O lobby israelense está fora de controle
Em um
ano de gastos recordes em campanhas eleitorais pelo Comitê de Assuntos Públicos
Israelo-Americano (AIPAC) e de ampla repulsa popular à guerra de Donald Trump
contra o Irã, um estudo aprofundado sobre o lobby israelense não poderia ser
mais oportuno. Seth Ackerman, da revista Jacobin, conversou
com o jornalista investigativo Eli Clifton e o renomado acadêmico Ian Lustick
sobre seu novo livro, Israel’s lobby: America in the grip
of a foreign power [O lobby de Israel: Os Estados Unidos sob o domínio
de uma potência estrangeira], que revela como o lobby não apenas distorceu a
política em Washington, mas também acelerou a radicalização ideológica de
Israel — e agora ameaça as liberdades civis dos estadunidenses em seu próprio
país.
LEIA A
ENTREVISTA:
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Há quase vinte anos, os estudiosos de relações
internacionais John Mearsheimer e Stephen Walt escreveram um livro muito famoso
e bastante controverso chamado The Israel lobby and U.S. foreign
policy [O lobby de Israel e a política externa dos EUA]. O livro de
vocês é, em muitos aspectos, uma sequência do deles. O que os levou a decidir
que era o momento certo para um livro como este?
ELI
CLIFTON - Muita coisa mudou desde 2007. Steve Walt e John Mearsheimer
identificaram alguns dos custos estratégicos globais que as atividades do lobby
impunham aos estadunidenses, e esses custos continuaram a se intensificar e a
se agravar. Mas alguns dos outros custos são de natureza mais doméstica, e
esses foram possibilitados por mudanças em nossas leis, que Steve e John não
poderiam ter previsto. Na conclusão do livro, eles argumentaram que o apoio a
uma relação “sem discordância” com Israel estava diminuindo gradualmente.
Identificaram que essa tendência começou por volta de 1999 ou 2000, com o fim
dos Acordos de Oslo e o fechamento da janela para a solução de dois Estados. E
previram que esse declínio lento seria contrabalançado pelo surgimento de
outras instituições — como a J Street, a Jewish Voice for Peace e outras — que
seriam capazes de defender uma relação EUA-Israel mais normal e equilibrada e
possibilitar a redução da influência do lobby na política estadunidense.
Mas em
2010, as decisões dos casos Citizens United e SpeechNow foram
anunciadas. Isso abriu as comportas do nosso sistema de financiamento de
campanhas. A partir de 2012, que foi a primeira eleição após o caso Citizens
United, quando se observa quem eram os maiores doadores, vemos Sheldon
Adelson e outros bilionários megadoadores pró-Israel. E eles afirmaram
explicitamente que o faziam por Israel.
Assim,
diante do declínio do apoio público a Israel — que se acelerou
consideravelmente após 7 de outubro em praticamente todos os grupos
demográficos — isso permitiu que eles criassem uma solução provisória. Paralelamente
ao dinheiro, houve também uma mudança estratégica. O lobby deixou de tentar
refutar argumentos como os de Mearsheimer e Walt. Em vez disso, passou a
silenciar completamente o debate, inclusive usando o poder do Estado para calar
discursos críticos a Israel. Vimos isso com a retenção de centenas de milhões
de dólares em financiamento federal para universidades, muitas vezes em áreas
de pesquisa que nada têm a ver com Israel ou Palestina. Ou nas tentativas de
deportar portadores de green card simplesmente por suas
críticas a um país estrangeiro.
Portanto,
agora estamos pagando um preço interno em termos de nossas próprias liberdades
civis. Essa é uma parte fundamental do que mudou desde que o livro deles foi
publicado.
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Um dos argumentos apresentados por Mearsheimer e Walt há
vinte anos era que o fim da Guerra Fria eliminou a principal justificativa que
antes servia para sustentar a relação privilegiada de Israel com os Estados
Unidos. Vocês diriam que, naquela época, o lobby tentou transformar o Irã na
nova União Soviética — o novo inimigo que tornaria Israel indispensável para os
Estados Unidos?
