Flávio
chega à reta final das eleições com cinco denúncias sem desfecho no Conselho de
Ética
A 17
dias do primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega à reta final da disputa
pela Presidência com cinco casos sem desfecho no Conselho de Ética do Senado.
Quatro são petições apresentadas em 2026 que pedem a abertura de processo
disciplinar. A quinta é uma representação de 2024, com relatório pronto para
votação há mais de um ano.
As
quatro petições mais recentes continuam registradas pelo Senado como
“aguardando designação membros comissão”. Duas delas envolvem as relações de
Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento de Dark Horse, filme
sobre Jair Bolsonaro.
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Os cinco casos
• PCE 6/2026 — Vorcaro e Dark Horse: PSOL
e Rede pedem investigação sobre a participação de Flávio nas articulações para
o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
• PCE 7/2026 — financiamento do filme: o
partido Missão também questiona as negociações entre Flávio e Vorcaro para
financiar Dark Horse.
• PCE 11/2026 — convenção presidencial:
questiona o uso de vídeo de Jair Bolsonaro produzido com inteligência
artificial e participações internacionais na convenção que lançou Flávio
candidato.
• PCE 14/2026 — pagamentos de Vorcaro: o
PT acusa Flávio de apresentar versões contraditórias sobre quando terminaram os
pagamentos do banqueiro ao projeto do filme.
• REP 1/2024 — Abin, Receita e
rachadinhas: já foi formalmente aberta e tem parecer pelo arquivamento, mas
aguarda votação desde agosto de 2025.
As PCEs
6 e 7 foram apresentadas em maio e usam mensagens e áudios relacionados às
negociações para o financiamento de Dark Horse. Os autores sustentam que Flávio
participou das articulações e cobranças por recursos de Vorcaro e pedem que o
Conselho analise se houve quebra de decoro. As acusações ainda não foram
examinadas pelo colegiado.
A PCE
14, apresentada pelo PT em setembro, também envolve Vorcaro. O partido
contrapõe uma declaração de Flávio de que os pagamentos ao filme teriam
terminado em maio de 2025 a informações sobre uma transferência realizada em
setembro daquele ano. O partido afirma que o senador deu versões contraditórias
sobre os repasses.
A PCE
11, de agosto, trata da convenção presidencial do PL. O autor questiona o uso
de um vídeo de Jair Bolsonaro produzido com inteligência artificial e as
participações do presidente argentino Javier Milei e do primeiro-ministro
israelense Benjamin Netanyahu no evento.
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Caso de 2024 espera votação há mais de um ano
A
Representação 1/2024 está em uma etapa diferente. O processo foi aberto pelo
Conselho de Ética e recebeu parecer do relator, Dr. Hiran (PP-RR), em agosto de
2025.
O
parecer é favorável a Flávio. Hiran concluiu que não foram demonstradas
condutas que justificassem punição e votou pela “improcedência e consequente
arquivamento” da representação.
Apesar
disso, o relatório nunca foi votado. Desde 26 de agosto de 2025, o processo
aparece oficialmente como “pronta para a pauta no Conselho”.
A
representação deriva de uma petição apresentada por PSOL, Rede e PT e envolve
questionamentos sobre a atuação da Abin e da Receita Federal em episódios
relacionados às investigações do caso das rachadinhas.
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Conselho aparece como ativo
Há
ainda uma situação que o Senado precisa esclarecer. Embora as quatro petições
de 2026 continuem registradas como “aguardando designação membros comissão”, a
página institucional do Conselho o apresenta como “em funcionamento” e exibe
uma composição atualizada em setembro.
A
paralisação não atinge apenas Flávio. Procedimentos contra outros senadores
também permanecem pendentes, o que não permite concluir, apenas pelos registros
públicos, que exista uma proteção específica ao candidato do PL.
• Ligações de Flávio Bolsonaro com
organização criminosa do Rio. Por Ricardo Mezavila
O vídeo
que registra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado do deputado Rodrigo
Bacellar — então governador em exercício e presidente da Alerj — em Armação dos
Búzios, documenta encontros políticos realizados em julho de 2025, durante
agenda oficial e de confraternização, ao lado do prefeito local e demais
autoridades.
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Em rede
social, Bacellar publicou: “Sextou em Búzios ao lado do senador
@flaviobolsonaro, do prefeito @oalexandremartins e de diversos amigos
prefeitos, deputados, vereadores e secretários da região, em um momento de
diálogo e alinhamento”.
