sábado, 19 de setembro de 2026

Flávio chega à reta final das eleições com cinco denúncias sem desfecho no Conselho de Ética

A 17 dias do primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega à reta final da disputa pela Presidência com cinco casos sem desfecho no Conselho de Ética do Senado. Quatro são petições apresentadas em 2026 que pedem a abertura de processo disciplinar. A quinta é uma representação de 2024, com relatório pronto para votação há mais de um ano.

As quatro petições mais recentes continuam registradas pelo Senado como “aguardando designação membros comissão”. Duas delas envolvem as relações de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.

<><> Os cinco casos

•        PCE 6/2026 — Vorcaro e Dark Horse: PSOL e Rede pedem investigação sobre a participação de Flávio nas articulações para o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

•        PCE 7/2026 — financiamento do filme: o partido Missão também questiona as negociações entre Flávio e Vorcaro para financiar Dark Horse.

•        PCE 11/2026 — convenção presidencial: questiona o uso de vídeo de Jair Bolsonaro produzido com inteligência artificial e participações internacionais na convenção que lançou Flávio candidato.

•        PCE 14/2026 — pagamentos de Vorcaro: o PT acusa Flávio de apresentar versões contraditórias sobre quando terminaram os pagamentos do banqueiro ao projeto do filme.

•        REP 1/2024 — Abin, Receita e rachadinhas: já foi formalmente aberta e tem parecer pelo arquivamento, mas aguarda votação desde agosto de 2025.

As PCEs 6 e 7 foram apresentadas em maio e usam mensagens e áudios relacionados às negociações para o financiamento de Dark Horse. Os autores sustentam que Flávio participou das articulações e cobranças por recursos de Vorcaro e pedem que o Conselho analise se houve quebra de decoro. As acusações ainda não foram examinadas pelo colegiado.

A PCE 14, apresentada pelo PT em setembro, também envolve Vorcaro. O partido contrapõe uma declaração de Flávio de que os pagamentos ao filme teriam terminado em maio de 2025 a informações sobre uma transferência realizada em setembro daquele ano. O partido afirma que o senador deu versões contraditórias sobre os repasses.

A PCE 11, de agosto, trata da convenção presidencial do PL. O autor questiona o uso de um vídeo de Jair Bolsonaro produzido com inteligência artificial e as participações do presidente argentino Javier Milei e do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu no evento.

<><> Caso de 2024 espera votação há mais de um ano

A Representação 1/2024 está em uma etapa diferente. O processo foi aberto pelo Conselho de Ética e recebeu parecer do relator, Dr. Hiran (PP-RR), em agosto de 2025.

O parecer é favorável a Flávio. Hiran concluiu que não foram demonstradas condutas que justificassem punição e votou pela “improcedência e consequente arquivamento” da representação.

Apesar disso, o relatório nunca foi votado. Desde 26 de agosto de 2025, o processo aparece oficialmente como “pronta para a pauta no Conselho”.

A representação deriva de uma petição apresentada por PSOL, Rede e PT e envolve questionamentos sobre a atuação da Abin e da Receita Federal em episódios relacionados às investigações do caso das rachadinhas.

<><> Conselho aparece como ativo

Há ainda uma situação que o Senado precisa esclarecer. Embora as quatro petições de 2026 continuem registradas como “aguardando designação membros comissão”, a página institucional do Conselho o apresenta como “em funcionamento” e exibe uma composição atualizada em setembro.

A paralisação não atinge apenas Flávio. Procedimentos contra outros senadores também permanecem pendentes, o que não permite concluir, apenas pelos registros públicos, que exista uma proteção específica ao candidato do PL.

•        Ligações de Flávio Bolsonaro com organização criminosa do Rio. Por Ricardo Mezavila

O vídeo que registra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado do deputado Rodrigo Bacellar — então governador em exercício e presidente da Alerj — em Armação dos Búzios, documenta encontros políticos realizados em julho de 2025, durante agenda oficial e de confraternização, ao lado do prefeito local e demais autoridades.

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Em rede social, Bacellar publicou: “Sextou em Búzios ao lado do senador @flaviobolsonaro, do prefeito @oalexandremartins e de diversos amigos prefeitos, deputados, vereadores e secretários da região, em um momento de diálogo e alinhamento”.