IAN
LUSTICK - Israel se apresentou como um aliado crucial contra a penetração
soviética no Oriente Médio, embora essa afirmação nunca tenha sido muito
convincente para os especialistas. No livro, relatamos uma fascinante análise
empírica que comprovou o quão vazia era essa afirmação. Em 1991, um dos
principais analistas de relações internacionais, A.F.K. Organski, professor da
Universidade de Michigan, publicou um livro intitulado The $36 billion
bargain [A barganha de 36 bilhões de dólares], que argumentava que
Israel era como um porta-aviões terrestre: era tão útil aos Estados Unidos em
sua luta contra a União Soviética que toda a ajuda que lhe fornecíamos era uma
barganha. E, como parte de seu argumento, ele perguntou: Como podemos saber que
isso é verdade? Bem, se a União Soviética desaparecesse e a Guerra Fria
terminasse, veríamos a ajuda cair. E foi exatamente isso que aconteceu logo
após a publicação de seu livro. A União Soviética se desintegrou e a Guerra
Fria terminou. E o que aconteceu com a ajuda a Israel? Absolutamente nada. Ela
continuou exatamente no mesmo nível. O que demonstra que a ajuda a Israel não
era resultado de cálculos estratégicos estadunidenses. Era, em grande parte,
resultado do poder político interno do lobby israelense nos Estados Unidos.
Mas o
argumento de que Israel servia aos interesses estratégicos dos EUA era
importante tanto para Israel quanto para seu lobby. Após o fim da Guerra Fria,
ambos precisavam de um domínio no qual pudessem se apresentar como um aliado
crucial dos Estados Unidos. Assim, durante a Guerra ao Terror, os líderes
israelenses afirmavam que suas guerras contra o Hezbollah ou contra os
palestinos na Cisjordânia faziam parte da guerra contra o terror liderada pelos
EUA. Mas então a Guerra ao Terror terminou, e outro domínio se tornou
necessário para que Israel se apresentasse como o aliado crucial da América.
Benjamin
Netanyahu escolheu o Irã para desempenhar o papel de inimigo mortal tanto de
Israel quanto dos Estados Unidos, substituindo a guerra contra o terror, que
por sua vez havia substituído a guerra contra a União Soviética. Mas Netanyahu,
na realidade, teve grande dificuldade em fomentar o ataque conjunto EUA-Israel
contra o Irã que ele desejava. O próprio aparato de segurança de Israel se opôs
a ele, argumentando que não, o Irã jamais atacaria Israel com uma arma nuclear.
Ele também se deparou com uma série de presidentes estadunidenses que
consideravam um ataque ao Irã uma ideia absurda. Suas exigências por uma guerra
encontraram forte resistência até que, em Trump, ele encontrou um presidente
tão estúpido — e uma burocracia de segurança nacional tão carente de
experiência e tão incompetente — que conseguiu, essencialmente, arrastar os
Estados Unidos para uma guerra com o Irã, uma guerra que até mesmo Trump
provavelmente considera agora um erro terrível. Mas há uma razão mais profunda
para Netanyahu, o primeiro-ministro que mais tempo serviu em Israel, estar em
pé de guerra contra o Irã, Gaza, Síria e Líbano — e para, ultimamente, estar
fomentando uma crise com a Turquia. A razão fundamental para essa postura
belicosa é que seus governos têm sido incapazes de articular uma visão de paz
para o Oriente Médio que satisfaça qualquer pessoa na região. E, como não têm
nenhuma visão de paz, precisam confiar completamente em sua capacidade de usar
a força militar praticamente sem risco, seja no Líbano, no Iraque, na Síria, em
Gaza ou no Irã. Outro dia, vimos a Força Aérea Israelense bombardear uma base
na Síria — não porque houvesse uma ameaça, mas porque havia uma ameaça potencial,
vinda da Turquia ou do exército sírio.
