quarta-feira, 16 de setembro de 2026

5 erros no prato que podem aumentar a glicose de quem tem diabetes

O almoço pode manter alimentos comuns da rotina de quem tem diabetes, mas a forma de montar o prato interfere na resposta da glicose. A nutricionista Tarcila Campos explica quais escolhas merecem atenção.

Tarcila é nutricionista e educadora em diabetes e integra o Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Segundo ela, o controle alimentar não exige retirar arroz, feijão, batata ou macarrão.

No entanto, a quantidade e a combinação desses alimentos precisam entrar no planejamento. Veja cinco erros que podem aumentar o impacto da refeição na glicose.

<><> 1. Colocar carboidrato demais no prato

Arroz, macarrão e batata fornecem carboidratos. Esse nutriente influencia a glicose após a refeição.

Por isso, aumentar a quantidade desses alimentos pode elevar a resposta glicêmica. Tarcila explica que, no diabetes tipo 2, a quantidade de carboidrato ganha importância por causa da resistência à insulina.

Além disso, ela cita uma distribuição de referência para montar o prato. Metade deve ficar para verduras e legumes, enquanto um quarto pode receber o carboidrato.

<><> 2. Tirar os vegetais do almoço

Outro erro é montar uma refeição baseada apenas em carboidrato e proteína. Nesse caso, o prato perde uma parte importante da combinação alimentar.

A orientação apresentada por Tarcila coloca verduras e legumes em pelo menos metade do prato. Alface, tomate e cenoura aparecem como exemplos.

No entanto, a preparação pode variar. Os vegetais podem ser consumidos crus, cozidos ou refogados.

<><> 3. Comer o carboidrato sozinho

A forma de combinar os alimentos também importa. Tarcila explica que arroz branco, por exemplo, pode ter uma absorção mais rápida quando consumido sozinho.

Já o arroz acompanhado de feijão acrescenta fibras e proteína à refeição. Outra possibilidade é combinar o carboidrato com uma fonte de proteína.

Portanto, não é necessário retirar o arroz branco. A combinação pode fazer parte da estratégia alimentar.

<><> 4. Escolher preparações fritas

A forma de preparo também entra na avaliação da refeição. Ao falar sobre batata e frango, Tarcila orienta observar se os alimentos foram fritos ou preparados de outra maneira.

Ela cita opções como alimentos cozidos ou assados. Além disso, explica que preparações com mais gordura podem interferir na glicose.

No caso do macarrão com molho branco, por exemplo, a quantidade de gordura também precisa ser considerada.

<><> 5. Aumentar a porção porque o alimento é considerado saudável

Um alimento pode fazer parte da alimentação e, ainda assim, exigir atenção à quantidade. Tarcila usa a castanha como exemplo, mas o princípio também aparece nas refeições principais.

No diabetes tipo 2, a quantidade de carboidrato precisa considerar a necessidade de cada pessoa. Segundo a nutricionista, algumas pessoas podem trabalhar com 50 gramas por refeição, enquanto outras precisam de uma quantidade menor.

Assim, chamar um alimento de saudável não significa que a pessoa possa consumi-lo sem considerar a porção.

<><> Arroz, batata e macarrão precisam sair do almoço?

Não. A entrevista reforça que pessoas com diabetes não precisam abandonar esses alimentos.

Tarcila cita arroz branco, batata inglesa, batata-doce, inhame, macaxeira e macarrão como opções que podem entrar no planejamento alimentar.

O ponto central está na quantidade e na combinação. Uma refeição pode reunir carboidrato, proteína e vegetais sem exigir a retirada de alimentos presentes na rotina.

Além disso, a resposta da glicose varia entre as pessoas. A nutricionista destaca que a monitorização pode ajudar a entender como cada organismo reage aos alimentos.

Nesse contexto, o glicosímetro e o sensor de glicose podem mostrar a resposta antes e depois da refeição para quem tem acesso a essas tecnologias.

<><> 6 tipos de castanhas que podem fazer parte da alimentação de quem tem diabetes

No lanche da tarde, um punhado de castanhas pode substituir bolachas e biscoitos industrializados na rotina de quem convive com diabetes tipo 2.

Amêndoas, castanha-de-caju, castanha-do-pará e outras oleaginosas fornecem gorduras insaturadas, fibras, proteínas e micronutrientes. Esses componentes contribuem para a saciedade e para a qualidade nutricional da alimentação.

As gorduras insaturadas também estão relacionadas à saúde cardiovascular, um ponto de atenção para pessoas com diabetes tipo 2. Ainda assim, o tipo de oleaginosa escolhido e a quantidade consumida fazem diferença.

<><> Diferenças entre as oleaginosas: por que vale variar os tipos

As oleaginosas mais consumidas apresentam perfis nutricionais diferentes entre si.

A cada 100 gramas, a amêndoa reúne:

•        579 calorias

•        21,2 gramas de proteína

•        21,6 gramas de carboidrato

•        12,5 gramas de fibras

A gordura da amêndoa é predominantemente monoinsaturada.

