Dia
Mundial da Segurança do Paciente: quais cuidados exigem atenção no tratamento
do diabetes?
Para
quem vive com diabetes, alguns cuidados fazem parte da rotina todos os dias:
medir a glicose, tomar medicamentos, aplicar insulina, organizar as refeições e
acompanhar os sinais do próprio corpo. Por serem tarefas repetidas, alguns
desses passos podem acabar sendo feitos de forma automática. E é justamente
nesse dia a dia que situações aparentemente simples podem exigir mais atenção.
17 de
setembro, Dia Mundial da Segurança do Paciente, data que chama atenção para a
importância da segurança do paciente em diferentes etapas do cuidado. Em 2026,
a Organização Mundial da Saúde (OMS) escolheu como tema “Cuidado seguro para
doenças não transmissíveis”, com o lema “Cuidado seguro para toda a vida”.
A
campanha inclui o diabetes entre as doenças que exigem atenção contínua e
destaca que os riscos podem aparecer em diferentes momentos do cuidado, desde a
prevenção e o diagnóstico até o tratamento, o acompanhamento de longo prazo e o
autocuidado. No diabetes, falar da segurança do paciente significa considerar
diferentes etapas do tratamento, inclusive aquelas que acontecem fora dos
serviços de saúde.
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O que muda nas orientações de segurança do paciente em 2026?
Em
2026, a Organização Mundial da Saúde ampliou o olhar sobre a segurança de
pessoas que vivem com doenças crônicas. A campanha do Dia Mundial da Segurança
do Paciente tem como foco o cuidado seguro para doenças não transmissíveis e
reforça que os riscos podem aparecer durante toda a trajetória de cuidado,
incluindo prevenção, diagnóstico, tratamento, acompanhamento e autocuidado.
No
Brasil, a segurança do paciente também ganhou uma nova política em 2026. Em
junho, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Qualidade e
Segurança do Paciente (PNQSP), com diretrizes para fortalecer a qualidade e a
segurança do cuidado em toda a Rede de Atenção à Saúde do SUS.
A
política prevê ações de gestão de riscos, prevenção de eventos adversos,
melhoria da comunicação e participação dos pacientes no cuidado. A proposta
também amplia a visão sobre segurança do paciente para além de um atendimento
isolado e busca integrar os diferentes pontos da rede, desde o primeiro
atendimento até o acompanhamento contínuo, com maior participação de pacientes
e familiares.
Para
quem tem diabetes, essa abordagem é especialmente relevante porque boa parte do
tratamento acontece de forma contínua e envolve diferentes profissionais,
medicamentos, exames, dispositivos e cuidados realizados em casa. A segurança,
portanto, não depende apenas do que acontece durante uma consulta, mas também
da forma como as orientações são transmitidas e seguidas ao longo do
tratamento.
A
Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) também publicou, em sua Diretriz 2026,
recomendações relacionadas à segurança no tratamento do diabetes, incluindo
práticas seguras para preparo e aplicação de insulina. E quando se fala em
diabetes, poucos exemplos mostram tão claramente a importância dessa atenção
quanto o uso da insulina.
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A segurança no tratamento do diabetes
O
diabetes é uma condição que exige cuidados contínuos. Isso significa que a
pessoa pode lidar diariamente com medicamentos, dispositivos para monitoramento
da glicose, insulina, alimentação e atividade física. Essa rotina cria
diferentes momentos em que um erro ou uma falha pode acontecer. Uma informação
pode não ser compreendida, um medicamento pode ser utilizado de maneira
diferente da recomendada ou um dispositivo pode ser compartilhado de forma
inadequada.
Por
isso, a segurança não deve ser vista apenas como uma responsabilidade dos
hospitais ou consultórios. Ela também está presente nas decisões e nos
procedimentos realizados todos os dias. Entre esses cuidados, a insulina merece
atenção especial porque pequenos erros no seu uso podem provocar alterações
importantes da glicose.
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Quando a dose de insulina pode se tornar um risco
A
insulina é um dos medicamentos utilizados no tratamento de diferentes tipos de
diabetes, mas exige atenção especial por seu potencial de provocar
hipoglicemia.
A
hipoglicemia é considerada quando a glicose está abaixo de 70 mg/dL. Os
Standards of Care in Diabetes 2026, da American Diabetes Association (ADA),
destacam a necessidade de estratégias para prevenir e tratar esses episódios.
No
ambiente hospitalar, a entidade também chama atenção para erros relacionados à
administração de insulina, que podem envolver dose, horário, tipo de insulina
ou até mesmo a omissão de uma dose. Fora do hospital, a atenção também é
necessária. Aplicar uma quantidade diferente da prescrita, confundir os tipos
ou modificar o esquema de tratamento sem orientação pode aumentar o risco de
alterações importantes da glicose.
