sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Como a infância de Jesus influenciou o Evangelho

Após o nascimento de Jesus (que hoje é celebrado por muitos como o Natal), Maria durante 33 dias após dar à luz ao menino não pode tocar em nada sagrado. Então, para restaurar seu estado de pureza, Maria e José fizeram uma oferta no Templo. O apóstolo Lucas confirma que Maria e José eram pobres porque, em vez de um cordeiro, ofereceram "um par de rolas ou dois pombinhos", o sacrifício menor permitido para casais pobres (Levítico 12:6-8).

E então, diz Lucas no seu Evangelho: “o menino Jesus crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria, e a graça de Deus sobre ele” (Lucas 2:40). O menino teria ajudado seu pai, José, em seu trabalho diário, porque se esperava que os filhos homens na Galileia seguissem o ofício de seus pais. O apóstolo Marcos nos conta no Novo Testamento que, anos mais tarde, quando Jesus retornou à sua cidade natal, Nazaré, após o início de seu ministério, o povo de sua cidade natal ficou surpreso com suas palavras. "Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago?", perguntaram (Marcos 6:3). Marcos usa a palavra grega tektōn, que tem sido tradicionalmente traduzida como "carpinteiro", mas que na verdade significa um "trabalhador" ou "artífice" em pedra, madeira ou metal. A madeira trabalhável adequada para carpintaria era rara e cara na Baixa Galileia e, provavelmente, fora do alcance da maioria dos agricultores.

De acordo com o historiador judeu Josefo, do século 1 d.C., quase todos na Galileia sustentavam suas famílias com a agricultura. De fato, muitas das futuras parábolas de Jesus usam a linguagem dos campos e pomares em vez da linguagem de uma carpintaria. Isso levou alguns estudiosos a sugerir que José era um fazendeiro, que talvez tenha aumentado sua renda com suas habilidades de carpinteiro. Se isso for verdade, então Jesus teria testemunhado os rituais de cultivo – semeadura, colheita e ceifa – em sua infância.

Lucas diz que quando Jesus tinha 12 anos de idade – por volta de 8 d.C., se presumirmos que Jesus nasceu no último ano do reinado do rei Herodes – seus pais o levaram a Jerusalém mais uma vez. A ocasião para essa viagem foi a festa da Páscoa. Eles ficaram em Jerusalém, visitaram o Templo e, por fim, se prepararam para voltar para casa.

Como estavam viajando entre outros peregrinos da Galileia, incluindo amigos e parentes, José e Maria não ficaram surpresos quando não viram Jesus andando por perto. Mas quando passaram um dia de viagem sem vê-lo, ficaram preocupados e decidiram voltar correndo para Jerusalém. Depois de três dias, encontraram seu filho de 12 anos sentado no Templo, absorto em um debate com estudiosos e mestres das leis religiosas.

Aparentemente, os homens eruditos ficaram impressionados com o conhecimento e a compreensão que Jesus tinha da Torá. Aliviada e igualmente chateada, Maria lhe disse: "Por que você nos tratou assim? Olhe, seu pai e eu estávamos procurando por você com grande ansiedade". Jesus olhou para cima e respondeu: "Por que vocês estavam me procurando? Vocês não sabiam que eu devia estar na casa de meu Pai?" (Lucas 2:48-49).

A história de Lucas sobre Jesus, de 12 anos, debatendo com estudiosos no Templo levanta uma questão: onde ele recebeu sua educação? O Talmud (coletânea de livros sagrados dos judeus) sugeria que toda cidade deveria ter uma Bet ha-Sefer, ou "Casa do Livro", onde os meninos pudessem ser instruídos na Lei. Isso, no entanto, era mais um ideal do que uma prática real. No entanto, o conhecimento de Jesus sobre a Torá deve ter sido considerável, pois ele é frequentemente mencionado como rabino ou professor nos Evangelhos do Novo Testamento da Bíblia.

•        Quem foram os apóstolos de Jesus, segundo o cristianismo?

Com o Natal se aproximando, alguns personagens importantes da história do cristianismo ficam em evidência, como os apóstolos de Jesus Cristo — representados em diversas obras de arte participando da “Última Ceia” ao lado dele, como no famoso mural de Leonardo da Vinci.

Embora Jesus tivesse muitos seguidores por anos, os apóstolos eram os seus discípulos mais próximos e foram escolhidos pessoalmente pelo próprio Cristo, como relata a Encyclopædia Britannica (plataforma de conhecimento do Reino Unido).

Conheça quem foram os homens que se tornaram os apóstolos de Jesus, como isso ocorreu e quantos eram os apóstolos, grupo que deixou uma marca importante na igreja cristã primitiva e deu base ao cristianismo ao longo dos séculos.

<><> Quem são e quantos foram os apóstolos de Jesus?

Apesar de Jesus ter tido muitos discípulos, o principal profeta do cristianismo escolheu a dedo entre os mais próximos para serem os seus 12 apóstolos. De acordo com a Britannica, quase todos os seus apóstolos eram judeus e tinham diferentes meios de subsistência: muitos eram pescadores, um deles era médico e outro um cobrador de impostos da época.

Os 12 apóstolos, conforme a Bíblia e de acordo com a tradição cristã, foram: André, Bartolomeu, Tiago (filho de Alfeu), Tiago Maior (filho de Zebedeu), João (filho de Zebedeu), Judas Tadeu, Mateus, Pedro, Filipe, Simão, Tomé e Judas Iscariotes.

De acordo com a World History Encyclopedia (plataforma de conhecimento sobre história mundial), o livro Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas (que foi discípulo dos apóstolos), explica um pouco como esses discípulos próximos se tornaram apóstolos de Jesus. A última coisa que Cristo fez antes de “ascender aos céus”, na Páscoa, como narra a bíblia cristã, foi encarregar os discípulos de “testemunhar” seus ensinamentos.

É justamente a partir deste ponto do texto de Lucas que o termo “discípulo” é frequentemente substituído por “apóstolo”, uma palavra que vem do grego ‘apostellein’ e significa “enviado”. Ou seja, o apóstolo deveria ser um arauto do evangelho de Cristo.

Já o termo em latim para apóstolo era “missio”, do qual deriva a palavra “missionário” — os encarregados de levar os ensinamentos e a palavra de Cristo às pessoas. Ainda conforme a fonte histórica, os apóstolos foram enviados com boas notícias (ou o evangelion, em grego).

Alguns dos apóstolos se tornaram mais conhecidos, inclusive fora do âmbito cristão devido a um papel de destaque dentro da narrativa contada pela Bíblia. Entre eles está Pedro – uma das figuras mais proeminentes do Novo Testamento e frequentemente considerado o mais importante dos 12 Apóstolos. Outro nome notório é o de Judas Iscariotes, por sua infame traição a Jesus (quando o identificou para os romanos dando-lhe um beijo no rosto), o que levou o profeta a ser condenado e crucificado até a morte, detalha a Britannica.

 

Fonte: National Geographic Brasil

 

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