quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Celular de Vorcaro cita R$ 500 mil para filho de Nunes Marques

Conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro relacionam o advogado Kevin Marques ao valor de R$ 500 mil. Ao lado do nome do advogado aparece um número de telefone do filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. À coluna, o ministro disse que o filho nunca trabalhou para o Master e, portanto, não recebeu valor algum do Master. Ele afirmou ainda que não teve acesso ao conjunto de mensagens.

Em mensagem enviada a Vorcaro às 10h41 do dia 4 de julho de 2025, o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, encaminha ao chefe um arquivo contendo o nome “Kevin Marques”, um número de telefone acompanhado do texto: “Esse aqui — 500 mil mês — mantém?”.

Na sequência, o executivo envia duas risadas e comenta em referência a Kevin: “Esse aqui já era, né?”.

Vorcaro responde também com “kkkk”.

Em outra mensagem, em 8 de agosto de 2025, Rennó reenvia a mesma planilha com o valor e o nome do advogado e escreve três mensagens para Vorcaro: “esse aí”, “único meu que faltou” e “foi pago”.

Em nova troca de mensagem via WhatsApp, o executivo informa Vorcaro que “ganhamos Alcídia”, uma referência à destilaria Alcídia, em Teodoro Sampaio (SP), que ganhou causa de repercussão bilionária no Supremo com os votos de Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. O julgamento foi concluído em 1º de outubro de 2024.

O resultado tinha impacto no Master porque o banco mantinha em seu balanço carteira estimada de R$ 10 bilhões de precatórios do setor, cujo valor dependia do reconhecimento dessas indenizações.

Como mostrou a coluna, Dias Toffoli votou a favor da Alcídia, posição diferente da adotada poucos dias antes em processo semelhante envolvendo a Raízen. Nas mensagens analisadas pela PF, integrantes do banco afirmaram que “Toffoli virou o voto”. Antes da conclusão do julgamento, o processo havia sido interrompido por um pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques. Era preciso que ele liberasse o assunto para o julgamento.

O nome do ministro Nunes Marques está entre os contatos na agenda de Vorcaro, mas o ministro tem sustentado que não tinha relação com o banqueiro.

O FILHO DO MINISTRO

Com apenas 25 anos e dois anos de atuação como advogado, Kevin de Carvalho Marques já assinou contratos de valores elevados. Um deles foi com a Consult Inteligência Tributária, da qual recebeu R$ 281,6 mil. A empresa, por sua vez, recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master. Entre seus clientes, estão empresas como Refit e Grupo Petrópolis.

O celular de Daniel Vorcaro apreendido pela Polícia Federal registra conversas entre o banqueiro e o ministro Nunes Marques.

Em nota, o advogado Kevin Marques afirmou que “não prestou serviço ao banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. Como informado anteriormente, o advogado Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da Consult, empresa à qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal”.

CHAMPAGNE E MACALLAN NO JATINHO

As mensagens extraídas do celular de Vorcaro também tratam de uma viagem em jatinho particular envolvendo a advogada Camilla Ewerton Ramos. Nas conversas, Vorcaro concorda com pedidos da advogada relacionados ao voo, entre eles a utilização de um aeroporto mais discreto e a oferta de Dom Pérignon e Macallan a bordo.

A imprensa revelou posteriormente que Nunes Marques e a esposa estavam nessa viagem. O voo ocorreu em 14 de novembro de 2025, de Brasília para Maceió, para a festa de aniversário de Camilla, que atua em processos do Banco Master. O próprio gabinete do ministro confirmou a presença do casal e afirmou que a advogada ficou responsável pelo voo e pelos detalhes da viagem. A aeronave era operada pela Prime Aviation, empresa controlada pela Prime You, companhia que teve Daniel Vorcaro como sócio até setembro de 2025 e que continuou ligada à administração de seus bens.

•        Filho de Fux tratou Vorcaro ‘irmão’ e falou em estender ‘tapete vermelho’ para ex-banqueiro

Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, mostram uma relação de proximidade dele com o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Rodrigo também teria articulado a participação do pai em um evento ligado ao banqueiro em Londres.

As conversas mostram que, após uma série de contatos, o advogado pediu a Vorcaro que informações sobre um compromisso em Londres fossem enviadas à secretária do ministro no Supremo.

A reportagem tenta contato com o filho de Fux. O ministro também foi procurado por meio da assessoria do STF, mas não houve resposta até o momento.

A Polícia Federal entregou o conteúdo integral do celular de Vorcaro nesta segunda-feira (14) aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Eles pediram o conteúdo sob a justificativa de que era necessário para a análise que ocorre nesta terça-feira sobre a relação de Moraes com o ex-banqueiro.

<><> As mensagens

As mensagens revelam encontros presenciais e conversas entre o filho de Fux e Vorcaro. Em diferentes momentos da conversa, Rodrigo Fux trata Daniel Vorcaro como “irmão”.