Isso é
um retrato emblemático da situação que Israel criou para si mesmo. Se não pode
contar com a diplomacia ou com compromissos negociados, precisa recorrer à
força militar. Mas, para recorrer à força militar, precisa ter certeza de que
pode usá-la sem o risco de baixas significativas ou de uma escalada para o uso
de armas de destruição em massa. Portanto, na prática, insiste na superioridade
aérea absoluta e no domínio sobre todo o Oriente Médio. E precisa insistir que
somente ele tenha permissão para possuir armas de destruição em massa. Essas
são exigências enormes. Lembre-se, o Irã é geograficamente maior do que a
Grã-Bretanha, a França e a Alemanha juntas. A ameaça potencial do Irã não é que
ele ataque Israel com armas nucleares. É que, se houver sequer 1% de
possibilidade de o Irã escalar para o nível nuclear, Israel não poderá mais
usar a força na região sem temer uma escalada. Isso é intolerável se não houver
um plano de paz, algo que o governo Netanyahu nunca teve. Essa é a razão mais
profunda pela qual ele se concentra tanto no Irã e depende tanto da força
militar.
·
No livro, vocês argumentam que esse dilema estratégico é,
em parte, resultado do poder do lobby nos Estados Unidos.
IL -
Sim. Originalmente, o lobby existia apenas para evitar pressão sobre Israel;
não tinha como objetivo mudar Israel, transformá-lo nesse Estado fanático de
direita. Mas, ao insistir que a ajuda a Israel fosse enorme em escopo e
incondicional em sua entrega, o lobby tornou praticamente impossível, ou pelo
menos extremamente difícil, para candidatos moderados vencerem eleições em
Israel. Porque tudo o que eles disseram sobre o que aconteceria se Israel
alienasse os Estados Unidos — que isso pressionaria Israel a aceitar um acordo
pior do que aquele que conseguiria se adotasse uma posição razoável diante
dessa pressão — acabou se provando falso.
Isso é
o que acontece a um país que tem capital político externo em excesso. Se você
fosse um político em Israel, aprenderia que precisava ceder às fantasias e aos
medos das pessoas, sem nenhum custo real em troca. Mas havia um custo enorme em
falar racionalmente sobre o dilema em que Israel acabaria se encontrando. Posso
listar todos esses maravilhosos políticos israelenses — Shulamit Aloni, Haim
Ramon, Yossi Sarid, Yossi Beilin — todas essas pessoas que poderiam ter sido
primeiros-ministros, e queriam ser primeiros-ministros, mas não conseguiram, e
não puderam conseguir, por causa do controle rígido do lobby sobre a política
dos EUA em relação a Israel e aos palestinos.
·
Em outras palavras, muitos israelenses costumavam
presumir que, se a situação se complicasse, os Estados Unidos salvariam Israel
de si mesmo, intervindo e contendo-o.
IL -
Sim. E esse foi especificamente o problema com Joe Biden. Ele não desempenhou o
papel que os militares israelenses sempre esperam que os Estados Unidos
desempenhem. Quando a revista Time me entrevistou no início da
guerra em Gaza, perguntaram: Quando a guerra vai terminar? Eu respondi: “Posso
dizer exatamente quando ela terminará. É como em todas as guerras. Ela
terminará quando os Estados Unidos disserem a Israel que precisa terminar. Até
que isso aconteça, a guerra continuará”. E Biden simplesmente se recusou a
dizer isso. Trump praticamente disse isso e a guerra parou (ou pelo menos, uma
certa versão da guerra parou). Mas ela continuou por anos — muito, muito mais
tempo do que deveria. Foi ridículo. Os militares israelenses jamais imaginaram
que um presidente estadunidense permitiria que a guerra agisse de forma tão
desenfreada por tanto tempo.
·
E quanto à ala liberal do establishment pró-Israel dos
EUA? Eles parecem estar numa situação política bastante complicada agora. Você
acha que eles encontraram uma solução?
