sábado, 19 de setembro de 2026

Dilema argentino: Economia perde força enquanto Milei segura peso para conter inflação

A economia argentina dá sinais de desaceleração em meio à estratégia do governo de Javier Milei para manter a inflação sob controle e limitar a desvalorização do peso. Analistas consultados pelo Banco Central da República Argentina (BCRA) estimaram uma retração de 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano.

A previsão consta no Relevamento de Expectativas de Mercado (REM) de agosto, pesquisa realizada pelo Banco Central com 47 consultorias, centros de pesquisa e instituições financeiras. Para o conjunto de 2026, a estimativa de crescimento do PIB caiu para 2,1%, 0,6 ponto percentual abaixo da projeção apresentada no levantamento anterior.

Ao mesmo tempo, a inflação desacelerou significativamente em relação aos níveis registrados no início do governo Milei. O índice de preços ao consumidor avançou 1,7% em agosto, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Em 12 meses, a inflação argentina acumulou 33,5%.

<><> Peso forte ajuda nos preços, mas pressiona produção

Um dos elementos da estratégia econômica argentina é evitar uma desvalorização mais acelerada do peso. Como os preços internos avançaram mais rapidamente do que a cotação do dólar, a moeda argentina se valorizou em termos reais.

Essa dinâmica ajuda a limitar o impacto dos produtos importados sobre a inflação, mas também torna mercadorias estrangeiras relativamente mais baratas e pode reduzir a competitividade da produção argentina.

A pressão aparece principalmente em atividades voltadas ao mercado interno. Indústria, comércio e construção enfrentam um cenário diferente de setores ligados às exportações de commodities, como mineração, energia e agricultura.

A produção industrial argentina, por exemplo, registrou queda de 5% em julho na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados oficiais do Indec. A utilização da capacidade instalada ficou em 58,2% naquele mês, ligeiramente abaixo dos 58,4% registrados um ano antes.

<><> Entrada de dólares diminui após primeiro semestre

Durante a primeira metade do ano, a Argentina contou com maior entrada de moeda estrangeira impulsionada pelas exportações agrícolas e por captações realizadas por empresas no exterior.

Com o fim do período mais forte da safra, essa oferta de dólares diminuiu. O governo passou então a utilizar diferentes instrumentos financeiros para administrar a pressão sobre o câmbio e a demanda por proteção contra uma eventual desvalorização.

O mercado, porém, continua esperando algum enfraquecimento da moeda argentina. No levantamento de agosto do Banco Central, a mediana das projeções apontava para uma cotação de 1.630 pesos por dólar em dezembro de 2026.

A expectativa representa uma alta nominal de 12,6% do dólar em relação ao fim de 2025.

<><> Juros também afetam crédito

Outro efeito da política de estabilização aparece no mercado de crédito. Taxas de juros mais elevadas ajudam a reduzir a pressão sobre o câmbio e os preços, mas encarecem o financiamento de famílias e empresas.

Em agosto, os empréstimos em pesos ao setor privado recuaram 1% em termos reais e com ajuste sazonal, segundo o relatório monetário do Banco Central argentino. O desempenho, porém, não foi igual em todas as modalidades: os financiamentos imobiliários continuaram crescendo.

O equilíbrio entre inflação, câmbio e atividade tornou-se um dos principais desafios econômicos do governo Milei. Depois da forte redução do ritmo de aumento dos preços, a manutenção da estratégia passa a conviver com sinais mais fracos na atividade econômica.

O próprio levantamento de expectativas do Banco Central mostra essa combinação. Enquanto a inflação mensal ficou em 1,7% em agosto, analistas reduziram suas projeções para a atividade econômica e esperam uma recuperação de 1,1% no terceiro trimestre, após a retração estimada para o período anterior.

PIB argentino recua 0,6% no 2º trimestre e país corre risco de recessão técnica

A queda do consumo e de investimentos fez a economia argentina recuar 0,6% no segundo trimestre de 2026, na comparação com trimestre anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).