A
proximidade não era ocasional: Bacellar foi apontado pela Polícia Federal como
“liderança do núcleo político” ligado ao Comando Vermelho (CV), atuando para
obstruir investigações, vazar operações sigilosas e aparelhar o Estado em favor
da facção.
Foi
indicado por Flávio Bolsonaro como candidato do grupo ao governo do Rio em 2026
e chegou a receber da família Bolsonaro a medalha com os dizeres “imorrível,
imbroxável e incomível”.
Em
março de 2026, foi preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, denunciado
pela PGR por repassar informações sigilosas ao ex-deputado Thiego Raimundo dos
Santos Silva — o TH Joias, também réu por ligação com o CV. O caso se entrelaça
ao núcleo do ex-governador Cláudio Castro (PL), que governou o estado e indicou
Bacellar a cargos estratégicos.
A rede
de relações expõe pontos comuns:
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A REDE — NOMES E LIGAÇÕES CRUZADAS
1. Rodrigo Bacellar — Ligação com Flávio
Bolsonaro: apoiado publicamente, indicado a candidato ao governo, encontros
registrados inclusive em Búzios. Ligação com Cláudio Castro: assumiu
interinamente o governo na ausência de Castro; foi indicado a postos-chave.
Acusações: preso, cassado; denunciado por vazar dados de operações policiais
para o CV; mandado de prisão fundamentado em risco à ordem pública.
2. TH Joias (Thiego Raimundo dos Santos
Silva) — Ligação com Flávio Bolsonaro: integrava círculo próximo; a Primeira
Turma do STF tornou-o réu junto com Bacellar por favorecimento ao CV.
Acusações: apontado como intermediador de compra de armas para a facção;
recebeu informações sigilosas repassadas por Bacellar.
3. Daniel Vorcaro — Banco Master — Ligação
com Flávio Bolsonaro: o senador pediu R$ 134 milhões ao banqueiro para
financiar filme sobre Jair Bolsonaro (“Dark Horse”). Ligação com Cláudio
Castro: o governo do RJ, sob Castro, aplicou R$ 3,69 bilhões do Rioprevidência
no Banco Master — os aportes coincidem com o período do pedido de Flávio.
Desdobramento: Banco Central fechou o banco em novembro de 2026; investigação
apura se recursos públicos foram usados como garantia a pedidos políticos.
4. Ricardo Magro — Refinaria Refit — Ligação
com Cláudio Castro: Operação Sem Refino apura favorecimento irregular à
empresa; suspeita de pagamento de vantagens pessoais ao ex-governador. Conexão:
caso integra o mesmo núcleo de investigações sobre uso da máquina pública em
benefício de aliados do PL no Rio.
5. Adilsinho (Adilson Oliveira Coutinho
Filho) — bicheiro preso — Ligação com Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro: nomes
aparecem em planilhas do presídio; Bacellar aparece com codinome “Barba”, com
valores que somam quase R$ 4 milhões. Acusações: investigação apura se valores
correspondem a caixa dois de campanha; lista inclui doações registradas a
campanhas políticas.
6. Outros nomes do mesmo núcleo — Bernardo
Rossi — ex-secretário do Ambiente de Castro, acusado de licenças irregulares à
Refit. Flávio Chadud/Servlog — presos; propina ligada à gestão da
vice-governadoria. Bernardo Coutinho Loyola — sobrinho de Adilsinho, com laços
comprovados com Castro.
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O que está em jogo
A
conexão entre todos esses casos não é mera coincidência. Convergem no mesmo
campo político: o grupo que comandou o governo do Rio de Janeiro e que Flávio
Bolsonaro pretendia conduzir às eleições de 2026.
As
investigações revelam:
• Encontros e alianças mantidos mesmo
quando as suspeitas já eram públicas.
• Recursos previdenciários e incentivos
fiscais direcionados a pessoas sob investigação.
• Vazamento de informações de inteligência
para proteger facções criminosas.
• Tentativas de afastamento público que
não apagam a proximidade histórica e institucional.
A rede
se entrelaça: quem compartilha palanques, indica candidatos, negocia recursos e
mantém alianças com figuras acusadas de servir ao crime organizado não pode
simplesmente se dizer alheio depois.
