Jeferson Miola: Relutância de Mendonça em
liberar dados reforça suspeitas de relação dele com Vorcaro
As contradições e mentiras do ministro André
Mendoça sobre a liberação dos dados do celular de Daniel Vorcaro são gritantes.
Em vários momentos ele afirmou ter
“disponibilizado tudo”, para em seguida ser desmentido pelos colegas Alexandre
de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e pelo PGR, Paulo Gonet.
Ante sistemática embromação de Mendonça, o
ministro Cristiano Zanin mandou então a PF entregar cópia do material a todos
ministros do STF.
A reação de Mendonça foi esdrúxula, para não
dizer nervosa: abrir o sigilo “tumultuaria” o processo, ele disse – um tanto
estranho para quem jurou várias vezes que já tinha disponibilizado tudo.
A relutância do ministro Mendonça em liberar
o material reforça suspeitas de envolvimento dele com o banqueiro mafioso.
Na decisão para reintegrar o Diretor-Geral da
PF, Andrei Rodrigues, e o Diretor de Inteligência, Leandro Almada, aos seus
cargos, Flávio Dino criticou a “prolação de decisão em causa própria”, numa
crítica explícita a Mendonça, que “teria recebido, para reunião nas
dependências de uma empresa privada, o Sr. Daniel Vorcaro”.
Mendonça tinha alegado que recebeu o
banqueiro mafioso “uma única vez”, no dia 14 de março de 2025 não no seu
gabinete no STF, mas na sede do Instituto ITER, entidade fundada por ele em
2024.
Após a revelação deste encontro com Vorcaro
que tinha sido mantido em segredo e sem registro na sua agenda oficial, no dia
2 de setembro, Mendonça comunicou seu súbito desligamento e o da sua esposa do
ITER, “doando a integralidade de suas quotas e sem receber qualquer
contrapartida financeira”.
Fontes ligadas às investigações apontam que o
celular de Vorcaro pode conter informações explosivas sobre o próprio Mendonça,
com áudios e movimentações financeiras relacionadas a notas fiscais emitidas
pelo ITER.
Mendonça teria mantido com Vorcaro outros
contatos além daquele de 14 de março de 2025 que ele alegou ter sido para
conversar a respeito de processo sobre precatórios.
No entanto, na mensagem por áudio entre
Vorcaro e o advogado Ciro Rocha Soares, que intermediou a reunião entre os
dois, fica evidente que Mendonça não falou a verdade quanto ao real motivo para
o encontro. Não era sobre precatórios, como alegado por Mendonça.
No áudio, Ciro relatou ao banqueiro: “O André
Mendonça disse que quer te receber junto comigo. Ele sabe, soube da situação do
Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com
ele”. Cezinha é pastor e deputado federal pelo PL-SP, Cézar Madureira.
Estas informações, que estão armazenadas no
celular de Daniel Vorcaro seriam a verdadeira razão para o ministro
terrivelmente bolsonarista tanto resistir a disponibilizar o material.
Esta postura dele vem sendo corroborada pelo
presidente Edson Fachin, fato que pode indicar um alinhamento político entre
eles, que tem como consequência eleitoral beneficiar Flávio Bolsonaro, que
continuaria blindado e seus crimes escondidos.
<><> STF avalia afastar Moraes e
Mendonça de julgamento sobre relatório
O Supremo Tribunal Federal (STF) poderá
decidir, antes de examinar a regularidade do relatório envolvendo Alexandre de
Moraes, se ele e André Mendonça têm condições de participar do julgamento
marcado para terça-feira. As discussões incluem ainda a composição do plenário,
um eventual pedido de vista e até o adiamento da análise.
Segundo o g1, ministros debatem nos
bastidores se a presença de Moraes poderia ser interpretada como uma forma de
pressão sobre os demais integrantes da Corte. Outra ala considera apresentar
uma questão de ordem para impedir Mendonça de votar, sob o argumento de que sua
atuação na condução do caso comprometeria sua imparcialidade.
A Procuradoria-Geral da República (PGR)
defendeu a anulação do relatório. O órgão sustentou que Mendonça teria
direcionado à Polícia Federal a busca de informações contra Moraes e deixado de
consultar a Presidência do Supremo antes de autorizar medidas relacionadas a
outros ministros.
Se Moraes e Mendonça não decidirem se afastar
espontaneamente, os possíveis impedimentos poderão ser submetidos à deliberação
do plenário. A definição desse ponto deverá anteceder a análise do mérito, pois
pode alterar tanto o número de votantes quanto o equilíbrio da sessão.
Presidente do STF, Edson Fachin assumiu a
relatoria do processo que será examinado pelo colegiado. Ao tomar a decisão,
ele indicou que, conforme o resultado do julgamento, poderá ser aplicado um
dispositivo do Código de Processo Civil referente ao impedimento do relator.