EC -
Uma coisa que se vê eles fazendo é se agarrando, de forma desesperada e
hipócrita, à ilusão de que o Israel com o qual gostariam de ser associados
ainda existe, ou está logo ali na esquina. Então, se Netanyahu for deposto, de
alguma forma essa guinada à direita chegará ao fim e Israel voltará a ser como
era, suponho, antes de 1967. Na hora da verdade, políticos de todo o Partido
Democrata dizem: “Eu acredito em uma solução de dois Estados”. E isso é
perigoso, porque simplesmente não se baseia em fatos concretos. A janela para
essa possibilidade já se fechou, por mais desejável que pudesse ter sido. Então,
acho que a maneira como muitos deles estão lidando com isso, para dizer de
forma bem franca, é através da ilusão e da deturpação dos fatos para seus
eleitores, apresentando o que é possível e quais são as realidades no terreno.
IL -
Pemita-me aprofundar um pouco mais esse ponto. Publiquei um livro sobre isso em
2019, Paradigm lost: From two-State Solution to one-State reality [Paradigma
perdido: Da solução de dois Estados à realidade de um Estado]. Mesmo naquela
época, já era impossível imaginar cenários políticos que permitissem alcançar
uma solução de dois Estados. Esses cenários deixaram de ser propostos na década
de 1990, com o fim dos Acordos de Oslo. Mas tem sido um porto seguro, do ponto
de vista político, afirmar que um acordo negociado de dois
Estados ainda é possível.
Tem
sido um cenário seguro para os centristas israelenses que não querem admitir
que preferem o apartheid à democracia. E tem sido seguro para os democratas e
outros políticos nos Estados Unidos, que podem dizer: “Sou a favor da solução
de dois Estados. Não me culpem, progressistas.” E, enquanto isso, também podem
dizer ao lobby: “Não me critiquem — até Netanyahu já disse que era a favor da
solução de dois Estados.” Como disse Eli, é uma cortina de fumaça. Então, onde
está o futuro? Eu diria que você precisa mudar o horizonte temporal da sua
análise. Quando considerávamos plausível uma solução de dois Estados, estávamos
pensando no que eu chamo de tempo estratégico. Tempo estratégico é algo entre
dois e cinco anos, o período em que você realmente poderia realizar algo nesse
tipo de cenário. Precisamos mudar do tempo estratégico para o tempo geológico.
Tempo geológico na política é algo entre trinta e sessenta anos. Como um país
como Israel se democratiza? Não é como a Romênia se democratizou: você atira no
ditador e, no dia seguinte, é uma democracia. Não é assim que a democratização
funciona em casos como, digamos, nos Estados Unidos, onde os negros foram
excluídos da política por gerações, ou os católicos irlandeses na Grã-Bretanha,
ou os negros na África do Sul, ou as mulheres em todas as democracias
industriais ocidentais. Esse tipo de democratização leva de cinquenta a cem
anos.
·
Mas não há o perigo de, ao adotar essa perspectiva,
darmos inadvertidamente aos defensores do status quo uma desculpa para não
fazerem nada? Se o progresso só pode acontecer em escala geológica, qual a
urgência de fazer algo hoje?
IL -
Isso não vai acontecer amanhã. Mas devemos desmascarar aqueles em Israel que
dizem querer manter os territórios ocupados em 1967. Quando analisamos os
projetos de lei de anexação da Cisjordânia no Knesset, nenhum deles menciona a
anexação imediata de toda a população e território. Na verdade, eles temem a
anexação efetiva dos territórios. Preferem manter a ficção de que ainda não
foram absorvidos permanentemente.
·
A curto prazo, o grupo de pressão parece esperar que,
após as eleições de outubro, haja um novo governo — presumivelmente liderado
por Gadi Eisenkot — que apresente uma imagem mais amena e amigável ao público
estadunidense. Será que isso poderia funcionar?
IL - Talvez. Mas não vai durar. Lembre-se de
quem é Gadi Eisenkot. Comparado a Netanyahu, ele pode parecer um sujeito
razoável, focado na realidade e não em fantasias, e que não se deixa levar
pelos piores preconceitos de seu público. Mas ele também é o idealizador da
“Doutrina Dahiya”. Essa doutrina recebeu o nome de um bairro de Beirute que
Israel destruiu completamente, não apenas para matar combatentes, mas também
para destruir toda a infraestrutura civil ao redor.
