terça-feira, 15 de setembro de 2026

Quem está amamentando pode tomar creatina? Veja o que diz especialista

A popularização da creatina se deve ao aumento do público fitness nas redes sociais. Mas, não são só os marombeiros que contribuem para o consumo do suplemento, a tendência também alcança mulheres no pós-parto que desejam alinhar a maternidade com uma vida mais saudável.

Influenciadoras como Virgínia Fonseca e Carol Borba já compartilharam conteúdos sobre o produto e outros suplementos relacionados à prática de exercícios. A influência recaí sobre as mães que as acompanham: será que é possível amamentar e tomar whey? como manter uma vida fitness alinhada à maternidade?

Em entrevista à CNN Brasil, a ginecologista e obstetra Núbia Fontes, contou que ainda não há evidências suficientes para determinar como a suplementação altera a concentração no leite materno ou quais seriam os efeitos sobre o bebê. Apesar disso, o uso não é proibido, mas deve ser moderado.

“Sabemos que a creatina e compostos relacionados fazem parte da fisiologia normal do organismo, mas não há evidências suficientes para estabelecer com segurança quanto uma suplementação modifica sua concentração no leite materno ou quais seriam os efeitos de uma exposição adicional no lactente. Por isso, não considero adequado recomendar o suplemento de maneira indiscriminada durante a lactação”, explicou a especialista.

A creatina deixou de ser associada exclusivamente à prática esportiva e se tornou um dos suplementos mais consumidos no mundo. No Brasil, o crescimento também é observado entre as mulheres, que representam uma em cada quatro compras do produto, segundo pesquisa da Soldiers Insights, divulgada no primeiro trimestre de 2026.

No entanto, para a especialista, o ideal é não iniciar o consumo apenas pela popularidade nas academia ou nas redes sociais: " A mulher que está amamentando deve conversar com o obstetra e, quando necessário, com o pediatra e o nutricionista. Precisamos avaliar a fase do puerpério, alimentação, prática de exercícios, função renal, uso de medicamentos, outras suplementações e o estado de saúde da mãe e do bebê.", contou.

<><> A creatina pode trazer benefícios?

Fora do contexto específico da amamentação, a creatina é estudada por sua participação na produção rápida de energia e por possíveis vantagens relacionados à força, ao desempenho físico e à preservação ou ganho de massa muscular quando associada ao treinamento adequado.

Segundo Núbia, os efeitos despertam interesse entre mulheres no pós-parto que buscam recuperar força e condicionamento. No entanto, esses "benefícios" precisam ser olhados com cuidado pelas mães.

"Uma possível vantagem para a mãe não elimina a necessidade de avaliar a segurança para o bebê durante a lactação. No pós-parto, também precisamos considerar individualmente alimentação, qualidade do sono possível nessa fase, recuperação obstétrica, retorno ao exercício e condições clínicas da mulher antes de pensar em suplementação", disse.

<><> Como manter uma rotina saudável após a maternidade?

Para a especialista, manter uma rotina saudável após a gravidez não significa recuperar rapidamente o corpo de antes da gestação. A prioridade deve ser a alimentação adequada, a hidratação, o acompanhamento médico e o retorno gradual às atividades físicas.

“O organismo passou por gestação, parto e agora enfrenta as demandas da amamentação e dos cuidados com o bebê. A recuperação pós-parto é um processo, e saúde nessa fase está muito mais relacionada a oferecer ao corpo condições para se recuperar do que a cumprir metas estéticas ou de performance”, conclui.

¨      Quem toma Mounjaro pode beber? Médica alerta sobre efeitos da combinação

O remédio e o álcool não costumam formar uma boa combinação, pois ambos são metabolizados pelo fígado e podem sobrecarregar o órgão, além de reduzirem a eficácia do tratamento e aumentarem os efeitos colaterais. Mas, será que o com o Moujaro isso é diferente? Com o aumento do consumo de canetas emagrecedoras no Brasil, essa dúvida persiste entre os usuários.