Em 17 de maio de 2024, por exemplo, o advogado inicia uma conversa com “Fala irmão. Tudo bem?”; em novembro, ao avisar que estava disponível para uma chamada, escreve “Vamos irmão? Liberei”.

Em uma das mensagens em 4 de dezembro de 2024, quando os dois tentavam combinar um encontro no escritório do filho de Fux, no Rio de Janeiro, Vorcaro disse que só conseguiria ir ao local às 14h, e Rodrigo afirmou que remarcaria outro compromisso para recebê-lo. Após confirmar o horário, escreveu: “Tapete vermelho irmão”. Vorcaro respondeu: “Valeu irmao!”

Um mês antes, em novembro de 2024, o ex-banqueiro procurou o advogado e afirmou: “Quero te chamar pra me ajudar num caso”. Rodrigo respondeu que seria um prazer ajudar e os dois marcaram uma videoconferência. Depois da conversa, Vorcaro enviou um documento, e Rodrigo afirmou que iria analisá-lo.

Em fevereiro de 2025, os dois voltaram a se encontrar em Brasília. Rodrigo estava no STJ e, ao deixar o tribunal, perguntou onde encontraria Vorcaro. Depois de uma ligação, afirmou que chegaria às 17h30. O banqueiro enviou então o endereço de uma casa no Lago Sul.

No dia 25 daquele mês, Rodrigo fez referência a outro compromisso. “Já está a par do encontro de hoje né?”, perguntou. Vorcaro respondeu: “Sim! Vc é fera”. “Será um grande dia”, afirmou o advogado. O trecho das mensagens, porém, não identifica os participantes desse encontro e, isoladamente, não permite afirmar que se tratava de uma reunião com Luiz Fux.

A conexão direta com o ministro aparece nas conversas de março. No dia 11, Rodrigo procurou Vorcaro para marcar uma reunião em Brasília. Disse que precisava “alinhar algumas questões” e afirmou que, antes, passaria pelo aniversário do ministro Luís Roberto Barroso. O encontro inicialmente seria realizado naquela noite, mas Vorcaro ainda estava em São Paulo à espera de um voo. Os dois decidiram então deixar a conversa para a manhã seguinte.

Rodrigo sugeriu 10h ou 10h30, e Vorcaro escolheu o segundo horário. “Fechado”, respondeu o advogado. Às 10h12 do dia 12 de março, Rodrigo escreveu: “Bom dia. 10:30hs tô aí”.

Poucas horas depois, às 13h29, Rodrigo voltou a procurar Vorcaro e perguntou: “Qual a data de Londres mesmo?”. Em seguida, pediu que o material fosse enviado ao seu próprio email e acrescentou: “E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim”. O endereço informado pelo advogado tinha domínio institucional do STF. Vorcaro respondeu: “Vou pedir!”.

<><> "Cuide de não encher meu saco", diz Fux ao ser cobrado por Gilmar no "Zap"

Uma troca de mensagens no WhatsApp entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, mostra o clima de tensão na Corte.

Gilmar cobrou de Fux “postura institucional” ao apontar acordo entre ele, André Mendonça e Kassio Nunes Marques para pedir o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Os ministros votaram na sequência, depois de Gilmar pedir vista, o que não é usual.

>>>> Leia o diálogo:

# Gilmar:

“Isto revela qq coisa menos postura institucional. Espero que nao se repita”, avisou Gilmar Mendes.

# Fux:

“Gilmar você deve dizer espero que não se repita pra quem você quiser. Pra cima de mim não. Ninguém nesse mundo diz pra mim como agir. Boa Noite por ora”, respondeu Fux.

# Gilmar:

“Fux, soh cuide de atuar como Presidente da turma”, devolveu Gilmar.

# Fux:

“Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!”, finalizou Fux.

Gilmar acusa Mendonça de ter ignorado conversas encontradas no celular de Daniel Vorcaro que atingiriam Kassio e outros ministros e, em contrapartida, recebido apoio para suas decisões no caso.

Relatório de inteligência da Polícia Federal registra elementos que indicariam que André Mendonça ignorou indícios contra Dias Toffoli e o filho de Nunes Marques, ao mesmo tempo que exigiu que a PF identificasse, em 72 horas, diálogos supostamente mantidos entre Alexandre de Moraes e Vorcaro.

O documento também aponta que Mendonça decidia com muito mais rapidez sobre pedidos da PF contra aliados do governo, como Jaques Wagner, do que sobre aqueles envolvendo políticos da oposição, como Claudio Castro, ligados ao grupo de Jair Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, Gilmar e Kassio Nunes também duelavam pelo WhatsApp, como revelou a coluna. Kassio bloqueou Gilmar depois de a coluna revelar a troca de diálogo.

# Gilmar:

“Assumam q estao ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, disse Gilmar.

# Kassio:

“Me respeite Gilmar. Isso não é postura”, reagiu Kassio.

# Gilmar:

“Nao julguem porra. Não respeito a quem nao se daH respeito. Vc tem de sair do tse também”, respondeu Gilmar.

