China reforça regras para evitar perda de
controle da IA
Alertas
feitos por pesquisadores da empresa americana de inteligência artificial (IA) Anthropic sobre
a possibilidade de modelos avançados
escaparem ao controle humano
e, em cenários extremos, representarem uma ameaça à própria humanidade ganharam
destaque na China, onde formuladores de políticas públicas vêm se preparando
para lidar com riscos semelhantes.
Apesar
da corrida para desenvolver sistemas cada vez mais poderosos, marcos
regulatórios e declarações oficiais de Pequim mostram que as autoridades
chinesas consideram suficientemente séria a possibilidade de a IA avançada
escapar à supervisão humana para incorporá-la aos seus planejamentos de
segurança.
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Reguladores destacam risco de perda de controle
A China
passou a mencionar explicitamente cenários de perda de controle sobre sistemas
de inteligência artificial em uma estrutura de segurança divulgada em setembro
de 2024 sob orientação da Administração do Ciberespaço da China (CAC).
O
documento afirmava que não poderia ser descartada a possibilidade de futuros
sistemas de IA obterem recursos externos de forma autônoma, desenvolverem
autoconsciência e buscarem fontes externas de poder, criando riscos de
competição com seres humanos.
Em
setembro de 2025, a CAC divulgou uma versão ampliada da estrutura regulatória.
O novo texto tornou o cenário mais específico, afirmando que a IA poderia
passar por um salto repentino de capacidade antes de adquirir recursos, se
replicar e buscar o poder. O documento também incorporou o princípio de
"aplicação confiável" e da prevenção da perda de controle.
Posteriormente,
uma interpretação técnica publicada no site do regulador afirmou que a nova
diretriz busca reduzir riscos de perda de controle que possam ameaçar a sobrevivência e o desenvolvimento da
humanidade,
mencionando inclusive a possibilidade de uma IA "sair do controle".
<><> Xi defende supervisão humana
permanente
A
preocupação também passou a aparecer nas mais altas instâncias políticas
chinesas.
Durante
aConferência Mundial de Inteligência
Artificial realizada
em julho, em Xangai, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que as autoridades devem
monitorar atentamente tanto os riscos inerentes à tecnologia quanto os seus
efeitos indiretos.
Segundo
Xi, a inteligência artificial deve permanecer "sempre sob controle
humano".
O
principal diplomata chinês para assuntos de IA, Sun Xiaobo, afirmou em reunião
das Nações Unidas no mês passado que o país está acelerando estudos sobre uma
legislação mais ampla para a inteligência artificial.
Já o
vice-representante permanente da China na ONU, Sun Lei, pediu neste mês que os
governos abordem com cautela o uso militar da IA para evitar erros de cálculo
estratégicos e uma corrida armamentista.
As
discussões ganham peso em um momento em que Xi Jinping deve se reunir com o
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington ainda neste mês. A governança
e a segurança da inteligência artificial estão entre os temas previstos para a
agenda bilateral.
Enquanto
autoridades chinesas enfatizam riscos ligados à segurança nacional, à
espionagem e à proteção de infraestrutura crítica, o debate nos Estados Unidos
tem sido marcado também por preocupações com cenários de perda de controle
e riscos existenciais associados a
sistemas superinteligentes. O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, já
alertou para a velocidade que classificou como "imprudente" do avanço da tecnologia. O
presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou concordar com essa
avaliação.
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Pequim cria regras específicas para agentes de IA
A China
também começou a transformar esses princípios em exigências regulatórias voltadas aos
chamados agentes de IA, sistemas capazes de atuar com maior autonomia e
realizar tarefas mais complexas do que chatbots convencionais.
Em maio, o regulador chinês do ciberespaço
publicou diretrizes conjuntas específicas para esse tipo de tecnologia.
As normas exigem que desenvolvedores ampliem
sua capacidade de identificar, interromper, bloquear e corrigir comportamentos
inadequados dos agentes.