Fachin conversou com Mendonça no sábado (12)
sobre a providência. A condução adotada pelo presidente da Corte foi bem
recebida por ministros próximos a Moraes. Fachin, no entanto, não pretende
reunir na mesma sessão as controvérsias envolvendo Moraes e Mendonça.
<><> Citações no caso Master
ampliam debate
A composição do julgamento também poderá ser
questionada em relação a Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, cujos
nomes ou familiares teriam aparecido em informações relacionadas ao caso
Master.
Toffoli deixou a relatoria do caso depois que
a Polícia Federal apontou uma relação entre o ministro, uma empresa de sua
família e o banqueiro Daniel Vorcaro. No material investigado, haveria ainda
possíveis menções a filhos de Nunes Marques e Fux. Os três ministros negam
qualquer irregularidade.
A tendência no Supremo, contudo, é favorável
à participação de Fux e Nunes Marques. A presença de Toffoli e os critérios que
serão aplicados aos integrantes eventualmente citados deverão alimentar o
debate preliminar sobre o quórum.
• PGR
defende queda de sigilo em inquérito que investiga rede de pagamentos de
Vorcaro
A Procuradoria-Geral da República (PGR)
defendeu nesta segunda-feira (14) que seja retirado o sigilo de um dos
inquéritos ligados ao caso Master, que apura uma rede de pagamentos atribuída a
Daniel Vorcaro e à instituição financeira extinta.
A manifestação foi enviada ao Supremo
Tribunal Federal (STF) e encaminhada ao presidente da Corte, ministro Edson
Fachin, responsável pela condução do caso. A decisão final sobre tornar
públicas as investigações ainda caberá ao magistrado.
O pedido da PGR ocorre na véspera de uma
sessão do plenário do STF convocada para discutir o relatório da Polícia
Federal (PF) que apontou uma suposta relação entre o ministro Alexandre de
Moraes e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso e dono do Master. O material foi
produzido por determinação do ministro André Mendonça e provocou forte crise
interna no Supremo.
A manifestação é assinada pelo
vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateabriand Filho. Segundo
ele, a PGR não havia se posicionado antes pela retirada do sigilo porque não
tinha conhecimento da existência do documento.
“Como se trata de documento tido como
relevante para que Ministro desse Tribunal possa compreender a totalidade dos
fatores que o tema a ser debatido envolve, em coerência com as premissas do
parecer anterior, a Procuradoria-Geral da República entende que também deve ser
retirado o sigilo”, afirmou Chateabriand Filho.
Na avaliação da PGR, portanto, a publicidade
do inquérito é necessária para que o STF tenha acesso amplo aos elementos
relacionados ao caso antes da deliberação prevista para terça-feira (15). O
documento trata da rede de pagamentos de Vorcaro e da instituição financeira
extinta, um dos eixos das apurações sobre o caso Master.
Fachin havia solicitado a manifestação da
Procuradoria antes de decidir sobre o sigilo. Com o parecer favorável da PGR, o
presidente do STF deverá avaliar se o conteúdo do inquérito será tornado
público.
A sessão do Supremo marcada para terça-feira
deve analisar as mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro
mencionadas no relatório da PF. A discussão foi convocada por Fachin após a
divulgação do material produzido por ordem de Mendonça, em meio ao aumento da
tensão no tribunal em torno das investigações envolvendo o Master.
• PF
entrega a Zanin e Gilmar Mendes dados extraídos do celular de Vorcaro
A
Polícia Federal (PF) entregou aos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do
Supremo Tribunal Federal (STF), a cópia dos dados extraídos do celular do
ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.
A entrega atendeu a uma determinação expressa
de Zanin, que havia estabelecido o prazo limite até a noite do último domingo
(23) para que a corporação disponibilizasse as informações. Segundo a
fundamentação do ministro, o acesso integral dos integrantes da Corte aos dados
é indispensável para embasar a posição e a fundamentação dos votos na sessão
agendada para terça-feira (15). Nessa data, o plenário do STF definirá se abre
ou não uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, motivada por mensagens
trocadas entre ele e Vorcaro.
Gilmar Mendes também requereu os materiais e
pediu que seu sigilo fosse preservado. O ministro do STF Alexandre de Moraes
também solicitou os materiais.
Antes de recorrer diretamente à PF, Zanin e
outros ministros tentaram obter a cópia das mídias com o ministro André
Mendonça, relator do caso Master no tribunal. Mendonça, contudo, negou o envio
do conteúdo completo alegando que os elementos necessários para o julgamento da
questão já constavam dos autos disponibilizados. O relator argumentou ainda que
expor a íntegra das informações extraídas do celular de Vorcaro serviria apenas
para “tumultuar” a condução da sessão.
Diante do impasse, a Polícia Federal
comunicou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que detinha a posse do
material e que possuía plena capacidade de fornecer cópias idênticas a todos os
ministros, garantindo a preservação e a segurança da cadeia de custódia. Com
base nessa sinalização, Zanin e o ministro Gilmar Mendes acionaram a PF
diretamente para assegurar o recebimento dos arquivos.