Após crescimento de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) entre janeiro e março, a desaceleração acumulou cinco trimestres consecutivos e chegou a nível semelhante ao observado na pandemia. É a primeira vez em dois anos que o dado é negativo em relação ao trimestre anterior.

Com essa nova contração, basta mais um trimestre negativo para que a Argentina entre em uma recessão técnica.

Uma recessão técnica ocorre quando o PIB registra queda por dois trimestres consecutivos na comparação com os trimestres imediatamente anteriores. Quando a economia encolhe, o dinheiro circula menos e afeta diretamente o bolso, o emprego e a qualidade de vida das pessoas.

O levantamento indica que o consumo privado caiu 2,4% no período e o consumo público recuou 2,3%. Já a formação bruta de capital fixo, que indica investimento, caiu 0,8% e as importações, 3,5%. Apenas as exportações aumentaram: 2,5%.

Na comparação com igual período de 2025, o PIB cresceu 2% em termos anuais e acumulou crescimento de 2,2% no primeiro semestre. Já a formação bruta de capital fixo caiu 11,1% em relação ao ano anterior. O consumo privado avançou 0,4% e o público caiu 4,1%. As exportações cresceram 13,7%.

O estudo aponta o recuo de 15,2% em máquinas e equipamentos e de 22,1% em equipamentos de transporte como as principais causas da queda anual dos investimentos. Os investimentos em construções contraíram 0,1% e outras construções caiu 8,2%.

Ainda segundo o Indec, a indústria manufatureira caiu 2,1% em relação ao ano anterior, a administração pública recuou 1,4%. Já a exploração de minas e pedreiras cresceu 16,4%, o setor agropecuário avançou 6,9% e a pesca registrou um salto de 44,7%. A construção apresentou variação positiva de 0,2% e o comércio permaneceu estável.

¨      Noboa ataca tribunal que julga genocídio e crimes de guerra e defende ataques dos EUA contra seu próprio povo

Menos de um mês depois de várias reuniões do secretário do Tribunal Penal Internacional (TPI), Osvaldo Zavala Giler, com autoridades equatorianas, Daniel Noboa classificou o organismo como ideologizado, no mesmo tom em que vem se manifestando o governo estadunidense de Donald Trump.

“Certas instituições mundiais estão se ideologizando e acabam afetando, já não tratam os temas de maneira objetiva. Por exemplo, o Tribunal Penal Internacional já se ideologizou demais e, mais do que instituições imparciais, elas se transformam em ferramentas de determinadas correntes para atacar”, disse Noboa em entrevista a uma emissora de rádio, nesta quinta-feira, em Guayaquil.

Esta é a primeira vez que um mandatário latino-americano se refere ao tema depois que, em agosto passado, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, pediu aos países da Coalizão contra os Cartéis das Américas, entre eles o Equador, que abandonassem o organismo.

Os Estados Unidos não reconhecem a jurisdição do tribunal com sede em Haia, criado em 2002 pelo Estatuto de Roma para julgar genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade quando os sistemas judiciais nacionais não podem ou não querem fazê-lo.

Em 24 de agosto passado, o ministro do Interior, John Reimberg, reuniu-se com Zavala Giler e informou que abordaram temas relevantes para o país relacionados ao âmbito de competência do TPI. No entanto, não forneceu detalhes específicos sobre os assuntos tratados nem sobre possíveis acordos decorrentes do encontro.

<><> Noboa justifica afundamento de embarcações

Na mesma entrevista desta quinta-feira, o mandatário equatoriano apontou os pescadores capturados por militares estadunidenses em alto-mar como traficantes de combustível a serviço de grupos do narcotráfico internacional: “Há evidências claras disso. Não digo que todos os pescadores sejam assim, de forma alguma, mas vemos certos pescadores que se corromperam e que se dedicam mais a traficar combustível do que a pescar. Também recebem determinados subsídios e, então, aproveitam-se dessa situação”, afirmou, sem dar mais detalhes.