O que
vimos em Gaza foi a aplicação dessa doutrina. Portanto, não tenhamos
expectativas muito ambiciosas sobre o que Eisenkot tem a oferecer.
Acho
que a questão mais interessante sobre as próximas eleições é se Eisenkot
conseguirá formar um governo sem se aliar a partidos de maioria árabe. O
partido Ra’am agora terá um membro judeu em sua chapa para o Knesset, então não
será mais um partido puramente árabe, mas ainda não será um “partido sionista”
como os israelenses o definem. E, na visão de Netanyahu, só traidores formariam
um governo com o apoio de partidos não sionistas. (Embora, é claro, ele próprio
tenha tentado fazer isso no passado).
Mas,
analisando em termos de tempo geológico, o que me interessa é o precedente da
cooperação árabe-judaica — inclusive a cooperação da direita com os árabes —
que prenuncia a possibilidade de que, em algum momento no futuro, um número
significativo de judeus veja vantagens para si na possibilidade de palestinos
da Cisjordânia e de Gaza votarem. Teremos um resultado eleitoral em que ninguém
conseguirá formar um governo a menos que a coalizão inclua árabes? E como o
sistema político israelense reagirá a isso? Para mim, isso é mais importante do
que saber por quanto tempo Eisenkot conseguirá continuar maquiando a situação.
Estou mais interessado em saber se esta eleição forçará o país a caminhar rumo
a alianças políticas judaico-árabes.
·
Perguntei anteriormente sobre o livro de Mearsheimer e
Walt. Vinte anos atrás, o livro deles se tornou uma espécie de escândalo
literário. Editoras se recusaram a publicar a obra, e resenhas maldosas os
acusaram de todo tipo de coisa terrível. Como comparariam isso com a reação que
o livro de vocês recebeu até agora?
EC - É
muito diferente. Não vivemos mais num mundo em que era preciso debater se o
lobby existia ou não. Quando se observa a reação negativa contra Steve e John,
infelizmente é aí que eles travaram muitas de suas batalhas: sobre se o lobby
existia de fato e se afirmar sua existência seria de alguma forma antissemita.
E esse não é mais o mundo em que vivemos. Isso já está bem estabelecido. Quer
dizer, eu mantenho um site — israelslobby.com — que
monitora em tempo real os registros da Comissão Eleitoral Federal sobre os
Super PACs pró-Israel. No momento, acho que eles arrecadaram US$ 160 milhões
neste ciclo eleitoral. Isso provavelmente significa que arrecadarão US$ 250
milhões só para estas eleições de meio de mandato. Um quarto de bilhão de
dólares — é muito dinheiro para um grupo de interesse de um país estrangeiro
arrecadar e gastar. Então, objetivamente, o lobby existe. Isso não é algo que
precisamos mais debater. Também está nas manchetes. Tivemos sorte com o momento
do lançamento do livro, porque este assunto está muito presente no debate
público agora, principalmente por causa da guerra em Gaza, da guerra com o Irã
e das eleições de meio de mandato. É uma questão prioritária para os eleitores,
de uma forma que geralmente não acontece com questões de política externa.
Claro, essa também é a desvantagem: muita gente está falando sobre isso agora.
Então, estamos tentando trazer algo novo à discussão, contextualizar como
chegamos a este momento. Este não é apenas um livro sobre assuntos da
atualidade. Ele analisa o registro histórico de como o lobby israelense se
tornou o que é hoje e o que isso significou, em termos de oportunidades
diplomáticas perdidas para os Estados Unidos, em termos de recursos perdidos,
mas também em termos do custo interno mensurável da repressão às liberdades
civis, da caça às bruxas antissemita e dos esforços para restringir a liberdade
de expressão, particularmente nas universidades. Nesse aspecto, este é um momento
mais assustador do que 2007.
Fonte: Entrevista com Eli Clifton e Ian
Lustick - Tradução Pedro Silva, para Jacobin Brasil

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