As 7 mentiras de Flávio Bolsonaro no caso
Vorcaro/Master
A relação entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e
Daniel Vorcaro mudou de versão ao longo das revelações sobre o financiamento do
filme “Dark Horse”, segundo documentos reunidos pela Polícia Federal.
Declarações feitas pelo senador sobre o ex-banqueiro passaram a ser
confrontadas com registros de mensagens, ligações e encontros identificados na
investigação.
A PF aponta que Flávio atuou como
interlocutor direto de Vorcaro nas tratativas para obtenção de recursos para a
cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador afirma que buscou patrocínio privado
para o projeto e nega qualquer irregularidade.
>>> Confira sete pontos em que as
versões apresentadas pelo parlamentar entraram em choque com os documentos da
investigação:
1. “Não conheço Daniel Vorcaro”
A relação entre os dois passou a ser
questionada após a PF encontrar registros de contato direto entre Flávio e o
ex-banqueiro. As mensagens analisadas indicam conversas relacionadas ao projeto
cinematográfico. Em maio deste ano, o senador negou a um influente banqueiro do
mercado financeiro manter qualquer relação com Vorcaro, segundo informações
obtidas pela CNN Brasil.
2. “Nunca falei com Vorcaro”
Ainda em maio deste ano, durante coletiva de
imprensa, Flávio afirmou nunca ter falado com Vorcaro. Horas depois, o
Intercept Brasil revelaria mensagens trocadas entre os dois.
3. “Nunca encontrei Vorcaro”
Além das comunicações digitais, a
investigação identificou encontros presenciais entre o senador e o empresário.
Flávio também admitiu posteriormente ter se reunido com Vorcaro para tratar do
filme. Em 13 de maio, Flávio disse que nunca havia encontrado Vorcaro
pessoalmente. No entando, seundo informações obtidas pelo Metrópoles, Flávio
encontrou presenciamente Vorcaro na mansão do banqueiro durante prisão
domiciliar.
4. “Nunca pedi dinheiro a Vorcaro”
O senador inicialmente negou ter solicitado
recursos ao empresário. Depois, confirmou que procurou Vorcaro para captar
valores para a produção, mas afirmou que a negociação fazia parte de uma busca
privada por patrocínio.
5. “Era apenas dinheiro privado”
A defesa de Flávio afirma que os recursos
tinham origem privada. A PF, porém, passou a investigar a origem e o caminho
dos valores destinados ao filme, incluindo transferências analisadas no caso
Master que vinham da previdências.
6. “Os pagamentos terminaram em maio”
Os registros reunidos pela investigação
apontam movimentações financeiras e contatos relacionados ao projeto em outros
momentos de 2025, incluindo durante o período de filmagens. Durante entrevista
à GloboNews, no entanto, Flávio mentiu, afirmando que o último pagamento de
Vorcaro para o filme Dark Horse havia sido feito em maio de 2025.
Segundo relatório do Conselho de Controle de
Atividades Financeiras (Coaf), porém, foi registrado um novo envio de US$ 1,66
milhão feito pelo banqueiro em setembro do mesmo ano — quatro meses depois da
data indicada pelo senador.
7. “Era apenas uma relação de patrocínio”
Embora o senador sustenta que o financiamento
de ‘Dark Horse’ tratava estritamente de patrocínio, a PF encontrou elementos de
lavagem de dinheiro e corrupção de Flávio Bolsonaro em Dark Horse.
• Flávio
Bolsonaro e Vorcaro: 10 vezes em que a relação foi exposta pela PF
Polícia Federal reuniu, cronologicamente, uma
sequência de mensagens, ligações e encontros entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e
Daniel Vorcaro durante as negociações para financiar o filme “Dark Horse”,
cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
O relatório da investigação aponta que o
senador manteve contato direto com o ex-banqueiro e participou de tratativas
envolvendo repasses para a produção.
Os registros foram obtidos a partir da
análise do celular de Vorcaro e de informações financeiras reunidas pelo
Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Segundo a PF, os contatos indicam uma relação
que ultrapassava uma simples apresentação entre as partes, com cobranças de
pagamentos, pedidos de reuniões e acompanhamento do andamento do projeto.
A aproximação mais intensa entre os dois
ocorreu no segundo semestre de 2025. A investigação traçou uma linha do tempo
dos principais episódios envolvendo o senador e o empresário.
Além dos contatos descritos no relatório,
Flávio também admitiu ter se encontrado com Vorcaro quando o empresário estava
em prisão domiciliar. Segundo ele, a conversa teve como objetivo encerrar as
tratativas relacionadas ao filme “Dark Horse”.
>>>> A cronologia abaixo reúne os
principais episódios identificados pela PF:
1. 20
de agosto de 2025
Foi identificado o primeiro registro direto
de conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. As mensagens indicam a
combinação de um encontro presencial entre os dois.
2. 8
de setembro de 2025
O senador enviou um áudio ao empresário
cobrando repasses que estavam atrasados. Segundo a PF, Flávio demonstrou
preocupação com a possibilidade de inadimplência junto a integrantes da
produção internacional do filme, citando o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus
Nowrasteh. Vorcaro respondeu pedindo desculpas e afirmou que buscaria resolver
a situação.
3. 15
de setembro de 2025
O empresário Thiago Miranda informou a
Vorcaro que Flávio queria apresentar pessoalmente o material já gravado da
produção. A conversa tratava de uma possível reunião na residência do
banqueiro, em Brasília.
4. 16
de setembro de 2025
Uma ligação entre Flávio e Vorcaro foi
registrada pela PF no mesmo dia em que ocorreu uma transferência internacional
de US$ 1,66 milhão identificada pelo Coaf.