Em entrevista à CNN Brasil neste sábado (12), a endocrinologista Marcele Quesada explicou que quem faz tratamento de tirzepatida deve ter cautela ao consumir bebidas alcoólicas, pois a combinação pode intensificar ainda mais os efeitos gastrointestinais.

Além disso, não há estudos clínicos robustos que determinem uma quantidade de álcool considerada segura durante o tratamento.

"O uso da tirzepatida já pode causar efeitos gastrointestinais, conforme informado na própria bula do medicamento: como náusea, diarreia, vômitos, constipação, dispepsia/indigestão e dor abdominal. O álcool pode piorar esses sintomas e também favorecer desidratação, principalmente quando há vômitos ou diarreia", aponta.

Segundo Quedasa, a atenção também deve ser maior entre pessoas com diabetes que utilizam o medicamento. A tirzepatida, quando utilizada isoladamente, apresenta baixo risco de hipoglicemia. Esse perigo aumenta, porém, quando o produto é associado a medicamentos para diabéticos.

"Esse risco aumenta quando o paciente utiliza simultaneamente outras classes medicamentos para controle de glicemia, como insulina ou sulfonilureias. O álcool, especialmente quando consumido em jejum ou em quantidade elevada, também pode favorecer hipoglicemia", aponta a endocrinologista.

<><> Álcool pode cortar o efeito do Mounjaro?

Com outros medicamentos o álcool pode sim cortar o efeito do remédio. No entanto, a especialista explica que não há evidências de que uma quantidade moderada de álcool simplesmente anule o efeito da tirzepatida. O problema está, principalmente, nos efeitos metabólicos associados ao consumo excessivo.

"Pequenas quantidades de álcool, principalmente acompanhadas de alimentos, geralmente têm pouco impacto no controle glicêmico de longo prazo. Já o consumo excessivo pode aumentar a ingestão calórica, e isso favorece ganho de peso e provoca alterações da glicemia", diz ela.

<><> Há risco de pancreatite?

A possibilidade de pancreatite - inflamação do pâncreas - também é uma preocupação entre usuários da tizerpatida, já que o consumo de álcool influencia no diagnóstico, mas a relação não deve ser apresentada de forma direta.

"Não é correto dizer que álcool + Mounjaro causa pancreatite. O mais correto é dizer que o consumo excessivo de álcool é um fator de risco independente. O que temos de evidências científicas é que grandes ensaios clínicos e meta-análises mostram que pancreatite com tirzepatida é rara", aponta Marcele Quesada.

Apesar disso, a médica alerta que pessoas com histórico da doença precisam ter um cuidado maior no tratamento de Mounjaro: "Pacientes com histórico de pancreatite ou consumo elevado devem ser avaliados individualmente para uso da tirzepatida", conclui.

<><> Quais cuidados tomar?

A endocrinologista orienta evitar o consumo de álcool durante o tratamento, especialmente quando a pessoa apresenta sintomas gastrointestinais. Mas, se o paciente insistir na bebida alcóolica, é necessário seguir essas orientações:

  1. Evitar beber em jejum, principalmente se a pessoa tem diabetes ou utiliza insulina ou sulfonilureia;
  2. Evitar grandes quantidades de álcool de uma vez.
  3. Manter boa hidratação, alternando álcool com água.
  4. Ter atenção especial se estiver começando a tirzepatida ou progredindo a dose, período em que os sintomas gastrointestinais tendem a ser mais frequentes.
  5. E caso apresente sintomas como: náuseas, vômitos, diarreia ou não estiver conseguindo se alimentar bem, o ideal é não consumir álcool.
  6. Se apresentar dor abdominal intensa e persistente, especialmente irradiando para as costas, com ou sem vômitos, é necessário procurar avaliação médica.
  7. A medicação deve ser utilizada conforme prescrição; não se deve ajustar ou omitir doses por conta própria. E não suspender a tirzepatida simplesmente porque pretende beber.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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