As
ligações políticas com o núcleo investigado não podem esfriar — exigem
esclarecimento completo, transparência total, divulgação à sociedade e
responsabilização de todos.
Todos
os fatos têm fonte oficial: decisões do STF, denúncias da PGR, relatórios da PF
e reportagens verificadas.
• No Rio, Lula expõe ligação de Flávio
Bolsonaro com milícias
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva detalhou nesta sexta-feira (18), em
entrevista à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, os três eixos centrais de sua
proposta para combater a criminalidade.
“Sufocar
logística e mobilidade”; “retomar territórios” e “fortalecer a capacidade dos
municípios”, afirmou Lula, acrescentando que a retomada dos territórios do
crime organizado “é a parte mais desafiadora”.
Lula
afirmou que seu objetivo é dar “tranquillidade” ao povo do Rio de Janeiro e ao
povo brasileiro, e defendeu que as forças policiais têm de atuar fixamente, sem
alguma brecha, 24 horas por dia, 365 dias por ano. O presidente também reforçou
a importância da aprovação da PEC da Segurança Pública.
Lula
também destacou o papel da inteligência no combate ao crime organizado e o
fortalecimento do sistema prisional.
“O Rio
de Janeiro não merece passar o que passa todo dia”, afirmou Lula, ao criticar
as denúncias de corrupção no estado, inclusive envolvendo a família Bolsonaro.
De
acordo com o presidente Lula, seu compromisso é “restabelecer o Rio de
Janeiro”, com investimentos pesados da Petrobras e na recuperação do setor
naval, bem como o acordo de aliviamento da dívida do estado.
“O
governador está fazendo um trabalho extraordinário”, afirmou Lula, referindo-se
a Ricardo Couto.
“Tem um
candidato a presidente que é ligado aos milicianos aqui no Rio de Janeiro”,
afirmou Lula, em referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro.
Lula
também criticou as conexões de Flávio Bolsonaro com o ex-chefe do Banco Master,
Daniel Vorcaro, atualmente preso por supostas fraudes contra o sistema
financeiro nacional. “Está enterrado até o pescoço com essa relação promíscua
com o Vorcaro”.
Na
entrevista, o presidente Lula também afirmou que irá dobrar o efetivo de
policiais federais e de policiais rodoviários federais, prometendo ainda
fortalecer a polícia penal.
• Lula rebate Trump: ‘terrorista era o
Bolsonaro’
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebatou, nesta sexta-feira (18), as
declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump sobre a atuação de
facções criminosas na América Latina. Durante anúncio de ações de combate ao
crime organizado no Rio de Janeiro, o chefe do Executivo rejeitou a rotulação
dessas organizações como grupos terroristas nos moldes internacionais e afirmou
que o verdadeiro terrorismo de Estado foi praticado por seu antecessor, Jair
Bolsonaro, ao articular um golpe de Estado no Brasil, informa o discurso
oficial do presidente.
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“Nós
precisamos ganhar do crime organizado. Eu não aceito a ideia de que as facções
são organizações terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em
terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Ele fala da briga pelo poder.
Quem era isso era o Bolsonaro, tentando dar golpe no 8 de janeiro. Isso é
terrorismo. Pensando em matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes. Esse era o
plano. Isso é terrorismo de Estado”, declarou Lula.
Ao
mesmo tempo, o presidente ponderou que a população das periferias e comunidades
periféricas sofre um tipo distinto de violência, caracterizado pelo domínio
territorial e pelo constrangimento ilegal praticado por facções e milícias no
dia a dia dos moradores.
“Agora
estamos falando de terrorista na periferia. Porque esses bandidos são
terroristas para a família que está no bairro, para as pessoas na escola, que
querem dançar num baile qualquer na periferia, que têm que pagar pedágio por
conta do gás, por conta dos benefícios que o governo oferece. Esse é
terrorismo, em que vive todo mundo assustado, desde uma criança levantar cedo
para a escola, o pai e a mãe”, explicou o mandatário.
Lula
reafirmou o compromisso do governo federal em atuar de forma integrada com as
demais esferas de poder para recuperar o controle de áreas sob domínio de
grupos armados no estado fluminense. “Esse nós vamos desocupar o território.
Esse é o compromisso nosso: deixar o Rio de Janeiro livre da bandidagem”,
concluiu.
Fonte:
ICL Notícias/Brasi 247

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