A proximidade não era ocasional: Bacellar foi apontado pela Polícia Federal como “liderança do núcleo político” ligado ao Comando Vermelho (CV), atuando para obstruir investigações, vazar operações sigilosas e aparelhar o Estado em favor da facção.

Foi indicado por Flávio Bolsonaro como candidato do grupo ao governo do Rio em 2026 e chegou a receber da família Bolsonaro a medalha com os dizeres “imorrível, imbroxável e incomível”.

Em março de 2026, foi preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, denunciado pela PGR por repassar informações sigilosas ao ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva — o TH Joias, também réu por ligação com o CV. O caso se entrelaça ao núcleo do ex-governador Cláudio Castro (PL), que governou o estado e indicou Bacellar a cargos estratégicos.

A rede de relações expõe pontos comuns:

>>>> A REDE — NOMES E LIGAÇÕES CRUZADAS

1.       Rodrigo Bacellar — Ligação com Flávio Bolsonaro: apoiado publicamente, indicado a candidato ao governo, encontros registrados inclusive em Búzios. Ligação com Cláudio Castro: assumiu interinamente o governo na ausência de Castro; foi indicado a postos-chave. Acusações: preso, cassado; denunciado por vazar dados de operações policiais para o CV; mandado de prisão fundamentado em risco à ordem pública.

2.       TH Joias (Thiego Raimundo dos Santos Silva) — Ligação com Flávio Bolsonaro: integrava círculo próximo; a Primeira Turma do STF tornou-o réu junto com Bacellar por favorecimento ao CV. Acusações: apontado como intermediador de compra de armas para a facção; recebeu informações sigilosas repassadas por Bacellar.

3.       Daniel Vorcaro — Banco Master — Ligação com Flávio Bolsonaro: o senador pediu R$ 134 milhões ao banqueiro para financiar filme sobre Jair Bolsonaro (“Dark Horse”). Ligação com Cláudio Castro: o governo do RJ, sob Castro, aplicou R$ 3,69 bilhões do Rioprevidência no Banco Master — os aportes coincidem com o período do pedido de Flávio. Desdobramento: Banco Central fechou o banco em novembro de 2026; investigação apura se recursos públicos foram usados como garantia a pedidos políticos.

4.       Ricardo Magro — Refinaria Refit — Ligação com Cláudio Castro: Operação Sem Refino apura favorecimento irregular à empresa; suspeita de pagamento de vantagens pessoais ao ex-governador. Conexão: caso integra o mesmo núcleo de investigações sobre uso da máquina pública em benefício de aliados do PL no Rio.

5.       Adilsinho (Adilson Oliveira Coutinho Filho) — bicheiro preso — Ligação com Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro: nomes aparecem em planilhas do presídio; Bacellar aparece com codinome “Barba”, com valores que somam quase R$ 4 milhões. Acusações: investigação apura se valores correspondem a caixa dois de campanha; lista inclui doações registradas a campanhas políticas.

6.       Outros nomes do mesmo núcleo — Bernardo Rossi — ex-secretário do Ambiente de Castro, acusado de licenças irregulares à Refit. Flávio Chadud/Servlog — presos; propina ligada à gestão da vice-governadoria. Bernardo Coutinho Loyola — sobrinho de Adilsinho, com laços comprovados com Castro.

<><> O que está em jogo

A conexão entre todos esses casos não é mera coincidência. Convergem no mesmo campo político: o grupo que comandou o governo do Rio de Janeiro e que Flávio Bolsonaro pretendia conduzir às eleições de 2026.

As investigações revelam:

•        Encontros e alianças mantidos mesmo quando as suspeitas já eram públicas.

•        Recursos previdenciários e incentivos fiscais direcionados a pessoas sob investigação.

•        Vazamento de informações de inteligência para proteger facções criminosas.

•        Tentativas de afastamento público que não apagam a proximidade histórica e institucional.

A rede se entrelaça: quem compartilha palanques, indica candidatos, negocia recursos e mantém alianças com figuras acusadas de servir ao crime organizado não pode simplesmente se dizer alheio depois.