As orientações apontam como riscos relevantes
o envenenamento de dados, a manipulação de algoritmos, vulnerabilidades de
sistemas e a chamada "perda operacional de controle". O texto também
determina que os usuários mantenham a autoridade final sobre decisões tomadas
autonomamente pelos sistemas.
Embora a China não tenha adotado propostas
como a presença de monitores independentes dentro de empresas de IA, modelo
defendido por pesquisadores da Anthropic, suas normas permitem a contratação de
avaliações externas de segurança e preveem auditorias realizadas por entidades
independentes e pesquisadores especializados.
<><> Concorrência com os EUA na
mira
Em
artigo publicado no domingo em um veículo governamental, o ministro da
Segurança do Estado da China, Chen Yixin, afirmou que modelos avançados
desenvolvidos nos Estados Unidos podem representar riscos à infraestrutura crítica de
informação do país e
defendeu o fortalecimento da segurança em inteligência artificial.
Chen
também alertou que "forças hostis" estariam usando ferramentas de IA
generativa para fabricar rumores políticos e disseminar informações
prejudiciais à China. Segundo ele, esses grupos promovem "guerras de
opinião pública" e "guerras cognitivas" que ameaçam a segurança
política, institucional e ideológica do país.
O
ministro afirmou ainda que a inteligência artificial se tornou "o
principal campo de batalha da competição tecnológica global e uma nova arena da
rivalidade estratégica entre grandes potências". Segundo ele, serviços de
inteligência estrangeiros utilizam tecnologias como rastreamento automatizado
de dados, mineração de informações e análise de perfis para coletar dados
sensíveis, segredos comerciais e informações pessoais.
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ONU pede "ação urgente" para frear IA
O alto
comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu nesta
segunda-feira (14) uma ação urgente para regulamentar a inteligência artificial
(IA), diante dos riscos que os sistemas mais avançados da tecnologia podem
representar.
"Estamos
no início de uma mudança irreversível que afetará não apenas a nossa geração,
mas também as futuras gerações da humanidade", afirmou Türk em comunicado.
O chefe
de direitos humanos da ONU conclamou governos e empresas a adotar mecanismos
multilaterais de supervisão. Segundo ele, a IA pode ameaçar diversos direitos fundamentais,
incluindo o direito à vida.
As
preocupações com os impactos do rápido avanço da inteligência artificial cresceram nos
últimos anos. Na última semana, apelos cresceram após executivos
e ex-pesquisadores de algumas das principais empresas do setor passarem a
defender uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia para permitir uma
avaliação mais rigorosa dos riscos.
Para
Türk, a corrida por sistemas cada vez mais poderosos representa uma
transformação profunda e expõe diferentes aspectos da vida humana a riscos cada
vez maiores. Ele também criticou a concentração de poder nas mãos de poucas
empresas de tecnologia.
Segundo
o alto comissário, o mundo depende atualmente de um grupo reduzido de
companhias para tomar decisões sobre o desenvolvimento da IA, com impactos
potenciais sobre toda a humanidade.
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Corrida da IA racha
setor: executivos pedem cautela, mas Trump rejeita freio e cita China
A
corrida pelo desenvolvimento de sistemas cada vez mais avançados de
inteligência artificial entrou em uma nova fase de disputa. Executivos e
pesquisadores que ajudaram a acelerar o avanço da tecnologia passaram a
defender maior cautela e mecanismos de segurança, enquanto o presidente
dos Estados Unidos,
Donald Trump,
rejeita a ideia de desacelerar o setor e afirma que qualquer freio pode
beneficiar a China.
O
debate ganhou força após Dario Amodei, CEO da Anthropic, defender que as
empresas reduzam temporariamente o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais
avançados. O executivo não propõe interromper as pesquisas, mas dar mais tempo
para que mecanismos de segurança, testes e fiscalização acompanhem a evolução
da tecnologia.
A
proposta inclui avaliações independentes dentro das empresas, maior coordenação
entre desenvolvedoras e, em uma etapa posterior, acordos internacionais.