Já a castanha-de-caju, na mesma quantidade, apresenta:

•        553 calorias

•        18 gramas de proteína

•        30 gramas de carboidrato

•        Cerca de 3 gramas de fibras

A comparação por 100 gramas ajuda a entender a composição de cada alimento. No entanto, essa quantidade é muito superior à porção normalmente consumida no dia a dia.

Por isso, não é necessário buscar uma única castanha como sendo a mais indicada.

<><> Castanha-do-pará exige atenção à quantidade

A castanha-do-pará se diferencia pela concentração de selênio, mineral importante para o organismo.

Uma única unidade pode fornecer uma quantidade expressiva do mineral. A concentração, porém, varia conforme a origem da castanha e as características do solo onde ela foi cultivada.

A recomendação diária de selênio para adultos é de aproximadamente 55 microgramas. A castanha-do-pará está entre os alimentos com maior concentração desse mineral.

Por isso, não é necessário consumir várias unidades para atingir a necessidade diária. A atenção deve ser maior para quem come castanha-do-pará com frequência ou também utiliza suplementos que contêm selênio.

Nessas situações, a quantidade adequada deve ser avaliada individualmente com um profissional de saúde.

<><> Qual é a quantidade de castanhas indicada?

Para quem tem dificuldade em visualizar o tamanho de uma porção, a nutricionista Martha Amodio utiliza uma referência prática: a palma da mão fechada.

A medida funciona como uma estimativa para visualizar a quantidade de oleaginosas que pode ser consumida no dia a dia.

A quantidade, no entanto, não é igual para todas as pessoas. O tamanho da porção pode variar de acordo com o objetivo alimentar, o gasto energético e o restante da alimentação.

<><> Castanhas engordam?

As oleaginosas apresentam alta densidade energética, o que torna o tamanho da porção relevante principalmente para quem busca emagrecimento.

Isso não significa que as castanhas precisem ser retiradas da alimentação.

Segundo Amodio, a avaliação deve considerar não apenas as calorias, mas também a presença de fibras, proteínas, gorduras insaturadas, a capacidade de promover saciedade e, principalmente, qual alimento está sendo substituído.

O contexto da alimentação é importante porque o consumo de um alimento isoladamente não determina o resultado do controle do peso ou da glicemia.

No diabetes tipo 2, a perda de peso pode contribuir para a melhora de parâmetros glicêmicos. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes destacam a importância do manejo do peso como parte do cuidado da condição.

<><> Quais são os melhores momentos para comer castanhas?

As oleaginosas podem ser incluídas nos lanches entre as refeições principais, mas não precisam ficar restritas a esse momento.

Elas também podem acompanhar:

•        Frutas

•        Iogurtes

•        Saladas

•        Café da manhã

•        Preparações culinárias

A combinação com frutas, por exemplo, acrescenta gorduras insaturadas, fibras e proteínas à refeição. Esses componentes podem aumentar a saciedade e influenciar a resposta glicêmica do conjunto da refeição.

Isso, porém, não elimina o carboidrato presente na fruta.

<><> Castanha natural ou salgada: qual escolher?

A forma de preparo também deve ser observada.

No mercado, é possível encontrar oleaginosas:

•        Naturais

•        Torradas

•        Salgadas

•        Caramelizadas

•        Cobertas com mel

•        Cobertas com chocolate

Por isso, vale verificar a lista de ingredientes e a tabela nutricional antes da compra.

Uma castanha simplesmente torrada é diferente de um produto que contém açúcar, xaropes, óleos ou outros ingredientes adicionados.

No caso dos mixes prontos, também é importante observar a quantidade de sal e a presença de outros ingredientes.

<><> Como montar um mix de castanhas em casa

Uma alternativa para facilitar o consumo é preparar o próprio mix de oleaginosas.

É possível combinar pequenas quantidades de:

•        Amêndoas

•        Nozes

•        Pistache

•        Castanha-de-caju

•        Castanha-do-pará

Separar as porções em potes ou recipientes individuais pode ajudar a visualizar a quantidade consumida e evitar que o alimento seja ingerido diretamente de uma embalagem maior. A estratégia também permite variar os tipos ao longo da semana.

<><> O que é importante entender

Não existe uma única oleaginosa mais indicada para todas as pessoas com diabetes tipo 2.

Amêndoas, castanha-de-caju, castanha-do-pará, nozes, pistache e outras opções apresentam diferentes combinações de nutrientes e podem fazer parte de uma alimentação equilibrada.

Mais do que escolher uma “castanha ideal”, é importante variar os tipos, observar a composição do produto e adequar a quantidade às necessidades individuais.

O acompanhamento com nutricionista ou endocrinologista pode ajudar a definir a porção e a melhor forma de incluir as oleaginosas na rotina alimentar.

 

Fonte: Um Diabético

 

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