
A virtualização do outro torna mais fácil o
seu descarte e nossa desconexão dele. A virtualização desse outro é a forma
mais sofisticada de desumanização do século XXI. Nossos relacionamentos na
atualidade são mediados pelo virtual e digital e como consequência nossa
representação mental do próximo é cada vez mais digitalizada e fria. A chama do
calor humano se esvai aos poucos, até sobrar apenas fracas brasas que tornam
propícia a desconexão. Desconexão essa que fere e deixa o ego do parceiro
aflito. Isso pouco nos importa. Já o desumanizamos demais para sentir remorso.
“Dar ghosting” em alguém não é apenas um ato performático e defesa contra a
desperformance, mas a covardia que resulta da desumanização cibernética do
outro.
O valor supremo de nosso século é ter bens e
alcançar sucesso. Disso decorre que o relacionamento com o outro e o próprio
outro só tem valor enquanto nos servem para tal fim. Ele deixa de ser um fim em
si mesmo e se torna meio descartável e facilmente substituível.
O narcisismo do eu, como dito por Byung-Chul
Han, resulta na morte do Eros. A atitude narcisista não abre margem para
reconhecer e apreciar a alteridade do outro, e tais elementos são necessários
para o amor. Mas o excesso de performance é tão letal para o Eros quanto. A
ânsia por performar é combustível suficiente para incentivar casais a
continuarem arrastando relacionamentos infelizes e fracassados por anos a fio,
simplesmente para manterem as aparências e os status nas plataformas digitais.
Postar o amor fracassado para sustentar a existência de um Eros diante do olhar
do outro digital é agredir a si mesmo.
A performance pode ser detectada de forma
expressiva e latente nas redes e plataformas digitais. A exemplo do
sofós-digital, que busca mostrar sua intelectualidade e sabedoria para se
sentir validado. Mesmo que não tenha conhecimento algum dos assuntos que trata.
O sofós-digital é aquele internauta que sente necessidade de emular um grau de
cultura e articulação teórica que ele efetivamente não tem. Não raras vezes se
comunica de forma agressiva e incisiva para ser colocado como alguém que
supostamente sabe do que fala, pois é a partir desse lugar de episteme que sua
consciência se sente reconhecida e sua existência é afirmada.
Quer a pose e os louros de intelectual porém
desprovido da substância e repertório que são necessários para se tornar um.
Parecer ter uma opinião e expressá-la virtualmente é mais importante do que ter
um posicionamento embasado e sólido. Tal substância exige tempo e dedicação,
porém estamos tão condicionados a viver na lógica do gozo imediato no qual as
coisas são para ontem que esse aprofundamento simplesmente não ocorre.
Nossos debates políticos públicos não são
feitos para entrar em consenso ou alcançar a ´´verdade´´, mas para fazer o
corte e postar nas redes. O Imperativo do Corte é lei nos ambientes virtuais.
Não raramente os debatedores anseiam por ridicularizar o outro ou suas ideias
(em alguns casos ambos) e fortalecer o próprio posicionamento no processo. Já
que ninguém quer fazer papel de tolo diante de milhares, talvez milhões de
internautas, usar falácias argumentativas e até mesmo uma postura agressiva são
meios comuns de performar. Trata-se de enfraquecer o oponente, convencer os
seus próprios followers e ganhar o máximo de engajamento possível.
O espetáculo epistêmico mata a verdadeira
intelectualidade.
Na Fenomenologia do Espírito Hegel discorre
sobre como a consciência se torna autoconsciência por meio de contradições,
embates e também por se reconhecer por meio da consciência e contato com o
outro. A pergunta que os intelectuais contemporâneos que se debruçam sobre a
influência do digital e virtual na subjetividade humana terão de fazer é: como
a consciência do sujeito contemporâneo se transforma em autoconsciência quando
está tão exposto e atravessado pelo olhar do digital sobre si? Não apenas exposto,
mas dependente e refém desse olhar digital. A exemplo dos profissionais que
necessitam a todo momento vender sua imagem corporativa, eficiente e
competitiva em plataformas como LinkedIn. É necessário mostrar seu diferencial
em relação aos outros profissionais do mercado, mesmo que não tenham nenhum. É
imperativo emular interesse pelos valores e missão da empresa e dizer o motivo
pelo qual quer trabalhar lá. A resposta, em regra, é objetivamente financeira e
talvez seja a única resposta. Mas essa sinceridade é transparente demais para
qualquer empresa. Mesmo para as que pregam religiosamente a transparência. Tudo
o que resta ao trabalhador-engrenagem-eficiente é encenar. A engrenagem humana
se sente compelida a transformar seus fracassos, demissões e até mesmo
tragédias que vivencia em histórias comoventes de superação nas quais consegue
extrair valiosos ensinamentos sobre liderança e ética.
Na Sociedade Performática o sujeito do
excesso goza em transformar tragédias e banalidades em evidências do seu
próprio valor e soft skills. Que outra escolha ele tem a não ser extrair algum
prazer da encenação que o consome e que é necessária para viver?
Fonte: Por Thiago Ferreira dos Santos
Freitas, em A Terra é Redonda

Nenhum comentário:
Postar um comentário