A
mudança de tom chama atenção porque parte das companhias que hoje alertam para
os riscos foi justamente responsável por impulsionar a chamada corrida da IA.
O
argumento dos executivos é que os modelos se tornaram mais capazes e passaram a
desempenhar tarefas cada vez mais complexas, aumentando também os riscos de
usos indevidos, falhas de segurança e comportamentos difíceis de prever.
Amodei
afirma que sistemas mais avançados podem ser utilizados em ataques
cibernéticos, contribuir para atividades de bioterrorismo e provocar impactos
significativos no mercado de trabalho.
Outra
preocupação é o chamado autoaperfeiçoamento: a possibilidade de sistemas de IA
contribuírem para o desenvolvimento de versões ainda mais poderosas da própria
tecnologia, acelerando o ciclo de evolução.
Na
avaliação do CEO da Anthropic, um período de um ou dois anos com avanço mais
controlado poderia ser usado para aprimorar testes, mecanismos de alinhamento e
formas independentes de verificar se as empresas estão cumprindo padrões de
segurança.
<><> Trump rejeita desaceleração
A posição encontra forte resistência na Casa
Branca. Trump afirmou que existe uma “conspiração doentia” contra a
inteligência artificial e os data centers e disse que a única beneficiada por
esse movimento seria a China. O presidente também declarou que os Estados
Unidos precisam preservar a liderança tecnológica porque, segundo ele, “quem
vencer na IA, vence tudo”.
Trump argumenta que os EUA já possuem
instrumentos regulatórios para impedir usos considerados perigosos da
tecnologia, sem necessidade de reduzir o ritmo de desenvolvimento.
Segundo ele, uma desaceleração unilateral
poderia comprometer a vantagem americana em uma disputa tecnológica cada vez
mais associada à segurança nacional e à competição econômica com Pequim.
A reação ocorre em meio a um cenário de
crescente preocupação internacional sobre o controle da inteligência
artificial.
Na China, o ministro da Segurança do Estado,
Chen Yixin, também alertou que sistemas generativos podem ser usados por forças
estrangeiras para disseminar informações falsas e travar o que classificou como
“guerras cognitivas” contra o país.
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Por que cofundador da
Anthropic defende um 'botão de desligamento' obrigatório para IA
Um dos
cofundadores de uma das maiores empresas de IA do mundo afirmou que um
"botão de desligamento" da inteligência artificial, que possa ser
verificado de forma independente, talvez seja obrigatório para as empresas.
Jack
Clark, um dos sete fundadores da Anthropic, disse que uma forma
de desligar completamente os mecanismos de IA caso eles se tornem muito
perigosos é algo que a sociedade "talvez queira regulamentar".
Clark
afirmou que "a maioria dos laboratórios tem maneiras diferentes de
desligar os equipamentos", incluindo a Anthropic, mas disse que os
legisladores podem precisar impor a existência de uma dessas maneiras.
O rápido desenvolvimento da IA e os receios sobre os
riscos que a tecnologia representa para a humanidade foram colocados em evidência por uma série
de alertas de executivos e funcionários de empresas de IA.
Algumas
pessoas afirmaram publicamente que existe a possibilidade de que essa
tecnologia, se não for controlada, possa matar toda a humanidade.
O
diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, pediu no fim de semana que o ritmo de
desenvolvimento da IA seja desacelerado e monitorado mais de perto, como a
empresa já fez antes, embora alguns tenham questionado as motivações por trás
disso.
Amodei
acrescentou que qualquer ação para conter o desenvolvimento da IA deve ser
feita "sem sacrificar a vantagem comercial".
Clark
disse à BBC que os detalhes sobre os requisitos e a verificação do "botão
de desligamento" devem fazer parte da "discussão política mais
ampla" que está ocorrendo em torno da IA.
"Deveríamos
exigir que as empresas tivessem um botão de desligamento automático? Esse botão
de desligamento automático pode ser verificado por terceiros?", perguntou
ele.