Até ontem, no decorrer deste ano, pelo menos onze embarcações equatorianas foram interceptadas e bombardeadas pela Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos, além da detenção de mais de 200 de seus tripulantes, oito dos quais até agora são considerados desaparecidos, depois que sua embarcação foi afundada em janeiro passado.

Em seus comunicados, o Comando Sul afirma que as embarcações operam como postos flutuantes de reabastecimento de combustível para lanchas que transportam drogas em direção aos Estados Unidos. No entanto, juízes equatorianos libertaram a maioria dos tripulantes detidos porque não foram apresentadas provas nem evidências de que as embarcações tenham transportado cocaína. Ao contrário, depoimentos de familiares e vídeos mostram carregamentos de toneladas de pescado.

¨      Daniel Noboa decreta estado de emergência em oito províncias no Equador

O presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou oficialmente um novo estado de emergência de 60 dias nesta terça-feira (15/09), em oito províncias e três cantões do país. A medida entrou em vigor após a assinatura do Decreto Executivo nº 498, justificado por uma situação de grave agitação interna e escalada da violência criminal.

A medida abrange as províncias de El Oro, Esmeraldas, Guayas, Los Ríos, Manabí, Pichincha, Santa Elena e Santo Domingo de los Tsáchilas, bem como os municípios de Camilo Ponce Enríquez (Azuay), Las Naves (Bolívar) e La Maná (Cotopaxi).

Durante sua vigência, os direitos constitucionais à inviolabilidade do domicílio e da correspondência ficam suspensos, permitindo buscas imediatas pelas Forças Armadas e pela Polícia Nacional mediante comprovação de crime, além da execução de mandados de busca e apreensão.

Além disso, o decreto estabelece um toque de recolher específico entre meia-noite e 5h da manhã, de 17 a 30 de setembro de 2026, aplicável apenas em quatro províncias costeiras: El Oro, Guayas, Los Ríos e Manabí. Essa restrição à liberdade de circulação é o terceiro toque de recolher imposto este ano.

<><> Mais de 400 homicídios

O Poder Executivo justificou a decisão citando a ocorrência de 442 homicídios dolosos entre 16 de agosto e 10 de setembro de 2026 nas oito províncias afetadas. Guayas liderou a contagem com 187 casos, seguida por El Oro com 80, Manabí com 73, Los Ríos com 52, Santa Elena com 20, Esmeraldas com 15, Pichincha com 12 e Santo Domingo de los Tsáchilas com três.

Relatórios do Centro Nacional de Inteligência (CNI), da Polícia Nacional e das Forças Armadas indicam disputas territoriais entre grupos do crime organizado como Los Lobos, Los Choneros, Tiguerones, Águilas e Fatales. Esses grupos diversificam suas fontes de financiamento por meio do tráfico internacional e local de drogas, tráfico de armas, mineração ilegal, sequestro e extorsão.

Os dados técnicos detalham que 75% dos homicídios cometidos durante o toque de recolher ocorrem no início da manhã, período utilizado por organizações para se mobilizarem e perpetrarem ataques.

No contexto das ações anteriores a este decreto, as Forças Armadas mobilizaram 32.370 militares em mais de 317.000 operações militares, resultando na detenção de 476 pessoas , na apreensão de 306 armas de fogo e de mais de 8.000 cartuchos de munição.

O Equador permanece sob a designação de “conflito armado interno”, decretada por Noboa em 2024 para categorizar grupos criminosos como “terroristas”. No entanto, os números oficiais do Ministério do Interior refletem a persistência da crise, com 2025 encerrando com um recorde de aproximadamente 9.300 homicídios no país sul-americano.