As ligações políticas com o núcleo investigado não podem esfriar — exigem esclarecimento completo, transparência total, divulgação à sociedade e responsabilização de todos.

Todos os fatos têm fonte oficial: decisões do STF, denúncias da PGR, relatórios da PF e reportagens verificadas.

•        No Rio, Lula expõe ligação de Flávio Bolsonaro com milícias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva detalhou nesta sexta-feira (18), em entrevista à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, os três eixos centrais de sua proposta para combater a criminalidade.

“Sufocar logística e mobilidade”; “retomar territórios” e “fortalecer a capacidade dos municípios”, afirmou Lula, acrescentando que a retomada dos territórios do crime organizado “é a parte mais desafiadora”.

Lula afirmou que seu objetivo é dar “tranquillidade” ao povo do Rio de Janeiro e ao povo brasileiro, e defendeu que as forças policiais têm de atuar fixamente, sem alguma brecha, 24 horas por dia, 365 dias por ano. O presidente também reforçou a importância da aprovação da PEC da Segurança Pública.

Lula também destacou o papel da inteligência no combate ao crime organizado e o fortalecimento do sistema prisional.

“O Rio de Janeiro não merece passar o que passa todo dia”, afirmou Lula, ao criticar as denúncias de corrupção no estado, inclusive envolvendo a família Bolsonaro.

De acordo com o presidente Lula, seu compromisso é “restabelecer o Rio de Janeiro”, com investimentos pesados da Petrobras e na recuperação do setor naval, bem como o acordo de aliviamento da dívida do estado.

“O governador está fazendo um trabalho extraordinário”, afirmou Lula, referindo-se a Ricardo Couto.

“Tem um candidato a presidente que é ligado aos milicianos aqui no Rio de Janeiro”, afirmou Lula, em referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro.

Lula também criticou as conexões de Flávio Bolsonaro com o ex-chefe do Banco Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso por supostas fraudes contra o sistema financeiro nacional. “Está enterrado até o pescoço com essa relação promíscua com o Vorcaro”.

Na entrevista, o presidente Lula também afirmou que irá dobrar o efetivo de policiais federais e de policiais rodoviários federais, prometendo ainda fortalecer a polícia penal.

•        Lula rebate Trump: ‘terrorista era o Bolsonaro’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebatou, nesta sexta-feira (18), as declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump sobre a atuação de facções criminosas na América Latina. Durante anúncio de ações de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, o chefe do Executivo rejeitou a rotulação dessas organizações como grupos terroristas nos moldes internacionais e afirmou que o verdadeiro terrorismo de Estado foi praticado por seu antecessor, Jair Bolsonaro, ao articular um golpe de Estado no Brasil, informa o discurso oficial do presidente.

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“Nós precisamos ganhar do crime organizado. Eu não aceito a ideia de que as facções são organizações terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Ele fala da briga pelo poder. Quem era isso era o Bolsonaro, tentando dar golpe no 8 de janeiro. Isso é terrorismo. Pensando em matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes. Esse era o plano. Isso é terrorismo de Estado”, declarou Lula.

Ao mesmo tempo, o presidente ponderou que a população das periferias e comunidades periféricas sofre um tipo distinto de violência, caracterizado pelo domínio territorial e pelo constrangimento ilegal praticado por facções e milícias no dia a dia dos moradores.

“Agora estamos falando de terrorista na periferia. Porque esses bandidos são terroristas para a família que está no bairro, para as pessoas na escola, que querem dançar num baile qualquer na periferia, que têm que pagar pedágio por conta do gás, por conta dos benefícios que o governo oferece. Esse é terrorismo, em que vive todo mundo assustado, desde uma criança levantar cedo para a escola, o pai e a mãe”, explicou o mandatário.

Lula reafirmou o compromisso do governo federal em atuar de forma integrada com as demais esferas de poder para recuperar o controle de áreas sob domínio de grupos armados no estado fluminense. “Esse nós vamos desocupar o território. Esse é o compromisso nosso: deixar o Rio de Janeiro livre da bandidagem”, concluiu.

 

Fonte: ICL Notícias/Brasi 247

 

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