5. 17
de setembro de 2025
Novas mensagens indicam tentativa de marcar
outro encontro presencial entre os dois. A investigação também registrou novas
tratativas nos dias seguintes.
6. 22
de outubro de 2025
Com as filmagens já em andamento, Flávio
voltou a cobrar uma definição sobre os recursos. Segundo o relatório, o senador
afirmou que a produção estava no limite do orçamento e pediu que Vorcaro
informasse caso não conseguisse realizar o aporte, para que fosse buscada outra
alternativa.
7. No
mesmo dia, o empresário afirmou que iria verificar a situação e teria liberado
uma nova parcela. Flávio também convidou Vorcaro para um jantar com integrantes
da equipe do filme.
8. Fim
de outubro e início de novembro de 2025
Thiago Miranda, elo entre Flávio e Vorcaro,
voltou a cobrar valores pagos que, segundo ele, ainda não haviam chegado aos
destinatários no exterior.
9. 7
de novembro de 2025
Flávio enviou a Vorcaro um vídeo da produção
e agradeceu o apoio financeiro. Na mensagem, afirmou que o filme só estava
sendo realizado em razão da ajuda do empresário.
10. 16
de novembro de 2025
Um dia antes da prisão de Vorcaro, Flávio
tentou contato com o empresário por ligação e mensagens. O senador escreveu que
precisava de uma orientação sobre a situação.
Após sequência de mensagens, em 17 de
novembro de 2025, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal ao tentar
embarcar em um avião particular com destino ao exterior. No dia seguinte, a PF
deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero
Flávio Bolsonaro confirmou posteriormente que
procurou Vorcaro para obter recursos para o filme, mas afirmou que se tratava
de uma captação privada de patrocínio. O senador negou ter recebido valores
diretamente ou cometido irregularidades.
• Peruca
de R$ 10 mil e R$ 700 mil de hospedagem: os gastos de 'Dark Horse'
A produção de Dark Horse, cinebiografia de
Jair Bolsonaro, gastou R$ 10 mil para alugar uma peruca usada pelo ator
americano Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente. A despesa faz parte dos
documentos entregues à Polícia Federal pela defesa da Go Up Entertainment,
produtora do longa investigado no caso Banco Master. O pagamento foi feito em 5
de dezembro de 2025. No comprovante bancário, a empresa aparece como pagadora e
a operação está descrita como “Locação Peruca Jim”.
Os documentos mostram ainda que a Go Up
desembolsou pelo menos R$ 700 mil em hospedagem de Caviezel, de seu agente e de
integrantes da equipe de segurança no Hotel Unique, em São Paulo. Seis notas
fiscais somam R$ 663.165,50 e identificam o ator, cujo nome completo é James
Patrick Caviezel, o agente Nathon Lewis e Richard Dobrich. Outras duas notas,
de R$ 68.835,60, correspondem à hospedagem de Keith Billiot, identificado como
segurança de Caviezel.
Há ainda uma transferência de R$ 298.350,49
para o hotel, realizada em 30 de dezembro de 2025, com a descrição “Hospedagem
+ gorjetas e massagens Jim”. Não foi localizada nota fiscal referente ao
pagamento, e os documentos não detalham quanto foi gasto com cada serviço.
Também não esclarecem se essa quantia está relacionada aos valores das notas
fiscais.
A passagem aérea de Caviezel custou R$
54.332,46, incluindo tarifa, taxa de embarque e extras. A fatura considera o
período de 1º de novembro a 8 de dezembro de 2025. O valor não está incluído
nas despesas do hotel.
<><> Outros gastos
A produção também pagou R$ 2.045 em quatro
atendimentos de manicure para as atrizes Lynn Collins e Camille Guaty. Collins,
que interpreta uma personagem no longa, gerou despesas de R$ 995. Guaty, que
interpreta Michelle Bolsonaro, teve R$ 1.050 em gastos.
Para a caracterização de Michelle, foram
desembolsados outros R$ 3.000 pelo aluguel de um conjunto de apliques. A
produtora pagou ainda R$ 5.500 por uma peruca para um dublê e um kit de
dreadlocks destinado a outra personagem. O contrato não separa os valores dos
dois itens.
Os comprovantes foram apresentados à PF em 4
de setembro, em uma entrega de documentos feita pela defesa da Go Up e de sua
representante legal, Karina Ferreira da Gama. A documentação respondeu a um
ofício da polícia que pedia informações sobre as finanças de Dark Horse,
incluindo a origem dos recursos e contratos com profissionais estrangeiros,
como Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.
Karina encaminhou a solicitação ao produtor
Michael Davis, que se apresenta como sócio majoritário da Go Up Entertainment
LLC, nos Estados Unidos. Davis respondeu que, por orientação de seus advogados,
não autorizava o envio ao Brasil de documentos da empresa mantidos nos EUA.
Segundo ele, pedidos desse tipo deveriam seguir os canais diplomáticos e de
cooperação jurídica internacional e dependeriam de ordem de um juiz americano.
<><> Investigação
O ministro André Mendonça, do Supremo
Tribunal Federal, retirou na sexta-feira (11/9) o sigilo da investigação sobre
Dark Horse ao ampliar a publicidade dos processos relacionados ao caso Banco
Master. A abertura dos autos havia começado na quinta-feira (10/9), por pedido
do presidente do STF, Edson Fachin. A Procuradoria-Geral da República havia
pedido que todos os inquéritos do caso fossem tornados públicos.
Dirigido por Nowrasteh, Dark Horse retrata
Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 e o episódio da facada
sofrida pelo então candidato em Juiz de Fora (MG). O roteiro tem origem em um
texto do deputado federal Mario Frias (PL-SP), intitulado Capitão do Povo.
Parte das filmagens foi realizada em São Paulo.
Fonte: Fórum

Nenhum comentário:
Postar um comentário