quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Tirzepatida fabricada no Paraguai é proibida pela Anvisa; medicamento não pode ser importado e vendido no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, nesta quarta-feira (16), a importação, o armazenamento, a distribuição, a comercialização, a propaganda e o uso do T36, produto à base de tirzepatida fabricado no Paraguai.

A decisão também afeta quem compra o produto fora do Brasil e tenta trazê-lo para uso próprio. Segundo a Anvisa, a falta de registro sanitário impede a circulação do produto no país.

<><> Por que a Anvisa proibiu o T36

O T36 não possui registro sanitário junto à Anvisa, por isso, a agência não avaliou sua segurança e eficácia para uso no Brasil.

A proibição consta na Resolução 3.626/2026, publicada no Diário Oficial da União (DOU). A medida alcança pessoas físicas, empresas e veículos de comunicação.

Além da venda, a resolução proíbe o armazenamento, a distribuição, a exportação, a importação, a propaganda, o transporte e o uso do produto.

Na prática, a medida também atinge pessoas que atravessam a fronteira para comprar o medicamento no Paraguai. Mesmo quando a compra ocorre para uso próprio e sem finalidade comercial, o transporte para o Brasil continua proibido.

<><> O que significa não ter registro sanitário

O registro sanitário é uma exigência para que um medicamento possa circular no Brasil. Esse processo envolve a análise das informações apresentadas sobre o produto.

Além disso, produtos adquiridos fora dos canais oficiais não oferecem garantia sobre procedência, composição ou conservação. Esses fatores podem interferir na qualidade, segurança e eficácia do medicamento.

<><> Anvisa também proibiu produtos vendidos pela Go Pharma

A Anvisa já havia determinado outra proibição relacionada à venda de medicamentos para diabetes e obesidade pela internet.

A Resolução 3.480/2026, publicada em 8 de setembro, proibiu a comercialização de produtos anunciados pelo site www.gopharma.shop.

O site anunciava medicamentos sem registro no Brasil à base de tirzepatida. Também havia produtos que alegavam ter retatrutida como princípio ativo.

A retatrutida ainda não possui registro em nenhum país do mundo, segundo as informações apresentadas pela Anvisa.

Entre os produtos anunciados estavam T.G. 15 mg, Tirzec 15 mg e Lipoless MD 15 mg. Alguns deles já tinham proibição expressa de entrada no Brasil.

A resolução determinou a proibição da comercialização, distribuição, importação, propaganda e uso desses produtos. A medida também prevê a apreensão dos produtos.

<><> Onde medicamentos podem ser vendidos no Brasil

A comercialização de medicamentos no Brasil ocorre por farmácias e drogarias regularizadas. A venda pode ocorrer em lojas físicas ou pelos sites e canais digitais oficiais desses estabelecimentos.

Por isso, sites que comercializam medicamentos fora desses canais não seguem as regras estabelecidas para a venda regular desses produtos.

Nesse contexto, a Anvisa considera que produtos comprados fora dos ambientes oficiais não oferecem garantia de procedência, composição ou conservação.

<><> T36 faz parte de uma série de proibições

A proibição do T36 ocorre depois de outras medidas contra produtos à base de tirzepatida fabricados no Paraguai.

Antes da nova resolução, a Anvisa já havia proibido pelo menos nove marcas de tirzepatida produzidas no país.

Entre elas estão Lipoless, Tirzec, Gluconex, Tirzedral, Slimex MD, Slimex, Rapha e produtos de tirzepatida das marcas Synedica e TG.

As medidas adotadas pela agência incluem restrições à importação, comercialização, distribuição, propaganda e uso dos produtos.

<><> O que muda para quem compra medicamento no Paraguai

A decisão da Anvisa interfere diretamente em uma prática adotada por alguns consumidores: atravessar a fronteira, comprar medicamentos e retornar ao Brasil com os produtos. No caso do T36, a resolução também proíbe o transporte do produto para o país.

Portanto, a finalidade da compra não altera a regra. Mesmo quando a pessoa compra o produto para uso próprio, o transporte para o Brasil permanece proibido.

A justificativa apresentada pela agência é a ausência de registro sanitário. Sem esse registro, o produto não pode circular regularmente no território brasileiro.

•        CFM alerta médicos sobre prescrever tirzepatida sem registro na Anvisa

 CFM (Conselho Federal de Medicina) alertou os médicos sobre a vedação ética e legal ao uso de medicamentos à base de tirzepatida sem registro sanitário válido na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O alerta também alcança formulações manipuladas da substância fora das normas sanitárias.

Em nota, o conselho afirma que é vedado ao médico usar a consulta ou a prescrição para viabilizar a compra de medicamentos vindos do exterior sem autorização para circulação no Brasil, sem nota fiscal, rastreabilidade ou demais exigências sanitárias.

A tirzepatida é o princípio ativo de medicamentos usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Nos Estados Unidos, é comercializada pela Eli Lilly sob os nomes Mounjaro e Zepbound; no Brasil, apenas como Mounjaro, aprovado pela Anvisa.

A entidade destaca que também não é admissível a prescrição de fórmulas manipuladas com tirzepatida em desacordo com a legislação sanitária vigente ou com insumos sem procedência regular.

Segundo o CFM, produtos sem comprovação de qualidade, autenticidade e condições de armazenamento expõem o paciente a riscos graves e comprometem a segurança do tratamento.

O conselho afirma que o médico que prescrever, indicar, aplicar ou facilitar o acesso a medicamentos fora das normas sanitárias estará sujeito a apuração em processo ético-profissional, além de poder ser notificado a outros órgãos para apuração de responsabilidades administrativas, civis e penais.

As penalidades éticas previstas na legislação que rege os conselhos de medicina (Lei nº 3.268/1957) vão desde advertência confidencial até a cassação do exercício profissional, aplicadas conforme a gravidade da infração.

As canetas emagrecedoras provenientes do Paraguai passaram a ocupar recentemente um espaço que em décadas passadas foi de outros itens contrabandeados e requisitados por consumidores brasileiros.

Há em 2026 um crescimento acelerado das apreensões de canetas e ampolas emagrecedoras por órgãos como Receita Federal e Polícia Federal, principalmente em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com a paraguaia Ciudad del Este.

Proibidos de serem comercializados no Brasil, medicamentos à base de tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) fabricados no Paraguai se espalharam pelo país devido aos preços baixos, à facilidade de compra no país vizinho e a falhas na fiscalização.

Uma ação coletiva busca liberar no Brasil, para uso pessoal de pacientes com prescrição médica, a importação de emagrecedores paraguaios.

O processo mira medicamentos como TG, Lipoless, Tirzedral, Tirzec, Lipoland, Gluconex e Slimex, que, segundo a ação, são registrados na Dinavisa, a autoridade sanitária do país vizinho. Os cinco primeiros são facilmente encontrados em farmácias de Ciudad del Este. Mas a própria Dinavisa já emitiu alertas sobre a circulação de versões falsificadas de medicamentos paraguaios na região da fronteira e classificou a situação como de grave risco para a saúde pública.

 

Fonte: Um Diabético/ICL Notícias

 

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