¨      Governo Paz ameaça 'estado de sítio' e militarização contra protestos na Bolívia

O porta-voz da Presidência boliviana, José Luis Gálvez, ameaçou na terça-feira (15/09) militarizar o país e declarar estado de sítio caso os protestos sociais e as mobilizações populares, como as ocorridas em meados do ano, sejam retomados.

“Fiquem tranquilos (…) que, se necessário, será declarado estado de sítio, a força constitucional será utilizada, haverá militarização e os direitos constitucionalmente permitidos dentro da estrutura da lei serão violados”, afirmou o oficial boliviano em comunicado.

Gálvez fez referência a conflitos sociais passados, estigmatizando as mobilizações ao apontar que havia “fatores políticos desestabilizadores que ameaçavam a democracia, a ordem constitucional e privavam as pessoas de alimentos, medicamentos, oxigênio, e causavam a morte de vidas inocentes que não conseguiam chegar ao hospital”.

Este alerta surge no contexto da recente aprovação, pelo Governo de Rodrigo Paz, de um decreto que prorroga o estado de exceção por mais 90 dias, medida que foi encaminhada à Assembleia Legislativa e que coincide com a assinatura de um controverso acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de 1,9 mil milhões de dólares e com a forte rejeição do aumento dos preços do gasóleo.

<><> Protestos e crise na Bolívia

As declarações do porta-voz surgem em meio a um clima de profunda tensão social e política que tem abalado a Bolívia sob o governo de Rodrigo Paz. As mobilizações populares se intensificaram drasticamente em resposta às medidas econômicas e regulatórias que encontram resistência por parte dos setores indígena, camponês, operário e docente.

Entre os principais fatores desencadeadores estavam o Decreto Supremo 5503 — questionado por flexibilizar o investimento estrangeiro e isentar projetos estratégicos de avaliações ambientais — e a promulgação da Lei 1720, rejeitada por abrir caminho para a concentração de terras e colocar em risco as pequenas propriedades rurais.

A crise se agravou, com mais de 90 bloqueios de estradas em todo o país, em departamentos como Cochabamba, La Paz, Oruro, Potosí, Chuquisaca e Santa Cruz, gerando sérias escassez de alimentos, combustível e medicamentos nas principais cidades.

Diante dessa situação, o governo optou por marcos regulatórios para declarar estados de emergência e permitir a intervenção militar, uma estratégia que sindicatos e setores mobilizados denunciam como uma tentativa de criminalizar os protestos sociais e reviver esquemas de repressão e violência estatal.

¨      Mercenários colombianos que lutaram na Ucrânia estariam usando sua experiência contra o próprio país

O ex-tenente-coronel do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU, na sigla em ucraniano) Vasily Prozorov afirmou que colombianos que participaram do conflito ucraniano ao lado das Forças Armadas da Ucrânia como mercenários estão retornando ao seu país e utilizando a experiência de combate que adquiriram contra o próprio Estado.

Segundo o ex-tenente-coronel, os mercenários valorizam principalmente a experiência na operação de drones.

"Houve casos em que helicópteros do governo colombiano foram abatidos não por metralhadoras pesadas ou sistemas portáteis de mísseis antiaéreos, mas por drones FPV operados por cidadãos que receberam treinamento e experiência de combate na Ucrânia", afirmou Prozorov.

De acordo com ele, os cartéis latino-americanos enviam deliberadamente seus membros para a Ucrânia para que adquiram experiência em combate e, sobretudo, para aprenderem a operar veículos aéreos não tripulados.

O Ministério da Defesa russo afirmou repetidamente que Kiev usa mercenários estrangeiros como "bucha de canhão", enquanto as forças russas continuarão a eliminá-los em toda a Ucrânia. Os próprios estrangeiros, que vieram lutar por dinheiro, reconheceram em inúmeras entrevistas que as operações militares ucranianas são mal coordenadas e que as chances de sobreviver ao combate são muito baixas.

 

Fonte: ICL Notícias/Sputnik Brasil/TeleSUR/Opera Mundi

 

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