Em seu despacho oficial, Zanin sustentou que
“não existe hierarquia” entre os magistrados que compõem o Supremo Tribunal
Federal. O ministro frisou que os elementos de prova recolhidos em
investigações pertencem ao plenário e a todos os seus ministros colegiados, não
devendo ficar sob o domínio exclusivo de um integrante específico da Corte.
A disputa em torno do acesso à totalidade das
provas tornou-se um dos principais focos de tensão interna no STF às vésperas
do julgamento de terça-feira. Gilmar Mendes destacou que um “acesso
assimétrico” ao conjunto probatório comprometeria a paridade de armas, a
igualdade entre os pares e a própria colegialidade das decisões do tribunal. A
Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou a favor da
disponibilização prévia da íntegra de todos os dados indispensáveis aos
integrantes do Supremo antes do início da sessão.
• Moraes
busca colegas do STF para negar vínculo com Vorcaro
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal (STF), procurou colegas da Corte nos últimos dias para
contestar a possibilidade de avanço de uma investigação sobre sua relação com o
ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Segundo o blog do jornalista Gustavo Uribe,
da CNN Brasil, Moraes afirmou a ministros que a apuração não reuniria elementos
além do contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci.
Nas conversas, o magistrado negou ter relação de proximidade com Vorcaro e
sustentou que, por isso, não haveria razão para o prosseguimento de uma
investigação conduzida pela Polícia Federal.
O caso deve ser analisado pelo Supremo nesta
terça-feira (15). O rito da sessão ainda será definido pelo presidente da
Corte, Edson Fachin, que deve estabelecer os procedimentos para a deliberação.
Moraes também avalia fazer um pronunciamento ainda nesta segunda-feira (14).
Nos bastidores do STF, ministros consideram
provável um pedido de vista de Flávio Dino ou Cristiano Zanin. Mesmo nesse
cenário, os demais integrantes da Corte podem antecipar seus votos, o que
permitiria uma sinalização sobre o resultado do julgamento antes da retomada
formal da análise.
A tendência apontada internamente é de um
placar de 5 a 3 pelo prosseguimento da investigação. A conta desconsidera os
votos de Alexandre de Moraes e de José Dias Toffoli, que pode se declarar
impedido de participar da deliberação.
Além do caso envolvendo Moraes, integrantes
do Supremo também avaliam que deve avançar, em outro momento, uma investigação
contra o ministro André Mendonça. A análise sobre a situação de Mendonça,
porém, não deve ocorrer na mesma sessão. O caso relacionado ao relator do Banco
Master foi marcado para o dia 23.
• STF
vive tensão e ala pró-Moraes articula pedido de vista para unir julgamentos e
conter crise
A expectativa de um pedido de vista marca os
bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) para a sessão histórica agendada
para esta terça-feira (15). O instrumento regimental é tido como o movimento
praticamente certo a ser utilizado pela ala de ministros alinhados a Alexandre
de Moraes, liderada pelo decano Gilmar Mendes, para paralisar a deliberação
convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, que visa decidir sobre a
abertura de inquérito contra Moraes a respeito de mensagens trocadas com Daniel
Vorcaro, segundo reportagem dos blogs de Lauro Jardim e Bela Megale no jornal O
Globo.
A articulação desse grupo busca garantir que
a análise da ação sobre Moraes ocorra de forma conjunta com a matéria que
envolve o ministro André Mendonça, marcada para ir ao plenário no próximo dia
23. Gilmar Mendes já havia formalizado esse requerimento a Fachin, argumentando
que ambos os casos compartilham a mesma base factual e elementos de prova
comuns. Na visão dessa ala, a fragmentação dos processos pode acarretar
decisões inconciliáveis e gerar desordem procedimental.
Embora o presidente do STF tenha indeferido
inicialmente o pedido de julgamento simultâneo apresentando pelo decano, os
ministros próximos a Moraes planejam suscitar a matéria logo no início da
sessão desta terça-feira como uma questão preliminar — dispositivo processual
que antecede a discussão do mérito e verifica a própria validade do
prosseguimento da ação.
Segundo defensores dessa tese no tribunal,
existem questões prejudiciais que demandam solução prévia. O argumento central
é que eventuais deliberações sobre a suspeição de Mendonça ou a abertura de
investigação contra ele teriam impacto direto no processo das mensagens entre
Vorcaro e Moraes.
Reforçando a necessidade de paralisação
temporária, um ministro destacou a conexão entre os episódios: “Um pedido de
vista tem que ser feito até para juntar os dois processos. Não dá para separar
coisas que estão misturadas”.
Protagonistas do que vem sendo classificado
nos bastidores como a maior crise institucional da história do STF, Moraes e
Mendonça centralizam os debates do plenário, enquanto os integrantes da Corte
buscam saídas regimentais para contornar o acirramento das divergências
internas.
Fonte: Viomundo/Brasil 247

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