# Kassio:

“Então não me tecle pois não falo com que não me respeita”, devolveu Kassio.

# Gilmar:

“Abra as suas contas antes de julgar qualquer coisa desse caso na turma”, rebateu Gilmar.

# Kassio:

“Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo. Como juiz. Tramoias ….”, pontuou Kassio.

# Gilmar:

“Verdade! E de sua família”, finalizou Gilmar.

Dino manda investigar encontro de Mendonça com Vorcaro, revelado pelo ICL

•        Sozinho e o último a sair, Mendonça fica isolado frente a colegas que ameaçam expor tudo e todos. Por Juliana Dal Piva

Sempre o último a sair e sozinho. Assim, esteve o ministro André Mendonça na sessão do plenário do Supremo Tribunal Federal, no dia 15 de setembro de 2026. Na pauta, estava que os ministros iriam julgar uma petição do ministro André Mendonça para que o ministro Alexandre de Moraes fosse investigado a partir de um relatório da Polícia Federal que apontava uma série de indícios de possíveis crimes do magistrado. No entanto, quem passou grande parte da sessão sendo acusado foi Mendonça.

Ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Mendonça esteve literalmente sozinho em quase todo o julgamento. Na disposição do plenário, ele fica sentado ao lado de Moraes e de Flávio Dino. Os dois, publicamente adversários de Mendonça, passaram uma boa parte da sessão se olhando por trás das costas de Mendonça quando o bolsonarista se inclinava na cadeira.

Desde o início da manhã, o dia prometia um embate histórico e agressivo no STF. Pouco antes da sessão iniciar, o portal Uol publicou novos diálogos que citam a possibilidade de repasses mensais e pagamento para o filho de Nunes Marques, articulações comerciais e encontros com o filho de Luiz Fux e a atuação de um advogado aliado de Mendonça em interlocução de decisões judiciais favoráveis a terceiros.

Mal sentou na cadeira para o início do julgamento, o ministro Kassio Nunes Marques pediu para se declarar impedido. Alegou que nunca falou com Vorcaro nem tem nada a temer por seu filho, mas porque acha que existem componentes eleitorais e é presidente do Tribunal Superior Eleitoral achou melhor ficar de fora. Pediu para sair, mas ainda ouviu de Dino: “É, o senhor tem uma eleição para cuidar”. Escutou e deu de costas sem responder com um leve sorriso irônico. Kassio foi o primeiro a citar a eleição no julgamento.

Quando os ministros passaram a discutir a questão de ordem do ministro Gilmar Mendes, que pretendia juntar os pedidos de investigação de Moraes e de Mendonça, o decano resolveu iniciar o ataque. “Evidente condução política”, “pixuleco”, “jogar com o caos”, “Em nome de Deus já se fez muita patifaria”, entre tantas outras críticas. André Mendonça tentou responder, mas mal conseguiu. No primeiro embate com Mendes, pegou o microfone para falar e voltou mais de uma vez.

Ao ser acusado de agenda eleitoral, por fim, chamou o decano de “leviano” e pediu que não lhe apontasse o dedo. Mas a verdade é que quando finalmente chegou a sua vez de falar, não perdeu a oportunidade de devolver o ataque.

Aproveitou o momento para dizer que não tinha feito nada de ilegal, apenas cumpriu a legislação e quis que a PF identificasse corretamente o interlocutor da mensagem porque citava o Procurador-Geral da República. Tudo isso como se não fosse público desde março, por meio de reportagens do jornal O Globo, que existiam mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes em uma conversa com Daniel Vorcaro.

Moraes, por outro lado, tentou enfrentar seu acusador dizendo que a PGR tinha pedido o arquivamento e negando que existissem mensagens, pois seriam apenas prints do bloco de notas. O ministro, porém, não fala do motivo pelo qual revisou o contrato de R$ 130 milhões do escritório de sua mulher e nem dos encontros mediados por meio de Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Bolsonaro.

Dino foi o ministro que mais falou ao longo da sessão. Cobrou o tempo todo do presidente Edson Fachin que controlasse a sessão e quando se viu em mais uma cena de embate entre Mendes e Mendonça, interrompeu e pediu vistas. Não sem antes dizer a Fux que fazia isso porque os ministros correm o risco de se ver por semanas debatendo ritos de outras investigações sobre outros ministros e, para a ira de Fux, disse ao colega que existiam mensagens que o citavam. O ministro carioca logo devolveu: “não tem mensagem minha”. Dino insistiu no alerta: “Infelizmente o senhor foi citado sim”.

Ao final, sobrou para a ministra Cármen Lúcia vestir a toga e se desculpar com o país ao dizer que estava consternada e triste porque acredita que não conseguiu contribuir para acalmar a situação e que o Supremo Tribunal Federal hoje trazia intranquilidade ao povo brasileiro. E traz mesmo já que o julgamento não acabou, não tem data para retornar e já é utilizado politicamente.

 

Fonte: Metrópoles/ICL Notícias

 

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