"Acho
que esse é o tipo de coisa que a sociedade vai querer saber e que,
eventualmente, regulamentar."
A
Anthropic, fundada em 2021 por um grupo de ex-funcionários de sua concorrente
OpenAI, está atualmente no centro de um debate sobre a segurança da IA.
Na
semana passada, uma publicação de um pesquisador de
inteligência artificial que deixou a Anthropic por receio de que a IA
pudesse exterminar a humanidade viralizou.
Em
resposta, o cientista antropológico Evan Hubinger disse que, pessoalmente,
acreditava que a possibilidade de extinção da humanidade devido à IA era de
"10% na próxima década".
O
cientista da computação e ganhador do Prêmio Nobel Geoffrey Hinton, conhecido
como o "Pai da IA", disse à BBC na sexta-feira que uma probabilidade
de 10% de a IA matar todos os humanos "não é irrazoável".
Questionado
sobre qual porcentagem ele atribuiria ao número total de humanos mortos por IA,
Clark disse: "Não acho que essas estatísticas sejam muito úteis", mas
acrescentou que permitir que a IA continue como uma "indústria totalmente
desregulamentada" era uma má ideia.
"Estamos
jogando dados com riscos imensos", disse Clark. "E a questão é que
precisamos mudar o rumo desta indústria."
Legisladores
dos EUA apresentaram um projeto de lei apelidado de "Kill Switch Act"
(Lei do Botão de Desligamento, em tradução livre) que exigiria que as empresas
tivessem uma maneira de desativar ferramentas de IA problemáticas.
Isso
também daria a certas agências governamentais o poder de exigir que uma
ferramenta fosse desativada ou limitada.
No
entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou a ideia de qualquer
tentativa de desacelerar a IA, afirmando nas redes sociais: "A IA dominar
o mundo, destruir a humanidade e todas as outras coisas ruins é uma
FARSA".
"Há
uma conspiração DOENTIA em curso contra a IA e os Data Centers, e o único que
está feliz com isso é a China. QUEM VENCER NA IA, VENCE!", escreveu ele em
outra publicação.
No
Reino Unido, o governo rejeitou recentemente a ideia de criar um interruptor de
segurança, com um porta-voz afirmando que isso "não impediria que fossem
desenvolvidos ou usados indevidamente em outros lugares".
Entretanto,
alguns na indústria da IA sugeriram que os receios de que ela destrua a
humanidade são exagerados ou podem ter sido concebidos para gerar alarde.
Clement
Delangue, líder da plataforma de desenvolvedores Hugging Face, que foi alvo de
um ataque hacker da OpenAI, afirmou na semana passada que tais alegações
carecem de "perspectiva".
George
Arison, líder do Grindr, afirmou que os receios em torno das ferramentas de IA
estavam sendo usados pelas empresas para apoiar seus planos de negócios.
"A
única maneira de justificar essas avaliações é afirmar: 'Vou dominar todos os
setores e todos os empregos, e minha IA fará todo esse trabalho'", disse
Arison.
A
Anthropic criou o popular Claude e, este ano, lançou diversos modelos de IA
cada vez mais capazes, a tecnologia que está na base dos chatbots de IA.
Juntamente
com a OpenAI, a Anthropic relatou diversos incidentes em que agentes de IA, que
são bots que operam de forma relativamente autônoma, agiram de maneiras
inesperadas.
A
Anthropic está se preparando para uma oferta pública inicial (IPO)
potencialmente recorde na bolsa de valores, permitindo que as pessoas comprem
ações da empresa.
A
OpenAI, que recentemente foi avaliada em US$ 852 bilhões (R$ 4,3 trilhões), era
esperada para fazer o mesmo, mas Altman, da OpenAI, disse na semana passada que
isso não acontecerá este ano devido ao debate atual sobre a segurança da IA.
Fonte: DW Brasil/ICL Notícias/BBC News

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