Por
isso, mudanças na dose ou no esquema de tratamento não devem ser feitas por
conta própria. Quando há dúvidas sobre quantidade, horário ou tipo de insulina,
é importante procurar orientação da equipe médica.
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O armazenamento da insulina também exige atenção
A
maneira como a insulina é armazenada também interfere na conservação do
medicamento. As diretrizes do Ministério da Saúde orientam que as insulinas
lacradas sejam mantidas sob refrigeração, entre 2 °C e 8 °C. Durante o uso,
algumas apresentações podem ser mantidas em temperatura ambiente, de acordo com
as orientações específicas do produto.
Como as
condições de conservação podem variar conforme a sua apresentação, é importante
seguir as informações do fabricante e da bula. Um dos cuidados mais importantes
é evitar o congelamento, uma vez que a insulina não deve ser colocada no
congelador nem ficar próxima à região de congelamento da geladeira. Também é
necessário evitar exposição ao calor excessivo e à luz solar. A conservação
inadequada pode comprometer a qualidade do medicamento e, consequentemente, o
tratamento.
Mesmo
quando a insulina foi armazenada corretamente, ainda existe outra etapa em que
a atenção faz a diferença.
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A aplicação também exige cuidado
Antes
de aplicar a insulina, é importante conferir o medicamento e seguir a técnica
orientada pela equipe de saúde. O Ministério da Saúde destaca que os
conhecimentos sobre armazenamento, preparo e aplicação devem ser revisados
periodicamente com a pessoa com diabetes e seus cuidadores.
Essa
orientação ganha importância quando a rotina de tratamento muda. A pessoa pode
começar a usar uma caneta, trocar a apresentação ou o tipo de insulina e, com
isso, precisar adaptar a forma de aplicação. Também é importante conferir a
identificação do medicamento antes de cada aplicação, principalmente quando
diferentes tipos de insulina são utilizados na mesma casa.
Mas a
segurança no diabetes não se limita à aplicação. A medição da glicose também
envolve materiais que entram em contato com o sangue e, por isso, exigem
cuidados específicos.
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Lancetas são de uso individual
A
lanceta (agulha) é utilizada para perfurar a ponta do dedo e obter uma pequena
quantidade de sangue para o teste de glicose. Como entra em contato com o
sangue, deve ser utilizada individualmente e não pode ser compartilhada com
nínguém mais.
O
compartilhamento pode expor um indíviduo ao sangue de outra pessoa e aumentar o
risco de transmissão de agentes infecciosos. O mesmo cuidado vale para os
dispositivos de punção, que não devem ser compartilhados quando não forem
especificamente desenvolvidos para esse uso. Também não é recomendado
reutilizar a lanceta, já que depois do procedimento ela deve ser descartada de
forma adequada, seguindo as orientações para materiais perfurocortantes.
O
cuidado é especialmente importante em situações nas quais várias pessoas
precisam medir a glicose, como em ambientes de saúde, escolas ou dentro da
própria família. Mesmo sendo um procedimento rápido e comum, cada pessoa deve
utilizar seu próprio material.
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O cuidado com o diabetes vai além do consultório
Um dos
pontos centrais da campanha de 2026 da OMS é justamente a continuidade do
cuidado. Para pessoas com doenças não transmissíveis, os riscos podem aparecer
durante consultas, exames, mudanças de profissionais, encaminhamentos, alta
hospitalar e também no autocuidado realizado em casa.
No
diabetes, isso pode envolver uma informação que não foi transmitida
corretamente entre profissionais, uma alteração no tratamento que não foi
compreendida ou uma dúvida sobre o uso de um medicamento ou dispositivo que não
foi esclarecida. Por isso, o orgão destaca a importância de melhorar a
comunicação, a continuidade do cuidado e a participação das pessoas no próprio
tratamento.
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O que fazer diante de uma dúvida?
Na
prática, ter informações organizadas sobre os medicamentos utilizados, entender
as orientações recebidas e saber quem procurar diante de uma dúvida são medidas
que ajudam a reduzir riscos. No tratamento do diabetes, perguntar também é uma
forma de prevenção. Uma dúvida sobre a dose, o horário, o tipo de insulina, o
armazenamento, o uso de um dispositivo ou a combinação com outro medicamento
pode parecer pequena, mas esclarecê-la antes de tomar uma decisão pode evitar
um problema.
A OMS
reforça que as pessoas que vivem com doenças não transmissíveis devem ser
consideradas parceiras no cuidado seguro. Isso envolve receber informações
compreensíveis, participar das decisões e comunicar situações que possam afetar
o tratamento. Por isso, diante de uma dúvida sobre medicamentos, insulina,
dispositivos ou qualquer mudança no tratamento, a orientação deve ser buscada
com a equipe de saúde responsável pelo acompanhamento.
No fim,
a segurança no tratamento do diabetes não depende de um único cuidado, mas de
uma série de decisões que se repetem ao longo do tratamento.
Fonte:
Um Diabético

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